Arquivos para : Stedile

A doutrina da Igreja quer uma Democracia popular, um socialismo com liberdade, cf. Alceu resumia bem

Como explicou Alceu, no “Memorando dos 90” (Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 1984, p. 85), “um socialismo com liberdade é perfeitamente compatível com a mais rigorosa ortodoxia e a doutrina social das encíclicas, é a minha firme convicção”.

É a mesma opinião de católicos como Getúlio Vargas (dizia que o trabalhismo era o pórtico do socialismo brasileiro, à brasileira), Barbosa Lima Sobrinho, Dom Hélder, Francisco Mangabeira, Fábio Konder Comparato, Plínio de Arruda Sampaio, Frei Betto, Olívio Dutra, Stédile, os militantes da Igreja no MST, Francisco Whitaker, Marcos Arruda, Molon, Gilberto Carvalho, Luiz Alberto Gómez de Souza, Cândido Mendes, Erundina, Senador Paim, Marcelo Euler e outros expoentes.

Esta é a mesma linha de bispos como o falecido Dom Hélder, Dom José Vicente Távora (então presidente do MEB, Movimento de Educação de Base, autor da “Cartilha Viver é lutar”, atacada por Carlos Lacerda, já antes do golpe de 1964), os irmãos Lorscheider, Dom Tomás Balduíno, Dom Moacir Grecchi, Dom Ronaldo, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Luciano Mendes de Almeida, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Mauro Morelli (em seus textos sobre como deve ser uma República, para abolir a miséria), Dom Enrique Avelar (Santiago), Dom Fernando Aristía (Copiapó), Dom Alberto Luna (Cuenca), Dom Julio Cabrera (Quiché) e milhares de outros luminares da Igreja.

O grande e querido Stédile, do MST, uma estrela de imenso brilho e luz

Resultado de imagem para Stédile

Alceu e a luta por um socialismo com liberdade

Como explicou Alceu, no “Memorando dos 90” (Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 1984, p. 85), “um socialismo com liberdade é perfeitamente compatível com a mais rigorosa ortodoxia e a doutrina social das encíclicas, é a minha firme convicção”.

É a mesma opinião de católicos como Pontes de Miranda, Barbosa Lima Sobrinho, Dom Hélder, Francisco Mangabeira, Fábio Konder Comparato, Plínio de Arruda Sampaio, Frei Betto, Olívio Dutra, Stédile, os militantes da Igreja no MST, Francisco Whitaker, Marcos Arruda, Molon, Gilberto Carvalho, Luiz Alberto Gómez de Souza, Cândido Mendes, Erundina e outros expoentes.

No fundo, era a opinião de Rui Barbosa, adepto de uma democracia social, nos moldes do Cardeal Mercier. O mesmo vale para o Cardeal Suenens, sucessor de Mercier, na Bélgica. 

Os melhores bispos da Igreja defendem um socialismo com economia mista, com liberdades amplas

Dom Sérgio Méndez Arceo, bispo de Cuernavaca, um grande bispo mexicano, ensinou:

“… nosso mundo subdesenvolvido não tem outro recurso senão o socialismo, isto é, a apropriação social dos meios de produção e a representação autêntica da comunidade” e “nós não viemos, como cristãos, forjar um socialismo cristão. Isso só serviria para absolutizar o socialismo e relativizar o cristianismo” (cf. discurso inaugural do encontro do Movimento “Cristãos pelo Socialismo”, 1972).

A diocese de Cratéus, no Ceará, usava, na década de 70, a “Canção de Maria”, no hinário “Cantando e lutando”, com os versos “derruba os poderosos/ dos seus tronos erguidos/ com o sangue e o suor/ do seu povo oprimido/ arranca os opressores/ os ricos e os malvados”.

Com base nestas idéias, Dom Tchidimbo, bispo de Guiné, defendia um “socialismo africano”, comunitário, e isso já no início da década de 60. Dom Hélder também defendia um “socialismo personalista”, ponto em que o belga Henri de Man concordaria.

Dom Antônio Fragoso (1920-2006) foi bispo em Cratéus-CE. Este grande bispo, como outros da CNBB, defendia uma forma de socialismo humanista e participativo. No prefácio ao livro de Paes de Andrade (um grande democrata católico), “O itinerário da violência” (Rio de Janeiro, Ed. Paz e Terra, 1978), Dom Fragoso ressaltou que “o rosto e a vida do povo revelam o rosto do Deus vivo. Violar os direitos e a dignidade do povo é blasfemar contra Deus”. Dom Fragoso concluiu corretamente que todos devem lutar para termos um “Estado” que assegure “ao povo, sobretudo ao povo oprimido, a participação plena no ter, no saber e no poder”, pois “o povo tem o direito irreversível de ser protagonista de seu projeto político”.

Esta é a mesma linha de bispos como o falecido Dom Hélder, Dom José Vicente Távora (então presidente do MEB, Movimento de Educação de Base, autor da “Cartilha Viver é lutar”, atacada por Carlos Lacerda, já antes do golpe de 1964), os irmãos Lorscheider, Dom Tomás Balduíno, Dom Moacir Grecchi, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Luciano Mendes de Almeida, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Mauro Morelli (em seus textos sobre como deve ser uma República, para abolir a miséria), Dom Enrique Avelar (Santiago), Dom Fernando Aristía (Copiapó), Dom Alberto Luna (Cuenca), Dom Julio Cabrera (Quiché) e outros luminares da Igreja.

Como explicou Alceu, no “Memorando dos 90” (Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 1984, p. 85), “um socialismo com liberdade é perfeitamente compatível com a mais rigorosa ortodoxia e a doutrina social das encíclicas, é a minha firme convicção”. É a mesma opinião de católicos como Barbosa Lima Sobrinho, Dom Hélder, Francisco Mangabeira, Fábio Konder Comparato, Plínio de Arruda Sampaio, Frei Betto, Olívio Dutra, Stédile, os militantes da Igreja no MST, Francisco Whitaker, Marcos Arruda, Molon, Gilberto Carvalho, Luiz Alberto Gómez de Souza, Cândido Mendes, Erundina e outros expoentes. O mesmo para Domingos Velasco, Agamenon Magalhães, Sérgio Magalhães e outras estrelas. Generais como Horta Barbosa, Lott e outros pensavam o mesmo. Idem para Alceu Amoroso Lima. 

O socialismo defendido pela Igreja é a Democracia Popular, com Estado social, economia mista, estatais, cooperativas e forte base campesina, de pequena burguesia, artesões, profissionais liberais, autônomos, artistas, servidores etc. Uma boa Frente popular com economia mista. 

João Pedro Stédile, a maior voz da agricultura campesina no Brasil. Grande cara

Por João Pedro Stedile *

 Articulações Internacionais.

O Papa Francisco tem se revelado um líder religioso com alcance politico, que esta refletindo sobre os verdadeiros dilemas que afetam a humanidade e seu futuro. Por isso, hoje é uma referência para todas as forças populares, independentes da fé ou a religião. Suas reflexões e alertas sempre são muito corajosos e colocam os governos contra a parede. No assunto das armas, por exemplo, nos alegra que tenha se “tocado na ferida”, pois a Europa é quem produz mais armas, inclusive gases letais utilizados nas guerras regionais do Oriente Médio. No entanto, os governos europeus não assumem sua responsabilidade nem sequer com asconsequências mais próximas como a migração das multidões doOriente e da África para seu território, como resultado das guerras.

No tema do meio ambiente Francisco nos presenteou comuma Encíclica maravilhosa, que é a mais importante reflexão critica sob o assunto, nem mesmo a tradição de pensamentomarxista tinha construído. Devemos transformar a Encíclica num instrumento didático de educação para as bases, sobre a natureza, as causas e as saídas para os problemas ambientais.

Em nossas metodologias dos Encontros Mundiais de Movimentos Populares em diálogo com o Papa, temos construído agendas pontuais para cada encontro. No último, focamos no temados refugiados, do meio ambiente e da hipocrisia da democracia burguesa, já que o voto popular decide muito pouco nos processos eleitorais, que são sequestrados pelo capital.Tenho entendido que esses assuntos ainda estão na mesa, pois não conseguimos aprofundar o suficiente no ultimo encontro, portanto devemos seguir trabalhando essa linha.

Sobre os assuntos dos refugiados, migrantes e o direito àcidadania universal que cada pessoa teria de circular livremente em nosso continente, precisamente, Evo Morales acabou de realizar um encontro internacional na Bolívia, para coletar opiniões que pretendem levar como proposta as Nações Unidas, para que podamos num futuro ter um mesmo passaporte.

O tema mais grave é o que trata da falência do Estado burguês que foi gestado pela revolução francesa em 1789 e que representava uma proposta da burguesia industrial para regular as relações sociais. Agora, a burguesia financeira e internacional não tem interesse nesse Estado, passa por cima dele. Então as forças populares devem pensar, debater e construir um novo tipo de Estado, e uma nova forma de participação democrática, popular. Mas, estamos no meio da crise e ainda não estão claros os caminhos e as construções possíveis. Mas teremos muitas mudanças pra frente…

Espero que a próxima Conferência Internacional da Via Campesina, a ser realizada em julho no País Basco, se dedique a analisar quais ações devemos adotar de forma conjunta em todo o mundo, entre as organizações campesinas, para confrontar esse desafio enquanto temos tempo.

Por outro lado, em novembro próximo, em Caracas, teremos a Assembleia Internacional de Movimentos e Organizações Populares que é parte de um processo de construção coletiva que vem de anos atrás. Na América Latina e no Caribe, esse processo tomou forma no final dos anos 1980 com a “Campanha 500 Anos de Resistencia Indígena, Negra e Popular”, logo depois, com a “Campanha contra a ALCA” e mais tarde com a construção da “Articulação dos Movimentos da ALBA”. Mas também temos impulsado processos similares na África, no Mundo Árabe e na Ásia.

Logo, como parte de um processo permanente de articulação internacional, precisamente para enfrentar a crise do capitalismo a partir dos movimentos populares, estamos construindo esses processos. Não são datas ou eventos, são processos permanentes, nos quais podemos nos identificar com propostas e programas, criar confiança politica e identidade comum e assim avançar.

Oxalá se realize o sonho de Marx, com sua Associação Internacional de Trabalhadores, o sonho de Martí, Che e Fidel, que geraram a OSPAAAL, como uma articulação do Terceiro Mundo frente ao imperialismo na década de 1960. Agora, o que resta àsforças populares é seguirem adiante, com generosidade, pluralidade, evitando os protagonismos, vedetismos pessoais e falsos hegemonismos.

*João Pedro Stedile é membro da Coordenação Nacional do MST e da Via Campesina Brasil. Integrante do Conselho de ALAI
Publicado dia 07/07/17 Alainet
Traduzido por ALBA Movimientos Brasil

Elogio de Paulo Schilling, grande militante

Colhi no site do MST, um grande elogio a Paulo Schilling – “Faleceu nesta quinta-feira, dia 26 de janeiro de 2012, aos 86 anos, às 21h05, em São Paulo, o político, jornalista e escritor Paulo Schilling. Ele deixa viúva, quatro filhas e dois netos. O corpo será cremado no Crematório da Vila Alpina.

Gaúcho de Rio Pardo, Paulo Schilling foi assessor do governador gaúcho Leonel Brizola. Foi também secretário-executivo da Frente de Mobilização Popular (de apoio ao presidente João Goulart) até 1964, acumulando com a direção do jornal “Panfleto”. Exilado por 16 anos entre Uruguai e Argentina, trabalhou em jornais locais – como o uruguaio “Marcha” –, em agências de notícias (como a Prensa Latina) e em editoras de livros.

Com a anistia, Paulo voltou ao Brasil em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e colaborou com a Secretaria de Relações Internacionais do partido. Desde a fundação, colaborou também com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), na escola de formação de quadros, em Cajamar. Colaborou aindEa com o CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação).

O MST o considera um dos seus pioneiros, já que organizou em 1960, no Rio Grande do Sul, o Master (Movimento dos Agricultores Sem Terra). Paulo também foi incentivador do cooperativismo no Sul, ajudando a fundar a Fecotrigo, uma das maiores cooperativas de produção do país.

“Paulo Schilling foi um dos fundadores do Master na década de 60. Era grande amigo do MST. Foi um dos grandes defensores da Reforma Agrária em todo a sua vida”, afirmou João Pedro Stedile, da Direção Nacional do MST.

Schilling escreveu 32 livros sobre a América Latina, além de diversos ensaios e centenas de reportagens – grande parte redigida no exílio. Um dos livros mais conhecidos nesta época é “Como a direita se coloca no poder”, editado no Brasil pela Global, em 1979

— Updated: 20/07/2018 — Total visits: 30,837 — Last 24 hours: 31 — On-line: 0
Pular para a barra de ferramentas