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Difusão de bens, do poder, do saber, dos prazeres, eis o Plano Central de Deus

O Estado é uma obra humana, UMA CONSTRUÇÃO HUMANA, um conjunto de atos humanos.

A finalidade intrínseca do Estado e da sociedade, e assim a medida da legitimidade (o critério-chave) é a de defender, proteger e promover a dignidade humana, a vida humana, realizar o bem comum.

A Bíblia ensina que a sociedade deve ter a forma de uma comunhão de bens, uma comunidade participativa, partilhando os bens e o poder.

Na prática, significa todas as famílias terem casas boas (há um texto ótimo de Kautsky sobre isso), lotes, móveis, acesso a internet rápida e gratuita (banda larga), transporte público de ótima qualidade, sistema público de saúde e educação, ótima Previdência (paga pelo Estado e pelas empresas), boas aposentadorias (com 50 anos, o Estado já deveria dar algo, aumentando com a idade), bons empregos (demissão só com justa causa, jornada pequena, ótima remuneração), milhões de micros e pequenas empresas familiares, milhões de cooperativas, milhares de ótimas estatais com co-gestão, planejamento participativo etc. 

Todo poder vem de Deus, por mediações, especialmente pela mediação da consciência do povo, das pessoas

O poder vem de Deus (cf. Rom 13,1), mas mediante as pessoas, a sociedade, o povo, como demonstraram Santo Ambrósio, São Basílio Magno, São João Crisóstomo e os demais Santos Padres.

A mesma lição está nos textos de Boécio, São Isidoro de Sevilha, o Arcebispo John de Salisbury (m. em 1080), Manegold de Lautenbach (m. em 1110), Fernão Lopes, São Tomás Morus, Bartolomeu las Casas, Francisco de Vitória, Francisco Suarez, o abde de Saint Pierre, Fenélon, Montesquieu, Alexander Pope (1688-1744), Santo Alfonso Maria de Ligório (1696-1787), Mably e outros. Merecem destaque estrelas como Salisbury, Morus, Las Casas, Suarez, Bellarmino, Ligório (o patrono da teologia moral), Mably, o bispo John Caroll (1735-1815), Frei Caneca (1774-1825), William Cobbett, O´Connell, Buchez, Ozanam, Dom Félix Dupanloup (1802-1878), Lacordaire, Ketteler, Mun, Lavigerie, Luis Windthorst, Manning, Gibbons, Ireland, Manning, Billot, Maritain, Cardjin, Rommen, Alceu, Dom Hélder e outros luminares, que expuseram corretamente a teoria cristã sobre o poder público.

O poder legítimo nasce imediatamente da sabedoria (das idéias verdadeiras, fruto do diálogo) do povo, da bondade do povo.

O poder legítimo reflete a Trindade, as processões da Trindade.

O poder legítimo é fruto do Logos, do Verbo, do Amor, da Bondade, do Bem comum. O poder legítimo procede de Deus mediante a Sabedoria do povo, atuando pelo Amor, pela realização do bem comum.

A teoria cristã sobre o poder é, assim, a teoria popular sobre o poder. Esta teoria tem como princípio-chave o ideal da destinação universal dos bens, da Comunhão, inclusive do poder, sendo este o ideal do bem comum, a regra suprema do bem comum.

Todos devem usar e fruir dos bens na medida das próprias necessidades (cf. At 4,32), erradicando a miséria e a riqueza privada, organizando a sociedade com base na mediania, na igualdade, pois Deus não faz acepção de pessoas.

A teoria popular sobre o poder é a teoria natural e racional sobre o poder, sendo, assim, a teoria cristã do poder.

Esta teoria sobre o poder e os bens inspirou a Igreja e está bem clara na Bíblia, na recepção cristã do melhor da teoria grega-romana sobre o poder, nos Santos Padres, Isidoro de Sevilha, Manegold, John Salisbury, na Carta Magna de 1215, em Fernão Lopes, Thomas Morus, Las Casas, Vitória, Suarez, o abade de Saint-Pierre, Montesquieu, Mably e outras estrelas do catolicismo.

O ideário de Mably, por exemplo, é o núcleo dos melhores textos inclusive do jornal “O amigo do povo”, de Marat (a parte sangrenta é o joio, tendo ao lado o trigo, vindo de Mably, da Igreja).

O mesmo ocorre nos textos de Babeuf e de Buonarrotti, inspirados em Mably , Morelly, Campanella (1568-1639) e Morus, autores que o próprio Marx considerava como precursores, como seus fundamentos teóricos.

O mesmo ocorria na Liga dos Justos, onde Weitling fundamentava o ideal de comunhão social democrático e socialista nas idéias cristãs.

Estes ideais estão também nos textos religiosos de Saint-Simon, Owen, Leroux, Considerant, Buchez e outras estrelas socialistas.

Conclusão: a ação humana, do povo, é causa eficiente secundária no destino humano, atuando em interação dialógica e concursal com Deus, a Causa Primária de tudo o que é bom.

O poder vem de Deus, mediante o povo, pela consciência do povo, partindo do povo, sendo exercida pelo povo, para o bem do povo.

Fichte, outro precursor cristão do socialismo

O socialismo de Estado (e também as idéias socialistas de Marx) tem fontes hegelianas, em Fichte, Schelling e outros autores cristãos.

Hegel considerava que o Estado é o Espírito que se realiza no mundo com consciência de si, é o poder da razão e da ética. Os textos de Hegel sobre economia são baseados principalmente em James Steuart, cameralista, colbertista. 

Esta noção ampliada sobre o Estado tem base também nos textos de Fichte, especialmente no livro “O Estado comercial fechado”, de 1800.

Fichte defendia idéias muito cristãs, especialmente que o Estado (de fato, a sociedade, usando principalmente o Estado) deve dar a cada pessoa o que é lhe é devido, dar os bens necessários e proteger as pessoas.

Fichte ensinava que o “fim de toda a atividade humana é viver, e todos o que a natureza introduziu na vida têm igual direito a poder viver”. Enquanto houver pessoas com necessidades, o luxo e o supérfluo não devem existir.

Fichte ensinava ótimas lições como: “Todos têm o direito de comer e de possuir uma casa antes de alguém ter habitações luxuosas; todos devem ser vestidos cômoda e satisfatoriamente antes que alguém tenha o direito de se vestir com magnificência”.

Fichte defendia um Estado racional, com fortes barreiras alfandegárias e com amplos controles estatais.

Anton Menger, no livro “Direito ao produto integral”, reconheceu Fichte como um precursor do socialismo. De fato, Fichte influenciou Bruno Bauer, Rodbertus, Lassalle, Moses Hess e outros. Os escritos de Fichte adotam fundamentos religiosos e socialistas e é outro precursor pré-marxista do socialismo.

A Doutrina da Igreja defende democracia popular, política, cultural, econômica, social

João Paulo II, na “Redemptor Hominis” (n. 72, ), também foi claro: “O sentido essencial do Estado consiste nisso: que a sociedade e quem a compõem, o povo, é soberano do próprio destino”, ou seja, deve ter o controle da própria vida, da economia etc. Depois, o papa acrescentou:

“Um tal sentido não se torna uma realidade, se, em lugar do exercício do poder com a participação moral da sociedade ou do povo, tivermos de assistir à imposição do poder por parte de um determinado grupo a outros membros da sociedade”.

No mesmo documento, ressaltou que “a autoridade no Estado” deve estar a serviço, vinculada (subordinada, ligada) ao “bem comum”, à sociedade, que tem, assim, o primado sobre o Estado. 

Como explicou o padre Fernando Bastos de Ávila, a doutrina da Igreja defende Democracia popular, política, econômica (na economia), social, cultural etc. O controle do povo organizado, sobre o Estado e sobre as estruturas econômicas. 

— Updated: 13/02/2020 — Total visits: 65,009 — Last 24 hours: 38 — On-line: 0
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