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Pontos comuns entre o velho Marx e Leão XIII, no início de seu pontificado

Houve vários pontos comuns entre a postura de Marx diante da violência e as posições da Igreja.

O próprio Zola apontou estes pontos comuns, no livro “Germinal” e em suas últimas obras. Zola condenou a pregação da violência, como prática política. Zola mostrou que a violência dos anarquistas apenas ajuda a reação, a gerar Estados policiais. 

Por outro lado, na linha ruim, autores anti-cristãos, como Nietzsche (que inspirou Mussolini e Hitler), faziam a apologia da força e da violência.

Na mesma linha de Zola e da Igreja, há os textos de Marx e Engels de crítica ao bakuninismo, especialmente no caso Netchaiev. Netchaiev chegou a organizar assassínios para cimentar sua organização.

No Brasil, após o golpe de 64, Igreja e PCB de Prestes foram contra guerrilhas e atos violentos, fazendo coro com a prioridade essencial da luta política e sindical, contra a ditadura militar. 

Da mesma forma, em 1878, o Imperador Guilherme I da Alemanha, sofreu dois atentados, o primeiro no início de maio, pelo membro do Partido Social-Democrata Max Hödel. A reação marxista foi imediata. Hödel foi expulso do partido ligado a Marx.

O segundo atentado foi em junho de 1878, praticado pelo anarquista Karl Nobiling, que disparou contra ele com um revólver, suicidando-se em seguida.

Marx criticou as tentativas de Nobiling e de Hodel, tal como os assassínios em Dublin, em 1882, no Phoenix Park. Estes assassínios atraíram, também, a condenação de Leão XIII.

Valores fundamentais – amor, justiça, verdade e liberdade

O Pontifício Conselho Justiça e Paz do Vaticano organizou o “Compêndio da doutrina social da Igreja” (São Paulo, Ed. Paulinas, 2005, 2ª ed., 197) e listou quatro “valores fundamentais”: “a verdade, a liberdade, a justiça, o amor”.

Estes quadro valores são caminhos para o bem comum. Sobre os valores, vale a pena ler o livro de Tarcísio Meirelles Padilha (n. 1928), “A ontologia axiológica de Louis Lavelle” (tese escrita em 1955), que deixa claro que os “valores” são “idéias” (com cargas afetivas, por conta da união hipostática do corpo e da alma), idéias verdadeiras (reais), correlatas ao bem comum. .

Paulo VI, em 03.02.1968, ressaltou que estes “valores” têm, em seu núcleo, “princípios” (regras, idéias práticas, deveres, obrigações) correlatos: “da verdade, da liberdade, da justiça, do amor”.

Pio XII, em 04.09.1949, ensinou que “o programa social da Igreja Católica é baseado em três poderosos pilares morais: a verdade, a justiça e a caridade [o amor] cristã”. No mesmo documento, Pio XII chamou estes “pilares” de “princípios”.

Paulo VI, na mensagem aos povos de 15.12.1967, lembrou que não devemos adotar “uma concepção vil e negligente da vida”, e sim baseada nos “mais altos e universais valores da vida: a verdade, a justiça, a liberdade, o amor”.

Os valores, então, são juízos (idéias combinadas) de valores, grupos de idéias abstratas que, combinadas, geram princípios (regras, preceitos), que são sínteses (combinações, uniões) mais elaboradas de idéias (proposições expressando juízos, que são ligações de idéias).

Ao mesmo tempo, estas idéias, quando encarnadas (realizadas, concretizadas) numa pessoa sincera, produzem bons movimentos afetivos, boas paixões. Toda idéia tem, conexa, uma carga afetiva, toda idéia está encarnada, tem sangue, tem carne, tem imagem, tem concretude. E toda ideia tem uma imagem correlata.

Os valores são idéias enraizadas nos sentimentos, nos afetos, ganhando, desta forma, eficácia sobre o comportamento (a conduta) humano.

— Updated: 19/09/2018 — Total visits: 35,519 — Last 24 hours: 108 — On-line: 0
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