Arquivos para : A “Fórmula” p explicar a relação da Religião com a Ética, com um vasto Estado social democrático, organização econômica sem reificação etc.

A sociedade e o Estado são construções humanas, da razão humana

A sociedade no sentido amplo é uma construção, tal como o Estado.

A Bíblia também considera a própria Igreja como uma “construção” humana (“aedificatio”, daí a expressão para edificação), feita sob a luz da graça e da fé, mas com forças humanas (a graça opera por dentro, pela mediação da natureza, por meio desta, sem anulá-la).

A graça aperfeiçoa a natureza, atua por dentro, “penetra o nosso ser e o nosso agir, enobrece todo trabalho honesto”, cf. Pio XII, em 1943).

O próprio Cristo usou a imagem da construção de um edifício (cf. Mt 21, 42; At 4,11; e 1 Pd 2,7). A Igreja foi sendo construída por forças humanas (1 Cor 3,11) e ocorre o mesmo com o Estado, embora a atuação divina seja mais direta na Igreja.

O termo construção é complementado pelo resultado da construção, pois a Bíblia chama a Igreja de “Casa de Deus” (“Domus Dei”, cf. 1 Tm 3,15); “Morada de Deus” (“Habitaculum Dei”, Ef 2, 19-22); “Tenda de Deus” (“Tabernaculum Dei”, cf. Ap 21,3; e “Templo Santo” (“Templum Sanctum”. Nesta “Casa”, todos somos “pedras vivas” (cf. 1 Pd 2,5), partes atuantes.

Da mesma forma, a Igreja é chamada de “Jerusalém”, ou seja, de cidade, construção humana.

Outra foto de Jenny Marx, filha de Marx, com um crucifixo

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A fé e a graça visam fortalecer as energias da razão, da vontade, dos afetos, do corpo

O documento “Para uma pastoral da cultura”, do Conselho Pontifício da Cultura, órgão do Vaticano, diz que “a Igreja esclarece o sentido e o valor da vida, alarga os horizontes da razão e fortalece os fundamentos da moral humana”. Em outras palavras, a fé e a graça fortalecem as forças humanas, atuam por dentro das forças naturais, purificando, aperfeiçoando. Dentre estas forças, a fé atua principalmente sobre a inteligência:

“… desde as origens, o cristianismo se distingue pela inteligência da fé e pela audácia da razão. Testemunham-no pioneiros como são Justino e são Clemente de Alexandria, Orígenes, os Padres Capadócios, o encontro entre o pensamento platônico e neoplatônico e santo Agostinho, depois a integração da filosofia de Aristóteles efetuada por santo Tomás, sem esquecer santo Anselmo, santo Alberto Magno e são Boaventura, até a época contemporânea ilustrada por Newman e Rosmini, Edith Stein e Vladimir Soloviev, Pavel Florensky e Vladimir Lossky, evocados pelo Papa João Paulo II, na sua encíclica Fides et Ratio (cf. nn. 36-48)”.

A ética cristã é a ética natural, visando uma vida digna, feliz, simples e plena

O próprio Cristo, em Mt 25, 35-40, deixou claro que a salvação depende principalmente do cumprimento dos deveres sociais (alimentar, vestir, dar moradia, socorrer na prisão e nas situações de desespero aos que sofrem).

Cada pessoa obtém a salvação (aperfeiçoa-se, humaniza-se, santifica-se, torna-se pleno, une-se a Deus, diviniza-se) se pauta sua vida racionalmente, em prol da sociedade, do bem de todos.

Leão XIII, na “Arcanum Divinae Sapientiae” (10.02.1880), sintetiza (resume toda a doutrina cristã, a ética cristã, escrevendo) que “a religião cristã” manda (explicita esta regra presente em todas as consciências) “velar e prover” “completamente a tudo que é útil aos homens que vivem em sociedade”.

Neste documento, Leão XIII citou Santo Agostinho para frisar que a religião busca “tornar a vida agradável e feliz”, tendo o intuito de salvar as almas, mas também de “proporcionar e aumentar as vantagens e os bens desta vida mortal”.

Profecia de Isaías sobre a difusão do cristianismo

O profeta Isaías termina seu livro tratando da relação do povo com Deus e com Cristo: “Eu [Jesus] virei, para reunir todos os povos e línguas”,  difusão no mundo todo, “colocarei neles um sinal” [o sinal da Cruz], “Eu os mandarei para as nações de Társis, Fut, Lud, Mosoc, Tubal e Javã [Grécia, Europa, oriente, Espanha etc], para as distantes terras do além-mar [América, Oceania…], que nunca ouviram falar de mim” e “durarão o povo e o nome de vocês” “como durarão para sempre diante de mim os novos céus e a nova terra, que criarei”.

Crescimento do número de católicos no mundo todo. Otimo

O número de católicos no mundo cresceu, segundo dados da Agência Fides, que há 90 anos divulga as missões da Igreja pelo mundo. O número de pessoas que professam a fé católica representa pouco mais de um sexto de toda a população global. Em todos os continentes foram registrados um aumento no número de fiéis, menos na Europa, que apresentou uma ligeira queda. O mesmo movimento foi observado em relação aos padres e bispos pelo mundo. Já os religiosos, apresentaram queda pelo segundo ano consecutivo.

O levantamento mostra que o número de católicos é equivalente a 1,27 bilhão de pessoas, com um aumento 18,3 milhões, em relação ao ano anterior. O aumento é constatado em todos os continentes, com exceção da Europa, e é maior, na África, com 8,5 milhões, e na América, com 6,6 milhões, seguidas pela Ásia, 3,0 milhões, e na Oceania, 208 mil. A Europa registrou queda de 57 mil fiéis.

A pesquisa apresentou ainda um crescimento de 64 novos bispos. O número de sacerdotes também registrou aumento, com um saldo de 444 padres, em relação ao ano precedente, e já somam 415 mil. Nesse cenário, a diminuição mais consistente se registra novamente na Europa com diminuição de 2,5 mil e, de modo menor, na América, com menos 123, e na Oceania, com menos 86 padres. Já a África e a Ásia registraram um aumento de aproximadamente 1 mil e 2 mil, respectivamente.

Os sacerdotes diocesanos somam 281 mil, com aumentos na África, na América e na Ásia, com redução na Europa e na Oceania, onde o número de padres religiosos foi reduzido em 321, representando um terço dessa parcela.

: : Igreja foca no trabalho de formação dos padres pelo mundo

Os religiosos não sacerdotes somam mais de 54 mil, com diminuição de 654 membros. Os dados também mostram a tendência à redução global das religiosas, este ano ainda maior do que no ano passado, com queda de 10 mil. Ao todo, o número de religiosas e religiosos pelo mundo somam quase 683 mil.

No campo da instrução e da educação, a Igreja administra no mundo 73 mil escolas maternais, frequentadas por 7 milhões crianças; 96 mil escolas de ensino fundamental com 33 milhões de alunos; 46 mil institutos de educação secundária, com 19 milhões estudantes. Acompanha ainda 2,4 milhões de alunos de escolas superiores e 2,7 milhões estudantes universitários.

Os institutos de beneficência administrados pela Igreja no mundo incluem: 5 mil hospitais, 15 mil casas para idosos, 9 mil orfanatos, 14 mil consultórios matrimoniais, 3 mil centros de educação ou reeducação social e outras 65 mil entidades.

Anualmente, a Agência Fides apresenta algumas estatísticas com o fim de oferecer um quadro panorâmico da Igreja no mundo. Os dados foram extraídos do último Anuário Estatístico da Igreja e se referem a membros da Igreja, estruturas pastorais, atividades nos campos médico, assistencial e educativo.

Boas lições de autogoverno pessoal e social, por Paulo VI

O autogoverno, aplicado à sociedade, opera pela “via legítima” do diálogo. Paulo VI, na “Ecclesiam Suam” (06.08.1964), dividiu esta encíclica em três partes essenciais: “consciência”, “renovação” (“aggionamento”) e “diálogo”. Neste documento, este papa ensinou que a Igreja (e o mesmo vale para o Estado) “não se apresentará armada de coação externa”, e sim divulgará suas idéias “pelas vias legítimas da educação humana, da persuação interior [e racional] e do trato comum, respeitando sempre a liberdade pessoal e civil”.

A forma natural de organizar o convívio social é pelo diálogo racional, pautado pelo bem de todos, pelo interesse geral, social. As normas (regras) da boa convivência, pautada pelo bem geral, estão sujeitas, tal como as demais idéias práticas, a constantes renovações (“aggionarmentos”, cf. Maritain, Alceu, João XXIII e Paulo VI).

Nesta encíclica, Paulo VI destacou a importância do ecumenismo com as pessoas “que não professam nenhuma religião”, inclusive com “os ateus”. Frisou que muitas pessoas sem religião possuem “sonhos de justiça e de progresso”, com “paixão” e “utopia”; e que a Igreja deve “reconduzir [exatamente a meta deste meu livro e do outro sobre socialismo] às fontes, que são cristãs [preponderantemente], essas expressões e valores [idéias] morais”. Esta recondução facilita o diálogo, pelo destaque dos pontos comuns, sendo este o método do ecumenismo. No texto de Paulo VI há uma alusão ao marxismo e a outras correntes que estão empapadas de idéias cristãs e hebraicas, que têm fortes conteúdos cristãos, pelas fontes hebraicas e cristãs de pensadores como Marx e outros.

O ateísmo nunca dura muito, pois não tem perspectivas boas para o futuro pessoal, para a vida de cada pessoa. 

A religião no mundo, dados demográficos

Há mais de sete bilhões de pessoas no planeta, em mais ou menos 140 milhões de quilômetros de superfície seca, dispersos em cinco continentes e umas 239 nações. Deste total, cerca de 54% da população mundial adota explicitamente o cristianismo e/ou o islamismo. A parte cristã, da população mundial, atinge diretamente cerca de 33,5%. Indiretamente, a cultura cristã influencia o mundo todo.

Uma das explicações da difusão das idéias cristãs está na difusão de certas línguas. No mundo, há cerca de sete mil línguas. No entanto, há dez línguas que abarcam mais da metade do planeta.

O chinês mandarim é falado por cerca de um bilhão de pessoas. O hindu por 565 milhões. O inglês por 545 milhões. O espanhol é a quarta, com 450 milhões. A quinta é o árabe, com 246 milhões. Em sexto, o português, com 240 milhões. Depois, há o bengalês, 171; o russo, 145 milhões; o francês, com 130 milhões; e o japonês, com 127 milhões. Somando o espanhol com o português, há 668 milhões, constituindo este grupo a segunda língua. Se juntar com o francês, chega a praticamente 800 milhões. No bojo das línguas latinas e gregas há milhares de idéias judaico-cristãs. Somando a estes 800 milhões o total das pessoas que falam inglês (545 mil) e russo (145 mil), totaliza cerca de um bilhão e meio de pessoas. Com os que falam árabe, italiano, alemão e outras, dá bem mais de dois bilhões.

Somando o ingles (545 milhões), o espanhol (450 milhões), o portugues (240 milhões), o russo (145 milhões), o francês (130 milhões), há cerca de cerca de um bilhão e meio, mais que os chineses.

Nas línguas surgidas dentro da cultura cristã há milhares de idéias cristãs embutidas nas milhares de palavras oriundas da Revelação judaico-cristã, inclusive na língua árabe, pois o islamismo é, a meu ver e de muitos, uma “heresia” cristã-judaica, de fundo bíblico (tendo a crença no purgatório, no poder da oração, no julgamento final, na imortalidade da alma, com altíssimos elogios a Cristo e a Maria e fundo bíblico extenso).

As obras de Charles Cutler Torrey (1863-1956), professor em Yale, sendo hebreu, mostram as influências judaicas e cristãs no pensamento de Maomé, principalmente partindo de Medina, que tinha uma grande colônia judaica.

A Igreja católica forma cerca de 17,5 % da humanidade (1,4 bilhões de batizados), sendo a parte visível da Igreja invisível, na visão do catolicismo, que é a minha. O próprio termo “católico” mostra que a Igreja deve ser ecumênica, pois “católico” é uma palavra grega, cuja tradução é “universal”.

O universalismo é assim, o catolicismo, os católicos devem ser universais, abertos à verdade, venha de onde vier, pois prezam sempre a luz natural da razão, que é salvífica, pois ao atuarmos racionalmente nos abrimos para a ação da graça (Espírito Santo), que atua em todas as pessoas. A Igreja tem mais de cem mil instituições beneficientes (orfanatos, casas para idosos, atendimento a paraplégicos, creches etc) e quase duzentos mil entidades educacionais (a maior parte para recém-nascidos e escolas primárias). Em países como os EUA, o catolicismo está em franca expansão, o mesmo ocorrendo no Reino Unido (cerca de 11%, em processo de união com os anglicanos, semi-católicos).

Resumindo, há o Papa, uns 5.000 bispos, cerca de quatrocentos e poucos mil sacerdotes, uns 115.000 seminaristas, mais de um milhão de religiosos e religiosas e mais de um milhão de diáconos e catequistas. Quase toda o continente americano é católico, boa parte da Europa, cerca de 28% da Oceania e uns 17% da África. Na Ásia é que é problemático, pois há apenas cerca de 10% de católicos. No entanto, na Ásia há uma parte imensa que é muçulmana, com crenças bem semelhantes ao catolicismo, tal como há os hindus, budistas e confucianos, também com crenças semelhantes (imortalidade da alma, crença em Deus, ética semelhante etc).

O islamismo é uma religião formada com base em idéias hebraicas e cristãs. No fundo, na visão cristã e judaica, é uma “heresia” cristã e judaica, com ampla base bíblica, como destacaram São João Damasceno, Santo Tomás e São Raimundo de Peñafort (1175-1275, frade dominicano).

Dentro do islamismo, há milhares de idéias hebraicas e cristãs que também fazem parte do cristianismo (eles admitem até uma espécie de purgatório, de purificação após a morte, tal como têm um culto mariano, pois há a “Surata de Maria”, no Alcorão, elogiando Maria). Da população mundial, cerca de 18% a 20% são muçulmanos, sendo a religião oficial de cerca de 25 países. Os xiitas são minoria, pois atingem, no máximo, uns 124 milhões (no Irã, em parte do Iraque, Bahrein, Azerbaijão e Iêmen, principalmente). Os xiitas são republicanos, pois defendem um califato eletivo. A área muçulmana é principalmente o sudoeste e parte do centro da Ásia, o norte da África e a parte de cima da Oceania (Indonésia, Malásia, Brunei, Cingapura e outras).

Mais da metade da população do planeta é cristã ou muçulmana. O número de hindus fica em torno de 900 milhões, ou seja, uns 13%. O número de budistas é de uns 380 milhões, uns 5,8%. Há também os chineses ecléticos, com uns 385 milhões, misturando confucionismo, taoísmo e budismo (em geral, maiana, sino-japonês, mas parte é maiana-tibetana). Logo, há em torno de um bilhão, seiscentos e trinta e cinco milhões de pessoas com crenças hindus, budistas, confucianos, taoístas etc. Este número equivale a pouco mais de 25% da população do planeta. Assim, somando os 54% de cristãos e muçulmanos com estes 25%, o total fica em torno de 83% do planeta.

Os hindus, budistas, confucionianos, taoístas e shintoístas ficam em torno de 25% da população do planeta e têm crenças espiritualistas, acreditam na espiritualidade da alma, nos malefícios dos pecados, numa forma de julgamento ético, em Deus e a crença deles abarca até mesmo a existência de anjos e demônios. A ética budista, hindu, confuciana ou taoísta (tal como do shintoísmo) é bem próxima do cristianismo. Os elementos salvíficos estão em todas as partes. O catolicismo acredita que tem mais elementos, sendo a mais completa e a via mais natural e fácil, mas sempre admitiu que pessoas de outros credos possam se salvar (cf. bom texto de Pio IX e de outros papas).

Em 2005, o mundo tinha cerca de seis bilhões e quatrocentos milhões habitantes, distribuídos em cinco continentes: África, Ásia, América, Europa e Oceania. Somente a Europa, com uns 745 milhões (11,64% do globo), tinha mais do que a população mundial em 1650, orçando em 553 milhões (cf. Luiz Eduardo Simões de Souza, “Elementos de demografia econômica”, São Paulo, Ed. LCTE, 2006, p. 26, com base em estudos de Pedro Beltrão).

O continente africano, com 30 milhões de quilômetros quadrados e cerca de novecentos e setenta milhões de habitantes (uns 13,70% da população do planeta), está unido, hoje, politicamente, na “União Africana” (criada em 2002, ampliando a Organização da Unidade Aficana). A União Africana une 53 países, dos cerca de 250 países (alguns ínfimos em número de habitantes) que há no mundo. Há inclusive um Parlamento Africano e um banco estatal de desenvolvimento. A população africana tem cerca de 440 milhões de cristãos, dos quais 155 milhões são católicos. Há também 380 milhões de muçulmanos. Assim, 820 milhões dos africanos são cristãos ou muçulmanos, o que totaliza 86,3 por cento da população, com crenças bíblicas.

As tradições religiosas especificamente africanas – da Nigéria (nagôs e outros), Angola, Benin (a antiga Daomé) e outros países – também têm inúmeras idéias comuns, especialmente sobre a sobrevivência da alma após a morte, a ética natural, a existência de Deus etc. As idéias cristãs já circularam pelo mundo todo e influenciam praticamente cada pessoa.

O continente asiático tem cerca de 44 milhões de quilômetros quadrados, com 3,9 bilhões de habitantes (uns 60% da população do planeta). É o continente mais diferenciado, tendo uns 360 milhões de cristãos, uns 960 milhões de muçulmanos, 868 milhões de hindus, 384 milhões de mistura chinesa (taoísmo, confucionismo, budismo etc) e há ainda 379 milhões de budistas. Há vários milhões de sikhs, judeus, baha´is, seguidores do jainismo etc.

A Federação das Conferências dos Bispos católicos asiáticos, em sua primeira assembléia plenário, emitiu o seguinte juízo positivo sobre as grandes tradições religiosas da Ásia:

Nós a aceitamos como elementos significativos e positivos na economia dos desígnios de Deus para a salvação. Nelas reconhecemos e respeitamos sentidos e valores espirituais e éticos profundos. Ao longo de muitos séculos elas constituíram o tesouro da experiência religiosa de nossos ancestrais, de onde nossos contemporâneos não cessam de extrair luz e força. Elas foram (e continuam sendo) a expressão autêntica dos mais nobres anseios de seus corações e a casa de sua contemplação e oração. Ajudaram a dar forma às histórias e às culturas de nossas nações. Como, então, podemos não lhes prestar a devida reverência e honra? E como podemos não reconhecer que Deus atraiu nossos povos a Si por intermédio delas”.

A parte norte, a Ásia setentrional, está cheia de cristãos, pois há a Federação Russa e outros países ortodoxos. A parte ocidental da Ásia é a península arábica, com países muçulmanos. A Ásia do sul é principalmente a Índia. A Ásia do leste é a China, a Coréia, o Japão etc. A Ásia do Sudeste é formada pela Coréia (com uma religiosidade própria), o Vietnam, Birmânia e outros países. No sul, há ainda o Japão e as Filipinas (católica). Na Índia, há o jainismo (ou jinismo) foi uma corrente criada por Mahavira Varhamana (uns 500 anos antes de Cristo), com idéias mais próximas do cristianismo do que do budismo). Na China, há uma mistura de idéias confucianas, taoístas e budistas, mistura que há também no Japão. O marxismo, nestes países, difundiu-se e levou consigo inúmeras idéias cristãs que estão dispersas nas idéias de Marx. O número de ateus é ínfimo no mundo todo. 

Na Europa há cerca de 745 milhões (cerca de 11,64% da população do globo), com uns 280 milhões de católicos e 170 milhões de ortodoxos, totalizando uns 450 milhões de católicos e ortodoxos. Há também uns 27 milhões de anglicanos, semi-católicos.

Na Oceania, há uns 34 milhões, correspondendo a cerca de meio por cento da população mundial. Destes, 27 milhões são cristãos, sendo uns nove milhões de católicos.

No continente americano, há uns 913 milhões de habitantes (cerca de 14% do globo), dos quais 576 milhões estão na América Latina. O número de cristãos está em torno de 753 milhões. Na América do Sul, de 576 milhões, apenas 43 milhões não são cristãos. Destes, há uns 13 milhões de espíritas e uns dezessete de outras sem denominações específicas. Há em torno de 565 milhões de católicos.

Num parêntese, para refutar o malthusianismo, basta considerar que o país de Mônaco é o que tem maior densidade demográfico, com 16.410 habitantes por quilômetro quadrado. Os países mais pobres são os da África, verdadeiros desertos habitacionais, com densidades de oito habitantes por quilômetro. A Mongólia é o país com menor densidade. A vida é bem melhor em Mônaco, na Bélgica ou no Japão do que nos países desabitados.

Conclusão: o quadro religioso do planeta prova que os elementos (sementes) salvíficos culturais circulam em todas as partes. A estes elementos, deve ser somado as luzes naturais da razão, difusa em todos. Sobre esta massa cultural, há o influxo da graça (águas da vida, espargidas em todo lugar), que atua em toda parte.

Mishna, Pirke Avot, católicos e judeus, em muitos pontos, iguais

Na “Mishna”, o núcleo do Talmud, livro hebreu que codifica a “Lei oral”, consta, no “Pirke Avot” (1,1), que “Moisés recebeu a Torá [Lei, Instrução, Educação] no Sinai e a transmitiu a Josué, e Josué aos anciãos, e os anciões aos profetas, e os profetas a transmitiram aos homens da Grande Assembléia”.

O livro “Pirke Avot” é o principal texto ético do “Mishna”, do “Talmud”, sendo um texto ecumênico, com idéias bem semelhantes às idéias éticas platônicas, aristotélicas e estóicas. Vale a pena frisar mesmo que o texto “Pirke Avot” é o texto ético fundamental dos hebreus, sendo um texto em boa consonância com a ética cristã, tal como com a ética socrática, platônica, aristotélica e estóica.

Há uma idéia bem próxima no episódio de Pentecostes do Novo Testamento. Da mesma forma, no papel da Igreja, que é também a Grande Assembléia, no Céu, que é uma Grande República democrática.

Deus confiou às pessoas a tarefa de construção do Templo Místico, do Corpo Místico de Cristo. O Corpo de Deus é, assim, uma Grande República tendo Deus como o Sol, a Luz, a Causa Primeira que atua pelas causas segundas. O Criador é tão bom que não concentra o poder, atua, em geral, pela criação, especialmente na e pela consciência das pessoas, da sociedade.

A Bíblia menciona o “Am Ha-Aretz”, o “Povo da terra”, que atuava como sujeito histórico, sendo o antigo Parlamento aberto hebraico, a reunião em Assembléia do povo para decidir questões que interessavam a todos.

O termo “Igreja” (Assembléia, em grego) foi escolhido por Jesus Cristo para designar Seu povo, seu próprio Corpo. Este termo foi essencial na difusão da Igreja, pois lembrava, aos povos que falavam grego, a principal instituição democrática de Atenas e de toda cidade grega, a instituição que representava a democracia nas cidades antigas, a “assembléia”. O mesmo ocorria nos povos fenícios, hititas, árabes etc. 

Como caminhar no mundo

A razão humana é histórica, como explicou Paulo VI, na Alocução ao Colégio dos Cardeais, em 23.06.1973, pois “a Igreja não está separada do mundo, mas vive nele”, “seus membros sofrem” o “influxo” da história, “respiram a sua cultura”.

Cabe a cada pessoa “aceitar” as “leis” e “costumes” justos e racionais, buscando sempre “aproximar estas formas de pensamento e de vida” do melhor. Diante das leis e costumes, devemos lutar por “purificar” estas regras, “tornar” os preceitos “nobres”, perfeitos, santos (benéficos a todos).

Há a mesma lição no Vaticano II, na “Gaudium”, “caminhamos na história, caminhamos no mundo”, “como participantes da sua vida complicada e tumultuosa”, “sempre disponíveis às novidades e ao progresso”, sem nunca perder “a confiança e a coragem”.

— Updated: 13/02/2020 — Total visits: 63,609 — Last 24 hours: 24 — On-line: 0
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