Arquivos para : Neoliberais horrendos, defensores do grande capital privado espoliador

Artigo ótimo de João Filho, no The Intercept, contra o MBL e os Revoltados

Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:
“Há dois anos, Marcello Reis, líder do Revoltados Online, apareceu revoltado em vídeo após ver a página do seu grupo removida pelo Facebook. Chorando copiosamente, dizia ser vítima de uma “ditadura” – logo ele, que já defendeu uma intervenção militar e hoje é garoto-propaganda de Bolsonaro. Segundo o Facebook, a página foi banida por violar as regras do site, que proíbem conteúdos como discurso de ódio e homofobia. Os Revoltados Online também foram responsáveis por divulgar para milhões de seguidores a informação de que o filho de Lula seria dono da Friboi e que Paulo Pimenta (PT-RS) seria sócio da boate Kiss, palco da tragédia em Santa Maria (RS).

O cumprimento das regras pelo Facebook chegou com anos de atraso. Depois de muito tempo fabricando boatos e promovendo discursos de ódio, o Revoltados atingiu 2 milhões de seguidores, e Marcello Reis virou um dos protagonistas da campanha pela derrubada de Dilma. Antes do impeachment, se reuniu mais de uma vez com Eduardo Cunha. Depois, com Temer presidente, foi recebido pelo ministro da Educação e chegou a levar propostas para o setor ao lado do ator Alexandre Frota, ex-líder do grupo.

Durante as manifestações pelo impeachment, MBL e Revoltados Online disputavam o protagonismo na militância da nova direita. Em determinado momento, os ânimos se acirraram e eles acabaram por romper relações. O grupo de Kim despontou no cenário político, enquanto o de Marcello caiu no ostracismo. Mas, na última semana, os dois grupos esqueceram as diferenças e se juntaram em frente ao edifício que abriga o escritório do Facebook em São Paulo. Sentem-se vítimas de censura. É que na última semana a empresa removeu 300 páginas e perfis, muitos deles ligados ao MBL, que violaram as regras de uso da empresa. 

Assisti ao protesto contra a “censura” do Facebook, que foi livremente transmitido pelo MBL em sua página do… Facebook. Confesso que me diverti horrores. Com pouquíssimas pessoas presentes (pelas imagens consegui contar 16), o acampamento foi sendo montado na calçada, totalizando sete barracas.

Berrando no microfone como um pastor neopentecostal, o vereador do democratas Fernando Holiday exaltou a presença de Marcello Reis e puxou um grito de guerra, falhando miseravelmente na rima: “Sem fake news! Devolve o meu perfil!”

O mico coletivo estava gostoso de assistir. Celene de Carvalho, que ganhou fama porhostilizar Suplicy numa livraria e atacar Judith Butler no aeroporto, estava lá para – acredite se quiser – defender a liberdade de expressão. Ela foi ao microfone e gritou “viva as redes sociais!”, se esquecendo que estava ali protestando contra uma rede social.

O vereador Holiday mandou Conrado Leister, diretor do Facebook no Brasil, descer para encarar os manifestantes. “É bom descer, Conrado!”, intimou.

Um garoto empolgadíssimo, aparentando ter no máximo 17 anos, seguiu na mesma linha do confronto: “O MBL não vai sair daqui, Conrado. (…) Porque nós fomos forjados na guerra! E o MBL vai continuar nessa guerra!”

Um outro guerreirinho forjado na guerra foi o único a ter a dignidade de tentar esclarecer a revolta dos liberais contra a liberdade de ação da empresa: “Nós somos os primeiros a defender a iniciativa privada, mas também estamos agora correndo atrás dos nossos direitos!”

Renan Santos, um dos principais líderes do MBL, gravou vídeo dizendo que “isso é uma intervenção de uma empresa estrangeira em conluio com o TSE, que é presidido por um ministro do STF para intervir nas eleições”. Ele realmente acredita que o MBL é vítima de um complô de órgãos estatais em conjunto com os comunistas que comandam o Facebook: “As páginas que se dedicam a denunciar corrupção, a defender a visão de mundo conservadora ou liberal, de combate à putaria de esquerda, de combate a todo tipo de merda que a esquerda propaga…as chances delas serem censurada são enormes”.

Segundo Kim Kataguiri, a remoção foi “absolutamente autoritária” e não houve nenhuma explicação por parte da empresa para justificá-la, o que não é verdade. Em nota, o Facebook esclarece que os reais responsáveis pelas páginas e perfis que foram removidos ficavam ocultos através de contas falsas e escamoteavam “a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação” – uma evidente violação das regras de uso do site.

Bom, quem acompanha o MBL no Facebook sabe que o grupo sempre alimentou páginas de direita cujos responsáveis são geralmente anônimos e se dedicam a espalhar notícias falsas e manipular a opinião pública. Não nos esqueçamos de que o MBL é o grupo que sistematicamente organiza ataques contra jornalistas e agências de checagem de dados.

Ainda não se sabe quais são todas as páginas removidas, a não ser pelas mais conhecidas como Ceticismo Político, Diário Nacional e Jornalivre, que vinham violando as regras do site a olhos vistos, contando com a conivência da empresa durante todo esse tempo. Essas páginas eram usadas para espalhar notícias sensacionalistas ou falsas para manipular a opinião pública. O MBL sempre negou qualquer ligação com essas páginas, mas ao se insurgirem contra a remoção das páginas mostraram o contrário. O movimento insiste em dizer que é tudo mentira, que não existe nenhuma rede de notícias falsas ligada a eles. Bom, pelo menos as três páginas citadas acima são notórias disseminadoras de notícias falsas e estão comprovadamente ligadas ao MBL. 

O Ceticismo Político, por exemplo, ficou famoso por divulgar texto com a seguinte manchete “Desembargadora quebra narrativa do PSOL e diz que Marielle se envolvia com bandidos e é ‘cadáver comum’”, que foi compartilhado logo em seguida pelo MBL e por mais 360 mil perfis e páginas no Facebook. O texto repercutia reportagem de Mônica Bergamo na Folha, que contava sobre os boatos publicados por uma desembargadora logo após a morte de Marielle. A reportagem deixou claro a irresponsabilidade da desembargadora, que ligou Marielle ao Comando Vermelho tendo como única fonte “um texto de uma amiga”. Mesmo tendo ciência disso, o Ceticismo Político divulgou o boato dando ares de veracidade. A magistrada e o MBL apagaram as postagens, mas o Ceticismo Político, que foi o principal responsável por impulsionar a onda de difamação contra Marielle, mantém a notícia no ar até hoje. O responsável pelo site é Luciano Ayan, cuja ligação com o MBL é umbilical. Ele tem duas empresas em sociedade com dois dirigentes do movimento.

O Jornalivre é outra página famosa por disseminar notícias falsas. “Bolsonaro quer comunista assumido e colunista da Carta Capital como seu conselheiro”, manchetou. O “comunista” em questão é Delfim Netto, o maior governista do Brasil, que deu sua contribuição em praticamente todos os governos no Brasil, desde os de Lula até os do regime militar. Trata-se de uma mentira que cai como uma luva para o MBL, que, apesar das afinidades com Bolsonaro, disputa o mercado eleitoral de direita com ele. Em outra manchete, o Jornalivre informa “Um dia depois de dizer que Marisa recebia 20 mil de aposentadoria, Lula foi às ruas defender que sistema não mude”. Marisa nunca recebeu 20 mil de aposentadoria e Lula jamais fez tal afirmação. Essas duas mentiras permanecem no ar, desinformando a população. A relação do Jornalivre com o MBL é mais do que umbilical. Segundo apuração da Vice, integrantes da cúpula do movimento são administradores do site. 

Depois que o Jornalivre foi desmascarado, o número de postagens do site diminui drasticamente. Nessa mesma época, em outubro do ano passado, surgiu o Diário Nacional, cujo conteúdo baseado na deturpação de notícias da imprensa passou a ser compartilhado freneticamente pelo MBL no Facebook. Metade da equipe que integra o site é filiada ao movimento de Kim Kataguiri.

O pânico que tomou conta do MBL, levando até o vereador Fernando Holiday a dormir em frente ao escritório do Facebook, sugere que a derrubada dessa rede de comunicação ligada ao grupo tenha minado o seu principal ativo: o capital eleitoral. O MBL riu da queda das ações do Facebook, mas riu de nervoso. Com candidatos sendo lançados pelo próprio movimento e por partidos aliados, a perda dessa rede é um baque imensurável e reduz o poder de barganha do grupo em suas negociações políticas partidárias. Se aliar ao MBL hoje é se aliar a um poderoso núcleo de comunicação com alta capilaridade nas redes sociais e grande alcance entre os jovens. Um boato ou notícia deturpada disseminados por essa rede podem ajudar a alavancar ou destruir uma candidatura.

O procurador Ailton Benedito – sempre ele! – que tem o hábito de compartilhar notícias do Ceticismo Político, do Diário Nacional e do Jornalivre em suas redes (inclusive a notícia que ligava Mariele ao tráfico de drogas), enviou ofício ao Facebook exigindo explicações. Além disso, o MBL apelou para o Marco Civil – uma lei que sempre foi duramente criticada pelo movimento – para embasar um mandado de injunção no STF que pede uma regulamentação pública para as redes. Sim, os nossos jovens liberais, que sempre tiveram asco de regulamentação, agora querem uma forcinha do Estado para colocar freio em empresas privadas.

Ironicamente, enquanto partem para o ataque nas ruas contra uma empresa privada, os liberais “forjados na guerra” apostam todas suas fichas no Estado para reaver sua rede de comunicação clandestina. Parece que a mão invisível do mercado nem sempre dá conta de tudo, não é mesmo?

A praga do temer

Lewandowski defende a soberania e a Petrobras

Os males do capitalismo, defendido pelo neoliberalismo

O capitalismo é um sistema que permite o açambarcamento, o monopólio privado, que entrega a economia e o Estado a latifundiários (exportadores, no velho sistema colonial de plantation, de república das bananas), a multinacionais, aos capitalistas monopolistas (organizados em trustes, cartéis e em outras organizações empresariais e políticas que trabalham para terem obras superfaturadas e sem licitação, para frustrarem os projetos de leis que criem direitos sociais etc).

E estas grandes fortunas parasitas ainda vendem o país, traem a soberania nacional (o povo), pois se articulam com as multinacionais, exportam matérias-primas a preço vil. 

A base do colonialismo é a exportação das matérias primas e a exploração do trabalho, lembrando que as multinacionais pagam pelo mesmo trabalho, nas empresas subsidiárias no Brasil, quantias vinte ou mais vezes menor que as pagas nas matrizes, pelo mesmo trabalho) etc.

As multinacionais repetem o sistema plantation na indústria e no setor de serviços, e monopolizam, também, o setor exportador e importador.

Exportam matérias-primas importantes nos deixando buracos (Itabira, Carajás etc) e importam produtos industrializados, mantendo o Brasil como uma grande colônia.

E o fazem com alíquotas alfandegárias baixíssimas e, pior ainda, sem praticamente nenhuma fiscalização alfandegária (somente há 2.000 fiscais nas alfândegas e vale a pena lembrar que o contrabando e o descaminho ampliam o esmagamento de nossa soberania nacional. Friso que falo do grande contrabando, nos conteiners, e não do pífio, apreendido pela PF, que é nada). E nosso sistema tributário é absolutamente iníquo e coonesta os interesses dos ricos.

Bolsonaro quer destruir o Estado nacional, implantando Estado mínimo, para nos reduzir de vez a situação de colonia

Tirei o texto do 247 – “O pré-candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, cortará pela metade o número de Ministérios e defenderá uma diminuição do Estado se eleito em outubro, afirmou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), um dos coordenadores da campanha do postulante ao Palácio do Planalto à Reuters.

Segundo Onyx, Bolsonaro já tomou a decisão de reduzir dos atuais 29 para 15 os ministérios na Esplanada. O coordenador, entretanto, não quis informar quais pastas seriam cortadas no novo organograma, se o deputado do PSL for eleito.

Esses detalhes vão constar do programa de governo de Bolsonaro que, conforme o coordenador, está sendo elaborado por Onyx, o economista Paulo Guedes e uma equipe grande de acadêmicos e funcionários públicos. O programa de governo vai ser divulgado, segundo ele, na última semana de julho.

Onyx disse que também haverá um corte “muito intenso” nos cargos em comissão do governo federal. “O governo vai ser muito enxuto. O nosso conceito é buscar a eficiência”, disse o coordenador. “O governo vai diminuir para que as pessoas possam avançar”, reforçou.

O coordenador reafirmou a posição de Bolsonaro —apresentada em sabatina na quarta-feira no jornal Correio Braziliense— de não elevar a carga tributária. “Antes de ser presidente, ele disse que não vai aumentar impostos. Vai sim é buscar a redução”, disse.

BASE PARLAMENTAR

Segundo Onyx, Bolsonaro —líder das pesquisas de intenção de voto nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso— conta atualmente com uma base de 63 deputados de várias legendas. O coordenador disse que os apoiadores vão chegar a 100 até o fim de julho.

Ele confirmou que tem organizado encontros e participado de reuniões com parlamentares de outros partidos em apoio ao pré-candidato do PSL.

O senador Magno Malta (PR-ES) é um dos que tem participado desses encontros. Malta afirmou à Reuters que Bolsonaro convidou-o para ser vice na chapa presidencial, mas ele disse que ainda não se decidiu.

“Minha vida está nas mãos de Deus e não digo que dessa água eu não bebo”, disse ele, evangélico que no momento disse que trabalha para se reeleger ao Senado.

Malta avalia que, se virar vice de Bolsonaro, a bancada do PR poderá até dobrar de tamanho na Câmara —atualmente ela conta com 41 deputados.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou esta semana o arquivamento do inquérito contra Onyx sob suspeita de ter cometido crime de caixa 2 nas eleições de 2006 com base na delação do ex-executivo da Odebrecht Alexandrino de Alencar.

A acusação feita pelo delator era que Onyx teria recebido 175 mil reais naquela campanha, operação essa que teria sido registrada no sistema paralelo de contabilidade da Odebrecht.

O conselheiro do aecinho, Deus nos livre e guarde de pragas…

FHC, entreguista

O Professor Benayon descreve bem o tal de FHC, que praticamente obedecia a Stanley Fischer, do FMI:

“FHC não é intelectual, coisíssima nenhuma.

É um desses indivíduos que os serviços, agências e fundações das potências imperiais angloamericanas, recrutam, dentro de seu programa de”trabalho”: conspirar contra o País, impedir seu desenvolvimento e abalar até mesmo sua integridade, por meio de intervenção permanente.

O recrutamento de FHC – por fundações norte-americanas, ligadas à CIA, uma das 16 agências de “inteligência” dos EUA – está documentado em, entre outras publicações, o livro “E Quem Pagou a Conta”, de autoria da pesquisadora Frances Stonor Saunders, tradução editada pela Record. Para não quebrar a sequência, transmitirei, em mensagem separada um resumo dessa obra por Armindo Abreu e Sebastião Nery.

Bem, FHC foi recrutado por sua qualidade intelectual? Não.

Os que o recrutaram, trataram de construir sobre ele a falsa imagem de intelectual. Interessou-lhes mais haver FHC posado de marxista, na época de professor na USP, e ter sido aposentado prematuramente, em 1964, alegadamente por inclinação à esquerda.

Isso lhe proporcionou posar de exilado no Chile, onde lhe arranjaram colocação na CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina) e pôde acumular os proventos desse emprego com os da aposentadoria, na realidade, um prêmio do regime militar.

FHC é filho e sobrinho de generais do Exército. Estes até participaram da campanha “O Petróleo É Nosso”, em 1952/53. Mais uma falsa credencial: além da de suposta esquerda, a de nacionalista. Ou seja, as antíteses das políticas de FHC.

Nada mais conveniente, pois, para a CIA que fomentar a carreira de alguém aparentemente insuspeito para cometer os crimes que cometeu contra a sociedade e contra o País.

A carreira de FHC foi, assim, turbinada por numerosos golpes e factoides, sob o a direção de serviços secretos e entidades da oligarquia financeira angloamericana. O lance inicial ocorreu, no final dos anos 60: a doação estimada em 800 mil dólares, concedida pela Fundação Ford ao CEBRAP, instituto criado por FHC em SP.

É fácil construir a carreira de alguém escalado para ser seu instrumento, já que a oligarquia financeira mundial tem decisiva influência sobre organismos internacionais, inclusive ONU, universidades e a grande mídia, em todas as partes do mundo.

Ademais, os golpes no Brasil não foram só os militares. A intervenção se faz sempre, através de corrupção da grossa, aquela que a grande mídia encobre.

O rarefeito valor intelectual de FHC contrasta com a imagem criada sobre ele, conforme o método de repetir mentiras até virarem “verdade”, como ensinou o psicólogo Edward Bernays, sobrinho de Freud.

Em meu livro “Globalização versus Desenvolvimento”, nas páginas finais, demonstrei em que consiste a obra principal atribuída à autoria de FHC (em co-autoria com o chileno Enzo Faletto, o enormemente divulgado (et pour cause) Dependência e Desenvolvimento na América Latina.

Trata-se de um livro mal escrito, com parágrafos longos e confusos, com frases mal encadeadas, cuja finalidade é afirmar que a dependência (econômica, financeira e tecnológica, entre outras) seria compatível com o desenvolvimento.

A história dos últimos 60 anos no Brasil demonstra exatamente o contrário disso.

Eis um trecho de meu livro, em que cito depoimentos de intelectuais de alto nível sobre a obra de FHC:

Como observou Celso Brant, o melhor julgamento sobre a obra sob comento foi o de João M. Cardoso de Mello, destacado professor da UNICAMP: “O livro é um malogro completo […] Um livro de circunstâncias. Se você tirar da prateleira e for ler, aquilo não fica em pé”. Já o professor laureado da Universidade de Yale, Robert Packerman, considera que as únicas partes aproveitáveis do trabalho de Cardoso e Faletto são as que eles copiaram de André Gunder Frank”.

— Updated: 19/09/2018 — Total visits: 35,466 — Last 24 hours: 119 — On-line: 0
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