Arquivos para : Miséria é cativeiro, é opressão, inumana

Moro, um juiz que representa o contrário do Juiz garantista

O grande Leon Tolstoi, militante contra injustiças

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O exemplo do grande Cardeal Gibbons, dos EUA

O cardeal Gibbons (1834-1921), o Arcebispo católico de Baltimore-Maryland nos EUA, lá por 1886, ensinava que a legitimidade e até a eficácia (“vim”, em latim, correlato à virtude, força, bondade) das “leis” – das regras sociais e racionais de conduta, de autodeterminação social – nasce da adequação destas com os sentimentos, as necessidades, as aspirações, os ideais, as verdades, os sonhos, as idéias e o bem dos destinatários, do povo (adequação ao bem comum).

Num Memorial a Leão XIII, em defesa dos Cavalheiros do Trabalho, Gibbons lembrou que a Igreja não pode ser nunca vista como “aliada dos poderosos e dos ricos”, “porque semelhante aliança, ainda que aparente”, “causaria um mal inaudito”, “arruinaria o sentido de nossa história: de ser o único poder no mundo que, há dezoito séculos, atua como protetora das classes pobres e desvalidas”.

Leão XIII acatou o pedido de Gibbons e protegeu os Cavaleiros do Trabalho (organização elogiada por Lenin, mais tarde). Marx e Engels apoiavam os Cavaleiros do Trabalho, entidade sindical e política que foi inclusive chefiada por um Católico, nos EUA, precursora do movimento operário estadunidense. 

Gibbons também ensinava que nenhum “edifício social” subsiste com fundamento na miséria e na opressão.

Para Gibbons, a “miséria” é um “mal”, “consequência e efeito do pecado” (cf. “Libertatis conscientia”, de João Paulo II), especialmente das “estruturas de pecado” (do latifúndio, do imperialismo, do capitalismo, da usura presente na dívida pública e nas relações trabalhistas e comerciais etc).

Destinação universal dos bens. Boas estatais e bens pequenos e médios para todos

Paulo VI, na “Populorum progressio” (n. 22, tal como o Vaticano II, na “Gaudium et Spes”, n. 69), explicou que o versículo de Gn 1,26 expressa o princípio da “destinação universal dos bens”: “toda a criação” foi feita para as pessoas, para completarmos o trabalho da criação, da natureza, para “que os bens da criação afluam” “às mãos de todos, segundo a regra da justiça, inseparável da caridade”.

A miséria é escravidão, cativeiro, opressão, inumana, abominação

A Secretaria de Estado da Santa Sé (na 91ª. Conferência Internacional do Trabalho, em 16.06.2003) apresentou planos para a erradicação da miséria, destacando que “a pobreza” é “um fenômeno que se pode comparar à escravidão, porque atinge profundamente o ser humano, na sua dignidade”.

O “ser humano que fica desprovido do que lhe é necessário para viver é um ser humilhado”, “ao qual são negados os seus direitos econômicos e sociais e mesmo, nos casos extremos, o seu direito à vida”. Também foi dito “a pobreza não é” “uma fatalidade”, a Igreja “deve estar na linha de vanguarda na luta contra a pobreza”.

Santo Tomás de Aquino ensinou o mesmo, dizendo que, mesmo para a prática das virtudes, o ser humano precisa de certa quantidade de bens temporais. A abolição da exclusão, da marginalidade, da opressão e da miséria são as grandes metas da ética cristã e racional.

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