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O elogio dos fenícios, por Hegel

Hegel, no livro “Filosofia da história”, elogia os fenícios, escrevendo: “os fenícios foram os primeiros que descobriram o Oceano Atlântico o percorreram, navegando. Estabeleceram-se em Chipre, em Tasos, uma ilha muito afastada deles, exploram minas de ouro. Na Espanha, do sul e do sudoeste, exploraram minas de prata. Na África, fundaram as colônias de Utica e de Cartago. Desde Cades, navegaram muito longe, até mais além das costas africanas e, segundo eles, até haveriam bordeado toda a África. Foram às Ilhas Britânicas, para buscar o estanho. Foram ao Báltico, buscar o âmbar da Prússia”. 

Hegel, Volney e Voltaire elogiaram os fenícios. Voltaire os comparava aos venezianos e aos holandeses. Herder elogiara a constituição política republicana dos fenícios. 

Norberto Bobbio mostra as origens medievais católicas das ideias democráticas

Norberto Bobbio e Nicola Matteucci, no “Dicionário de política ” (5ª edição, Brasília, Ed. UnB/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2.000, p. 281), no verbete sobre “contratualismo” aponta as origens medieval da democracia, na Europa:

“As teses dos pensadores da tardia Idade Média, como as de Marsílio de Pádua (1275-1342), Ockam (1290-1349), Bartolomeu de Sassoferrato (1317-1357), Nicolau de Cusa (1401-1464), reproduzirão temas do século XI (Manegoldo de Lautenbach) e do século XII (John de Salisbury) e não estarão muito longe do que defenderiam os monarcômacos protestantes, como G. Buchanan (1506-1582), F. Hotman (1523-1590), o autor anônimo (talvez Ph. Duplessis-Mornay) de Vindictae contra tyrannos (1579), John Milton (1608-1674), ou os teólogos da Segunda Escolástica, como L. de Molina (1535-1600), R. Bellarmino (1542-1621), Juan de Mariana (1536-1624) e F. Suárez (1548-1617)”.

Bobbio destacou bem: Manegoldo e John de Salisbury, dois grandes católicos, nos séculos XI e XII, deram continuidade à linha do Império Romano já cristão, que incorporou a Paidéia grega (cf. lição de Werner Jaeger). Depois, houve Marsílio de Pádua, Bartolomeu de Sassoferrato e autores como Jerônimo Vida, que escreveu o livro “De optimo statu reipublicae”, em 1550, com o personagem porta-voz: o cardeal Flaminius. Tudo isso foi registrado na “Carta Magna”, um documento católico, feito quando a Inglaterra era católica, em 1215. 

Bobbio não soube analisar Santo Tomás e Egídio Romano e se o fizesse veria que estes autores trabalham com as mesmas fontes que um Marsílio de Pádua.

Depois, houve a “Segunda Escolástica”, baseada justamente nos textos de Santo Tomás e que foram ressaltados pela Escola de Salamanca e pelo Cardeal Cajetano. Esta linha foi ampliada nos textos de Molina, Bellarmino, Mariana, Suárez e outros monarcómacos católicos.

Os textos de Salamanca (Francisco de Vitória, Las Casas, Domingos Soto e outros), tal como da Segunda Escolástica, são a base do movimento dos “monarcômacos” católicos, tendo como expoentes Salomonius, Fickler, Jean Boucher (prior da Sorbona), Roussaeus, Mariana, Luís Dorleans e outros.

Os monarcómacos protestantes (especialmente François Hotman, Du Plassis, Mornay, Buchanan, Danaeus e outros) seguem a linha bíblica e do melhor da escolástica, utilizando inclusive, como os monarcómacos católicos, as melhores tradições germânicas e gaulesas, pois estes povos antigos tinham formas de governos representativos, como destacou Tácito e mesmo Júlio César.

François Hotman (1524-1590), um dos melhores monarcómacos protestantes, no livro “Franco-Gallia” (Genebra, 1573), expôs a teoria da soberania do povo ou da nação com base nas antigas tradições históricas francesas e sua obra foi elogiadíssima pelo grande historiador católico Thierry, a quem Karl Marx chamou de “pai da luta de classes”.

Os monarcómacos usavam os termos “contrato”, “pacto etc, adotando explicitamente a teoria do contrato, do consentimento (do consenso ou diálogo, como origem do poder) como base da sociedade e do Estado. Buchanan usa a expressão “um pacto mútuo entre o rei e os cidadãos” como uma das leis fundamentais e, por isso, o rei, ao tomar posse no cargo, fazia o juramento de respeitar as liberdades e as leis fundamentais, ficando, assim, sujeito à lei.

Outro marco importantíssimo que Bobbio e Matteucci não examinou bastante foram os textos de Johannes Althusius (1557-1638). Althusius seguia a Bíblia e o melhor do pensamento escolástico, como pode ser visto em seu livro “Política” (1603), onde adota explicitamente as teses escolásticas.

Althussius é o principal teórico do federalismo, superando Proudhon, e seus textos são ainda atualíssimos. Uma das principais fontes de inspiração de Althussius foi o livro “Digesto” e o direito romano recolhido pela Igreja. O “Digesto” é um documento católico, feito por Justiniano, um imperador católico-ortodoxo.

A opinião de Bobbio e de Matteucci é a mesma do jurista italiano, Gaetano Mosca (1858-1941). Também é a mesma de B. Bouthoul, exposta no livro “História das doutrinas políticas” (Rio de Janeiro, Ed. Zahar, 1958), com um bom prefácio de Milton Campos. Esta opinião era ainda compartilhada por expoentes como Bakunin, Trotski e outros, como veremos em outras postagens, neste blog.

Mosca ensinou que a democracia é o regime que permite a renovação e a circulação das “elites” éticas e intelectuais.

No mesmo sentido, Hannah Arendt, na conclusão de seu livro “Origens do totalitarismo” (1951), lembrou que “os grandes homens da Revolução Francesa” acreditavam “num consenso universal do qual o homem seja uma parte, e cujas leis naturais” ele teria que “imitam e a elas conformar-se”.

A idéia de imitação da natureza e de Deus (no fundo, de lei natural) é essencial na teoria estética, ética e política de Aristóteles e é plenamente respaldada pela idéia bíblica do homem criado à imagem e semelhança de Deus, a quem cabe imitar, seguir etc.

Conclusão: a genealogia ou árvore hereditária da democracia é formada por idéias naturais, hebraicas e da Paidéia (especialmente as idéias gregas), que foram fundidas nos textos católicos dos Santos Padres, na escolástica, na Carta Magna e dali fluíram mais tarde, para autores como Savonarola, Santo Tomás Morus, Suárez, Bellarmino e Locke. Mais tarde, houve as correntes neoclássicas, Montesquieu, Mably, Morelly, Rousseau e outros, quase todas católicas. Estas foram as correntes de idéias que geraram o padre Condillac, o iluminismo escocês, Thomas Jefferson, John Adams, os Jacobinos, os textos do padre Sieyés e outros. As raízes culturais de todo este movimento estão na Bíblia e nos melhores textos gregos (na Paidéia grego-romana), tal como em idéias racionais e naturais.

Nélson Werneck Sodré elogiava o historiador católico Eduardo Hoonaert e o sincretismo

Sodré, no artigo “Os três catolicismos”, publicado no jornal “Opinião” (Rio, 18.10.1974), elogia o livro “Formação do catolicismo brasileiro, 1500-1800”, uma obra de Eduardo Hoonaert. O elogio era principalmente para o fato de Hoonaert destacar o sincretismo ou ecletismo como a marca do catolicismo.

Lembro que, nos séculos XVIII e XIX, em Portugal e no Brasil, a filosofia “oficial” (nos termos de Tobias Barreto) era o ecletismo.

Hoonaert mostra que a difusão do catolicismo ocorreu principalmente entre os leigos pobres, sem padres, entre as pessoas mais pobres, que adotavam saudável ecletismo. 

Os elamitas, a influência semita e os persas

A cidade de Sardes, a capital da Lídia, foi conquistada por Ciro, rei da Pérsia, em 549 a.C.

A Lídia e os Medos eram aliados. Ciro era de uma família oriunda dos Medos e da linhagem elamita, semita.

O Elam era uma região a leste de Babilônia. A Bíblia menciona Elam desde o início, em Gn 14,1-11, ao falar de Abraão. A região do rio Jordão pagava tributos ao rei Codorlaomor, rei dos elamitas, um povo semita.

O nome de “Elam” significa “alto”, em referência a “El”, que é o nome usado pelos semitas e pela Bíblia para designar Deus. A palavra grega Elymais conservou esta raiz semita. Os elamitas são considerados semitas pela Bíblia (cf. Gn 10,22 e I Cr 1,17). Os elamitas uniram-se aos medos para tentar vencer os babilônicos (cf. Js 21,2). Há referências aos elamitas em Jeremias (Jr 49,34-39) e em Ezequiel (Ez 32,24-25).

Ciro II transformou a capital do Elam, Susa, em residência real (cf. Daniel 8,2).

Susa foi a cidade onde atuou Ester, como fica claro no livro “Ester”, na Bíblia. Ester conseguiu que Mardoqueu fosse elevado ao cargo de Primeiro Ministro da Pérsia, o que mostra bem a influência hebraica-semita no coração do império persa.

Os elamitas lutaram ao lado dos assírios (cf. Is 11,11; 21,2; e Ez 32,24). Parte dos elamitas foi viver em Canaã (cf. Esdras 2,7; 4,9 e 8,7; e Ne 7,12; e 10,14).

O Novo Testamento, ao tratar do Pentecostes, menciona os elamitas (cf. At 2,9), deixando clara a relação dos elamitas com a cultura semita-hebraica.

A Bíblia ensina que Elam foi o primogênito de Sem (cf. Gn 10,22).

Ciro libertou os hebreus do cativeiro da Babilônia e estava em amplo contato com as tradições semitas e hebraicas.

A cidade de Ecbátana era a capital da Média, sendo mencionada na Bíblia como Hazmeta. Ecbátana era a capital da Média e foi, depois, a residência de verão dos reis persas (cf. Esdras 6,2). Ecbátana foi fundada pelo rei Arfaxad (cf. Judite 1,1-3). Em Ecbátana, residia Raquel, que foi procurada por Tobias (cf. Tb 3,7; 6,7), como é bem descrito no livro “Tobias”, na Bíblia.

A Bíblia menciona Ecbátana também em 2 Mc 9,3. Foi nos arquivos de Ecbátana, que o rei Dario encontrou o decreto de Ciro II, sobre a reconstrução de Jerusalém.

Em 550 a.C., Ciro II tomou Ecbátana, a capital dos Medos, apoderando-se do trono dos Medos, que foi a base do Império Persa. Neemias chama Ecbátana de “birá”, fortaleza. Ecbátana é, hoje, denominada de Hamadã, capital da Média.

Heródoto diz que a tese da “pureza” da cultura grega é uma “rematada tolice”. Explica que existiam nas doze cidades jônias “uma parcela significativa de Abantes de Eubéia”, tal como de “Cádmios” (fenícios, semitas), “Dríopes, dissidentes Fócios, Molossos, Pelasgos da Arcádia, Dórios de Epidauro e tantos outros povos”.

Heródoto, Pausânias e Estrabão (64 a.C. a 19 d.C.) constataram a mistura de povos, com grandes influências orientais, semitas.

Foi na Jônia, na Ásia, que a filosofia começou e esta área sempre esteve ligada aos semitas, como pode ser visto na história de Sardes, na adoção pelos gregos do alfabeto fenício-semita e mesmo na cunhagem de moedas etc.  Mais tarde, com o estoicismo, filosofia nascida sob amplo influxo fenício, a influência semita aumenta. Boa parte da Paideia tem origem e matriz semita, ponto que é explicado pelo difucionismo. Isso explica a razão da Igreja ter adotada a Paideia, pela origem semita de boa parte da Paideia e pela coincidência de conteúdos gerada pela luz natural da razão. 

A importância da língua aramaica, a língua falada por Jesus Cristo

O aramaico (também chamado de caldaico, caldeu) era praticamente a língua oficial do império sumério, dos assírios (a Síria, hoje, era chamada de “Aram”, antigamente, povoada por arameus, sendo Aram um dos descendentes próximos de Noé), do império medo e babilônico e do império persa, continuando no império Parto, espalhando-se pela Índia, pelo brahmi.

O aramaico é praticamente igual à língua fenícia e ao hebraico (o árabe é outra língua semita, próximo do arameu, do fenício, do acádio e do hebraico).

O alfabeto grego vem do alfabeto fenício, pois as colônias fenícias tiveram ampla influência na Grécia, através das cidades de Tebas na Grécia, de Cartago e também das colônias fenícias em Creta, Chipre e outros países da Europa (Marselha e outras cidades da Espanha etc) e da África (Cartago e outras).

Os hebreus tinham amplos contatos com os fenícios (basta ver a construção do Templo, usando engenheiros de Hiram, de Tiro, a principal cidade fenícia), tal como com os persas.

No mundo da Ásia Menor, a principal língua era o aramaico, que era a língua falada por Cristo e pelos Apóstolos e por quase todos os hebreus daquele tempo. O aramaico é uma língua irmã do hebraico e do fenício, sendo as três bem próximas e com alfabetos praticamente iguais (o mesmo ocorre com o acádio e com o árabe).

O alfabeto grego vem do alfabeto fenício, graças a Cadmo, de origem fenícia, que deu aos gregos o alfabeto, o que, só por isso, atesta a influência fenícia, aramaica e hebraica na filosofia grega. Segundo a Bíblia, em “Gênesis” ( 10,22), Aram e os Hebreus tinham antepassados comuns, pois os Patriarcas hebreus eram de origem aramaica.

Abraão era um “arameu” e também os antepassados de Abraão, como Serug, Nahor, Terah e outros, da “Aram-Naharaim” (“Aram dos dois rios”, no noroeste da Mesopotâmia).

Os arameus ou povo de Aram eram também semitas (os assírios eram semitas etc). Assim, a língua aramaica, também co-irmã da língua fenícia, difundiu-se por toda a Ásia Menor, de formação semita. O estoicismo desenvolveu-se em ambiente semita, com intensa influência hebraica.

Os arameus semitas foram, mais tarde, chamados de “caldeus” e influenciaram a Grécia e toda a região da Ásia Menor (tal como a Itália, a Sicília e outras áreas sob influência fenícia, inclusive via Cartago, colônia fenícia). Esta influência, tal como a influência egípcia, foi constatada por Heródoto e outros historiadores.

O termo “caldeus” foi aplicado à civilização aramaica-suméria, de forma imprópria, gerando dupla acepção na palavra caldeu (o termo é posterior), mas significa sempre “povos semitas”. A expressão “língua dos caldeus” é imprópria, pois o correto é chamar de “aramaico”, língua co-irmã do hebraico e do fenício.

O aramaico é uma língua ainda falada em cidades da Síria, Iraque, Turquia, Pérsia e até Rússia, tal como em Israel. O aramaico é a língua mais próxima do hebraico e era a língua internacional da região, sendo a língua oficial dos assírios e dos persas, com inscrições no Egito, na Índia e em toda a Ásia Menor.

Os hebreus, desde Ciro ou antes, falavam praticamente apenas o aramaico e isso só foi mudar com a criação do Estado de Israel, em 1948, quando o hebraico foi ressuscitado. O aramaico é a língua do Talmud, do Zohar, da liturgia hebraica e dos poetas hebreus. Como ficou claro no filme “Paixão”, de Mel Gibson, o próprio Jesus falava em aramaico. Num parêntese, o Vaticano apreciou parte do filme de Gibson, tal como, antes, difundiu o filme “As sandálias do pescador”, com Anthony Quinn.

O aramaico espalhou-se inclusive entre os uigures e, daí, para a China. 

Nas áreas da Ásia Menor, ligadas à Pérsia, nasceu boa parte da filosofia “grega”, especialmente na parte que diz respeito à ética. Estas cidades da Ásia Menor tinham colônias fenícias e judaicas e foram amplamente visitadas por São Paulo.

Foram as cidades-suportes, por onde o cristianismo difundiu-se, desde o Pentecostes, especialmente através dos judeus “libertos”. Estes tinham cultura hebraica e grega, dando continuidade à síntese do judaísmo com o melhor da Paidéia, síntese humana, a parte humana do cristianismo, que já ocorria antes, como foi constatado por Filon e Flávio Josefo.

A cultura suméria elamita foi preservada pelos semitas, pelos fenícios, arameus, árabes, judeus etc

A Bíblia tem como a primeira grande fonte (possivelmente graças a Abraão de Ur) elementos da civilização suméria-elamita-babilônica, da região de Babilônica, especialmente de “Ur dos caldeus” (cf. Gen 11,28), que é a cidade natal de Abraão (cf. Gen 15,7, Esdras 9, 7 e At 8,4).

O amor da Igreja ao “tesouro” de idéias das “civilizações e culturas já desaparecidas” vem do fato da Igreja saber que Deus sempre operou na história humana. Este ponto foi atestado por João Paulo, na encíclica “Fides et ratio” (1998), onde escreve:

“16. Quão profunda seja a ligação entre o conhecimento da fé e o da razão, já a Sagrada Escritura no-lo indica com elementos de uma clareza surpreendente. Comprovam-no, sobretudo, os Livros Sapienciais. O que impressiona na leitura, feita sem preconceitos, dessas páginas da Sagrada Escritura é o fato de estes textos conterem não apenas a fé de Israel, mas também o tesouro de civilizações e culturas já desaparecidas. Como se de um desígnio particular se tratasse, o Egito e a Mesopotâmia fazem ouvir novamente a sua voz, e alguns traços comuns das culturas do Antigo Oriente ressurgem nestas páginas ricas de intuições singularmente profundas”.

A Mesopotâmia é a região onde se desenvolveu a civilização sumério-elamita-mesopotâmica.

A Bíblia traz, em suas entranhas naturais, milhares de idéias já presentes nas culturas (interligadas) egípcia e suméria-mesopotâmica.

Nesta área, a língua mais usada era o aramaico, a língua de Harã, cidade onde esteve Abraão, tal como também de Ur, terra natal de Abraão.

Os uigures, o zoroastrismo, o maniqueísmo e a escrita aramaica, influência semita na China

O livro de Ricardo C. Salles, “O legado de Babel” (Rio, Ed. Opera Nostra, 1994, com prefácio de Antonio Houaiss, p.  120), trata das línguas turcomanas, que mostram a influência cultural semita através da China, pela Rota da Seda. 

Na página 120, Ricardo Salles trata dos uigures, povo que permeia a área entre o Turquestão e a China. Os uigures seguiam o maniqueísmo, no fundo, uma síntese entre cristianismo, zoroastrismo (mazdeísmo, mitraísmo) e budismo. A escrita uigure, o alfabeto uigure, tem base no alfabeto aramaico (irmão do alfabeto fenício e hebraico), que “lhes foi transmitido pelos sogdianos, povo indo-europeu, de origem irânica oriental e cujo idioma era, desde os primeiros séculos da era cristã, língua veicular em toda a Rota da Seda. A escrita uigure é, inclusive, a base da escrita mongólica tradicional. Os uigures são tidos como os precursores da imprensa, arte que transmitiram aos mongóis, que, no século XIV, a introduziram na Europa”. 

As línguas turcomanas tem “origem altaica”, línguas faladas na Turquia, em Chipre, em várias partes da Federação Russa, na China (Sinkiang) e na Mongólia ocidental. Estas línguas estão ligadas aos hunos, aos mongóis. No fundo, estas línguas, que ligam o Irã (Pérsia antiga) a Turquia, ao Mar Negro, ligam também, fazendo um duto cultural, com a China, a Mongólia, o Tibet etc. Por esta via, muitas ideias semitas atingiram a China, influenciaram o budismo, o hinduísmo, o taoísmo etc. 

 

A ampla e boa influência semita judaica na matriz do cristianismo. Cristianismo é o judaísmo bem interpretado, que aceita Jesus como Messias etc.

Solomon Grayzel, no livro “História geral dos judeus” (Rio, Ed. Tradição, 1967, p. 118) fez uma síntese sobre a população judaica no mundo na época de Cristo, que merece ser citada “verbatim”:

Uma conjectura razoável estima que havia cerca de oito milhões de judeus no mundo imediatamente antes do conflito com Roma. Provavelmente, cerca de um milhão viviam na Babilônia, fora do Império Romano [mergulhado nas águas do mazdeísmo]; cerca de dois milhões e meio viviam na Palestina e quatro milhões no resto do mundo romano. Os judeus constituíam dois quintos da população de Alexandria e talvez cinqüenta mil vivessem em Roma. Tem-se, assim, calculado que, no século I E.C., os judeus eram dez por cento da população total do Império Romano. Nas províncias orientais, onde viviam em maior número, a proporção era mais alta, de forma que se destacavam muito mais”.

O professor Grayzel concluiu: “os focos mais diretos” de judaísmo “em três”: “Alexandria, Ásia Menor [com destaque para Tarso, a cidade de São Paulo] e a cidade de Roma”.

Os judeus “esforçaram-se para provar que os grandes filósofos gregos e a sabedoria dos livros bíblicos estavam em perfeita harmonia” e “declararam que Sócrates, Platão e Aristóteles tinham sido influenciados pelos escritos de Moisés”. Os judeus da diáspora tinham familiaridade com o estoicismo.

Alfred Lapple, grande estudioso católico, no livro “Bíblia” (São Paulo, Ed. Paulinas, 1980, vol. 2, p. 215), traz cálculo semelhante:

Quanto ao número de habitantes do império romano (por exemplo, com base nas listas de impostos), temos o seguinte dado: a população total do império romano era avaliada em cerca de sessenta milhões. O judaísmo representava, em todo o império romano, cerca de um décimo de todos os habitantes (Harald Hegermann, in J. Leitpoldt- W. Grundmann, “Umwelt des Urchristentums”, “O mundo do cristianismo primitivo”, vol. I, Berlim, 1967, 2ª. Ed., p. 294).

Do total dos judeus, de oito milhões, apenas dois milhões e meio estavam na Palestina, a maior parte estava na diáspora (a maior parte dos judeus vive na diáspora, mesmo antes da segunda destruição do Templo, em 70 d.C). Havia cerca de um milhão em Alexandria. Milhões estavam na Anatólia, na Ásia Menor, entre Antioquia e Éfeso, principalmente na área da Cilícia (em Tarso, Antioquia, Damasco, Edessa e outras cidades).

No norte da África, na Cirenaica, havia uns cem mil judeus, em cidades como Cartago, Hipona e outras, onde mais tarde viveria Santo Agostinho, um bispo africano, tendo nascido no território da Argélia. Em Roma, houve a entrada de judeus, no mínimo, desde 140 a.C., como foi registrado no livro dos Macabeus (2 Mc 14,24; 15,15-24).

O número de judeus diminuiu a partir de 132 d.C. por conta da guerra pesada com os romanos, a guerra liderada por Bar Kochba e, depois, pela conversão de uma parte significativa de hebreus ao cristianismo e, depois, ao islamismo.

A área da Cilícia, a área de Tarso, onde nasceu São Paulo, era tão ligada aos hebreus que o rei Polemon II da Cilícia casou-se, em 50 d.C., com Berenice, a irmã de Herodes Agripa II (27-100 d.C.), rei da Judéia, de 48 a 70 d.C., mencionado na Bíblia, no livro “Atos dos Apóstolos”. Polemon, rei da Cilícia e assim de Tarso, adotou o judaísmo. Herodes Agripa II presenciou o interrogatório de São Paulo e Berenice estava presente também. Segundo Tácito e Suetônio, Berenice teve um caso com Tito, o destruidor de Jerusalém, em 70 d.C. até 79 d.C. e chegou a quase ter outro caso com o Imperador Vespasiano, o destruidor de Jerusalém (iniciou a destruição, completada por Tito, filho de Vespasiano). Herodes Agripa II foi bisneto de Herodes o Grande (o que fez a matança das crianças) e filho de Herodes Agripa I, que matou São Tiago Maior, em 44 d.C. e aprisionou São Pedro.

A relação da Cilícia com os hebreus e com os romanos, e depois com os católicos, era bem extensa, tanto na parte política quanto na cultura e na religião.

Na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, havia outro milhão de hebreus, dos oito que existiam. Este milhão estava dentro do Império Parto (que durou de 217 a.C. a 224 d.C., quando retoma o nome de Pérsia). O Império Parto foi um inimigo terrível de Roma e também foi uma continuação do Império Persa, adotando principalmente o aramaico, uma língua irmã, praticamente igual ao hebraico.

O aramaico era a língua usada por quase todos os judeus desde a difusão do Império Assírio, dos Medos e dos Persas. No Império Parto, a religião oficial era o mazdeísmo, que, antes, tinha sido também a religião oficial dos Persas.

O mazdeísmo ou zoroastrismo tem inúmeros pontos em comuns com o judaísmo, com as ideias semitas, e também com as idéias estoicas. Do mazdeísmo nasceu o mitraísmo, que se espalhou pelo Império romano, ajudando na difusão do cristianismo. O mazdeísmo proporcionou também a base cultural do maniqueísmo (que tem joio, e também trigo, parte boa), uma das principais heresias que reapareceu, na Idade Média, na forma dos cátaros, também conhecidos como “albigenses”.

Dos cerca de oito milhões de judeus que existiam nos anos após a morte de Cristo, cerca de quatro milhões e meio, mais da metade dos judeus, ficavam no quadrilátero entre Rodes, Creta, Alexandria, a Palestina, Damasco, Antioquia, Tarso e Chipre. Esta era a área de maior acúmulo cultural da época.

Neste quadrilátero floresceu o estoicismo, corrente com várias idéias iguais às idéias hebraicas e do mazdeísmo. A ideia do fogo, da renovação universal e outras idéias também faziam parte do mazdeísmo, possivelmente por causa da influência hebraica no Império Persa.Por isso, os católicos amam o estoicismo, pelo acervo de boas ideias semitas e boas ideias racionais. 

O rei do Egito, Ptolomeu II Philadelphus (287-147 a.C.), criou a biblioteca de Alexandria (cidade fundada por Alexandre, discípulo de Aristóteles). Então, aconselhado por Demétrio de Falerus, ordenou a tradução da Bíblia para o grego. Esta tradução (iniciando pelo Pentateuco) é o texto praticamente consagrado no Novo Testamento e pelos ortodoxos e católicos.

A “Septuaginta” foi usada por São Jerônimo para o texto da “Vulgata” (a tradução da Bíblia para o latim) e era o texto mais amado por Santo Agostinho (que resistiu à Vulgata porque amava mais o texto da Septuaginta).

Na tradução da “Septuaginta”, que começou lá por 285 a.C. (em Alexandria), já havia toda uma síntese entre judaísmo e as idéias gregas, pois a tradução dos textos hebraicos e aramaicos para a língua grega é uma paráfrase, feita a partir das idéias, bem mais do que uma tradução textual (literal).

A Bíblia da “Septuaginta” aproximou idéias comuns, usando fórmulas da Paidéia, com o mesmo conteúdo que as idéias hebraicas. A “Septuaginta” preparou, por confluência, o terreno do cristianismo, a síntese cristã, no prisma humano, entre o melhor da Paideia com o melhor das ideias hebraicas, semitas, judaicas. 

Conclusão: a Paidéia, mesmo antes do Cristianismo, já estava sendo unida, numa síntese, como as idéias semitas-hebraicas e esta síntese continuou no cristianismo, gerando a “filosofia cristã”, que é a filosofia da Paidéia (helênica), depurada de erros, aberta, ecumênica e progressiva, permeada do melhor das ideias semitas-hebraicas.

A síntese, mesmo antes de Cristo, entre idéias hebraicas e idéias da Paidéia, fica clara em Aristóbulo de Alexandria (181-145 a.C., hebreu aristotélico, precursor de Maimônides) e em outros escritores, como: Hilel, Fílon (20 a.C. a 40 d.C.), Gamaliel I (o neto de Hilel, elogiado em At 22,3), Flávio Josefo e Sêneca.

Fílon desenvolveu a tese da influência hebraica sobre a filosofia grega, especialmente nos livros “Os sonhos” (II, 244), “A eternidade do mundo” (19), “Questões sobre o Gênesis” (IV, 152), “A mudança dos nomes” (167-168) e “Quem é herdeiro das coisas de Deus” (n. 214).

As principais correntes do judaísmo tinham, em maior ou menor grau, apreço pela Paidéia. Os saduceus eram totalmente helenizados e ligados ao epicurismo. Os fariseus faziam uma síntese, especialmente com o estoicismo, sendo a corrente mais próxima do Catolicismo. Mesmo os essênios elaboraram uma mistura de idéias platônicas, órficas etc. Na mesma linha dos fariseus, Filon combinou idéias éticas estóicas (e platônicas) com as idéias hebraicas.Por isso, os católicos sempre amaram os textos de Fílon. 

Mais tarde, a filosofia hebraica retoma o apreço pelo helenismo, especialmente pelo estoicismo e pelo aristotelismo (e platonismo), como fica claro em filósofos hebraicos, como Maimônides, Levi Ben Gerson, Hilel Ben Samuel, Judá Messer Leon, Abraão Bibago, Isaac Abravanel e Abraão Ibn Daud.

O maior Doutor da Igreja, São Tomás de Aquino, sempre foi admirador e leitor cuidadoso de Maimônides, do Rambam, pela semelhança de ideias. O mesmo vale para os grandes filósofos muçulmanos, como o grande Avicena.

Esta unidade entre Avicena, Maimônides e São Tomás de Aquino mostra como há a mesma matriz filosófica entre Catolicismo, Ortodoxos, Judeus e Muçulmanos e, acredito, esta unidade tem base na Providência, para converter a todos ao cristianismo, no futuro. 

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