Arquivos para : Elogio da vida simples, um dos segredos da felicidade

A foto da teia de uma aranha, que colhi no blog de Altino

Elogio do padre e jurista Giuseppe Dossetti

Giuseppe Dossetti foi um grande jurista e político italiano, muito católico.

Foi um dos fundadores da Democracia Cristã e Relator da Assembléia Constituinte italiana, em 1946. No início dos anos 50, renunciou aos bens e fundou o Istituto per le Scienze Religiose, com Paolo Prodi e outros.

Antevendo a necessidade do Vaticano 2, preparou o “Conciliorum Oecumenicorum Decreta”, com todos os textos de todos os Concílios da Igreja, de todas as épocas. Este documento foi entregue a João XXIII, no início do Vaticano 2.

Dossetti se tornou padre e, depois, monge. Elaborou o Regulamento para os trabalhos do Vaticano 2, a pedido de Paulo VI.

Foi aliado de Dom Hélder Câmara, durante o Concílio. Dom Hélder escreveu: “simpatia mútua à primeira vista”, “combinamos maneiras práticas de levar ao coração dos esquemas nossas preocupações de pobreza”. E ainda: Dossetti era “uma figura de franciscano, embora, na época, fosse Padre diocesano”, diz Dom Hélder, na Circular de 04.10.1963. 

Walter Gropius, elogio do artesão e do artista, e da simplicidade

Colhi isso no site da BBC do Brasil, num artigo sobre Walter Gropius e a Bauhaus – “Não há uma diferença essencial entre o artista e o artesão”, disse ele. Seus pupilos aprendiam cerâmica, gravuras, confecção de livros e carpintaria. Eles estudaram tipografia e publicidade. Eles foram ao básico e começaram do zero com um olhar novo.

“Um objeto é definido por sua natureza”, anunciou Gropius. “Para criá-lo de maneira que ele funcione direito, deve cumprir sua função de uma maneira prática”.

Daí, móveis e ambientes simples e úteis. Algo que Ruskin apreciaria, acho. 

A Igreja luta para que todos tenham vida plena, simples, feliz, abundante, digna, sem miséria, sem reificação

Leão XIII, na “Alocução” de 24.01.1903, lembrou que o conceito cristão de “nobreza” (“kalokagathía”, em grego, cf. consta no livro de Aristóteles, “Ética a Eudemo”, livro VII) significa pessoas boas e sábias que se dedicam ao bem comum (como os guardiões de Platão), pessoas que se sacrificam pelo próximo, pelo bem do povo. Os que lutam por boas condições de vida para os trabalhadores, o povo. Pessoas nobres são as que lutam pela igualdade social. 

Nesta alocução, Leão XIII ressaltou que os Papas “tiveram sempre” “empenho em proteger e melhorar a sorte dos humildes”, “em proteger e elevar as condições” de todos. Como está no “Magnificat”, de Maria, Deus quer que os proletários sejam elevados, tenham bens, tenham uma vida digna, plena, abundante, simples e feliz, sem miséria, sem exploração. 

Leão XIII continuou, dizendo – fazendo isso, o clero e os leigos portam-se como “os continuadores da missão de Jesus Cristo”, “na ordem religiosa” e “ na ordem social”. Afinal, Cristo passou “sua vida privada” como “filho de um artesão”, numa “habitação humilde”.

Na “vida pública”, Cristo, que nos dá exemplo, “comprazia-se em viver no meio do povo, fazendo-lhe o bem de todas as maneiras”.

Este é o papel do clero, dos leigos e de cada pessoa, viver do trabalho, “no meio do povo”, fazendo “o bem de todas as maneiras”, pautando tudo pelo ideal (pelas regras racionais) do bem comum, pela mediania, pela igualdade social, pelo fim das guerras, da miséria, dos crimes, da exploração etc.

— Updated: 20/06/2018 — Total visits: 29,322 — Last 24 hours: 48 — On-line: 0
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