Arquivos para : A “Fórmula” da Economia SOLIDÁRIA (Trabalho sem REIFICAÇÃO): Ladislau, Paul Singer e outros. ECONOMIA MISTA E POPULAR, formas p ORGANIZAR O TRABALHO FRÁGIL

A dobradinha-síntese Léon Bourgeois e Pesch, o Solidarismo católico e o Solidarismo socialista democrático, já em boa síntese, há mais de cem anos

Léon Victor Auguste Bourgeois (1857-1934), em obras como o clássico “Solidariedade” (1896), citava Pierre Leroux, no livro “A humanidade” (1839) como um dos principais precursores.

Leroux é também praticamente o pai da palavra “socialismo” e era socialista cristão.

Bourgeois escreveu livros com idéias profundamente cristãs, um solidarismo radical bem próximo do solidarismo do padre Pesch.

Bourgeois ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 1920, por ter auxiliado na constituição da Sociedade das Nações, a precursora da ONU.

Paulo VI – harmonizar autoridade e liberdade; iniciativa pessoal e solidariedade-regras sociais de planejamento da economia. Economia mista

A autoridade e a liberdade (“a gloriosa liberdade”, cf. São Paulo) são, por natureza (por lei natural) complementares e harmônicas.

Este ponto foi destacado por Louis François Veuillot (1813-1883, um “conservador” católico) e também por Joaquim Saldanha (um maçom cristão), pois os dois entendiam que a autoridade tem como fundamento a lei natural (ou seja, a razão, o senso comum, o consenso das idéias mais espalhadas e difusas), que é a base da liberdade humana.

No fundo, a idéia cristã da harmonia entre a pessoa e a sociedade, entre a liberdade e a autoridade, é o que Hegel queria dizer nas frases sobre necessidade e liberdade. O mesmo que Engels apreciava e é também a base do pensamento de autores cristãos democratas como Thomas Paine (ver “O senso comum”) ou William Cobbett, católico.

No mesmo sentido, Paulo VI escreveu, numa carta de 30.08.1968:

“Segui o chamado do Concílio, demonstrando através de vossa vida “como podem harmonizar-se a autoridade e a liberdade, a iniciativa pessoal e a solidariedade de todo o corpo social, a oportuna unidade e a vária diversidade” (Cont. past. Gaudium et spes, n. 75)! Fazei-vos promotores de tudo isso a fim de que no mundo todos os homens em todas as formações sociais alcancem tanta corresponsabilidade e tanta co-participação quanta corresponde à sua dignidade e a seus deveres!”.

O ensino da Igreja sempre reforça a libertação: “tanta corresponsabilidade e tanta co-participação quanta corresponde” à dignidade da pessoa.

O próprio Engels (cf. o texto que fala da passagem do reino da necessidade para o reino da liberdade) e Bakunin tinham conceitos semelhantes (por conta das raízes cristãs de seus pensamentos, o que fica claro nos textos cristãos dos jovens Engels e Bakunin) sobre a liberdade: ser livre é agir de acordo com os ditames da consciência, num movimento sincrônico entre inteligência, vontade, afetos, instintos etc.

A liberdade só se torna concreta quando é social, quando é compartilhada.

Da mesma forma, a sociedade só é livre quando age de acordo com as razões entrelaçadas pelo diálogo, gerando o que Durkheim chamou de “consciência coletiva” ou social.

— Updated: 16/11/2018 — Total visits: 40,905 — Last 24 hours: 55 — On-line: 0
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