Arquivos para : A “Fórmula” cambial: DÓLAR deve ser evitado no comércio mundial. Países pobres financiam o deficit dos EUA, que emite à larga e os pobres pagam a conta

Evitar Reservas em dólar, é melhor diversificar reservas, aumentar a parte do ouro etc. EUA sangra e espolia o mundo todo…

SPUTNIKEXPLICA

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Desde abril de 2018, a Rússia vendeu quase 85% dos títulos do Tesouro dos EUA e aumentou suas reservas de ouro para um nível recorde. A Sputnik explica porque Moscou decidiu livrar-se dos títulos públicos dos EUA, apostando no metal precioso, e que consequências esse passo teria para o sistema financeiro mundial.

Em abril e maio deste ano, Moscou reduziu os ativos em títulos do Tesouro dos EUA de 96 bilhões de dólares (R$ 369,7 bilhões) para 15 bilhões de dólares (R$ 56,2 bilhões).

A lista dos 33 maiores detentores de dívida pública publicada pelo Departamento do Tesouro dos EUA já não inclui a Rússia.

Paralelamente, o Banco Central russo aumentou significativamente a quota de ouro nas suas reservas internacionais.

Esses fatores levaram a uma mudança significativa das reservas internacionais russas na última década: a quota de ouro aumentou 10 vezes, enquanto a dos títulos do Tesouro dos EUA caiu ao seu mínimo.

Papel dos títulos do Tesouro norte-americanos nas reservas globais

As reservas internacionais de um país representam os ativos financeiros líquidos das autoridades monetárias (geralmente dos bancos centrais) que são mantidos em diferentes reservas, como em moedas estrangeiras (títulos e depósitos), ouro, direitos especiais de saque – unidade de pagamento criado pelo Fundo Monetário Internacional – e posição de reserva no FMI, além de alguns outros ativos.

Esses recursos são utilizados pelo país para cumprimento dos seus compromissos financeiros como a emissão de moeda, para minimizar a volatilidade, bem como para proteger o sistema financeiro dos especuladores.

Em geral, é uma espécie de colchão de segurança para amortecer as consequências de choques externos para a economia do Estado.

No sistema financeiro atual, a maioria das reservas internacionais globais está aplicada em títulos da dívida pública dos EUA.

Esses títulos são emitidos pelo Tesouro dos EUA para financiar a dívida pública norte-americana. Os EUA podem emitir livremente sua moeda, aproveitando-se de o comércio internacional mundial ser realizado em dólares, o que contribui para a demanda por dólares a nível global.

Ou seja, cada país que compra títulos públicos dos EUA financia o déficit dos EUA. Mas por que a comunidade internacional continua financiando a economia dos EUA, apoiando a hegemonia do dólar?

A resposta é bastante simples. Os títulos da dívida americana são considerados o ativo mais seguro do mundo com uma liquidez mais alta, o que significa que, se for necessário, esses ativos podem ser vendidos rapidamente e sem perda de valor.
Os EUA têm um bom rating de crédito, apesar de algumas especulações sobre o teto da dívida. Acredita-se que um calote dos EUA é quase impossível, tornando esse ativo apropriado para o colchão de segurança de um país.

Rússia e desdolarização

A Rússia está tentando diminuir sua dependência da divisa norte-americana depois de Washington e seus aliados terem imposto sanções ao país em 2014.

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que Moscou já não pode confiar no sistema financeiro encabeçado pelo dólar norte-americano porque os EUA impuseram sanções unilaterais e violam as regas da Organização Mundial do Comércio.

O primeiro passo foi o aumento das transações em divisas nacionais com os parceiros comerciais da Rússia, reduzindo assim a demanda por dólares desses países.

Como resultado, as transações em rublos na União Econômica Eurasiática (composta pela Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia) aumentaram significativamente.

Em outubro de 2017, a China abriu em Moscou a primeira divisão do seu Banco de Indústria e Comércio para promover transações em yuanes.

Além disso, Moscou já assinou acordos com a Turquia, Irã e Azerbaijão para evitar o uso do dólar nas transações internacionais.

Durante a 10ª cúpula dos BRICS, realizada entre 25 e 27 de julho em Johannesburgo, os representantes dos países membros do grupo também discutiram a possibilidade de realizar transações em moedas nacionais em vez do dólar.

No início do abril, Washington impôs um novo pacote de sanções antirrussas, o mais duro desde 2014. Os EUA introduziram sanções contra 38 empresários e empresas russas.

Em junho de 2018 o Departamento do Tesouro dos EUA revelou que em abril deste ano a Rússia tinha vendido metade dos seus títulos da dívida pública dos EUA. Desta forma, a Rússia passou de 18º para 22º na lista dos principais credores dos EUA.

Em julho de 2018 foi revelado que a Rússia se livrou de mais um terço dos seus títulos dos EUA. Ao mesmo tempo, as reservas de ouro da Rússia atingiram quase 2.000 toneladas. Durante os primeiros seis meses de 2018, o Banco Central russo comprou cerca de 106 toneladas do metal precioso, aumentando a quota de ouro nas reservas internacionais até 18%, e aumentou também suas reservas nominadas em outras divisas, depositadas em bancos centrais de outros países.

Segundo a presidente do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina, o objetivo do banco é diversificar suas reservas internacionais.

“Nos últimos tempos, aumentamos significativamente a quota de ouro, praticamente em dez vezes. Estamos diversificando toda a estrutura das divisas [nas reservas internacionais]. Realizamos uma política para que as reservas internacionais sejam armazenadas de forma segura e sejam diversificadas. Levamos em conta todos os riscos: financeiros, econômicos e geopolíticos”, disse Nabiullina comentando a venda dos títulos.

Alguns especialistas acreditam que a Rússia vendeu seus títulos do Tesouro dos EUA porque receia que esses ativos possam ser congelados no caso de novas sanções antirrussas. Entretanto, essas medidas são pouco prováveis, porque afetariam a credibilidade dos investidores em todo o mundo no sistema financeiro dos EUA.

O que vai acontecer se outros países se livrarem dos títulos do Tesouro dos EUA? 

Quanto às consequências para a economia dos EUA, a venda dos títulos dos EUA pela Rússia não representa uma grande ameaça para Washington porque, mesmo antes da venda massiva dos títulos, a Rússia ocupava apenas o 18º lugar na lista dos principais credores dos EUA.

Entre os maiores detentores de títulos do Tesouro norte-americano estão a China, que possui títulos no valor de 1,18 trilhão de dólares (R$ 4,5 trilhões).

O Japão está em segundo lugar, com $ 1,03 trilhão (R$ 3,8 trilhões). Entre os líderes estão também a Irlanda, Brasil, Suíça, Reino Unido, Índia e Arábia Saudita.

Imaginem que a maioria desses detentores da dívida dos EUA se livraria dos títulos do Tesouro dos EUA. A oferta dos títulos aumentaria drasticamente, fazendo com que eles desvalorizassem. Os rendimentos dos títulos da dívida dos EUA atingiriam nível recorde. Essa situação poderia colapsar toda a economia dos EUA.

A Turquia é mais um país que já decidiu livrar-se dos títulos da dívida pública dos EUA. O presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, considera que o Ocidente quer castigar o país por sua política de reforço da soberania. Segundo os últimos dados, Ancara reduziu seus recursos financeiros investidos em títulos norte-americanos em 38% desde outubro de 2017, aumentando as compras de ouro.

Embora hoje esses títulos ainda continuem sendo o ativo mais seguro do mundo, tendo em consideração a guerra comercial desencadeada por Washington contra a China, o maior credor dos EUA, alguns analistas preveem que Pequim também poderia reduzir sua posição em títulos do Tesouro dos EUA, tal como já o fizeram a Rússia e a Turquia. Esse passo seria, verdadeiramente, o início do fim da época do dólar.

Rejeitar o Dólar como moeda internacional é MEDIDA ESSENCIAL para o progresso dos países pobres

247 – “O presidente russo Vladimir Putin e seu homólogo chinês, Xi Jinping deram luz verde a um maior “crescimento da cooperação russo-chinesa no setor financeiro, aumento na participação das moedas nacionais nos pagamentos comerciais, investimentos e financiamento”; além disso, os países concordaram também em “expandir a colaboração em tais áreas como os sistemas de pagamento e seguros”.

Desde 1971, por decisão de Nixon, os EUA emitem dólares como se fossem papéis de ouro puro e o mundo paga o deficit dos EUA.

Os países pobres AJUDAM os mais opressores e opulentos. De Gaulle, bom católico, quis combater isso, adotando o ouro como reservas cambiais, rejeitando o dólar. Fidel Castro elogiou De Gaulle por isso. 

A União Européia tem 30% de suas reservas monetárias cambiais em OURO. A China, a Rússia e a Índia tem, cada uma, cerca de 10% de suas reservas, em ouro. 

Se a China e a Rússia firmarem um Acordo de cooperação financeira, os EUA vão aprender a emitirem sua moeda apenas para si mesmos. E o mundo vai se livrar de uma das formas mais espúrias e sujas de imperialismo. 

Brasil já teve quase dez por cento de suas reservas em ouro. Hoje, Brasil tem cerca de 385 bilhões em reservas cambiais, quase tudo em títulos da dívida pública dos EUA, o que é um ERRO IMENSO.

O correto seria termos uma CESTA variada, com ouro, yens, euros e outras moedas, e fazermos ACORDOS com os países, para compensar as compras e vendas, sem usar dólares no comércio externo. 

O senador Requião tem vários discursos nesta linha, sendo um grande expoente nacionalista, no Senado.

No máximo, usaríamos o dólar, com os EUA, mas quanto menor, melhor.

O correto é caminhar para uma Câmara de Compensação Mundial, como preconizou Keynes e Santiago Fernandes.

Para chegar a esta Câmara, o caminho correto é formar ACORDOS INTERNACIONAIS. Por exemplo, não usar o dólar no comércio externo dentro do Mercosul, ou entre o Mercosul e a União Européia, e entre o Mercosul e a China, a Rússia, o Japão, a Índia, o mundo árabe, a União Africana etc. 

— Updated: 12/12/2018 — Total visits: 42,498 — Last 24 hours: 47 — On-line: 0
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