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Um bom texto de LaRouche sobre a vitória de Dilma em 2014, prevendo o golpe baixo neoliberal de 2016

“Brasil Vota por um Futuro com os BRICS
e a América do Sul

por Gretchen Small

1 de Novembro, 2014 (EIR)—Os brasileiros infligiram uma forte derrota ao Império Britânico, ao reelegerem Dilma Rousseff como Presidente o 26 de outubro. Rousseff tornou claro, que sob a sua liderança, o Brasil irá continuar a sua participação ativa no avanço da nova arquitetura financeira e de segurança mundial que se forma em torno do agrupamento BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e da sua crescente lista de aliados.

A guerra dirigida por Londres contra o Brasil e os seus parceiros dos BRICS não foi esmagada, mas os resultados das eleições somam-se ao crescente reconhecimento no mundo de que o Império Britânico não é o imbatível Leviatã que nos quer fazer acreditar que é.
Londres e os seus apêndices de Wall Street tinham investido tudo em derrotar Rousseff, determinados em tirar o “B” dos BRICS e deste modo ganhar uma posição a partir da qual poderiam obliterar a rebelião mundial que se espalha contra o sistema globalizador genocida do Império.

Economist e o Financial Times de Londres fizeram uma campanha feroz pelo afastamento de Dilma, tentando primeiro manobrar a agente da Coroa Britânica Marina Silva para a Presidência. (Isso requereu a remoção do candidato presidencial Eduardo Campos, que convenientemente morreu a meio da campanha num acidente aéreo ainda por explicar.) Quando Marina foi severamente derrotada na primeira volta das eleições o 5 de outubro, dinheiro e propaganda britânicos foram usados para apoiar Aécio Neves do Partido da Social Democracia (PSDB), para a volta final contra Dilma.
Neves fez campanha como o candidato do sistema bancário transatlântico. Prometeu impor novamente “ortodoxia económica” no Brasil, realinhar o país com o partido da guerra anglo-americano e virar-se contra os BRICS e a América do Sul – e foi derrotado.

Forças BRICS Celebram
Os brasileiros não foram tão burros ao ponto de prestar atenção aos apelos para saltar de volta para bordo do Titanic que se afunda, desde um barco salva-vidas dos BRICS que começa a tomar as dimensões de um porta-aviões. O Brasil tem aliados que se prepararam para o defender contra a guerra em marcha lançada pelo império moribundo, tal como foi experienciada pela vizinha do Brasil, a Argentina.

Conjuntamente com os parabéns de chefes de Estado sul-americanos em posições-chave que também lutam contra os poderes financeiros de modo a desenvolver as suas nações, tais como Cristina Fernández de Kirchner da Argentina e Evo Morales da Bolívia, a Presidente Rousseff recebeu calorosos parabéns dos líderes dos três gigantes do grupo BRICS: China, Rússia e Índia.

O Presidente chinês Xi Jinping recordou as suas discussões com Rousseff, nos vários fóruns bilaterais e multilaterais que tiveram lugar em torno da Cúpula dos BRICS em Fortaleza, Brasil no último mês de julho. A Presidente Rousseff e eu “decidimos unanimemente aprofundar a cooperação mutuamente benéfica e amigável entre a China e o Brasil em vários campos, e promover conjuntamente o desenvolvimento da ordem mundial para uma direção mais imparcial e mais racional”, escreveu Xi.

Na sua mensagem de parabéns, o Presidente russo Vladimir Putin afirmou “a sua prontidão para continuar um diálogo construtivo e uma colaboração ativa para desenvolver uma maior cooperação bilateral em todas as áreas, assim como uma cooperação nos fóruns das Nações Unidas, G20, BRICS e outras estruturas multilaterais”. Numa chamada telefónica pós-eleitoral, os dois líderes concordaram em encontrar-se novamente à margem da reunião dos G20 (dias 15 e 16 de novembro, em Brisbane, Austrália).

O Primeiro-Ministro indiano Narendra Modi disse que “anseia por continuar a trabalhar com Dilma para fortalecer as relações Índia-Brasil nos anos vindouros”.

Desde dentro dos Estados Unidos da América, Lyndon LaRouche expressou o seu regozijo com a notícia da reeleição de Rousseff, assim que foi sabida. Mais cedo no dia da eleição, LaRouche tinha avisado que uma vitória do seu adversário, Neves, iria fazer o Brasil regressar à condição de colónia britânica e iria deste modo ser uma ameaça aos interesses dos próprios Estados Unidos da América, numa altura em que LaRouche lidera a luta para acabar com o controlo britânico e de Wall Street, sobre os Estados Unidos da América, para que possam estes, também, juntar-se aos BRICS no estabelecimento de uma ordem mundial de soberania nacional e de desenvolvimento.

Fúria Britânica

Frustrada por terem os eleitores brasileiros mais uma vez “derrotado inexplicavelmente” o seu sistema, Economist de Londres previu no dia seguinte à eleição que o capital iria fugir dos mercados do país e que isso poderia ajudar a chantagear Rousseff para que adotasse as políticas de austeridade, “amigas do mercado” que os eleitores tinham acabado de derrotar nas eleições. A Economist apontou para o sucesso relativo de tal guerra financeira em amarrar a antigo Presidente brasileiro Lula da Silva durante a sua administração 2003-10, enquanto ameaçava que “de agora em diante, a viagem poderá apenas tornar-se mais difícil”. Os “mercados” exigem que Dilma nomeie imediatamente um novo Ministro, ou uma nova Ministra, da Fazenda e que ele ou ela faça o que eles querem.

Os interesses endinheirados especulativos procederam à desvalorização da moeda do Brasil, o real, enquanto a bolsa de Bovespa caiu mais de 6% num dia, a dada altura, logo a seguir à eleição. Os britânicos insistem em castigar o Brasil por ter ganho, comentou LaRouche.

O 29 de outubro, três dias após a eleição, o Banco Central do Brasil aumentou as taxas de juro em 1/4 para 11,25%, o primeiro aumento desde Abril. A concessão não parou a pressão sobre o real.
De fato, nenhuma concessão será suficiente. A intenção é lançar uma “revolução colorida”, afastar Rousseff e depois conduzir o Brasil ao caos e à ingovernabilidade, tais que as capacidades científicas e tecnológicas da nação possam ser finalmente desmanteladas.

Nunca subtil, Economist intitulou o seu artigo pós-eleitoral na edição impressa de 1 de novembro, “Dilma Difícil de Morrer” (“Diehard Dilma“), uma manifestação típica do sadismo de escola pública britânico com insinuações de uma ameaça de morte implícita. “Se o seu segundo mandato não for uma desilusão ainda maior do que o primeiro”, avisou a Economist, “A Sr.ª Rousseff precisa de prestar atenção não só aos seus partidários mas também àqueles que não votaram nela. Estes incluem muita da classe média, que em 2013 tomou as ruas em protestos massivos para exigir melhores serviços públicos e menos corrupção”.

Até agora, a carne para canhão de tal “revolução” tem permanecido confinada a aspirantes a “revolucionários de caxemira”, recrutados, em grande parte, das classes média e média-alta de São Paulo, sendo arrebanhados com gritos sobre “lutar contra o comunismo”. Aquelas chamadas redes de mídia sociais estão a ser preparadas para apresentar uma aura de atividade que não existe. Organizadores das marchas de 1 de novembro em São Paulo e outras cidades para exigir a destituição de Rousseff e uma intervenção militar(!), hiperventilaram acerca de 100,000 comprometimentos na Internet em participar, mas não mais de 1,000-1,500 apareceram de fato nas ruas.

A histeria britânica de fomentar isto é tal, que a 30 de outubro, o PSDB de Neves entregou um pedido ilegítimo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para uma auditoria das eleições federais, quatro dias depois de ter aceite os resultados da eleição sem qualquer queixa sobre fraude. O pedido não apresenta provas, mas argumenta que a auditoria é necessária para restaurar a “confiança”, porque um crescente número “do povo” questiona os resultados da eleição. Citada como prova dessa afirmação está uma petição na Internet que apela a Neves que rejeite os resultados da eleição; a petição reuniu um grande total de 60,000 assinaturas em dois dias.

Num país de mais de 200 milhões de pessoas, a ideia de que 60,000 assinaturas numa petição na Internet é uma força que compele a que se mande fazer uma recontagem, é ridícula. O que é ainda mais ridículo, é que a petição foi organizada pelo astrólogo mistura de subproduto da escola von Mises com “filósofo”, Olavo de Carvalho, a quem LaRouche há muito tempo recomendou que fosse dado “o tratamento Pasteur contra a raiva”, depois de ter este sugerido que a Rússia e a China estavam por trás do ataque de 11 de setembro ao World Trade Center em Nova Iorque. Juntando-se a Carvalho na petição está um toxicodependente brasileiro, estrela de rock pornográfica “Lobão” e outros dessa laia.
Este não é um movimento de massas e não tem bases para prosseguir, mas tem o objetivo de construir a base para a “revolução colorida” que a Economist, et al., insiste que seja posta em prática.

Dois sistemas
Não tivessem os BRICS se afirmado este ano como um polo contrário, que se desenvolve por si próprio, ao sistema imperial britânico dominante, as esperanças da Economist de forçar o Brasil a capitular teriam sido provavelmente satisfeitas. Mas este não é o mesmo mundo que Lula enfrentou em 2002.

Dois desenvolvimentos durante a campanha, em particular, enfraqueceram a posição britânica.

Seis dias antes da volta final entre Rousseff e Neves, o jornal muito lido no país Jornal do Brasil, publicou um artigo reportando, com alguma extensão, sobre a avaliação da EIR, de que “O Que Está Estrategicamente em Causa na Eleição do Brasil” se resume à luta sobre se o Brasil irá arrancar economicamente como parte do renascimento global iniciado pelos BRICS, ou irá arruinar-se sob o sistema moribundo de Londres. (Ver o número do 15 de outubro; disponível em português no sítio na Internet em português da EIR).

Jornal descreveu-o de forma certa, detalhando os assuntos cruciais levantados pela EIR, uma “revista americana conhecida por suas análises políticas”: que Londres, tal como a EIR, vê a eleição brasileira como uma guerra, mas que os britânicos apoiam o candidato Aécio Neves e a sua aliada, Marina Silva, de modo a “subjugar o Brasil para impedir que o país e a América Latina sigam se desenvolvendo”; enquanto a EIR apoia a reeleição da Presidente Dilma Rousseff, porque em aliança com os BRICS, o Brasil pode “vencer mais de 25 anos de subjugação á ditadura financeira supranacional” e deste modo soltar as suas grandes capacidades científicas e industriais.

Diário do Poder baseado em Brasília, lido pelos seus supostos “exclusivos com origem em fontes internas” e notícias sobre escândalos, publicou um editorial o19 de outubro queixando-se de que círculos governamentais davam atenção ao apoio da EIR de LaRouche a Rousseff nesse artigo. No dia seguinte, o artigo do Jornal garantiu que a avaliação da EIR era muito lida pela classe política do Brasil.

Rousseff enfatizou a importância da participação do Brasil nos BRICS em várias aparições públicas na semana final de campanha. Num discurso perante um enorme comício em São Paulo o 20 de outubro, por exemplo, atacou Neves por conceber apenas “o Brasil pequeno” atrelado “aos grandes países. Querem entregar o Brasil. Querem voltar com a ALCA [Área de Livre Comércio das América], não querem os BRICS e são capazes de menosprezar o MERCOSUL” e a América Latina.

Os temas enfatizados pela campanha de Rousseff nas semanas finais da campanha fortaleceram o potencial do Brasil de adotar uma política de desenvolvimento nacional mais agressiva no segundo mandato de Rousseff. Ela disse aos brasileiros que eles estavam a escolher entre duas visões radicalmente opostas do que deve ser o Brasil no mundo: a visão do adversário dela de um Brasil subserviente a potências estrangeiras e interesses bancários, com baixos salários e alto desemprego e pobreza para a maioria do seu povo; ou um Brasil aliado com outras nações soberanas nos BRICS e nos agrupamentos regionais sul-americanos, UNASUL e MERCOSUL e o uso da banca pública (bancos públicos, especialmente o BNDES) para fortalecer a infraestrutura do país, a indústria nacional e os padrões de vida e habilitações.

Celso Amorim, antigamente Ministro das Relações Exteriores e atualmente Ministro da Defesa, elaborou sobre esta ideia num editorial aberto no portal Vermelho o 22 de outubro. Dilma Rousseff e o seu antecessor Lula da Silva, provaram que o país está “disposto a defender sua soberania e a integridade de uma ordem internacional baseada no Direito”, contrariamente àqueles que justificam “comportamentos tímidos, pouco condizentes com as dimensões do país e as aspirações do nosso povo”, escreveu ele. Ele listou as políticas deles de dar prioridade à unidade sul-americana; prestando especial atenção a África; trabalhando ativamente com os BRICS; e rejeitando provisões de livre-comércio que favoreciam as companhias farmacêuticas multinacionais, que limitariam o direito do Brasil de lidar adequadamente com a saúde pública. “O Estado brasileiro”, escreveu ele, “deixou para trás a visão de um país ‘periférico e desarmado’ e assumiu plenamente a responsabilidade pela proteção de seus recursos e de sua população”, usando o poder de compra do governo para favorecer a indústria nacional e investir em tecnologias nacionais.

A campanha dela descreveu o apoio da Economist a Neves pelo que este verdadeiramente vale, com o antigo Presidente Lula a rir-se dizendo da Economist: “essa revista é a mais importante do sistema financeiro internacional, dos bancos, dos achacadores que dizem que são de investidores, mas que são exploradores. Pois bem. Qual é a resposta que temos que dar? Que o Aécio é candidato dos banqueiros, ótimo. A Dilma é candidata do povo brasileiro.”

O Brasil numa Encruzilhada
Para segurar o país, Rousseff terá de tomar ações dramáticas. Sem estas, a guerra financeira irá criar as condições sob as quais uma “revolução colorida” pode arrancar. Carlos Pastoriza, presidente da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), numa entrevista dada a 27 de outubro ao jornal Zero Hora, apontou para um dos grandes problemas económicos subjacentes que o Brasil enfrenta:

O Brasil está ameaçado por uma “desindustrialização galopante. A nossa indústria de transformação está certamente na UTI. Este processo tem se agravado”, disse ele. “A desindustrialização tem duplo efeito de mascaramento da realidade. Primeiro porque o Brasil tem taxa de desemprego muito baixa (menor que 6%) e, então, há a sensação falsa de que não há problemas graves. O segundo fato é que as empresas estão, silenciosamente, se tornando maquiladoras. E, passo seguinte, passam a somente ser distribuidoras de produtos fabricados em outros países. Nem o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] capta este fenômeno. (…) O Brasil está numa encruzilhada. O próximo governo precisa encontrar um rumo. Se isto não for feito, voltaremos ao Brasil colônia.”

Tão cedo quanto o início dos anos 1990, a EIR tinha enfatizado que o caminho que o Brasil precisava de adotar era o do desenvolvimento das suas mais avançadas capacidades científicas e tecnológicas – especialmente nos setores nuclear e aeroespacial – conjuntamente com a sua vizinha Argentina. As duas nações juntas constituem uma espécie de “Eixo Produtivo” cuja ativação da alta tecnologia é a chave para o desenvolvimento de toda a América do Sul.

Em Fevereiro de 1993, a EIR escreveu: “O ‘Eixo Produtivo’ economicamente mais denso da Ibero-América é constituído pela área do sul do Brasil, passando pelo Uruguai até ao norte da Argentina. (…) Esta região possui a maior densidade económica, a maior concentração de mão-de-obra e potencial de capital capaz de facilitar as mais rápidas taxas de crescimento possíveis do poder laboral produtivo de todo o continente. (…)”

“O que torna isto possível não são tanto as densidades existentes (…) mas antes o potencial da região de gerar e absorver avanços tecnológicos – um potencial que se fundamenta acima de tudo na existência de um número significativo de cientistas e técnicos, particularmente na Argentina e no Brasil. Este é o recurso económico mais importante do continente: essa capacidade tecnológica e científica que é exatamente o que o Fundo Monetário Internacional e Wall Street querem destruir de qualquer modo. São estas capacidades, particularmente os programas nucleares e aeroespaciais da Argentina e do Brasil, que tornam possível transformar a Ibero-América numa superpotência económica.”

Quase uma década depois, Lyndon e Helga LaRouche fizeram uma notória visita ao Brasil, entre 11 e 15 de junho de 2002, que estabeleceu um diálogo com círculos de liderança brasileiros sobre a direção que o Brasil e o mundo tinham de adotar (ver em baixo).

E agora hoje, pouco mais de uma década depois dessa visita histórica, o assunto é outra vez central para o Brasil – mas desta vez com poderosos aliados, no contexto da acção liderada pelos BRICS de substituir o sistema financeiro internacional falido por uma nova ordem mundial de soberania e desenvolvimento científico.


Visita de 2002 de LaRouche a São Paulo, Brasil

Lyndon e Helga LaRouche visitaram o Brasil entre 11 e 15 de junho de 2002, convidados pela Prefeitura de São Paulo, onde LaRouche foi homenageado com o título de Cidadania Honorária dessa cidade de mais de 18 milhões de pessoas, a terceira maior do mundo. Dirigindo-se a uma multidão de várias centenas que estiveram presentes na cerimónia, LaRouche disse que não havia maneira dos Estados Unidos da América saírem da crise de colapso, sem a fundação de uma comunidade de princípio entre as nações das Américas. O Brasil tem um particular papel a desempenhar em qualquer tal empreendimento, disse ele, como um dos poucos países no mundo que ainda retém algum grau significativo de soberania. Ele disse que esperava, com a vinda dele ao Brasil, abrir um tal diálogo com todas as nações das Américas.

LaRouche fez três discursos públicos durante a sua visita de uma semana, além do seu discurso dirigido à Prefeitura. Em cada um deles, ele avisou que não havia solução dentro do sistema financeiro internacional existente. Vocês têm de nos ajudar a substituir o sistema, disse ele às suas audiências brasileiras, porque ambas as nossas nações dirigem-se direito a um rebentamento.

Precisamos de uma Reforma Financeira Global

Num discurso o 13 de junho dirigido à Associação Comercial de São Paulo, LaRouche disse:

“Isto quer dizer que temos de pensar em vários termos: Primeiro, precisamos de uma reforma monetária/financeira global. O melhor modelo que temos é o sistema de 1945-64, não como um modelo perfeito, mas como um modelo político. Sob estes, temos de ter, deste modo, uma reorganização financeira em vários países. Precisamos de uma conferência monetária de emergência entre países preeminentes, usando os poderes de emergência de governo implícitos, para negociar imediatamente uma reforma geral e uma reorganização derivada das falências.

“Temos também, então, que tomar certas medidas em cada país e em acordos de tratados para fazer crescer a economia mundial. Isso quer dizer que precisamos um sistema protecionista, porque o que muitas pessoas não entendem, é a importância dos ciclos de capital. Os ciclos de capital duram normalmente 25 anos para o desenvolvimento de infraestrutura a longo prazo; 3-7 anos para um programa agrícola, mesmo para um agricultor individual; e para uma firma industrial, desenvolver uma linha de produtos podem tomar 7-15 anos.

“Por isso, temos que gerar uma enorme quantidade de investimento de capital. Como é que fazemos isso? Temos que criar um sistema de crédito, mas precisamos um sistema de crédito seguro. Não se podem ter comércio ou empréstimos internacionais acima de 1-2% de taxa de juro simples. Portanto, devemos ter uma taxa de câmbio fixa [BAIXA]. Deveríamos provavelmente usar uma taxa de câmbio baseada em reservas de ouro [MELHOR EM PRODUTOS NOSSOS].

“Então, temos que fazer certas mudanças em cada país. O caso do Brasil é óbvio. O Brasil tem definitivamente um potencial tremendo. Temos duas áreas: Temos as áreas económicas domésticas. Temos infraestrutura, a qual é primária. Os requisitos energéticos são imensos. O controlo e o desenvolvimento dos próprios recursos energéticos. É preciso um programa orientado para o desenvolvimento científico, de desenvolvimento económico e recuperação, que o Brasil já tem em algumas áreas, tal como na área da ciência médica, que é crucial, por exemplo, para África. É preciso ter então um sistema educativo que possa ser construído para produzir os quadros para esta expansão.

“Temos que dar também uma ênfase ao empreendedorismo. Nenhum contabilista, trabalhando como contabilista, pode fazer uma economia crescer. O crescimento vem dos princípios físicos; vem da ingenuidade do empreendedor. Vemos isto na Itália, vemos isto noutros sítios: O falhanço das grandes corporações revela o que sempre soubemos. Uma economia bem-sucedida tem sempre como base o empreendedorismo – são eles os inovadores.”

Mantendo o Bem-Estar Comum

O 11 de junho de 2002, numa conferência patrocinada pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) e pela EIR, que teve lugar no auditório do Parlamento Latino-Americano em São Paulo, LaRouche declarou:

“Primeiro que tudo, tem que se trazer um fator de estabilidade para a situação e se faz isso da melhor maneira através de medidas económicas, que têm como objetivo o bem-estar comum. Se se puder ir a uma população e convencer a população de que se vai agir efetivamente para manter o bem-estar comum, para que possam as pessoas viver em paz nos seus bairros, para que não tenham elas de lutar em lixeiras por comida e esse tipo de coisas, pode-se então estabelecer uma autoridade civil para governar. Tem-se um governo credível (…) dedicado à manutenção do bem-estar comum.”

O 12 de junho de 2002, LaRouche disse num discurso dirigido à Prefeitura de São Paulo:

“Olhem para o Brasil: esta maravilhosamente grande, quase intocada terra selvagem, com algumas concentrações de desenvolvimento, mas com vastas áreas não desenvolvidas, simbolizadas pelo poder bruto do rio Amazonas. Se se olhar para a região da Amazônia desde o ponto-de-vista do grande cientista russo, Vernadsky, que criou os termos ‘Biosfera’ e ‘Noosfera’, tem-se uma noção do grande poder para o futuro, implícito no desenvolvimento disso, de uma maneira cientificamente sólida e racional. (…)

“Então, como é que se vai realizar o potencial do Brasil? Tem que haver fontes de energia em várias partes do país; tem que haver comunicações e transportes eficazes. Assim, a rentabilidade da firma, a produtividade da firma, numa parte do Brasil, não fica tipicamente baseada na produtividade interna ou finanças próprias dessa firma. Mas que é o ‘ambiente artificial’, que a nação crie sob a forma de infraestrutura, que a nação crie sob a forma de programas educativos, que a nação crie sob outras formas, que permita então ao povo do Brasil desenvolver as várias partes do continente para criar novas cidades, para criar novas indústrias, para transformar a região da Amazónia, para conquistar o cerrado com o seu grande potencial: Para alterar a natureza através da vontade humana, através do descobrimento.” 

Resumo do Projeto Desenvolvimentista, nas palavras de Celso Amorim

Trecho de um artigo nacionalista sobre a vitória de Dilma, em 2014, e resume bem o Programa adotado por Dilma.

Os pontos principais estavam corretos que eram aumentar a intervenção estatal na economia, especialmente via bancos públicos, para ampliar a infra-estrutura estatal produtiva, o apoio do Estado aos pequenos negócios (micro e pequenos), fortalecer as estatais, atuar na Unasul e no Mercosul, com a África e com os Bricks e medidas protecionistas, rejeitando o plano neoliberal de livre cambismo etc. 

“Os temas enfatizados pela campanha de Rousseff nas semanas finais da campanha fortaleceram o potencial do Brasil de adotar uma política de desenvolvimento nacional mais agressiva no segundo mandato de Rousseff.

Dilma disse aos brasileiros que eles estavam a escolher entre duas visões radicalmente opostas do que deve ser o Brasil no mundo: a visão do adversário dela de um Brasil subserviente a potências estrangeiras e interesses bancários, com baixos salários e alto desemprego e pobreza para a maioria do seu povo;

ou um Brasil aliado com outras nações soberanas nos BRICS e nos agrupamentos regionais sul-americanos, UNASUL e MERCOSUL e o uso dos bancos públicos para fortalecer a infraestrutura estatal produtiva do país, a indústria nacional e os padrões de vida e habilitações.

Celso Amorim, antigamente Ministro das Relações Exteriores e atualmente Ministro da Defesa, elaborou sobre esta ideia num editorial aberto no portal Vermelho o 22 de outubro.

Segundo Amorim, Dilma Rousseff e o seu antecessor Lula da Silva, provaram que o país está “disposto a defender sua soberania e a integridade de uma ordem internacional baseada no Direito”, contrariamente àqueles que justificam “comportamentos tímidos, pouco condizentes com as dimensões do país e as aspirações do nosso povo”, escreveu ele.

Amorim listou as políticas deles de dar prioridade

1) à unidade sul-americana; prestando especial atenção a África;

2) trabalhando ativamente com os BRICS; e

3) rejeitando provisões de livre-comércio, como as que favoreciam as companhias farmacêuticas multinacionais, que limitariam o direito do Brasil de lidar adequadamente com a saúde pública.

Amorim disse – “O Estado brasileiro”, escreveu ele, “deixou para trás a visão de um país ‘periférico e desarmado’ e assumiu plenamente a responsabilidade pela proteção de seus recursos e de sua população”, usando o poder de compra do governo para favorecer a indústria nacional e investir em tecnologias nacionais.

A campanha dela descreveu o apoio da Economist a Aécio Neves pelo que este verdadeiramente vale, com o antigo Presidente Lula a rir-se dizendo da Economist: “essa revista é a mais importante do sistema financeiro internacional, dos bancos, dos achacadores que dizem que são de investidores, mas que são exploradores. Pois bem. Qual é a resposta que temos que dar? Que o Aécio é candidato dos banqueiros, ótimo. A Dilma é candidata do povo brasileiro.”

A esquerda (PT, PCdoB, PSOL, PDT e PSB) consolida um Projeto de Desenvolvimento nacional inclusivo, endógeno, voltado para o povo

Luís Eduardo Gomes

O terceiro encontro do seminário “Desenvolvimento Nacional – Dilemas e Perspectivas” — evento realizado em parceria entre a UFRGS e as fundações ligadas aos partidos PCdoB, PT, PDT, PSOL e PSB — debateu na noite desta segunda-feira (16), no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa, a construção de uma política econômica a ser adotada pelos partidos do campo progressista que seja focada no desenvolvimentismo e em uma economia inclusiva e sustentável.

Em três apresentações separadas, sob a coordenação da presidente nacional da Ação da Mulher Trabalhista do PDT, Miguelina Vecchio, Luciano Coutinho (ex-presidente do BNDES), o senador Roberto Requião (MDB-PR) e o ex-deputado Hermes Zaneti criticaram o domínio que o sistema financeiro vem crescentemente impondo à economia mundial, e no Brasil marcadamente com a ascensão do governo Temer.

Eles defenderam que a alternativa para o país se recuperar economicamente, ao contrário do que o atual governo defende, é uma participação maior do Estado como indutor de investimentos e não se ausentando deste papel, caminho que escolheu ao aprovar a emenda 95, congelando gastos públicos por 20 anos.

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Primeiro a falar, o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre 2007 e 2016, Luciano Coutinho destacou em sua fala que o mundo ainda vive as consequências da grande crise que atingiu o sistema financeiro em 2008. Ele defendeu que, apenas em 2015, pode se considerar que a Europa havia saído da crise, mas ainda assim há países, como a Itália, que ainda estão com níveis de emprego e de produtividade abaixo dos registrados antes da crise. Coutinho salientou que os EUA precisaram de nove anos para retomar os patamares de emprego e produtividade pré-crise.

Coutinho disse que a crise foi consequência de 30 anos de predomínio de medidas liberalizantes e do capitalismo financeiro nas economias dos países desenvolvidos. “Esse modelo leva à especulação financeira, ao endividamento, a alavancagem de crédito totalmente irresponsável, etc.”, disse Coutinho, destacando ainda que, para evitar um colapso do sistema financeiro, foi necessário que estados gastassem trilhões de dólares em resgate a bancos. “Nunca antes havia se visto esta escala de socialização dos prejuízos do sistema financeiro”.

O economistas salientou que, como o Brasil e outros países em desenvolvimento conseguiram sair da crise de forma relativamente rápida ao adotarem políticas anti-cíclicas (o PIB brasileiro avançou 7,5% em 2010), gerou-se uma “certa ilusão” quanto ao tamanho real da crise. “Era uma crise maior e mais profunda. E nós atingiu porque é difícil sustentar uma política de investimento público e investimento privado induzido sem colocar em risco a equilíbrio das contas e sem provocar uma reação contrária do sistema financeiro”, afirmou, acrescentando ainda que a decisão do governo Dilma de dar uma “guinada” e fazer um forte ajuste em 2015 contribuiu para colocar o Brasil em um “processo severo de recessão”.

Coutinho destacou que, apesar de o Banco Central projeto crescimento próximo a 3% para este ano, considera que está é uma promessa precária, visto que o ajuste fiscal do governo Temer tem sido fortemente focado em investimentos, quando o que, em sua avaliação, o que pode tirar o país da crise é justamente a retomada do investimento público e privado. Ele ainda lamentou a perda de capacidade de planejamento do poder público nos últimos anos e a redução da atuação do BNDES como indutor da economia nacional.

“A preparação de projetos não acontece espontaneamente pelo mercado porquanto são projetos de longa maturação, pois existem crédito e financiamento de longo prazo, que apenas bancos de desenvolvimento podem fazer. Como restabelecer investimento nas indústrias de base sem financiamento de longo prazo?”, questionou.

Requião defende desenvolvimentismo

Em sua fala, o senador Roberto Requião fez uma defesa do modelo keynesiano e das políticas desenvolvimentistas, isto é, da economia que conta com o Estado no papel de planejador e indutor de investimentos.

Assim como Coutinho, Requião também fez uma retomada histórica da desregulamentação da economia e do empoderamento do mercado financeiro, atribuindo esse avanço ao colapso da União Soviética e de um modelo alternativo que fazia com que países desenvolvidos adotassem o estado social. Segundo ele, desde então, tem se consolidada o avanço do sistema financeiro sob um tripé de redução do estado ao papel policial e opressor; precarização do sistema político-eleitoral, com a deturpação das eleições pelo poderio econômico de financiadores de campanha; e a precarização do mercado de trabalho com a supressão de direitos conquistados nas décadas anteriores. “Tudo isso sem nenhuma razão lógica a não ser entregar recursos nas mão dos rentistas”, disse.

Para Requião, foi a defesa desse programa do sistema financeiro, caracterizado na chamada “Ponte para o Futuro” apresentada por Temer (MDB) em 2015, que foi realizado o impeachment de Dilma Rousseff. Mesmo sendo do partido que está no poder, o senador destacou que a adoção de uma agenda de precarização do trabalho, com outras medidas liberalizantes como a venda de terras para fundos de pensão e estados estrangeiros, vai colocar o Brasil à beira de um colapso social nos próximos anos. “O Temer é rigorosamente insignificante, o domínio é do mercado financeiro, do Itaú, do Bradesco”, disse. “Isto levará, ao meu ver, a uma crise intensa de trabalhadores revoltados que não vão aceitar reversões a uma lógica escravagista de garantias sociais”.

O senador destacou que, mesmo os EUA, que patrocinaram o chamado neoliberalismo em toda a América Latina através do Consenso de Washington, agora com Donald Trump adotam medidas de proteção das empresas nacionais (como a taxação extra de aço estrangeiro) e de investimentos que superam a marca de US$ 1 trilhão para recuperação da infraestrutura, o que poderiam ser consideradas como medidas keynesianas.

“Numa recessão capitalista algum vai investir, pois não tem a garantia do lucro. Mas o Estado investe, recupera o emprego. Desenvolvimento é a parceria do capital produtivo com o trabalho, é isso que está acontecendo no mundo, enquanto aqui no Brasil o governo está propondo 20 anos de congelamento do investimento público”, disse.

Auditoria na dívida

Ex-presidente do Cpers e ex-deputado constituinte Hermes Zaneti, atualmente filiado ao PSB, focou sua apresentação no conteúdo de seu último livro, “O Complô: como o sistema financeiro e seus agentes políticos sequestraram a economia brasileira”, lançado no ano passado.

Autor do livro “O Complô: como o sistema financeiro e os seus agentes políticos sequestraram a economia brasileira”. Um dos focos da obra é explicar como se constituiu a dívida pública brasileira através de artimanhas “clandestinamente” incluídas na Constituição Federal e que permitiram que o Brasil, entre 1989 e maio de 2017, tenha pago R$ 25 trilhões (em valores corrigidos pela inflação) apenas em juros e encargos do refinanciamento da dívida. “De 1989 a maio de 2017, o Brasil pagou de juros e encargos de refinanciamento da dívida pública R$ 25 trilhões. Eu vou repetir para que não fique nenhuma dúvida, R$ 25 trilhões”, disse.

Zaneti destacou que a Constituição de 1988 tinha o objetivo de nortear o desenvolvimento do Brasil pelo trabalho, emprego e renda decorrente da trabalho, mas acabou se transformando em uma “sociedade escrava a serviço do rentismo”. Segundo ele, isso ocorreu, entre outras coisas, porque ignorou-se que princípios constitucionais que limitavam a taxa de juros reais de 12% ao ano (artigo 192 da Constituição) e que determinavam que o controle das finanças deveria ficar nas mãos do Congresso Nacional, e não do Ministério da Fazenda e do Banco Central, como ocorre hoje.

Para reverter o que chamou de “escravização” do Brasil pelo sistema financeiro, Zaneti defendeu a necessidade de ser realizado um exame pericial e analítico dos atos e fatos constitutivos da dívida pública. “O que eu quero saber? Primeiro, a quem se deve. Segundo, se deve. Terceiro, por que deve? Quarto, a quem deve? E, quinto, como pode pagar? É o mais elementar direito democrático, o direito à informação, especialmente a informação de quem paga a conta. O povo brasileiro não sabe”.

— Updated: 12/12/2018 — Total visits: 42,498 — Last 24 hours: 47 — On-line: 0
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