A "Fórmula" para conciliar Igreja e maçonaria: maçonaria deveria abandonar o anticlericalismo, segredos e juramentos estranhos Archives - Blog Luiz Francisco Fernandes de Souza

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Maçonaria deveria abandonar anticlericalismo e liberalismo econômico

Alec Mellor, possivelmente o melhor historiador maçonico, reconhece alguns méritos em De Maistre, especialmente pelo fato deste considerar que “o objetivo futuro da Franco-Maçonaria” seria “realizar a unidade das confissões cristãs separadas”.

Este mérito foi principalmente de católicos dentro da Maçonaria, especialmente os católicos jacobitas da Escócia, em luta contra seu governo absolutista. E há mérito em vários anglicanos, dentro da Maçonaria, que buscavam a unidade da Igreja. 

De fato, se a maçonaria abandonasse o anticlericalismo e retomasse seus fundamentos históricos e matrizes cristãs, como quer Alex Mellor, poderia ter um papel histórico positivo no ecumenismo abrangente e unificador, via diálogo.

No mundo judaico, a corrente do judaísmo reconstrucionista, ligado a Mordecai Kaplan, defende um judaísmo ético e aberto, ecumênico.

Ocorre o mesmo com o judaísmo humanístico, em Detroit; e outras correntes humanistas mais afastadas do Talmud.

Lembro que correntes muito ligadas ao Talmud, os ortodoxos, têm muitos pontos em comum com a Igreja, frise-se, pois guardam mais as Tradições judaicas, comuns a católicos e a judeus ortodoxos. 

No Brasil, os maçons voltam, aos poucos, para a Igreja

O Barão do Rio Branco (1845-1912), filho do Visconde do Rio Branco, no início da vida, acompanhou seu pai, na “Questão religiosa” (lá por 1874), sem nunca deixar de ser católico.

Depois, na idade madura, reaproximou-se da Igreja.

Quando esteve, por algum tempo, em Paris, frequentava as igrejas de Saint Severin, Saint Medard e a Catedral de Notre Dame (dedicada a Maria). Educou as filhas no colégio das “Daimes Dominicaines” (Freiras dominicanas). de 1892 a 1912, até sua morte, tinha sempre pendurado um Crucifixo atrás de sua mesa de trabalho.

Quando morreu, em 09.02.1912, o Barão do Rio Branco recebeu a Unção dos Enfermos. Teve enterro católico, com cerimônias na Catedral e no Mosteiro de São Bento.

O Barão do Rio Branco foi o maior dos Ministros do Exterior, do Brasil, sendo sempre defensor da paz, da mediação e inimigo das guerras. Foi também um grande historiador. 

Nilo Procópio Peçanha (1867-1923) foi outro maçom que se converteu. Teve casamento religioso, em 1895. Chegou a Grão Mestre do Grande Oriente. Em 1906, foi eleito vice-presidente com um católico como Afonso Pena, no cargo de Presidente. Afonso Pena faleceu em 1909 e Nilo assumiu, por um ano.

Neste ano, Nilo Peçanha tentou bloquear a vinda de padres portugueses, especialmente jesuíta, tendo sido vencido nisso, pois houve um movimento mundial a favor dos padres. Em 1921, Peçanha candidatou-se a Presidente, sendo vencido pelo grande católico nacionalista, Arthur Bernardes.

Em 1923, Peçanha ficou doente e fez as pazes com a Igreja. Passou a participar das Missas, na matriz da Glória, no Largo do Machado, no Rio.

Quando foi derrubado pela doença na vesícula, Peçanha pediu a esposa para chamar um padre, se confessou e comungou. Quando morreu, o Cardeal Arcoverde cedeu o prédio da Matriz da Glória, para o velório do corpo, tendo enterro católico.

Lembro que Voltaire sempre foi mais cristão e católico que maçom.

Voltaire apenas se filiou a maçonaria uns meses antes de morrer, e morreu reconciliado com a Igreja, recebendo os Sacramentos e tendo enterro católico. 

A maçonaria, hoje, no Brasil, está reduzida a apenas 150.000 membros, com flutuações. Está totalmente dividida em vários ramos. Tem o Grande Oriente do Brasil, a Confederação das Grandes Lojas e os Grandes Orientes estaduais independentes. Em todas, há um movimento de diálogo, de superação de anticlericalismo, de volta a Igreja, de reconciliação com a Igreja.

Talvez um dia, no Brasil, os católicos possam ser maçons, com aval do Vaticano, como ocorre na Maçonaria dos países escandinavos, onde um católico pode se filiar à Maçonaria, pois não há nada de anti-religioso ou anticlerical na maçonaria nos países escandinavos (Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia e Islândia).

Grandes sacerdotes, como o padre Valério Alberton, um grande jesuíta, lutaram pelo diálogo com a maçonaria, para erradicar o anticlericalismo. 

A superação do anticlericalismo é o ponto mais importante pois o Vaticano basicamente veta o anticlericalismo.

As regras de segredo foram sendo aos poucos abandonadas pela Maçonaria, que é, hoje, mais reservada, que partidária de segredos. Ainda bem. Sociedades secretas nunca são boas e foi esta a principal razão da condenação, no início, os juramentos e o culto ao segredo. Coisas ruins. 

O número ínfimo de maçons no mundo e no Brasil, e caindo….

Colhi os dados abaixo do artigo “Maçonaria em números” (20.08.2011), de Fábio Cyrino, 33o. Grau. Este maçon graduado informa os números dos maçons no mundo e foi com base neste texto que fiz o resumo abaixo. Como católico, não aprecio a maçonaria, embora reze para esta se reconciliar com a Igreja, extirpando as ideias anticlericais e anti-religiosas do seio da maçonaria. 

Fábio Cyrino diz que há apenas um milhão e poucos maçons nos EUA. E que na Inglaterra, a Grande Loja Unida tem 237.923 membros. Em outro texto de outro maçon, chamado Gil Leça, de 2013, este diz que “em 2008”, existiam 3,6 milhões de maçons no mundo. Destes, 1,5 milhões nos EUA, 250 mil na Inglaterra, 170 mil no Brasil e 1,6 milhões no resto do mundo. Este autor reconhece que, em 1965, existiam quatro milhões de maçons nos EUA, e que houve uma drástica diminuição para cerca de 1,5 milhões. Na Inglaterra, a Grande Loja Unida (“United Grand Lodge of England – UGLE) já teve 500 mil em 1948, tendo também diminuído para 250 mil, apenas, em 2008. Ou seja, enquanto a população crescia, os maçons decaíam. 

O texto de Fábio é claro: “os Estados Unidos da América é o país com o maior número de maçons regulares, com 0,478% da população do país sendo maçons regulares, com 1.476.341 maçons dentro de uma população de 308.745.538 habitantes, organizados nas diversas Obediências em cada um dos estados daquele país”. Ou seja, menos de meio por cento do povo dos EUA é formado por maçons, não chegam a metade de um por cento. Nos EUA, há cerca de 25% de católicos, uns 80 milhões de católicos. 80 milhões de católicos nos EUA e apenas menos de milhão e meio de maçons.

Mesmo nos EUA, os maçons são minoria ínfima. Por exemplo, no estado do Maine, onde há mais maçons por habitantes, há apenas 19.968 maçons em 185 lojas, totalizando 1,5% da população e este é o MAIOR percentual nos EUA…No Maine, 25% da população é católica. Na Virgînia Ocidental, há apenas 22.078 maçons em 139 lojas, 1,1% da população. E estes são os maiores números percentuais.

Enquanto isso, em Rhode Island, 63% da população é católica. No Estado de Nova Iorque, cerca de 50¨% são católicos. Na Califórnia, 35% são católicos. Em Massachusetts, cerca de 50% são católicos. Na Costa Leste e na Costa Oeste, tal como no cinturão de estados ao longo do México e do Canadá, a população católica cresce, beirando 50%, quase sempre votando no Partido Democrático…

No Texas, há apenas 0,3% de maçons, em relação a população do estado, e cerca de 30% dos texanos são católicos. Um número ínfimo, mas ínfimo mesmo é o número no Brasil, do Grande Oriente do Brasil, que tem apenas 0,038% da população do Brasil.

No Brasil, como no mundo todo, há cisões profundas na maçonaria. No Brasil, há os filiados às Grandes Lojas estaduais (cisma em 1927), os filiados ao Grande Oriente do Brasil e os filiados aos Grandes Orientes estaduais (racha de 1973). Juntando todos os maçons do Brasil, não chegam um décimo de um por cento do povo do Brasil.

Brasil tinha cerca de 200 milhões de pessoas. Assim, um por cento de 200 milhões é dois milhões. Um décimo de um por cento (0,1%) é duzentos mil. Os maçons não tinham nem 0,1% da população do Brasil, tinham só 174.000, menos de 200 mil, e hoje devem ter menos ainda. Nos EUA, tinham 0,47%, menos da metade de um por cento. No Brasil, menos de um décimo de um por cento (menos de 0,1%). O silêncio e o segredo não são bons atrativos…. 

Segundo o tal Leça, dos 172.630 maçons, no Brasil, em 2008, 82.400 estavam filiados à Confederação da Maçonaria Simbólica no Brasil (Grandes Lojas estaduais, nascidas do cisma de 1927); 58.400 no Grande Oriente do Brasil; e 31.380 na Comab (Confederação Maçonica do Brasil, Grandes orientes independentes estaduais, nascidos do cisma de 1973, em parte gerado pelo golpe militar de 64…). 

Na Rússia, hoje, apenas 418 maçons em 22 lojas, ou seja, 0,0003% da população. Enfim, 418 em 140 milhões de russos….

Na Inglaterra, a Grande Loja Unida tem apenas 0,44% da população do país. Notem que há uns dez por cento de católicos…. A maçonaria nasceu na Inglaterra e não há nem metade de um por cento de maçons lá, e isso no Rito de York, que é um rito praticamente cristão, sem praticamente nada de anticlerical ou anti-religioso. 

No Canadá, há apenas 143 mil maçons, em mais de 35 milhões de habitantes, dos quais cerca de metade são católicos, sendo a outra metade composta de anglicanos, semi-católicos. No México, só 25.000 maçons, número ínfimo. Na Itália, 21 mil. Na Índia, com cerca de 1,2 bilhões, apenas 19 mil maçons. Na Alemanha, 14 mil maçons. 

Na Noruega, há 19 mil maçons em 5 milhões de habitantes. São números muito pequenos. 

Conclusão: houve um enorme decréscimo na força dos maçons. Já tiveram números percentuais bem maiores.

Poucos presidentes da República foram maçons

Dos autores maçons, gosto de José Castellani, pela correção histórica de seus textos. Vejamos como ele refuta mentiras de autores maçonicos, como A. Tenório Cavalcanti de Albuquerque, que não primavam pela correção histórica. Castellani ensina:

Autores, existem, que relacionam, entre esses maçons, os presidentes Rodrigues Alves, Café Filho e até Juscelino Kubitscheck, que jamais foram iniciados. Os dois primeiros inclusive, constam de lista divulgada por A.Tenório Cavalcanti de Albuquerque , na qual faltam muitos nomes de verdadeiros maçons.

Depois, Castellani lista os presidentes que foram maçons: Deodoro, Floriano da Fonseca, Prudente de Moraes, Campos Salles, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Brás, Delfim Moreira, Washington Luís, Nereu Ramos e Jânio Quadros.  Ou seja, de 1889 a 1902, depois de 1909 a 1918, voltando a 1919, depois de 1926 a 1930, mais tarde, 1955 e 1961. E só. Grandes Presidentes como Rodrigues Alves, Epitácio Pessoa, Arthur Bernardes, Getúlio, Juscelino ou Jango não foram maçons. 

— Updated: 18/08/2018 — Total visits: 32,515 — Last 24 hours: 78 — On-line: 0
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