Arquivos para : A “Fórmula” de um bom socialismo democrático, que tirei de bons livros que recomendo

Paul Singer, John Stuart Mill, cooperativismo, economia solidária, Emilia Romana e Mondragon

Sobre os textos de economia solidária, de Paul Singer, colhi a síntese feita abaixo

“Entre os lançamentos da Editora Fundação Perseu Abramo na 17ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo merece destaque o novo trabalho do professor Paul Singer – um dos nomes de destaque do pensamento econômico brasileiro contemporâneo. A obra, intitulada Introdução à Economia Solidária, retoma e atualiza as idéias do filósofo e economista inglês John Stuart Mill (1806-1873), que sugere uma proposta econômica alternativa ao capitalismo e ao socialismo clássico.

Segundo Singer, o sistema de produção capitalista assenta-se fundamentalmente na competição entre os agentes econômicos, sem levar em conta os graves efeitos sociais que isso gera. Para resolvê-los, é preciso deixar de lado a competição e seguir rumo a uma economia em que os participantes da atividade econômica cooperem entre si, solidariamente, em busca de uma situação que favoreça o bem comum e o desenvolvimento social da humanidade como um todo.

Os exemplos discutidos por Singer – Mondragon na Espanha, Emilia Romana na Itália, usina Catende em Pernambuco, as cooperativas do MST e vários outros – são uma prova contundente de que é possível construir circuitos eficientes de economia não-capitalista e depositar a mentalidade possessiva que é própria do capitalismo na mesma prateleira em que já estão arquivados o feudalismo e a escravidão.

Além de apresentar novas alternativas para a economia, as idéias de Singer estão em grande sintonia com os objetivos e as propostas do PT de hoje, como se vê pelas palavras de Luiz Inácio Lula da Silva, que assina o prefácio:

“Para pessoas como eu, que nunca acreditaram na viabilidade de um socialismo em que o Estado tudo decide, nem conseguem imaginar uma sociedade baseada no igualitarismo absoluto, que anestesia o impulso que cada um de nós tem de crescimento, este estudo de Singer vale como um bálsamo e como verdadeira fonte de luz. […] o livro mostra de maneira convincente que a sociedade justa por que lutamos precisa ser construída desde já, na barriga do atual sistema.”

Em tempo, vale lembrar que, no ano passado, a Editora Fundação Perseu Abramo lançou no Brasil a obra Capítulos sobre o socialismo, de Stuart Mill, onde o filósofo lança as bases do que chama de Economia Solidária. A introdução do volume e a revisão da tradução estiveram a cargo do próprio professor Paul Singer”.

Um bom livro de Samuel Smiles, que recomendo

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Os verbetes religiosos de Diderot, na “Enciclopédia”

Diderot viveu quase sempre como católico, depois, passou um pedacinho como cético, terminando a vida como discípulo de Sêneca, panteísta, com religiosidade. 

Nos verbetes redigidos na “Enciclopédia”, Diderot usa ampla fundamentação cristã, católica. Isso fica evidente, por exemplo, no verbete “autoridade”, que colhi do livro “Verbetes políticos da Enciclopédia” (São Paulo, Editoras UNESP e Discurso Editorial, 2006, p. 39):

O poder verdadeiro e legítimo, pois, tem necessariamente limites. É por isso que a Escritura diz: sit ratioabile obsequium vestrum. “Que vossa submissão seja razoável”, omnis potestas a Deo ordinata est. “Todo poder que vem de Deus é um poder regrado”, “Todo poder que vem de Deus está sujeito a regras”.

“Pois é assim que se deve entender estas palavras, conforme a reta razão e no sentido literal, e não conforme a interpretação da covardia e da bajulação, que pretendem que todo poder, qualquer que seja, vem de Deus”.

“Ora veja! Então não existem poderes injustos? Não há autoridades que, longe de virem de Deus, estabelecem-se contra suas ordens e contra sua vontade? Os usurpadores teriam Deus a seu favor?”

“Seria preciso obedecer em tudo aos perseguidores da verdadeira religião?”

“E, para fechar a boca da imbecilidade de uma vez por todas, o poder do Anticristo seria legítimo? Seria todavia um grande poder”.

“Enoc e Elias, que resistiram a ele, serão rebeldes e sediciosos que terão esquecido que todo poder vem de Deus ou serão homens razoáveis, firmes e piedosos, que saberão que todo poder deixa de sê-lo desde que ultrapasse os limites que a razão lhe prescreveu e que se afaste das regras que o soberano dos príncipes estabeleceu: homens enfim que pensarão, como São Paulo, que todo poder só vem de Deus na medida em que for justo e regrado?”.

O texto acima transcrito é um ótimo resumo da teoria cristã sobre o poder, baseada na Bíblia e na Paidéia.

O ponto central é a proposição “non voluntas, sed ratio facit legem” (“não a vontade, mas a razão faz a lei”, sendo a “ratio” (razão, inteligência) intrinsecamente ligada ao bem comum.

Esta é a tese principal da escolástica e dos Santos Padres. Tese que foi atacada pelos nominalistas, no final da Idade Média, e foi resgatada, por Suarez, Bellarmino, Mariana e outros, tendo sido, no final, consagrada no Vaticano 2.

O nacionalismo de Gamal Abdel Nasser. Economia mista

Tenho enorme apreço por Gamal Abdel Nasser. Claro que acho que ele deveria ter feito uma aliança com os trabalhistas de Israel, para assegurar a criação pacífica do Estado da Palestina, em vez de adotar guerras. Mas, o que me faz apreciar Nasser está no seu livro, “A Revolução no mundo árabe” (São Paulo, Ed. Edarli, 1963), que une os livros “A filosofia da revolução” e “O povo no poder”. 

Na página 191, Nasser destaca que o Estado do Egito e da Síria, a RAU, deveria ter os grandes meios de produção, mas não a estatização geral da economia, e sim apenas dos grandes meios de produção. A mesma fórmula de Pio XI, na “Quadragesimo anno”, de 1931. 

Nasser queria desenvolver “um setor público” que orientasse “o progresso em todos os domínios”, tal como um “Plano do desenvolvimento”. O “setor privado” deveria existir “sem exploração”, participando “do desenvolvimento, dentro do plano geral”. O Estado deveria ter “as estradas de ferro, estradas de rodagem, portos, aeroportos, energia elétrica, represas, transportes por mar, terra e ar” (os grandes meios de transporte), “e outras obras públicas”, tal como “os bancos”, minas, o controle do “comércio externo” etc. A mesma fórmula de Getúlio, de Perón, de Cárdenas, Nehru, Sukarno, dos sandinistas e outros. A mesma fórmula apoiada pelo Padre Cícero, que elogiava, no final da vida, os sandinistas.

Na agricultura, Nasser distinguia “a propriedade exploradora” (latifundiária) e a “não exploradora” (camponesa). Queria uma “Reforma agrária”, limitando a propriedade particular a “cem feddans”. Queria que o Estado criasse “taxas progressivas de prédios urbanos” (IPTU progressivo) e controle dos aluguéis, com uma política habitacional que assegurasse a todos moradia. 

Estas ideias são sempre atuais. No fundo, é o mesmo modelo bíblico, do Evangelho e de Moisés, do trabalhismo, de Platão nas “Leis”, de Aristóteles, dos estoicos, dos budistas, dos confucianos, do melhor do hinduísmo, do catolicismo, do luteranismo, do melhor do anglicanismo etc. São ideias bem próximas do “New Deal”, de Roosevelt, do socialismo democrático, da democracia popular, do nacionalismo etc. 

Ler Rex Stout, caminhando no sol. Paraíso na terra rs.

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Os livros de John Perkins, sobre os males do capital financeiro

Os livros de John Perkins mostram bem como o imperialismo é genocida, uma forma de assassinato de economias, de povos. Desvenda o mundo tenebroso e diabólicos das altas finanças, do capital financeiro. 

Especialmente obras como “Confissões de um Assassino econômico” e “Enganados”, editados pela Ed. Cultrix, no Brasil. São obras que recomendo muito, pois desvendam a abominação do capital financeiro.

O grande Jacques Maritain, um grande erudito, filósofo e político católico, em prol de uma democracia popular

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Um livro magistral de Enrique Dussel

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Outro livro magistral de Medeiros Lima, “Petróleo, energia elétrica, siderurgia: a luta pela emancipação”.

Alguns livros que recomendo muito, pois contêm ideias que esposo

“Chatô, o rei do Brasil”, de Fernando Morais. As “Memórias” de João Alberto Lins de Barros. Dois livros de João Calmon, “Duas invasões” e “O livro negro da invasão branca”, editados em 1966, denunciando a Rede Globo, como Rede controlada pelo imperialismo, pelas multinacionais dos EUA. O livro de Epitácio Caó, “Carlos Lacerda, carreirista da tradição”. Textos e livros de Neiva Moreira, bom nacionalista. 

As biografias de Getúlio, escritas por seus filhos, Alzira Vargas do Amaral Peixoto e Luthero Vargas. É muito bonito que dois filhos tenham redigido biografias do grande Getúlio Vargas. 

Os livros de história de Hélio Silva, pois descrevem bem a linha getulista, trabalhista, nacionalista, de Getúlio Vargas. Foram escritos com base nos arquivos de Alzira, dados a Hélio Silva.

Os livros nacionalistas de Osny Duarte Pereira, especialmente “Ferro e independência” (Rio, Ed. Civilização Brasileira, 1967).

Todos os livros de Alceu e de Barbosa Lima Sobrinho. 

Recomendo principalmente o livro de Medeiros Lima, “Memórias improvisadas”, biografia de Alceu, feita por um grande getulista. Foi editado pela Editora Vozes, em 1973. Obra magistral, que mostram bem que o pensamento de Alceu tem como objeto uma boa democracia popular, nacionalista, popular, socialista democrática, de economia mista, distributista, basicamente o projeto do Trabalhismo no Brasil. 

— Updated: 21/09/2019 — Total visits: 59,307 — Last 24 hours: 44 — On-line: 0
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