Arquivos para : As grandes corporações que deveriam ser estatais ou cooperativas sob controle do Estado popular

Pio XII – Petróleo deve ser estatal, para gerar melhoria das condições de vida materiais, para todos

Pio XII, na alocução de 10.06.1955 ao IV Congresso Internacional do Petróleo, destacou que “as riquezas naturais de uma região, de um país, de um continente, estão destinadas não só ao proveito econômico de um pequeno número, e sim ao melhoramento das condições de vida materiais, em primeiro lugar, mas também, e sobretudo, morais e espirituais”, do povo.

Friso que a mesma lição sobre petróleo vale para os outros minerais, como ferro, cobre e outras riquezas naturais, feitas, por Deus, para o bem de todos.

O velho Osny Duarte Pereira, um grande Desembargador, deixou ótimas obras sobre Direito Minério e Direito Florestal, na mesma linha, elogiando a doutrina de Pio XI, na “Quadragesimo anno” (1931) – os bens que atribuem muito poder devem ser do Estado ou de grandes cooperativas. 

Setor de mineração no Brasil. Presença estatal deveria aumentar drasticamente

O Brasil tem cerca de 3.500 minas de minerais. No tempo de Getúlio Vargas, boa parte do setor de mineração era ESTATAL. Hoje, boa parte pertence a multinacionais e ao grande capital privado, por causa dos neoliberais (destaque para Collor-Itamar e FHC, três entreguistas). 

Há minas de grande porte (que extraem mais de um milhão de toneladas de minério por ano), minas de médio porte (que extraem entre cem mil toneladas a um milhão de toneladas por ano) e minas de pequeno porte (que extraem entre dez mil a cem mil toneladas de minérios por ano). 

As maiores são as minas de minerais metálicos. Especialmente ferro (hematita), cobre, alumínio (bauxita), estanho (cassiterita), chumbo, ouro, prata, nióbio, manganês (pirolusita) etc. Há também minas de titânio, urânio, sal, barita, areia, caulim, calcário, carvão, enxofre etc. 

Há cerca de 72 minerais com importância econômica. A ciência já classificou cerca de quatro mil minerais, o que mostra como a ciência ainda engatinha nesta área.

Os minerais se dividem em minerais metálicos, não metálicos e energéticos (carvão). 

O correto seria estatizar as minas de grande porte e parte das minas de médio porte.

As minas de pequeno porte podem ser particulares, com amplo controle estatal, de preferência, de cooperativas. 

Getúlio Vargas fez um plano muito bom. O Brasil teria minas estatais, especialmente de ferro, controladas pela Companhia estatal da Vale do Rio Doce (doada por FHC). Depois, o minério iria via ferrovias estatais (privatizado por FHC, entreguista da pior espécie) ou hidrovias para as usinas siderúrgicas, com destaque para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN, doada por Itamar Franco) e outras usinas estatais (doadas privatizadas por Collor). O ferro estatal viraria aço nacional. Depois, iria para a FNM (Fábrica Nacional de Motores, privatizada pelos militares e por FHC), para virar carros, caminhões, trilhos de ferrovias, navios, locomotivas, navios, onibus, bondes, metros etc). Parte da produção iria depois para a Lloyd (privatizada pelo entreguista FHC), que transportaria, nos oceanos. No litoral, atuaria a Costeira, outra estatal para transporte costeiro. A Petrobrás e as Hidrelétricas estatais produziriam a energia. O carvão também seria estatal. O projeto era simples e bom. Havia mesmo previsão de reforma agrária, via colonização e Marcha para Oeste. 

O Brasil está entre os três maiores produtores de minerais do mundo. Produzimos, só de minério de ferro, cerca de 400 milhões de toneladas por ano. Infelizmente, o Brasil é uma colônia, pois exportamos matérias primas (“commodities”). Basta pensar que 93% das exportações do setor de mineração do Brasil é composto de minério de ferro.

O correto seria o Brasil transformar o minério de ferro em aço e o aço em máquinas.

Devíamos exportar máquinas, como ensinaram os grandes mercantilistas, Colbert, por exemplo.

FHC privatizou boa parte do setor de mineração, em sua política neoliberal entreguista e suicida. Na década de 90, o Brasil e a Rússia foram os principais países saqueados pelo imperialismo. Exportar matérias primas é rematada tolice. Suicídio. Política colonial, entreguista. 

O Brasil produz cerca de 75 toneladas de ouro por ano. 

Há boa produção de calcário, areia (silício), quartzo, diamantes, esmeraldas, topázio, rubis, argila, cimento, fosfato etc.

O Brasil produz 98%¨do nióbio do mundo. Nióbio é essencial para a produção de aços especiais.

Economia mista é a melhor solução. No caso de minerais, como estes são recursos finitos e que deixam apenas buracos, a extração deveria ser quase toda estatal, na parte grande e média, para que esta matéria prima essencial fosse usada no processo de industrialização do Brasil, para nossa independência econômica e prosperidade do povo. 

 

 

Elogio da Sociedade Fabiana, na Inglaterra

A Sociedade Fabiana defendia um socialismo trabalhista cristão, anglicano, semi-católico. O Partido Trabalhista, no Reino Unido, seguiu, em geral, a orientação fabiana, em boa consonância com a doutrina social da Igreja. 

Os fabianos ensinavam que “o Estado devia tomar conta imediata da administração de todas as ferrovias, canais, telégrafos, telefones, e de todos os monopólios de caráter geral ou nacional”. A mesma linha de Alceu e de Pio XI, na “Quadragesimo anno” (1931). A linha elogiada pelo grande jurista Osny Duarte Pereira, nos seus escritos nacionalistas, sobre o ferro, o aço, as minas, o petróleo, florestas etc. 

Os fabianos ensinavam que “as corporações” (órgãos, Municípios) “administrativas locais tomariam conta do fornecimento da água e da luz, das docas, dos mercados [Mercados públicos, estilo shopping municipal, com boxes], tramways [bondes sobre trilhos], onibus, agências de empréstimos sobre penhores, navegação fluvial [pequena]; enfim, de todos os monopólios locais”. 

Conclusão: modelo bem próximo da Doutrina da Igreja. Em breves palavras, economia mista. Parte estatal, setor estatal da economia, ativos públicos, em boa síntese com vasto setor privado, de micros, pequenas e médias empresas familiares. Estatais, cooperativas, sindicatos e micros, pequenas e médias empresas familiares, tudo em boa síntese. 

Estatização de grandes empresas é algo necessário e bom, cf. Código de Malines

O “Código de Malines” (Lisboa, Pro Domo, 1945, n. 103) foi uma síntese da doutrina social da Igreja, na década de 20, organizada pelo Cardeal Mercier, na Bélgica. No item 103, está dito: “Entende-se por nacionalização a incorporação de uma empresa à coletividade nacional, representada pelo poder político. Pode ser limitada à apropriação ou estender-se à gestão e aos lucros. Em princípio, não pode ser condenada em nome da moral católica”. 

Na mesma linha, Pio XI, na “Quadragesimo anno” (1931), ao analisar o programa dos socialistas democráticos, escreveu, no item 114: “estes [os socialistas democráticos], com razão, pretendem que certos gêneros de bens sejam reservados ao Estado, quando o poder que trazem consigo é tal que, sem perigo do mesmo Estado, não pode deixar-se em mãos dos particulares”. Depois, Pio XI acrescentou: “Tão justos desejos e reivindicações em nada se opõem à verdade cristã, e muito menos são exclusivos do socialismo” (115).

Pio XII, na “Avec une égale sollicitude” (07-05-1949), ao comentar este trecho acima de Pio XI, endossa a tese e transcreve o mesmo trecho de Pio XI: “Está fora de dúvida que a Igreja também admite, dentro de certos limites, a estatização, julgando que se podem legitimamente reservar aos poderes públicos certas categorias de bens”.

Pio XII, na “Nous avons lu” (18-07-1947), destaca que “a liceidade moral da nacionalização” tem fundamento no “bem comum” (“quando o bem comum reclama a nacionalização”). A mesma tese foi repetida por Pio XI, na alocução às Associações de trabalhadores católicos da Itália, em 11 de março de 1945. 

Conclusão: a doutrina social da Igreja admite a estatização de grandes meios de produção. Defende economia mista. Difusão com controle público de bens pequenos e médios para todas as famílias, pequenas e médias empresas familiares, cooperativas e estatais, tudo isso com ampla regulamentação pública, controle público, planificação participativa. 

O mercantilismo tinha boas coisas, pois exigia ampla intervenção estatal na economia e economia mista

O próprio Marx admite pontos positivos no mercantilismo, quando destaca que os mercantilistas começavam a análise pelo todo, pela estrutura geral da economia. Marx praticamente iniciou seus estudos com base no cameralismo, o mercantilismo alemão e austríaco. 

Por esta razão, no século XIX, na crítica ao capitalismo, houve vários autores quase socialistas que elogiaram corretamente alguns pontos do mercantilismo, no fundo, elogiavam a ampla intervenção estatal na economia, elemento tradicional. Esta parte do mercantilismo é sadia. Os sansimonistas destacaram isso bem.

A defesa da ampla intervenção estatal na economia, das estatais, do controle dos preços, tudo isso são teses hiper tradicionais, expressões da Tradição católica. Não são teses marxistas, e sim teses centenárias, até milenárias. Prova? basta pensar no controle do Estado sobre a irrigação (hidráulica) e as obras públicas, há milhares de anos, na Suméria, no Egito etc. 

A defesa da intervenção estatal fica claro em Mably, Diderot, Voltaire e outros, que elogiaram o grande Colbert, o colbertismo, na França. Há ainda o “Elogio de Colbert”, por Jacques Necker. O mesmo no livro do Abade Morellet, nos melhores textos de Babeuf. É a mesma ideia de Moisés, de Platão, de Thomas Morus e outros. Economia mista, ampla intervenção estatal, difusão de bens etc. 

O Estado criou várias estatais e protegeu a economia nacional, para desenvolver uma base industrial, para não exportar matérias primas, só permitindo a exportação de produtos elaborados.

O Estado deve substituir as grandes corporações privadas por boas estatais e por boas cooperativas produtivas e outras formas de cooperativismo. 

Além de Colbert, houve Montcrétien, “Tratado de economia política” (1615), Antônio Serra, o próprio Campanella, Laffemas (controlador geral do comércio, no governo de Henrique IV). Há o “Regulamento para desenvolver as manufaturas do Reino” (1597). Há as obras de Sully, de Richelieu e de Colbert (1651). 

Mercantilismo, protecionismo e intervenção estatal seguem sempre juntos, ponto que List (“Sistema nacional de economia política”) ilustra com bastante ênfase. Idem para Lincoln, nos EUA. O relatório sobre a necessidade do Estado incentivar a industrialização, de Hamilton, nos EUA, tem a mesma base.

O Estado é essencial para o desenvolvimento econômico. Isso também foi visto pelo Padre Vieira, por Pombal e outros.

Todos os países desenvolvidos da Europa se desenvolveram pelo protecionismo, pela ampla intervenção estatal na economia. O mesmo para o Japão, frise-se e isso foi amplamente demonstrado por dois grandes católicos: Manoel de Oliveira Lima (1867-1928) e por Barbosa Lima Sobrinho.

O elogio do protecionismo e da intervenção estatal para a industrialização está no núcleo das obras de Roberto Simonsen, na prática e nos textos de Getúlio e outros. Estes autores se basearam em várias fontes, inclusive Manoilesco, que ensinou grosseiro antissemitismo, sendo este o joio de seus textos, mas há partes boas, na ênfase ao nacionalismo e no combate ao imperialismo econômico.

Os estruturalistas também enfatizavam a estrutura geral, na linha antiga, ponto destacado por Keynes. Os melhores textos da aguada e branda CEPAL têm o elogio da intervenção estatal e da proteção estatal à economia. 

Este ponto também fica claro no livro de Schmoller, “O sistema mercantilista e sua significação histórica” (1884). E fica claro nos livros de Wilhelm Roscher (1817-1894), Adolf Wagner, de Lucien Brocard, Cunningham (1907) e outros. Há análise parecida no livro de André Marchal, “A concepção da economia nacional nos mercantilistas franceses” (Paris, 1931). O mesmo ocorreu na Escola Histórica da Economia, com Bruno Hildebrand e outros.

Lembro que o padre Henrich Pesch (1854-1926), expoente do solidarismo católico, foi aluno de Adolf Wagner, de 1901 a 1903). O solidarismo do Padre Fernando Bastos de Ávila é um socialismo participativo, distributista, uma economia pautada pela democracia popular. Idem para Dom Hélder e Alceu. 

Basta ler os textos de Constantin Pecqueur, para ficar claro o elogio da intervenção estatal na economia. A influência de Buchez sobre Lassalle foi atestada por Marx e Engels. Buchez era o chefe do socialismo católico. E a ideia do Estado apoiar o surgimento de cooperativas de produção vem de Buchez, para Luiz Blanc, Karl Rodbertus, Lassalle e, daí, para o “Programa de Gotha” (cooperativas de produção). Sobre estes pontos, vide Charles Andler (“Les origines du socialismo d´Etat en Allemagne”, Paris, 1897). Outra obra magnífica é a “História do pensamento socialista” (7 volumes), de G.D. H. Cole.

Os inimigos do protecionismo eram os livres cambistas, como Cobden e, depois, Viner. Todos os defensores do imperialismo são pró livre cambismo.

Os inimigos do imperialismo econômico eram a favor de ampla intervenção estatal, ampla proteção estatal ao florescimento econômico, para obter a prosperidade geral. Basta pensar em Keynes, Joan, Robinson, Gunnar Myrdal, Harold Laski e a CEPAL e outros, que fizeram o elogio da intervenção estatal e, implicitamente, do protecionismo. Protecionismo é principalmente proteção do Estado. 

A ideia de substituição das importações por produção industrial nacional está no núcleo do mercantilismo, do protecionismo. Da mesma forma a ênfase na necessidade da difusão de ampla educação pública e profissional a todos os trabalhadores, para desenvolver a tecnologia nativa, para o controle da tecnologia, da ciência. 

Pode e deve haver um protecionismo não explorador, não imperialismo. Todas as nações devem ter Estados nacionais amplamente intervencionistas na economia. Todos os continentes devem ter Uniões Continentais. A ONU deve ser convertida num Estado mundial, amplamente interventor, que dirija a economia, os fluxos econômicos, para o bem comum, com uma moeda internacional, como o Bancor, retirando este privilégio do dólar (cf. Santiago Fernandes, Keynes e outros). 

O Brasil já teve uma das maiores frotas mercantis do mundo, formada por boas estatais e pequenas firmas nacionais

O Brasil já teve quase todos os portos grandes estatizados, além de quase toda a frota mercantil ter sido estatal. Dentro, havia a Costeira e algumas autarquias. Na navegação de longo curso, de alto mar, de comércio externo, quase tudo era estatal, pelas estatais Lloyd, Docenave e a Fronape da Petrobrás e a CSN. O que havia de particular eram empresas pequenas e médias, nacionais. Um modelo de economia mista, que o neoliberalismo quase destruiu.

FHC e Collor foram os principais destruidores. Café Filho, golpista, tentou, mas teve pouco tempo e foi impedido pelo sangue de Getúlio. As privatizações foram um crime contra a soberania nacional, do povo. O desmonte do Estado só ajuda os ricos. 

Lula e Dilma tentaram resgatar o modelo estatal. O Brasil já teve a segunda maior produção naval do mundo. E pode ter isso de novo, se houver a reconstituição do modelo estatal de Getúlio e mesmo antes de Getúlio, mas com ênfase em Getúlio. 

Colhi o texto seguinte do site www.navioseportos.com.br, que historia a produção naval e a frota naval do Brasil, especialmente a mercantil. Vejamos -“ Em 1956, do total da carga transportada 60% era matéria-prima (carvão, petróleo e derivados, sal e madeira), 30% alimentos (açúcar, trigo, arroz e bebidas) e 10% de manufaturados (produtos de ferro, aço e madeira)”.

“Contando com a navegação interior, havia no país 119 armadores privados, “a maior parte deles empresas de pouca expressão. A maior companhia privada continuava sendo a Comércio e Navegação, com uma frota de 18 navios. As grandes bacias hidrográficas estavam reunidas em três áreas sendo explorada principalmente pelas autarquias federais: Serviço de Navegação da Amazônia e de Administração do Porto do Pará (SNAPP), criada em 1940 a partir da encampação da The Amazon Steam Navagation Co.; Serviço de Navegação da Bacia do Prata (SNBP), criada em 1943; e, Companhia de Navegação do São Francisco (CNSF), criada em 1955″.

“No transporte de longo curso atuavam apenas o Lloyd Brasileiro (com 24 navios), a Frota Nacional de Petróleo (FRONAPE – criada em 1949 e incorporada pela Petrobrás em 1952, com 25 navios) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN, com 2 navios), que eram responsáveis por apenas 3,9% das exportações e 10,5% das importações. A cabotagem de longa distância era quase um serviço exclusivo do Estado. Além do Lloyd Brasileiro e da Costeira, a FRONAPE, e a CSN, também atuavam no transporte de matéria-prima. Em toneladas por milhas transportadas, 50% era de responsabilidade de empresas estatais”.

O trabalhismo, a melhor corrente socialista

Alceu ensinava, no jornal “Coojornal”, de julho de 1977, que a sociedade, titular do bem comum (dos bens, do poder etc), tem o “direito” e também “o dever de intervir, dirigir” e “distribuir a economia”, os bens, de acordo com as necessidades de cada pessoa. Cabe a sociedade, principalmente por via do Estado, difundir os bens, realizar o princípio do bem comum, da destinação dos bens, da difusão dos bens. 

No mesmo sentido, John Strachey, do Partido Trabalhista inglês, no livro “Porque voce deve ser socialista” (1938), desenvolveu um capítulo onde relata um debate com um sacerdote católico. Strachey diz ao padre que “minha queixa principal contra o capitalismo era que ele privava a maior parte do povo britânico de qualquer propriedade privada e pessoal”, proletarizando a população.

Strachey e o Partido Trabalhista distinguiam entre os grandes meios de produção (que deveriam ser estatais ou em formas de cooperativas sujeitas a estritas formas de planejamento estatal) e a “a propriedade pessoal” (casas, veículos econômicos, alimentos, roupas, móveis e mesmo somas módicas de dinheiro), que deve ser difundida, universalizada, espalhada, picada e difundida (como uma “morcilla”, morcilismo, distributismo, uma linguiça, um naco para cada um, na medida das necessidades de cada um, para dar a todos uma vida digna, plena e abundante).

O trabalhismo inglês defende uma forma de socialismo democrático e cristão. Nasceu das lutas dos irlandeses católicos e dos cartistas, de homens como William Cobbett (um grande católico elogiadíssimo por Marx) e outros líderes cristãos. Mais tarde, este movimento gerou o Partido Trabalhista, com James Keir Hardie (1856-1915) e outros socialistas cristãos. A Igreja Católica, no Reino Unido, admitiu a militância dos católicos neste partido socialista, desde a década de 20 do século XX. O trabalhismo inglês está na base do trabalhismo brasileiro, tendo sido adotado por Getúlio Vargas e pelo PTB.

O socialismo democrático deveria “aumentar vastamente” as propriedades pessoais moderadas, difundindo para todos. Deve aplicar mecanismos como a renda cidadã ou imposto de renda negativo, onde o Estado deve assegurar a cada pessoa uma receita (uma renda, uma soma em dinheiro), independente de trabalho, para que esta atenda às necessidades básicas, fundamentais. Deve também REDUZIR DRASTICAMENTE A JORNADA DE TRABALHO, AUMENTANDO AS RENDAS DO TRABALHO, os direitos dos trabalhadores. O primado do trabalho é um dos princípios fundamentais do trabalhismo, tal como a destinação universal dos bens (como está no Genesis, Deus criou os bens para todos, para que todos pudessem gerir os bens, administrar e fruir os bens, criados para todos).

O projeto de socialismo do grande Hobson também tinha esta base. Basicamente, esta foi também a fórmula de Pio XI, na “Quadragesimo anno”, elogiada por Domingos Velasco, Leônidas de Rezende e nossos melhores positivistas, como o general Horta Barbosa (general que se tornou general por causa de pedido pessoal do pai de Getúlio a Getúlio, amigo pessoal de Vargas).

Pio XI foi bem claro, na “Quadragesimo anno”, em 1931: os meios de produção e os bens que acarretassem excesso de poder, gerando tiranias na ordem econômica e política, deveriam ser estatizados ou socializados na forma de cooperativas com amplos controles e planos públicos, numa co-gestão com a sociedade, com o Estado. O Estado deve assegurar a circulação de bens entre todos, em todas as células da sociedade, irrigando com a seiva, o sangue, com os bens necessários e suficientes para uma vida plena.

O intervencionismo estatal e as estatais são tradicionais no Brasil, bem antes de Marx

A intervenção do Estado na economia é uma tradição no Brasil. Fomos dos primeiros. E um exemplo na América Latina, especialmente com Getúlio Vargas, que foi bem melhor que Peron ou os mexicanos. Lembro que o Convênio de Taubaté, lá por 1908, já representava vasta intervenção do Estado na economia. O Estado comprava quase toda a produção de café, com preço mínimo, estocava e administrava os estoques, para garantir um preço alto. Isso foi feito, para ajudar os fazendeiros, mas poderia ser feito para ajudar o povo todo. Como o café era o nosso produto principal de exportação, de certa forma, ajudava o Brasil. Era uma vasta intervenção estatal. O mesmo ocorreu na Abolição, em 1888, sem indenização alguma aos fazendeiros. Ótimo exemplo para o mundo.

Outra grande intervenção foi o movimento do Estado de apoiar a imigração. O Estado fazia propaganda, fretava barcos, trazia milhares de trabalhadores, criava colônias, dava recursos, ferramentas e apoio. Pena que só fazia isso para colonos europeus, não o fazendo para os colonos negros, nem fazendo isso para nossos índios. Mas, foi outra grande intervenção do Estado.

Nosso Estado tinha estatais já antes de Marx. O Banco do Brasil é de 1808. Tivemos ferrovias estatais, já no Império, depois a Central do Brasil, e várias ferrovias estatais. O Estado dava apoio à criação de portos, de estradas e criava Liceus e Faculdades, Escolas Normais e laboratórios estatais. Criou a Lóide, uma estatal para barcos de navegação.

De certa forma, toda a imprensa sempre foi irrigada por dinheiro público. O Estado criou os Correios, depois Telégrafos, depois fundiu os Correios com os Telégrafos, na atual empresa de Correios, que ainda temos, não tendo sido destruída pelos neoliberais.

A peste no Brasil são os neoliberais. 

O ideal mundial de uma Democracia popular, nacionalista, socialista democrática, distributista

Em defesa de uma democracia social e popular, com boas estatais e cooperativas substituindo as grandes corporações privadas, há também os textos de Noam Chomki, Nicholas Kaldor (1908-1986), Michael Kalecki (1899-1970), Leontieff e Joan Robinson (1903-1983, autora da obra “Liberdade e necessidade”, sobre a importância da ética na economia).

Há também Maria da Conceição Tavares, Josué Castro, Collin Clark, Hans Singer, Ragnar Nurkse, Keynes (em alguns textos), Karl Mannheim (“Liberdade, poder e planificação democrática”, São Paulo, Mestre Jou, 1972), François Peroux e os de Galbraith.

Kalecki, no livro “Teoria da dinâmica econômica” (São Paulo, Ed. Nova Cultural, 1977, p. 187), mostrou como os monopólios privados (trustes e cartéis) destroem a economia, impedindo a “elevação da produção a longo prazo”. Sua crítica aos monopólios atinge a oligarquia, a “democracia liberal”, oligárquica, que não passa da ditadura do capital.

No mesmo sentido, vale à pena a leitura dos textos dos cepalinos (prebisch), dos estruturalistas (destaque para Celso Furtado) e dos institucionalistas (destaque para Thorston Veblen, 1857-1929).

Também merecem destaque os livros do sueco Gunnar Myrdal (“Aspectos políticos da teoria econômica” e “Teoria econômica e regiões subdesenvolvidas”) e de Niklas Luhmann (1927-1998, especialmente “Teoría política en el Estado de Bienestar”, Madrid, Ed. Alianza Editorial, 2007). Esta era também a linha dos grandes nacionalistas, como Nasser, Nehru, Perón, Velasco Alvarado, Getúlio Vargas e outros. Também era a linha dos trabalhistas, sendo a minha linha também, tal como a de João Goulart.

Estes autores e movimentos tinham como objetivo nobre a construção de um Estado do bem-estar social, uma democracia social avançada, como fica claro no exemplo da Suécia, de Olof Palme, da Austrália ou do Canadá.

Esta também era e ainda é a linha dos trabalhistas na Austrália, na Nova Zelândia, na Noruega, na Suécia, na Finlândia, na Irlanda, na Inglaterra (ainda que aguada) e do antigo PTB, fundado por Getúlio Vargas. Milhões de católicos, nestes países, votam no trabalhismo por estas razões. Na Argentina, o peronismo é, no fundo, uma forma de trabalhismo.

Na Itália, é importante lembrar de Giuseppe Saragat (1898-1971), autor do livro “Socialismo e liberdade” (1944), que lutou, a vida toda, pela formação de uma Frente Popular na Itália. Saragat era próximo dos trabalhistas ingleses. No final da vida, Saragat escreveu o livro “Quarenta anos de luta pela democracia”.

Nesta linha, vale a pena recordar de Hipólito Irigoyen e Eva Perón, na Argentina. Há também Carlo Rosselli (1899-1937), socialista italiano anti-fascista, que dirigiu o jornal “Justiça e liberdade” e morreu assassinado.

Olof Palme (1927-1986) apoiou a luta dos sandinistas, da teologia da libertação, tal como apoiou a Índia, a Tanzãnia, Jamaica, Cuba, Costa Rica e outros países. Um tanto mais moderado que Olof, é importante destacar também Willy Brandt, pseudônimo de Herbert Ernst Karl Frahm (1913-1992). Brandt liderou o Partido Social Democrático da Alemanha Ocidental, deixando claro a harmonia entre o socialismo democrático com a religião, pois seu governo manteve amplas políticas de Adenauer, formando uma coligação informal com o Partido democrata cristão alemão.

Myrdal seguia a tradição democrática e humanista dos primeiros socialistas. A maior parte dos primeiros socialistas adotava uma fundamentação religiosa, como demonstrou o padre Fernando Bastos de Ávila, no livro sobre as origens do socialismo pré-marxista.

Caso Odebrecht é a regra no mercado, não é exceção. O grande capital privado é o Grande Corruptor

O relacionamento espúrio da Odebrecht com o Estado não é coisa inusitada e rara. De forma alguma. Eh o relacionamento padrão e normal entre o Grande Capital corruptor ativo com o Estado, com os barnabés. O Grande capital vai no mercado e busca prostitutas, vai no mercado e compra mercenários e jagunços, vai no mercado e busca barnabés. E quanto aos políticos….bom, os políticos correm para o Grande capital para se venderem como bananas nas feiras, por dá cá aquela palha, pelos restos na boca do Grande Jacaré, do Grande Predador, do Grande Verme, do Grande Capital.

SOLUÇÃO BOA – que tal manter e aumentar, decuplicar, as pequenas e médias empresas familiares, e substituir o Grande capital Grande Sanguessuga, ….por BOA ESTATAIS, BOAS COOPERATIVAS? Substitua o Grande capital privado por BOAS ESTATAIS E GRANDES COOPERATIVAS sob controle público, e teremos um lindo socialismo democrático, o que Getúlio queria, como pode ser visto nos últimos discursos dele, O que queria o Trabalhismo e nacionalismo, e a Doutrina social ( a fórmula de Pio XI, os bens que atribuem muito poder, do Estado uai). E com isso PRATICAMENTE ERRADICAMOS A CORRUPÇÃO, Como? erradicamos a fonte, o grande corruptor, o Grande capital privado. E acrescentem a isso um Grande Estado social, benfeitor, bondoso, misericordioso, compassivo….à imagem do bom Deus, e acrescentem um Sistema tributário progressivo e redistributivo, E PRESTO.

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