Arquivos para : As estrelas que auxiliaram na construção de um extenso Estado social, do povo

Uma proposta de ação, de Francisco Whitaker, grande católico trabalhista e socialista, da Comissão Nacional Justiça e Paz da CNBB

“Uma proposta de ação”, artigo de Chico Whitaker (*), em 12.04.2018.

“Fica cada vez mais evidente a necessidade de se criar uma Frente Política, ampla e diversa, para enfrentar o poder dos que não querem um Brasil igualitário. A prisão de Lula nos convenceu de que chegou a hora da unidade. Só com nossa união – com Lula livre no lugar que nela lhe cabe – conseguiremos re-inverter, a favor do povo, os resultados dessa luta secular.

Mas pode vir a demorar demais a definição do programa e do funcionamento dessa Frente, a decisão sobre a composição de sua primeira fila, a escolha do nível de radicalidade de suas palavras de ordem. A discussão será necessariamente longa, ainda mais se for contaminada pela disputa eleitoral. Corremos o risco da fragmentação voltar a ser natural e se diluir a decisão de nos unirmos. Apesar de toda a comoção do momento, passadas algumas semanas da brutal execução de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, que mostrou a assustadora violência a que pode chegar a luta política, já se grita menos contra a impunidade. É a condição humana.

Os movimentos e partidos seguramente continuarão a exigir a identificação dos matadores de Marielle e dos mandantes do crime e a manter sua mobilização pela superação dos três desafios urgentes atuais: que Lula não seja mantido no isolamento de uma cela dita “de Estado Maior”, sem janela aberta para o exterior; que o STF respeite de fato o princípio universal da presunção de inocência enunciado na Constituição; que seja anulada a sentença que condenou Lula sem provas mas com base em convicções.

Mas os que, como eu, não pertencem a essas organizações não podem ficar imobilizados, aguardando passivamente novas estruturas de ação. Precisamos nos juntar aos militantes dos partidos e movimentos com que simpatizamos, apoiando suas propostas. Mais do que isso, precisamos começar a agir por nossa própria iniciativa. Informando-nos através das redes sociais e dos meios de comunicação alternativos – cuidando para não sermos manipulados pelos fakes que se multiplicam – podemos, com criatividade e responsabilidade, inventar ou reinventar modos de participar dessa luta.

Muita gente diz também que é hora do povo ir para a rua. Mas isto também dizem os que ganharam a batalha da prisão de Lula. Ora, nas manifestações outro risco nos espreita: o do crescimento da violência, pelo ódio contra Lula e contra todos nós. Há até quem levante a possibilidade do país se dividir sem retorno.

Existem no entanto muitos modos de ir para a rua. Um deles é o de buscar o diálogo sobre o que realmente se passa e sobre a sociedade fraterna que queremos construir, no contato respeitoso pessoa a pessoa, com os vizinhos da rua ou do prédio onde se mora, com os colegas nos locais de trabalho, com quem conhecemos no bairro e na cidade. E com os próprios familiares: nos dias que vivemos até mesmo dentro das famílias se tomam posições que podem se tornar irreconciliáveis.

Ideias sobre como fazer isso estão começando a surgir, como a dos que se sentaram com uma mesinha num lugar de movimento de São Paulo e propuseram aos que passavam, num dialogo cuidadoso e surpreendente, que escrevessem cartas a Lula em sua prisão… Bastou conversar sem rancores, sem se irritar com os que destilavam raiva como muitos o fazem nas redes sociais, para numa só tarde dezenas de cartas serem encaminhadas para Curitiba.

Outra ideia é a de criar Comitês por Justiça, Igualdade e Paz – Lula Livre! que promovam reuniões abertas em que se desmintam informações distorcidas e manipuladas e em que possamos nos apoiar mutuamente para saber mais, entender melhor o que se passa. E discutir como dar força à ação dos partidos e movimentos – e da Frente Política em construção – para libertar Lula e o país voltar a respeitar a Constituição. Mais para diante até poderemos discutir os nomes em quem votar para o Congresso, onde uma renovação radical é necessária. E possível, pelo voto.

Conseguiríamos criar CJIPs ou outros Comitês desse tipo em cada cidade, em cada bairro, em cada local de trabalho, em cada casa? Talvez os fatos estejam nos convidando a fazer nascer no Brasil um imenso movimento social auto-organizado, autônomo, horizontal, articulado em redes, unitário e diverso, a partir da base da sociedade, sem esperar nem depender de ordens e convocações, apoiado nos milhões de Lulas que existem e podem ser despertados nos corações dos brasileiros. Talvez nos surpreendamos com o crescimento irresistível de um movimento social desse tipo, de baixo para cima, até que cheguemos ao país de justiça, igualdade e paz com que Lula e todos nós sonhamos.

12 de abril de 2018

(*) Chico Whitaker é cofundador do Fórum Social Mundial, é membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz e da Coalizão por um Brasil Livre de Usinas Nucleares

Pedro Serrano, um grande processualista penal, garantista, que quer Justiça pautada em direitos humanos

Edição #204

Imagem de Maria, Nossa Senhora, na Índia

Nossa Senhora defensora é única e deferente Nossa Senhora é única para todos os habitantes da terra, independentemente da sua raça ou cor.Veja as suas imagens em várias culturas. Eotos:©Правда.Ру

Quem foi Dorothy Day, grande militante trabalhista nos EUA. 84 anos de lutas

Colhi este texto do site da Rádio do Vaticano – “Cidade do Vaticano (RV) – Mais uma importante etapa no caminho de Dorothy Day para a santidade. A ativista fundadora do Movimento de Trabalhadores Católicos nos Estados Unidos, falecida em 1980, foi citada pelo Papa Francisco como um dos quatro grandes nomes que, com seu testemunho de vida,  souberam encarnar os valores fundamentais para a construção de um futuro melhor nos Estados Unidos.

Instrutória aberta

O arcebispo de Nova York, Cardeal Timothy Michael Dolan, abriu o inquérito canônico para coletar depoimentos relativos à vida e às obras de Dorothy, e determinar assim a existência das virtudes heroicas necessárias para a causa. Depois desta fase, a arquidiocese encaminhará os resultados à Congregação das Causas dos Santos e ao Papa, que tomará a decisão final.

Segundo o postulador, Mons. Gregory A. Mustaciuolo, na instrutória serão ouvidas cerca de cinquenta pessoas que acompanharam de perto a experiência da ativista. Uma comissão deverá também reconstruir o contexto cultural da ação de Dorothy Day.

Quem foi

“Mulher de grande expressão humana, cultural e espiritual, nascida em Nova York em 1897, foi jornalista e ativista social, célebre sobretudo por suas campanhas em defesa dos pobres e sem-casa”. Aos 30 anos, se converteu ao catolicismo, aliando a fé à experiência social e política. Em 1933 fundou o Movimento dos Trabalhadores Cristãos e em seguida, as casas de hospitalidade para pobres, que rapidamente se espalharam além dos confins do país.

Em seu discurso ao Congresso, em Washington, em 24 de setembro de 2015, o Pontífice associou a figura de Dorothy Day a de outros três estadunidenses – o presidente Abraham Lincoln, o líder antirracista Martin Luther King e o monge Thomas Merton – que “deram forma a valores fundamentais que marcarão para sempre no espírito o povo do país”. 

Alguns dos justos que brilham como estrelas que auxiliaram na construção, em curso, do Estado social

O abade de Saint Pierre, Montesquieu, o padre Morelly, o padre Mably e seu irmão o padre Condillac, o padre jesuíta Raynal (1713-1796), Rousseau, Jefferson, Thomas Paine, o padre Sieyés, Robespierre, Saint-Just (1767-1794), o bispo Gregório, Camillo Desmoulins, o pastor Price, Volney (ver “A lei natural”, 1793), Marat, o bispo Claude Fauchet, o padre vermelho Jacques Roux, Babeuf, Buonarrotti e outros jusnaturalistas adotavam a tese jusnaturalista sobre a origem social do Direito, do poder, do Estado. Queriam um Estado popular, um amplo Estado social. 

Marx, no livro “O dezoito de brumário de Luís Bonaparte” (1852), cita, como “heróis” da “grande Revolução Francesa”, homens como “Desmoulins, Danton, Robespierre, Saint-Just e Napoleão”. Estes cinco expoentes tinham religiosidade.

Há centenas ou milhares de autores, na mesma linha, frise-se. 

Danton confessou-se pouco antes de morrer.

Robespierre, que tinha como amigos alguns padres, criou a festa do “Ser Supremo” e queria implantar uma “religião civil” (cristã deísta), estatal, nos moldes do credo de Rousseau, exposto pela boca de um vigário católico.

Saint-Just era a mão direita de Robespierre e seguia também os passos de Rousseau, jusnaturalista e com grande religiosidade.

Napoleão reconciliou oficialmente a Revolução com a Igreja, através da Concordata de 1801, e difundiu os ideais da Revolução por toda a Europa, sendo elogiado por Marx e Engels, por este feito.

— Updated: 22/04/2018 — Total visits: 25,653 — Last 24 hours: 58 — On-line: 0
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