Arquivos para : A “Fórmula” – Grabois: Estado deve ajudar micro e pequenos negócios. Economia popular, Juan Grabois, Ignacy Sachs, José Carlos de Assis, José Gomes, Frei Betto, Naomi Klein e outros

O trabalhismo é o socialismo brasileiro, moreno, mestiço, nosso..

Na história econômica do Brasil, de bom, houve o nacionalismo econômico e o trabalhismo, junto com o protecionismo. Getúlio criou vários controles estatais de caráter econômico e financeiro, medidas intervencionistas, socializantes etc. 

Mesmo a inflação funciona com mecanismo protecionismo, pois diminui a moeda nacional, dificultando as importações, e dá um subsídio às exportações.

Getúlio se esforçou ao máximo para industrializar o Brasil.

Getúlio ampliou o Banco do Brasil, para que concedesse empréstimos a empreendimentos de indústrias, com juros baixos. Da mesma forma, manteve o protecionismo. O Banco do Brasil e os Institutos de Previdência financiaram boa parte das indústrias do Brasil.

Getúlio fundou companhias estatais como a Petrobrás e a Eletrobrás, a Central do Brasil, a Fábrica Nacional de Motores, ampliou o Lloyd Brasileiro e outras

Getúlio implantou controles de preços, tabelamentos, taxas de câmbio diferenciadas e subsidiadas para coisas importantes, e taxas proibitivas, para outras.

 

Resumo do ideal concreto da Igreja, linhas gerais de nosso ideal (esboço), um sistema econômico misto, com o melhor dos dois, mais ampla Democracia popular, amplo Estado social democrático popular

A Igreja rejeita os dois extremos, o liberalismo econômico e o coletivismo (socialismo total, a estatização geral dos bens).

A Igreja rejeita o capitalismo liberal e o capitalismo de Estado.

O que a Igreja defende é um sistema econômico misto.

Queremos uma síntese com o melhor dos dois ideais, com o máximo de socialização (autogestão social) e o máximo de personalização (autogestão pessoal). O que traz benefícios, deve ser acolhido, em boa síntese.

Claro que este sistema misto vem junto com um amplo Estado Democrático de Direito, ampla Democracia popular, real, participativa, um amplo Estado social democrático, servo do povo.

Do socialismo total, temos em comum a busca de um amplo Estado, com estatais para os bens produtivos de grande poder, com controles de preços, ampla tributação redistributiva em mais de 50% do PIB, cerca de 60% na verdade, renda básica, ampla intervenção econômica,  etc.

Queremos um amplo Estado, cerca de 30 a 40% dos trabalhadores devem ser funcionários, como é na Noruega, na Suécia, Dinamarca, Bélgica, Holanda etc. Queremos basicamente a estatização dos bancos, protecionismo, ampla proteção estatal à produção local, nacional, dos micros, dos trabalhadores, dos produtores. 

Do ideal do capitalismo liberal, queremos o que o capitalismo não assegura, ou seja, queremos o máximo de distributismo, destinação universal dos bens, milhões de moradias próprias (cada família deve ter sua moradia própria), carros próprios, computadores, bens pessoais etc. Mais milhões de micros, pequenos e médios produtores familiares, ou seja, milhões de pequenas firmas familiares, artesãos, autonômos, pequenos burgueses, camponeses, artistas etc.

Nada de latifúndios e nada de grande capital privado, nada de oligopólios (trustes e cartéis). Erradicação da miséria e das grandes fortunas privadas.

Queremos um amplo Estado social e econômicos, grandes e ótimas estatais, firmas médias com co-gestão e estabilidade no emprego, mais milhões de micros e pequenas propriedades pessoais, baseadas no trabalho pessoal.

Queremos a mistura do melhor do ideal dos dois é a melhor fórmula.

Esta mistura é o que está sendo feito no Vietnam, na China, na própria Cuba, Coréia do Norte, Rússia, Angola, Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia etc. É o que há, linhas gerais, na Europa, de forma insuficiente e com erros neoliberais, tal como nos países com nacionalismo anti-imperialista, nos países que lutam para romper as correntes do imperialismo, erradicando as malditas multinacionais.

Como fica claro, o que há de bom nos dois sistemas, nos dois ideais, isso queremos, numa boa síntese.

Jeffrey Sachs, no Vaticano: “a alternativa à perversão do capitalismo é a Doutrina social da Igreja”.

No Vaticano, Jeffrey Sachs disse: “A alternativa à perversão do capitalismo é a Doutrina social da Igreja”.Tirei este artigo abaixo, de Cristiano Morsolin, do site da Unisinos, no RS, dos Jesuítas.

“Foi o que disse o renomado economista Jeffrey Sachs, convidado a participar de uma oficina de três dias promovida pela Pontifícia Academia das Ciências Sociais sobre o tema “Mudar as relações entre mercado, Estado e sociedade civil”.

Publicamos aqui o comentário sobre o evento escrito pelo assistente social e pesquisador italiano Cristiano Morsolin, especialista em direitos humanos na América Latina e fundador do Observatorio sobre Latinoamérica SELVAS, com sede em Milão. O artigo foi publicado por Vita, 26-10-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o artigo.

O capitalismo produziu também exploração e genocídios, porque a economia de mercado e do abuso, para obter riqueza, provocou a perversão do ser humano e o fracasso da moral, para colocar em primeiro lugar a avidez ilimitada”: as duras afirmações de Jeffrey Sachs ressoam na antiga Pontifícia Academia das Ciências Sociais, no Vaticano.

O Boston Globe o definiu como “o maior engenheiro econômico depois de Keynes”, e o New York Times o chamou de “provavelmente o mais importante economista do mundo”.

Sachs defendeu que “a doutrina social da Igreja oferece um caminho crucial para uma ética global do desenvolvimento sustentável”, durante o workshop recém-concluído no Vaticano (19-21 de outubro de 2017).

O encontro da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, instituída por São João Paulo II e liderada pelo chanceler Dom Marcelo Sánchez Sorondo, teve como tema “Mudar as relações entre mercado, Estado e sociedade civil”, com foco na globalização e na quarta revolução industrial.

O professor da Columbia University (Estados Unidos) enfatizou que “o Papa Francisco leva a mensagem de Jesus ao coração do capitalismo contemporâneo, recordando-nos de que precisamos de um quadro de referência moral para a nossa economia do século XXI.

Essa mensagem, porém, é fundamentalmente subversiva em relação às atitudes predominantes nos corredores do poder estadunidense, em Wall Street assim como Washington.

Justamente por isso, a sua importância é crucial. Muitos dos ricos e dos poderosos nos Estados Unidos estão à mercê de uma ideologia econômica que coloca o direito de propriedade acima da dignidade humana, até mesmo acima da sobrevivência das pessoas.

Muitos acreditam que a moralidade é o resultado do mercado. A Igreja, justa e constantemente, rejeitou a ideia de que o direito de propriedade privada é sacrossanto.

A Igreja moderna, desde que, pela primeira vez, abordou a questão econômica durante a primeira revolução industrial, particularmente na encíclica Rerum novarum de Leão XIII (1891), julgou favoravelmente a economia de mercado, mas em uma forma em que o direito à propriedade privada está inserido em um quadro de referência ético. A moral e a dignidade humana devem ocupar o primeiro lugar, e o direito de propriedade deveria ser sensível ao mais alto apelo da justiça”, concluiu Sachs.

O professor Stefano Zamagni, membro da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, acrescentou: “O tema Estado e mercado já estava bem presente na Rerum novarum de Leão XIII: o Estado deve salvaguardar os direitos dos operários. Mas hoje, diante dos novos problemas – desigualdades, agressão ao ambiente, o paradoxo de uma felicidade que, além de um certo nível de bem-estar, cai em vez de crescer, um modelo de democracia que não funciona e vê o surgimento dos populismos – é necessário que entrem em campo os sujeitos da sociedade civil.

Isso já se encontra na Caritas in veritate, de Bento XVI, e, depois, na Evangelii gaudium e na Laudato si’, de Francisco.

A sociedade civil põe em jogo o dom como gratuidade, o princípio da reciprocidade, por uma subsidiariedade circular. Em outras palavras, os três sujeitos – Estado, mercado e sociedade civil – são chamados a agir de modo sistemático e contínuo. Juntos, sem a proteção de um sobre os outros”.

Sobre esses temas, a professora Margaret Archer, presidente da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, e o jesuíta Juan Carlos Scannone, teólogo argentino que lecionou grego antigo e literatura ao jovem Bergoglio em Buenos Aires, organizaram um encontro de três dias juntamente com a Oducal (Organização das Universidades Católicas da América Latina), no Vaticano, reunindo cerca de 30 especialistas provenientes da América Latina, Europa e Estados Unidos.

Leonardo Becchetti, professor da Universidade Roma Tre, traçou uma síntese valorizando o “caso italiano”: “Nestes dias, apresentando essas realidades e iniciativas a colegas economistas estrangeiros, me dei conta ainda mais, diante do seu espanto, da riqueza do nosso passado e do nosso presente, do valor do nosso tecido social e da nossa sociedade civil. Valor construído através das labutas e do suor de tantos italianos, crentes e não crentes, velhos e novos, e inspirado muitas vezes na doutrina social da Igreja e na sua capacidade de desafiar as inércias centrífugas que, neste momento, parecem voltar à moda na nossa Itália, com uma verdade muito mais fascinante e rica de sentido, mas também mais exigente que nos lembra que a nossa ‘generatividade social’ passa pela solidariedade, pelo mutualismo, pela partilha dos riscos e dos desafios, pela cooperação que realiza a superaditividade, multiplicando as forças dos cidadãos, das cidades e dos territórios individuais, tornando-os mais fortes diante dos desafios atuais.

Queremos estar ao lado de todos aqueles que, trabalhando nas instituições e na sociedade civil, se empenham, de fato, pelo progresso rumo ao bem comum. No seu recente discurso à Pontifícia Academia das Ciências Sociais, o Papa Francisco disse que o mundo é mudado a partir de dentro e que a relação virtuosa entre Estado, mercado e sociedade civil tem um papel-chave na resolver os dramas sociais do nosso tempo”, concluiu Becchetti.

Luigino Bruni, professor da Lumsa, de Roma, deteve-se sobre a centralidade da doutrina social da Igreja: “A perspectiva é a da doutrina social da Igreja, mas também a das ciências sociais modernas. A Igreja, sobre essas temáticas, tem um olhar diferente do que o capitalismo dominante que está se tornando a única ideologia de referência em todo o mundo” e “parte de um pressuposto antropológico”, que põe no centro “a pessoa e, em particular, os últimos, recordando que hoje há um grande problema de desigualdade e de novas pobrezas que o capitalismo, sozinho, não consegue resolver, e que a Igreja, por sua vez, traz muito no coração. Lembrar isso de modo solene e com estudiosos de todo o mundo e especialistas em vários níveis já é um valor em si mesmo”.

A partir dos trabalhos, emergiu também “uma espécie de apelo para olhar o homem de maneira diferente”, afirmou Bruni, “não como nos pedem as multinacionais, muito menos o Estado burocrático.

O homem é um ser maravilhoso, muito melhor. Por isso, outra palavra que se repete aqui frequentemente é ‘confiança’, ‘esperança’”. São palavras que, no mundo das finanças e da economia, precisam ser repetidas muitas vezes, porque, geralmente, são ignoradas. “E é o que a Igreja está fazendo hoje”, já que ela restou como “a única agência que fala do bem comum e dos últimos.

A Igreja não tem centros de interesse, nem dinheiro para defender, mas deve promover o Evangelho e, portanto, tem toda a liberdade para dizer coisas que, certamente, os outros sabem, mas não querem ouvir, e ela faz isso com cada vez mais energia e competência, com pessoas qualificadas, preocupadas, como nós, com a distração do capitalismo em relação aos últimos, à pessoa e ao tema do ambiente”, explicou Bruni à agência SIR.

O perigo da plutocracia

“Se o lucro prevalecer como fim, a democracia tende a se tornar uma plutocracia em que crescem as desigualdades e também a exploração do planeta.” Foi o que disse o papa na audiência aos participantes da oficina, identificando “duas causas específicas que alimentam a exclusão e as periferias existenciais”: a desigualdade e a exploração, que “não são uma fatalidade, nem uma constante histórica”, disse Jorge Mario Bergoglio; e “o trabalho não digno da pessoa humana”, enquanto, por outro lado, é necessário criar um novo trabalho, superando a “preguiça espiritual” e desvinculando-se “das pressões dos lobbies públicos e privados”.

O desafio é claro: “Ir além do modelo de ordem social hoje predominante, transformando-o a partir de dentro” e “pôr-se a serviço do desenvolvimento humano integral. Não podemos sacrificar no altar da eficiência – o ‘bezerro de ouro’ dos nossos tempos – valores fundamentais como a democracia, a justiça, a liberdade, a família, a criação. Em essência, devemos visar a ‘civilizar o mercado’, na perspectiva de uma ética amiga do homem e do seu ambiente”.

Código ético para as multinacionais

Dom Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, é o grande diretor destes seminários internacionais de alto nível. Ele considera que “um problema principal do sistema econômico atual é o desequilíbrio nos dois objetivos (criação de renda para investimentos inovação, e excedente do consumidor e o seu bem-estar), enquanto ele não presta atenção e se subordina a outros dois objetivos (dignidade e qualidade do trabalho e sustentabilidade do ambiente), que estão no centro da defesa da vida humana e da busca do bem comum em uma sociedade. É preciso intervir na correção desses desequilíbrios para frear o poder de expansão das multinacionais, que – com manobras complexas –, estão colocando em perigo o funcionamento adequado do mercado”.

“Nova civilização do bem comum”

Eu fui convidado pela Pontifícia Academia das Ciências Sociais e pude apreciar pessoalmente como vários especialistas e acadêmicos de fama internacional estão dialogando com o Vaticano para analisar e propor alternativas na ótica de uma “nova civilização do bem comum”, promovida pelo Papa Francisco.

Os oito homens mais ricos do mundo têm a mesma riqueza que 3,6 bilhões de pessoas mais pobres, e as desigualdades produzem furiosos movimentos de pessoas. É preciso dar respostas globais diante desse drama sempre vivo das desigualdades, seguindo a mensagem profética do Papa Francisco e as indicações da Pontifícia Academia das Ciências Sociais.

Um tema central é o código de conduta das multinacionais, muitas vezes citado pelo cardeal Turkson e pelo arcebispo Silvano Tomasi, do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, para “reafirmar as responsabilidades das companhias transnacionais e das outras empresas no respeito aos direitos humanos, através de regulamentos apropriados que possam contribuir para a promoção e para o respeito dos direitos humanos e do bem comum de todos”.

Franco Vincenti, presidente da Fundação Millenia de Bogotá e embaixador emérito das Nações Unidas na Colômbia, lembrou a importância de “traduzir nos vários continentes a mensagem do Papa Francisco e as conclusões deste workshop para construir novas relações de bioeconomia e incidir também no nível das políticas públicas globais. Em Bogotá, já estamos trabalhando no ‘Diálogo latino-americano por uma nova relação Estado, mercado e sociedade, no respeito à ‘nossa casa comum’ [mais informações, aqui], em conjunto com o Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) e a Pontifícia Universidade Javeriana, de Bogotá”.

Irrupção dos movimentos populares

Rumo a uma sociedade participativa” foi o tema da plenária da Pontifícia Academia das Ciências Sociais realizada no fim de abril de 2017.

É necessário, escreve o papa na mensagem de saudação, “buscar uma saída da sufocante alternativa entre a tese neoliberal e a tese neoestatalista”. Nesse sentido, “a palavra-chave que hoje, melhor do que outras, expressa a exigência de superar tal dicotomia é ‘fraternidade’, palavra evangélica, retomada no lema da Revolução Francesa, mas que a ordem pós-revolucionária, depois, abandonou – pelas conhecidas razões – até o seu apagamento do léxico político-econômico”.

Margaret S. Archer ressaltou, por sua vez, que “os dias dos movimentos sociais antiquados, do sindicalismo, por exemplo, estão superados”, e a solução não são “os movimentos de protesto facilitados pelas mídias sociais”. A estudiosa britânica, mais detalhadamente, indicou dois exemplos positivos: o movimento ecológico verde, minoritário na política, mas capaz de influenciar positivamente as coalizões de governo dos quais faz parte, e realidades como as Nações Unidas e as ONGs internacionais, com as quais a Igreja teve a “sabedoria” de interagir, enfatizou Archer. Ela também citou a inclusão, defendida pela Santa Sé, da luta contra o tráfico humano nos novos objetivos de desenvolvimento adotados pela ONU e o acordo climático de Paris, pelo qual o Papa Francisco se esforçou pessoalmente.

No Vaticano, eu entrevistei o argentino Juan Grabois, nascido em 1986, um dos organizadores dos quatro encontros mundiais realizados pelo Papa Francisco com os movimentos sociais em nível planetário, além de membro da direção nacional da Confederação de Trabalhadores da Economia Popular (CTEP), autor do livro Organización y economia popular, publicado na Argentina pela Enocep e pela CTEP.

Juan Grabois concentrou a atenção no “perigo de que a economia solidária seja subsidiária e submetida à economia capitalista que produz um sistema injusto, não permitindo o acesso ao trabalho em condições dignas e à terra para o desenvolvimento dos povos”.

Grabois acrescentou que “ninguém tem a receita ou o monopólio da interpretação sobre a mudança estrutural de que precisamos: nem mesmo a Igreja, disse o Papa Francisco. Devemos construir juntos. Nós começamos lançando temas muito próximos, partimos das exclusões mais evidentes, como as da terra, do teto e do trabalho para construir um programa de transformação integral, lançando campanhas mundiais contra a especulação imobiliária, tanto no campo, quanto na cidade, contra a precarização do trabalho, contra o domínio das finanças sobre as decisões soberanas dos povos. Isso implica uma refundação da democracia, hoje sequestrada pelos grandes poderes econômicos através do monopólio da comunicação, que impede um debate real e de massa sobre esses temas”.

Assim, continuou, “os grandes poderes impõem não só os seus próprios candidatos, mas também uma agenda para a sua própria vantagem e uma hegemonia cultural, estilos de vida que vão contra o bem da maioria e da Mãe Terra. São assim impedidas outras formas de democracia participativa.

Ao contrário, nós queremos que as organizações comunitárias sejam incluídas e contem nas decisões. Queremos identificar os mecanismos para aproximações sucessivas, para evitar tanto o risco de cooptação nos costumeiros mecanismos de poder, quanto a corrupção. A política deve ser feita por paixão, não por interesse ou por dinheiro. Eu acredito na revolução dos excluídos, que são 1,5 bilhão de pessoas no planeta”, conclui Grabois”.

Meu comentário: infelizmente, o sujeito que resumiu o discurso de Sachs não escreve coisa com coisa, ficando apenas em textos vazios, nebulosos, confusos e sem nenhuma concretude. O correto seria deixar claro que o Estado deve ser fortalecido, aumentado, para assegurar terra para todos, moradia, seguros, pequenas jornadas, boa remuneração, renda básica, direitos sociais amplos, bens para todos.

A doutrina da Igreja quer um grande Estado protetor que ajude os trabalhadores e os micros e pequenos produtores

A Igreja sempre ensinou que deve haver um grande Estado protetor e que ajude os trabalhadores e os micros e pequenos produtores.

Vejamos, na “Populorum progressio” (“Do progresso dos povos”, encíclica de Paulo VI, em 1967:

Programas e planificação

33. Só a iniciativa individual e o simples jogo da concorrência não bastam para assegurar o êxito do desenvolvimento. Não é lícito aumentar a riqueza dos ricos e o poder dos fortes, confirmando a miséria dos pobres e tornando maior a escravidão dos oprimidos.

São necessários programas para “encorajar, estimular, coordenar, suprir e integrar”[35] a ação dos indivíduos e dos organismos intermediários. Pertence aos poderes públicos escolher e, mesmo impor, os objetivos a atingir, os fins a alcançar e os meios para os conseguir e é a eles que compete estimular todas as forças conjugadas nesta ação comum.

Tenham porém cuidado de associar a esta obra as iniciativas privadas e os organismos intermediários. Assim, evitarão o perigo de uma coletivização integral ou de uma planificação arbitrária que, privando os homens da liberdade, poriam de parte o exercício dos direitos fundamentais da pessoa humana.

A serviço do homem

34. Porque, qualquer programa feito para aumentar a produção não tem, afinal, razão de ser senão colocado ao serviço da pessoa.

Deve reduzir desigualdades, combater discriminações, libertar o homem da servidão, torná-lo capaz de, por si próprio, ser o agente responsável do seu bem-estar material, progresso moral e desenvolvimento espiritual.

Dizer desenvolvimento, é com efeito preocupar-se tanto com o progresso social como com o crescimento econômico.

Não basta aumentar a riqueza comum, para que ela seja repartida eqüitativamente. Não basta promover a técnica, para que a terra possa ser habitada de maneira mais humana. Nos erros dos predecessores reconheçam, os povos que se encontram em fase de desenvolvimento, um aviso dos perigos que hão de evitar neste domínio. A tecnocracia de amanhã pode gerar ainda piores males que o liberalismo de ontem. Economia e técnica não têm sentido, senão em função do homem, ao qual devem servir. E o homem só é verdadeiramente homem, na medida em que, senhor das suas ações e juiz do valor destas, é autor do seu progresso, em conformidade com a natureza que lhe deu o Criador, cujas possibilidades e exigências ele aceita livremente.

Alfabetização

35. Pode mesmo afirmar-se que o crescimento econômico depende, em primeiro lugar do progresso social que ela pode suscitar, e que a educação de base é o primeiro objetivo dum plano de desenvolvimento.

A fome de instrução não é menos deprimente que a fome de alimentos: um analfabeto é um espírito subalimentado.

Saber ler e escrever, adquirir uma formação profissional, é ganhar confiança em si mesmo e descobrir que pode avançar junto com os outros. Como dizíamos na nossa mensagem ao Congresso da UNESCO, em Teerã no ano de 1965, a alfabetização é para o homem “fator primordial de integração social e de enriquecimento da pessoa e, para a sociedade, instrumento privilegiado de progresso econômico e desenvolvimento“.[36] Por isso nos alegramos do trabalho realizado neste domínio pelas iniciativas privadas, pelos poderes públicos e organizações internacionais: são os primeiros obreiros do desenvolvimento, porque tornam o homem apto a empreendê-lo”.

Paulo Henrique Amorim contra a PRIVATARIA, o ideal nefando do neoliberalismo, de destruir o Estado social e econômico

Economia mista é a base de um socialismo de superação do capitalismo, de síntese

O antigo PCI (Partido Comunista Italiano), no XV Congresso, aprovou a economia mista e o gradualismo.

O PCI aprovou a tese que uma socialista socialista só exige a estatização PARCIAL da economia, dos meios de produção.

É preciso um amplo setor público da economia, mais um amplo setor de micros, pequenos e médias empresas familiares, e outro setor cooperativo.

Várias formas de propriedade e de direção dos meios de produção, dos bens produtivos.

Da mesma forma, os Sandinistas realizaram uma Assembléia Constituinte, em 1986, aprovada em 10.02.1987. Nesta Constituição, estava previsto, no artigo quinto, a “ECONOMIA MISTA”, “várias formas de propriedade, seja pública ou privada, assim como a propriedade associativa, cooperativa e comunitária”. E que “todas estas formas de propriedade devem estar em função dos interesses gerais da Nação”.

Em 09.06.1986, os Bispos católicos da Nicarágua assinaram o documento “Contribuição pastoral à Constituição”, com o mesmo conteúdo.

O ideal da ECONOMIA MISTA, o modelo chinês, e o ataque cibernético dos EUA

Passo a transcrever o artigo “Cartago deve ser destruída e, desde 2013, o Brasil é Cartago”.

Artigo tirado do Portal Vermelho, que defende um socialismo de mercado, economia mista, a mesma tese do historiador, Elias Jabbour.

O artigo trata sobre a reação dos EUA a China, desde 2009, especialmente sobre o Projeto Nova Rota Marítima e Terrestre da Seda. E explica a ação de Bolsonazi como apenas um fantoche do governo de Trump e das multinacionais, usando empresas milionárias para enviarem MILHÕES e até BILHÕES de msg via Whatsapp e REDES SOCIAIS, para enganar as pessoas, manipular as pessoas.

PASSO A TRANSCREVER:

“Uma olhadela em papers publicados em revistas norte-americanas de ponta na área de Geopolítica e Economia Política Internacional, acrescidos de pronunciamentos de Trump e seus próprios assessores deixam muito claro que não tolerarão nem outra China, nem tampouco a própria China.

O que nos faz lembrar da famosa frase de Henry Kissinger sobre o processo de desenvolvimento brasileiro na década de 1970: “não podemos permitir a existência de um novo Japão, agora na América do Sul” [O MESMO foi dito, no gov de Eisenhower, sobre o Segundo Governo de Getúlio, gerando o golpe de 1954, que levou Getúlio ao suicídio].

É de bom tom lembrar deste passado remoto do Brasil diante da desconstrução de nossa história arquitetada nos escritórios do Departamento de Estado dos EUA e executada por picaretas (direita) e ingênuos (“esquerda”) que substituíram Darcy Ribeiro pela “narrativa” para quem um país de passado “escravocrata” e “patriarcal” não é digno de futuro.

Não é de difícil percepção a qualquer pessoa minimamente inteligente que a desconstrução histórica não é um fim em si mesmo.

Abrindo parêntese, negar o caráter universal de Zumbi dos Palmares o reduzindo a um herói de uma raça e não um herói brasileiro e construtor de nossa nacionalidade é exemplo claro de como se “joga o jogo” do tal de “debate de ideias” no Brasil hoje. O objetivo é sacar a alma do coletivo. É criar condições para que outros tomem conta de nosso destino.

O papel das Fundações Ford da vida foram executadas com esmero: nos últimos 15 anos, o Brasil deixou de ser o “país do futuro”, a “maior das latinidades” e o “berço de uma nova e superior civilização” para se tornar o país mais racista, homofóbico e machista do mundo. Antes de colocar palavras na minha boca ou praticar o nojento papel de patrulheiros de quinta categoria, deixo bem claro que amo minha Pátria e o racismo, por exemplo, é um câncer que envergonha meu país.

Negar essas contradições no seio do povo é se perfilar com tipos como Bolsonaro.

Não perceber o papel destas “narrativas” (de onde saem e quem as emite internamente) é fazer o jogo do fascismo norte-americano. Afinal delenda est Carthago (Cartago deve ser destruída).

A política externa de Trump é óbvia e direta. É senso comum na inteligência norte-americana que o prazo de validade para barrar a China, e sua ascensão, expira em 2023. Depois disso, já era.

Os EUA possuem armas eficazes que não se encerram em aumento das tarifas de importações.

O próximo passo é a denúncia seguida de sanções abertas contra a espinha dorsal da economia chinesa, a saber: seus imensos 149 conglomerados estatais. Evidente que uma economia de mercado dominada por empresas e bancos estatais restringe em demasia a ação da lei do valor.

A capacidade de planificar em níveis cada vez mais superiores por parte das figuras que manejam as cordas da “Gosplan Chinesa” (Banco Popular da China + Conselho de Estado) não dão outra alternativa ao imperialismo a não ser isso a que estamos assistindo: guerra comercial, financiamento e alocação de grupos uigures e tibetanos voltados contra o governo central, abrigo e acolhida aos bilionários devidamente convidados a se retirarem do país por Xi Jinping etc

Delenda est Carthago é a política para quem ouse se aproximar da China e de seu “modelo”.

A ideia não é somente desmontar projetos nacionais autônomos. Vai além: é destruir qualquer massa onde exista um “núcleo duro”, é destruir – via divisão interna seguida de caos econômico e social – sociedades inteiras. O exemplo mexicano é sugestivo onde grupos “progressistas” apoiam as demandas de todos os grupos indígenas interessadas em se desmembrar do México e se tornaram “Estados independentes”. Nosso companheiro Evo Moralez sabe o doce sabor desse veneno.

A América Central se dilui entre narcotraficantes (agentes pagos da CIA) que tomam para si nacos de países como, por exemplo, a Nicarágua (coincidentemente sede do maior empreendimento chinês na América Latina que visa quebrar o bloqueio do Canal do Panamá exercido pelos EUA).

O Brasil segue trilha semelhante com divisão da sociedade brasileira em estilhaços onde se encontra de tudo, menos a vontade de ser brasileiro. E sob aplausos da “intelectualidade (pós) moderna”; a mesma que acha antiquada noções como Nação, soberania, território etc…

O maior inimigo do Brasil hoje é invisível.

Vive fora, remete milhões de transmissões por minuto de fake news cujo rastreio adentra a fronteira dos Estados Unidos. Dominam tecnologias que não só não sabemos como funcionam, como nem imaginamos como se manipulam. Bolsonaro é um boneco a serviço dos interesses mais sujos de uma nação decadente, onde a Casa Branca e o Parlamento são locais de abrigo e proteção a grupos proto-fascistas, think tanks poderosos e de narcotraficantes que utilizam a complexo industrial militar para lavar dinheiro.

Mas todos eles com uma grande convicção: MAKE AMERICA GREAT AGAIN. Nem que o preço seja a destruição completa de Cartago.

E o Brasil, desde 2013, é uma imensa Cartago. Mas ainda fico com Lênin, repetindo sua célebre frase em meio ao caos pós-fracasso da revolução de 1905: “as apostasias tendem a fracassar”. Não duvido disso. Mas não sem antes tomarmos um grande banho de brasilidade. Sem antes não temer o fogo, a dor e a contradição. VENCEREMOS!

*Elias Jabbour é professor adjunto da FCE/UERJ e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Econômicas (PPGCE) da UERJ.

Autor do livro “China Hoje: Projeto Nacional, Desenvolvimento e Socialismo de Mercado”.

Nosso ideal: o máximo de difusão de bens, o máximo de socialização com o máximo de personalização

O bem comum exige a difusão de bens micros e pequenos, até médios, tal como o planejamento participativo e a estatização dos grandes meios de produção.

A socialização e a personalização são exigências racionais e religiosas.

A socialização personalizante exige a difusão dos bens necessários á vida (cf. distributismo de Chesterton ou de Alceu), a estatização dos grandes meios de produção e planificação participativa.

A apropriação social ou socialização dos meios de produção pressupõe a estatização dos grandes meios de produção.

Não se trata de algo novo, pois basta lembrar o colbertismo, a linha política de João Batista Colbert (1619-1683), um grande primeiro-ministro francês que criou várias estatais que existem até hoje.

A estatização dos bens que atribuem poder excessivo foi recomendada por Pio XI na “Quadragesimo anno” (1931), tal como por Pio XII, em 11.03.1945; João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, na “Laborem exercens”, também ensinaram que a “socialização” dos “meios de produção” era “satisfatória” no prisma ético.

A socialização pode ser feita por estatais com co-gestão ou com cooperativas de trabalhadores, ambas sujeitas a formas de planejamento participativo.

Quanto aos bens micros, pequenos e até médios (especialmente as moradias, pequenos lotes urbanos e rurais, a renda básica para bens de consumo, as pequenas ferramentas etc) devem ser difundidos entre todas as pessoas: moradia para todos, renda cidadã independente do trabalho (cf. Lei Suplicy), boa remuneração do trabalho etc.

Pio XII, num “Discurso” de 11.03.1945, deixou clara a licitude e mesmo a necessidade do Estado decretar a expropriação de bens privados, quando o bem comum assim o exigir.

Esta expropriação deve ser feita para difundir os bens entre todos.

Com base nestas idéias, no Brasil, o programa da Frente Nacional do Trabalho defendia e defende a expropriação das grandes fábricas para entregá-las aos operários como propriedade social, utilizando a mesma estratégia da CPT, da Pastoral da Terra.

O Estado também pode, eticamente, desapropriar e até expropriar bens supérfluos para constituir patrimônios públicos necessários aos fins gerais da economia nacional, ao bem comum.

Este foi o ensinamento do Cardeal Cajetano, há uns 500 anos atrás e é o mesmo ensinamento dos Santos Padres e da Bíblia.

Durante a Idade Média, existia uma constelação de propriedades comunais e estatais sob o controle dos trabalhadores, basta ver as estruturas dos Municípios (comunas), as universidades públicas sob o controle dos professores e dos alunos, os campos comunais etc.

Marx, no livro “O Capital”, conta como o capital (os capitalistas) foi destruindo, como um javali, a rede de propriedades estatais, comunais e comunitárias, tal como a rede dos micros e pequenos produtores.

No mesmo prisma, Adolphe Gasser, no livro “L’autonomie communale et la reconstruction de l’Europe” (Paris, Ed. La Presse, 1946), elogiou o “princípio comunal” como a base da democracia e da liberdade, em contraponto ao “princípio autoritário”.

Gasser lembra o papel de Pestalozzi e destaca o papel do cristianismo no renascer das comunas, na Idade Média, que foram a base da recriação da democracia.

A socialização exige, também, a planificação participativa de toda a economia, pois é função do Estado “coordenar” as “atividades para o bem comum nacional”, cf. explicava Pio XI.

Para que este plano seja eficaz, é necessária a estatização dos grandes meios de produção, como também explicava Pio XI, na “Quadragesimo anno”, em 1931, apontando a convergência entre católicos e socialistas democráticos.

O padre John F. Cronin, no livro “Catholic social principles” (“Princípios católicos e sociais”, editado em Milwaukee, pela The Bruce Publishing Company, em 1952), na linha de Monselhor John Ryan, próxima aos ideais sociais de Franklin Roosevelt, ensinou a mesma coisa.

O padre Cronin foi o Diretor assistente do Departamento de Ação Social da Conferência Nacional Católica do Bem-Estar nos EUA.

O livro do padre Cronin tem 803 páginas e elogia como exemplar o documento “Socialização”, dos bispos católicos da Austrália, em 1948, onde estes preceituam que “a propriedade pública dos bens, monopólios e indústrias básicas” é perfeitamente compatível com o cristianismo.

Como exemplo, o documento lista os seguintes ramos da economia: “bancos e seguros”, “a manufatura de aço e de química pesada”, “transportes por ar, mar e trilhos”, “serviços de utilidade pública (eletricidade, gás, metrô etc)”, “armamentos” e outros ramos.

Alceu Amoroso Lima, que presidia a Ação Católica, no livro “Política”, em 1932, elaborou uma lista de bens e atividades próprias do Estado, na mesma linha, enfatizando a importância do monopólio estatal da energia elétrica, dos bancos etc.

Nos exemplos referidos, os bispos autralianos destacaram que “a questão da eficiência é secundária”, o principal é “o poder econômico exercido através deste controle”, que não pode ficar nas mãos particulares.

Ao lado das estatais, artarquias e outras formas de “propriedade pública” deve haver também o “controle do Estado” sobre a economia privada, por regulamentações, planos e fiscalização intensa.

As cooperativas são outras formas essenciais e devem ter o apoio do Estado, na linha de Buchez, Sismondi, Rodbertus, Ketteler e da doutrina da Igreja (exposta inclusive no livro “Roma”, de Emílio Zola).

La Tour du Pin (1834-1924), num artigo da “Association catholique”, em 1883, mostrou que as associações de operários, especialmente as cooperativas, deveriam estar sob o controle dos trabalhadores e tendo o apoio do Estado, ou seja, combinando a autogestão, a co-gestão e o planejamento participativo.

Vale à pena repetir, mil vezes, que, na linha de Ketteler e Buchez, a doutrina da Igreja não aceita o instituto da “propriedade quiritária”.

Mesmo os pequenos meios de produção e os outros bens devem estar sujeitos ao domínio eminente da sociedade, ao direito de gestão da sociedade (do bem comum), que deve regular o uso dos bens e das condutas humanas, para que tudo sirva (corrobore) ao bem comum.

A doutrina da Igreja sempre defendeu trabalhadores, inclusive micros e pequenos produtores

Livros como o “Tratado da República” (1521), do Frei trinitário (ordem destinado à redenção, libertação, dos cativos) Alonso de Castrillo, mostram a relação entre o movimento das comunas desde o século XI (um movimento elogiadíssimo por Kropotkin) e a luta pela democratização do Estado.

Frei Alonso destacava a igualdade de todas as pessoas e a importância das regras estatais serem consensuais, racionais e benéficas a todos.

Criticava a perpetuidade dos mandos, ensinando que o agente público deve “dar contas de como governa”, prestar contas à sociedade. Ensinava que a difusão de bens era o caminho correto.

Como Marx, viu que a parte boa da economia medieval era formada por milhões de camponeses livres, de artesãos e outros micro e pequenos trabalhadores. A parte má era o latifúndio.

Os “nobres” eram os grandes fazendeiros, que vivem armados, iguais ao figurino de BozoNazi.

Esta parte tinha mesmo de ser erradicada.

Outra parte má eram os banqueiros, que a Igreja e o Estado cerceavam e a própria Igreja defendia os “Montes de piedade”, espécies de bancos públicos, que cobravam apenas taxas administrativas, sem usura.

No livro “Da vida civil (1430), de Matteo Palmieri (1405-1475) há a mesma base bíblica, tal como no melhor da Paidéia, especialmente Platão, Aristóteles, Cícero, Plutarco, Quintiliano e outros.

Ou seja, as bases sempre atuais do humanismo católico, fundado no humanismo da Paidéia e no humanismo hebraico.

A Doutrina da Igreja quer uma sociedade cooperativa, economia do trabalho e do conhecimento, ECONOMIA MISTA, Democrática em todos os níveis

A subjetividade da sociedade, ou seja, a soberania da sociedade, é a forma principal para a concretização do princípio da dignidade do ser humano e, assim, da destinação universal dos bens e do primado do trabalho

João Paulo II, na encíclica “Sollicitudo Rei Socialis” (1987), criticou a falta de gestão operária (controle dos trabalhadores sobre o processo produtivo), como um pecado (mal) do capitalismo liberal e do capitalismo de Estado:

“Em lugar da iniciativa criadora prevalecem a passividade, a dependência e a submissão ao aparato burocrático que, como único órgão «disponente» e «decisional» — se não mesmo «possessor» — da totalidade dos bens e dos meios de produção, faz com que todos fiquem numa posição de dependência quase absoluta, que é semelhante à tradicional dependência do operário-proletário do capitalismo. Ora isto gera um sentimento de frustração ou desespero e predispõe para o desinteresse pela vida nacional, impelindo muitas pessoas para a emigração e favorecendo em todo o caso uma espécie de emigração «psicológica».

“Uma situação assim tem as suas consequências também sob o ponto de vista dos «direitos das nações singularmente». Com efeito, acontece com freqüência que uma nação é privada da sua subjetividade, ou seja, da «soberania» que lhe compete, no sentido econômico e mesmo político-social e, de certo modo, cultural, porque adstrita a uma comunidade nacional onde todas estas dimensões da vida estão ligadas entre si”.

O texto acima apenas repete textos no mesmo sentido de Leão XIII, Pio XI, Pio XII, João XXIII e de Paulo VI. Vou postar cada um destes textos.

Para resumir: em cada unidade produtiva, em toda a estrutura econômica, em toda organização econômica, é PRECISO QUE EXISTA O PRIMADO DO TRABALHO. E, neste, do ASPECTO SUBJETIVO DO TRABALHO.

Na encíclica “Laborem exercens”, João Paulo II tornou a frisar o primado do trabalhador (ligado intrinsecamente ao princípio da destinação universal dos bens e da soberania da sociedade) e destacou sua importância.

A sociedade (o povo) só é soberana se é baseada em formas de autogestão, em formas ampliadas de autogestão, ESTRUTURAS COOPERATIVAS, estrutura geral cooperativa, planejamento participativo, APOIO ESTATAL AOS MICROS E PEQUENOS.

Resumindo, se cada membro dela exerce controle sobre sua própria vida e trabalho (autogestão na vida cultural, familiar, econômica, artística etc).

— Updated: 22/01/2019 — Total visits: 44,131 — Last 24 hours: 33 — On-line: 0
Pular para a barra de ferramentas