Arquivos para : A “Fórmula” – Grabois: Estado deve ajudar micro e pequenos negócios. Economia popular, Juan Grabois, Ignacy Sachs, José Carlos de Assis, José Gomes, Frei Betto, Naomi Klein e outros

Economia mista é a base de um socialismo de superação do capitalismo, de síntese

O antigo PCI (Partido Comunista Italiano), no XV Congresso, aprovou a economia mista e o gradualismo.

O PCI aprovou a tese que uma socialista socialista só exige a estatização PARCIAL da economia, dos meios de produção.

É preciso um amplo setor público da economia, mais um amplo setor de micros, pequenos e médias empresas familiares, e outro setor cooperativo.

Várias formas de propriedade e de direção dos meios de produção, dos bens produtivos.

Da mesma forma, os Sandinistas realizaram uma Assembléia Constituinte, em 1986, aprovada em 10.02.1987. Nesta Constituição, estava previsto, no artigo quinto, a “ECONOMIA MISTA”, “várias formas de propriedade, seja pública ou privada, assim como a propriedade associativa, cooperativa e comunitária”. E que “todas estas formas de propriedade devem estar em função dos interesses gerais da Nação”.

Em 09.06.1986, os Bispos católicos da Nicarágua assinaram o documento “Contribuição pastoral à Constituição”, com o mesmo conteúdo.

O ideal da ECONOMIA MISTA, o modelo chinês, e o ataque cibernético dos EUA

Passo a transcrever o artigo “Cartago deve ser destruída e, desde 2013, o Brasil é Cartago”.

Artigo tirado do Portal Vermelho, que defende um socialismo de mercado, economia mista, a mesma tese do historiador, Elias Jabbour.

O artigo trata sobre a reação dos EUA a China, desde 2009, especialmente sobre o Projeto Nova Rota Marítima e Terrestre da Seda. E explica a ação de Bolsonazi como apenas um fantoche do governo de Trump e das multinacionais, usando empresas milionárias para enviarem MILHÕES e até BILHÕES de msg via Whatsapp e REDES SOCIAIS, para enganar as pessoas, manipular as pessoas.

PASSO A TRANSCREVER:

“Uma olhadela em papers publicados em revistas norte-americanas de ponta na área de Geopolítica e Economia Política Internacional, acrescidos de pronunciamentos de Trump e seus próprios assessores deixam muito claro que não tolerarão nem outra China, nem tampouco a própria China.

O que nos faz lembrar da famosa frase de Henry Kissinger sobre o processo de desenvolvimento brasileiro na década de 1970: “não podemos permitir a existência de um novo Japão, agora na América do Sul” [O MESMO foi dito, no gov de Eisenhower, sobre o Segundo Governo de Getúlio, gerando o golpe de 1954, que levou Getúlio ao suicídio].

É de bom tom lembrar deste passado remoto do Brasil diante da desconstrução de nossa história arquitetada nos escritórios do Departamento de Estado dos EUA e executada por picaretas (direita) e ingênuos (“esquerda”) que substituíram Darcy Ribeiro pela “narrativa” para quem um país de passado “escravocrata” e “patriarcal” não é digno de futuro.

Não é de difícil percepção a qualquer pessoa minimamente inteligente que a desconstrução histórica não é um fim em si mesmo.

Abrindo parêntese, negar o caráter universal de Zumbi dos Palmares o reduzindo a um herói de uma raça e não um herói brasileiro e construtor de nossa nacionalidade é exemplo claro de como se “joga o jogo” do tal de “debate de ideias” no Brasil hoje. O objetivo é sacar a alma do coletivo. É criar condições para que outros tomem conta de nosso destino.

O papel das Fundações Ford da vida foram executadas com esmero: nos últimos 15 anos, o Brasil deixou de ser o “país do futuro”, a “maior das latinidades” e o “berço de uma nova e superior civilização” para se tornar o país mais racista, homofóbico e machista do mundo. Antes de colocar palavras na minha boca ou praticar o nojento papel de patrulheiros de quinta categoria, deixo bem claro que amo minha Pátria e o racismo, por exemplo, é um câncer que envergonha meu país.

Negar essas contradições no seio do povo é se perfilar com tipos como Bolsonaro.

Não perceber o papel destas “narrativas” (de onde saem e quem as emite internamente) é fazer o jogo do fascismo norte-americano. Afinal delenda est Carthago (Cartago deve ser destruída).

A política externa de Trump é óbvia e direta. É senso comum na inteligência norte-americana que o prazo de validade para barrar a China, e sua ascensão, expira em 2023. Depois disso, já era.

Os EUA possuem armas eficazes que não se encerram em aumento das tarifas de importações.

O próximo passo é a denúncia seguida de sanções abertas contra a espinha dorsal da economia chinesa, a saber: seus imensos 149 conglomerados estatais. Evidente que uma economia de mercado dominada por empresas e bancos estatais restringe em demasia a ação da lei do valor.

A capacidade de planificar em níveis cada vez mais superiores por parte das figuras que manejam as cordas da “Gosplan Chinesa” (Banco Popular da China + Conselho de Estado) não dão outra alternativa ao imperialismo a não ser isso a que estamos assistindo: guerra comercial, financiamento e alocação de grupos uigures e tibetanos voltados contra o governo central, abrigo e acolhida aos bilionários devidamente convidados a se retirarem do país por Xi Jinping etc

Delenda est Carthago é a política para quem ouse se aproximar da China e de seu “modelo”.

A ideia não é somente desmontar projetos nacionais autônomos. Vai além: é destruir qualquer massa onde exista um “núcleo duro”, é destruir – via divisão interna seguida de caos econômico e social – sociedades inteiras. O exemplo mexicano é sugestivo onde grupos “progressistas” apoiam as demandas de todos os grupos indígenas interessadas em se desmembrar do México e se tornaram “Estados independentes”. Nosso companheiro Evo Moralez sabe o doce sabor desse veneno.

A América Central se dilui entre narcotraficantes (agentes pagos da CIA) que tomam para si nacos de países como, por exemplo, a Nicarágua (coincidentemente sede do maior empreendimento chinês na América Latina que visa quebrar o bloqueio do Canal do Panamá exercido pelos EUA).

O Brasil segue trilha semelhante com divisão da sociedade brasileira em estilhaços onde se encontra de tudo, menos a vontade de ser brasileiro. E sob aplausos da “intelectualidade (pós) moderna”; a mesma que acha antiquada noções como Nação, soberania, território etc…

O maior inimigo do Brasil hoje é invisível.

Vive fora, remete milhões de transmissões por minuto de fake news cujo rastreio adentra a fronteira dos Estados Unidos. Dominam tecnologias que não só não sabemos como funcionam, como nem imaginamos como se manipulam. Bolsonaro é um boneco a serviço dos interesses mais sujos de uma nação decadente, onde a Casa Branca e o Parlamento são locais de abrigo e proteção a grupos proto-fascistas, think tanks poderosos e de narcotraficantes que utilizam a complexo industrial militar para lavar dinheiro.

Mas todos eles com uma grande convicção: MAKE AMERICA GREAT AGAIN. Nem que o preço seja a destruição completa de Cartago.

E o Brasil, desde 2013, é uma imensa Cartago. Mas ainda fico com Lênin, repetindo sua célebre frase em meio ao caos pós-fracasso da revolução de 1905: “as apostasias tendem a fracassar”. Não duvido disso. Mas não sem antes tomarmos um grande banho de brasilidade. Sem antes não temer o fogo, a dor e a contradição. VENCEREMOS!

*Elias Jabbour é professor adjunto da FCE/UERJ e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Econômicas (PPGCE) da UERJ.

Autor do livro “China Hoje: Projeto Nacional, Desenvolvimento e Socialismo de Mercado”.

Nosso ideal: o máximo de difusão de bens, o máximo de socialização com o máximo de personalização

O bem comum exige a difusão de bens micros e pequenos, até médios, tal como o planejamento participativo e a estatização dos grandes meios de produção.

A socialização e a personalização são exigências racionais e religiosas.

A socialização personalizante exige a difusão dos bens necessários á vida (cf. distributismo de Chesterton ou de Alceu), a estatização dos grandes meios de produção e planificação participativa.

A apropriação social ou socialização dos meios de produção pressupõe a estatização dos grandes meios de produção.

Não se trata de algo novo, pois basta lembrar o colbertismo, a linha política de João Batista Colbert (1619-1683), um grande primeiro-ministro francês que criou várias estatais que existem até hoje.

A estatização dos bens que atribuem poder excessivo foi recomendada por Pio XI na “Quadragesimo anno” (1931), tal como por Pio XII, em 11.03.1945; João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, na “Laborem exercens”, também ensinaram que a “socialização” dos “meios de produção” era “satisfatória” no prisma ético.

A socialização pode ser feita por estatais com co-gestão ou com cooperativas de trabalhadores, ambas sujeitas a formas de planejamento participativo.

Quanto aos bens micros, pequenos e até médios (especialmente as moradias, pequenos lotes urbanos e rurais, a renda básica para bens de consumo, as pequenas ferramentas etc) devem ser difundidos entre todas as pessoas: moradia para todos, renda cidadã independente do trabalho (cf. Lei Suplicy), boa remuneração do trabalho etc.

Pio XII, num “Discurso” de 11.03.1945, deixou clara a licitude e mesmo a necessidade do Estado decretar a expropriação de bens privados, quando o bem comum assim o exigir.

Esta expropriação deve ser feita para difundir os bens entre todos.

Com base nestas idéias, no Brasil, o programa da Frente Nacional do Trabalho defendia e defende a expropriação das grandes fábricas para entregá-las aos operários como propriedade social, utilizando a mesma estratégia da CPT, da Pastoral da Terra.

O Estado também pode, eticamente, desapropriar e até expropriar bens supérfluos para constituir patrimônios públicos necessários aos fins gerais da economia nacional, ao bem comum.

Este foi o ensinamento do Cardeal Cajetano, há uns 500 anos atrás e é o mesmo ensinamento dos Santos Padres e da Bíblia.

Durante a Idade Média, existia uma constelação de propriedades comunais e estatais sob o controle dos trabalhadores, basta ver as estruturas dos Municípios (comunas), as universidades públicas sob o controle dos professores e dos alunos, os campos comunais etc.

Marx, no livro “O Capital”, conta como o capital (os capitalistas) foi destruindo, como um javali, a rede de propriedades estatais, comunais e comunitárias, tal como a rede dos micros e pequenos produtores.

No mesmo prisma, Adolphe Gasser, no livro “L’autonomie communale et la reconstruction de l’Europe” (Paris, Ed. La Presse, 1946), elogiou o “princípio comunal” como a base da democracia e da liberdade, em contraponto ao “princípio autoritário”.

Gasser lembra o papel de Pestalozzi e destaca o papel do cristianismo no renascer das comunas, na Idade Média, que foram a base da recriação da democracia.

A socialização exige, também, a planificação participativa de toda a economia, pois é função do Estado “coordenar” as “atividades para o bem comum nacional”, cf. explicava Pio XI.

Para que este plano seja eficaz, é necessária a estatização dos grandes meios de produção, como também explicava Pio XI, na “Quadragesimo anno”, em 1931, apontando a convergência entre católicos e socialistas democráticos.

O padre John F. Cronin, no livro “Catholic social principles” (“Princípios católicos e sociais”, editado em Milwaukee, pela The Bruce Publishing Company, em 1952), na linha de Monselhor John Ryan, próxima aos ideais sociais de Franklin Roosevelt, ensinou a mesma coisa.

O padre Cronin foi o Diretor assistente do Departamento de Ação Social da Conferência Nacional Católica do Bem-Estar nos EUA.

O livro do padre Cronin tem 803 páginas e elogia como exemplar o documento “Socialização”, dos bispos católicos da Austrália, em 1948, onde estes preceituam que “a propriedade pública dos bens, monopólios e indústrias básicas” é perfeitamente compatível com o cristianismo.

Como exemplo, o documento lista os seguintes ramos da economia: “bancos e seguros”, “a manufatura de aço e de química pesada”, “transportes por ar, mar e trilhos”, “serviços de utilidade pública (eletricidade, gás, metrô etc)”, “armamentos” e outros ramos.

Alceu Amoroso Lima, que presidia a Ação Católica, no livro “Política”, em 1932, elaborou uma lista de bens e atividades próprias do Estado, na mesma linha, enfatizando a importância do monopólio estatal da energia elétrica, dos bancos etc.

Nos exemplos referidos, os bispos autralianos destacaram que “a questão da eficiência é secundária”, o principal é “o poder econômico exercido através deste controle”, que não pode ficar nas mãos particulares.

Ao lado das estatais, artarquias e outras formas de “propriedade pública” deve haver também o “controle do Estado” sobre a economia privada, por regulamentações, planos e fiscalização intensa.

As cooperativas são outras formas essenciais e devem ter o apoio do Estado, na linha de Buchez, Sismondi, Rodbertus, Ketteler e da doutrina da Igreja (exposta inclusive no livro “Roma”, de Emílio Zola).

La Tour du Pin (1834-1924), num artigo da “Association catholique”, em 1883, mostrou que as associações de operários, especialmente as cooperativas, deveriam estar sob o controle dos trabalhadores e tendo o apoio do Estado, ou seja, combinando a autogestão, a co-gestão e o planejamento participativo.

Vale à pena repetir, mil vezes, que, na linha de Ketteler e Buchez, a doutrina da Igreja não aceita o instituto da “propriedade quiritária”.

Mesmo os pequenos meios de produção e os outros bens devem estar sujeitos ao domínio eminente da sociedade, ao direito de gestão da sociedade (do bem comum), que deve regular o uso dos bens e das condutas humanas, para que tudo sirva (corrobore) ao bem comum.

A doutrina da Igreja sempre defendeu trabalhadores, inclusive micros e pequenos produtores

Livros como o “Tratado da República” (1521), do Frei trinitário (ordem destinado à redenção, libertação, dos cativos) Alonso de Castrillo, mostram a relação entre o movimento das comunas desde o século XI (um movimento elogiadíssimo por Kropotkin) e a luta pela democratização do Estado.

Frei Alonso destacava a igualdade de todas as pessoas e a importância das regras estatais serem consensuais, racionais e benéficas a todos.

Criticava a perpetuidade dos mandos, ensinando que o agente público deve “dar contas de como governa”, prestar contas à sociedade. Ensinava que a difusão de bens era o caminho correto.

Como Marx, viu que a parte boa da economia medieval era formada por milhões de camponeses livres, de artesãos e outros micro e pequenos trabalhadores. A parte má era o latifúndio.

Os “nobres” eram os grandes fazendeiros, que vivem armados, iguais ao figurino de BozoNazi.

Esta parte tinha mesmo de ser erradicada.

Outra parte má eram os banqueiros, que a Igreja e o Estado cerceavam e a própria Igreja defendia os “Montes de piedade”, espécies de bancos públicos, que cobravam apenas taxas administrativas, sem usura.

No livro “Da vida civil (1430), de Matteo Palmieri (1405-1475) há a mesma base bíblica, tal como no melhor da Paidéia, especialmente Platão, Aristóteles, Cícero, Plutarco, Quintiliano e outros.

Ou seja, as bases sempre atuais do humanismo católico, fundado no humanismo da Paidéia e no humanismo hebraico.

A Doutrina da Igreja quer uma sociedade cooperativa, economia do trabalho e do conhecimento, ECONOMIA MISTA, Democrática em todos os níveis

A subjetividade da sociedade, ou seja, a soberania da sociedade, é a forma principal para a concretização do princípio da dignidade do ser humano e, assim, da destinação universal dos bens e do primado do trabalho

João Paulo II, na encíclica “Sollicitudo Rei Socialis” (1987), criticou a falta de gestão operária (controle dos trabalhadores sobre o processo produtivo), como um pecado (mal) do capitalismo liberal e do capitalismo de Estado:

“Em lugar da iniciativa criadora prevalecem a passividade, a dependência e a submissão ao aparato burocrático que, como único órgão «disponente» e «decisional» — se não mesmo «possessor» — da totalidade dos bens e dos meios de produção, faz com que todos fiquem numa posição de dependência quase absoluta, que é semelhante à tradicional dependência do operário-proletário do capitalismo. Ora isto gera um sentimento de frustração ou desespero e predispõe para o desinteresse pela vida nacional, impelindo muitas pessoas para a emigração e favorecendo em todo o caso uma espécie de emigração «psicológica».

“Uma situação assim tem as suas consequências também sob o ponto de vista dos «direitos das nações singularmente». Com efeito, acontece com freqüência que uma nação é privada da sua subjetividade, ou seja, da «soberania» que lhe compete, no sentido econômico e mesmo político-social e, de certo modo, cultural, porque adstrita a uma comunidade nacional onde todas estas dimensões da vida estão ligadas entre si”.

O texto acima apenas repete textos no mesmo sentido de Leão XIII, Pio XI, Pio XII, João XXIII e de Paulo VI. Vou postar cada um destes textos.

Para resumir: em cada unidade produtiva, em toda a estrutura econômica, em toda organização econômica, é PRECISO QUE EXISTA O PRIMADO DO TRABALHO. E, neste, do ASPECTO SUBJETIVO DO TRABALHO.

Na encíclica “Laborem exercens”, João Paulo II tornou a frisar o primado do trabalhador (ligado intrinsecamente ao princípio da destinação universal dos bens e da soberania da sociedade) e destacou sua importância.

A sociedade (o povo) só é soberana se é baseada em formas de autogestão, em formas ampliadas de autogestão, ESTRUTURAS COOPERATIVAS, estrutura geral cooperativa, planejamento participativo, APOIO ESTATAL AOS MICROS E PEQUENOS.

Resumindo, se cada membro dela exerce controle sobre sua própria vida e trabalho (autogestão na vida cultural, familiar, econômica, artística etc).

A Igreja quer uma DEMOCRACIA POPULAR, UMA ECONOMIA DO TRABALHO, um amplo ESTADO SOCIAL, que erradique a MISÉRIA, A EXPLORAÇÃO, A REIFICAÇÃO, as GRANDES FORTUNAS PRIVADAS

A DOUTRINA da Igreja sempre foi DEMOCRÁTICA. No fundo, o modelo que defendemos é uma DEMOCRACIA PLENA, ponto que Maritain soube explicar.

Uma Democracia do trabalho, com PRIMADO DO TRABALHO. DEMOCRACIA ECONÔMICA. Uma vasta República do Trabalho, como está na Constituição da Itália.

A teoria da translação foi sempre a CORRENTE MAJORITÁRIA DA TEOLOGIA CATÓLICA. Está na Bíblia, nos Santos Padres, na Antiguidade, na Idade Média mesmo (na parte boa, do movimento das Comunas, dos artesãos, dos camponeses, dos pequenos burgueses etc). 

A mesma teoria da Translação está no melhor da ESCOLÁSTICA. Está nos melhores textos dos Monges, dos Dominicanos, dos Franciscanos, dos Jesuítas etc.

Depois, volta para os textos de Mably, tal como está nos textos dos grandes padres da Enciclopédia (BOA PARTE DA ENCICLOPÉDIA é formada por TEXTOS CATÓLICOS, inclusive de VÁRIOS PADRES, TEÓLOGOS E FILÓSOFOS CATÓLICOS).

A teoria da translação, da Democracia, também está em Montesquieu, em Sieyès, reaparecendo, mais tarde, em Chateaubriand.

Também faz parte das idéias do barão de Eckstein.

Estas mesmas idéias estão também na Escola do Espiritualismo ou dos Ecléticos (romantismo católico), adotada por quase todos os católicos leigos e por centenas de bispos, no século XIX.

No século XIX, os países católicos da América Latina já davam exemplos de democracia aos povos da Europa. Houve eleições e constituições aqui antes de vários países da Europa.

A teoria da translação também foi esposada por expoentes do catolicismo como: Jaime Balmes, Alexis de Tocqueville (“Da democracia na América”), Antoine Frédéric Ozanam (1813-1853), Lacordaire, o bispo Wilhelm Emmanuel Ketteler (1811-1877), Rosmini-Serbati (1797-1855, Ministro da Educação de Pio IX, tendo recusado o chapéu de cardeal), o padre Isaac Thomas Hecker (1819-1888), Acton, Albert de Mun, Léon Harmel (republicano católico), o Cardeal Gaspar Mermillod (1824-1892), o Cardeal James Gibbons (1834-1921), Spalding, o padre Francisco Olgiati (um dos primeiros biógrafos de Marx), Maritain e outras grandes estrelas.

Acton, no livro “História da liberdade”, expôs a teoria da translação e cunhou a máxima democrática: “o poder absoluto corrompe”.

Outro grande jurista foi o bispo Dom Flaviano Abel Antônio Hugonin (n. em 1823), bispo de Lisieux e Bayeux, Superior dos Carmelitas, tendo sido também deão de Santa Genoveva, em Paris.

A cidade de Lisiex foi justamente a cidade de Santa Terezinha do Menino Jesus (1873-1897). Hugonin era o superior dos carmelitas e o bispo de Teresa. Este bispo presidiu a cerimônia da entrada desta santa no Carmelo. Este bom prelado, Dom Hugonin, escreveu o livro “Philosophie du droit social” (“Filosofia do direito social”, 1885), onde desenvolve as mesmas idéias democráticas que já lecionava, antes, no curso de Direito, na Sorbonne, em 1864.

Hugonin criticou os erros do “tradicionalismo” de Louis de Bonald (1754-1846), mas reconheceu o mérito das críticas sociais deste ao liberalismo. Bonald não seguia a tradição clássica dos Santos Padres e tomista, e sim erros fideístas de Burke, não tendo o apreço correto à razão humana, mas há partes boas em Bonald, de crítica ao liberalismo econômico.

Hugonin deixou clara a conciliação entre democracia real e catolicismo, numa linha próxima do Cardeal Gibbons, nos EUA. Na linha dos grandes cardeais posteriores, ingleses, Manning e NEWMAN.

Hugonin pautava-se por bons autores como Rosmini, que trataram sobre a justiça social.

O bispo Hugonin elaborou uma síntese entre Rosmini, Platão, Aristóteles, Malebranche (seus bons textos sobre ética) e Santo Agostinho. Hugonin escreveu outras obras, como “Da matéria e forma segundo Santo Tomás” e “Ontologia ou estudo das leis do pensamento” (1856).

Estes autores, e outras centenas, citados neste BLOG, bastam para abonar a tradicionalidade da teoria da translação, pois são grandes intérpretes da Tradição dos Santos Padres e também da tomista.

A outra grande teoria católica sobre o poder é a “teoria da designação”. No entanto, é mais recente que a teoria tradicional, pois data da metade do século XIX.

A teoria tradicional foi construída sobre os pilares inquebrantáveis da Paidéia e da Bíblia. As duas teorias são jusnaturalistas e têm amplos pontos em comuns. Ensinam que o povo pode designar os governantes e que o ordenamento jurídico estatal deve ser uma explicitação da “lei natural”, ou seja, das idéias práticas presentes em todos, idéias racionais, correlatas ao bem comum.

A teoria da translação, na esfera econômica, exige uma REPÚBLICA COOPERATIVA, um modo de produção cooperativo, com base em trabalhadores associados, mais MICROS E PEQUENOS PRODUTORES.

As idéias cristãs sobre o poder (Estado) e economia foram também expostas por autores como Vareilles-Sommières.

Outro grande nome foi Daniel O´Connell (elogiado por Pio IX), o grande irlandês, admirado inclusive por Karl Marx, que ensinou várias técnicas de luta política, de pressão política libertadora. O´Connell foi também elogiado por Flora Tristan, por Papas e por vários grandes românticos.

A exposição da teoria clássica da translação ou da mediação da sociedade consta também em obras como o livro de Lachance, “O humanismo político de Santo Tomás” e “O conceito de direito”.

Está também nos textos de Marciano Vidal, Häring e Javier Hervada. Em cada país católico, há dezenas ou centenas de autores que adota a mesma teoria.

No século XX, há ainda a autoridade de grandes autores católicos: Charles Péguy (1873-1914, católico e socialista), Jacques Maritain (1882-1973), Emmanuel Mounier, Delos, Louis Le Fur, Valensin, Gaston Fessard, Jarlot, Gredt, Georges Renard, Hauriou, François Gény, Raymond Saleilles, o Cardeal Charles Journet, Lallement, o Cardeal Joseph Hoffner (discípulo de Suárez), Du Pasquier, o padre Simon Deploige (1868-1927), Gustav Gundlach, Eberhard Welty, o Cardeal Zigliara, Rommen, Guido Gonella, Carnelutti, José Corts Grau, Tomás Casares, Jean Jacques Chevallier, Maurice Hauriou, Scelle, Vanni, Hillaire Belloc, Luigi Sturzo, Tanon, Chantrel, Giorgio La Pira (“Para uma arquitetura cristã do Estado”), Jean William Lapierre, Jacques Leclerq, Roguin, R. W. Carlyle, Alceu, Congar, Jonathas Serrano, Alexandre Correia e outros.

A lista poderia seguir com milhares de outros escritores, políticos, juristas e publicistas católicos.

O padre Llovera é outro grande expositor da teoria tradicional e clássica.

Llovera, no livro “Tratado Elemental de sociologia cristiana” (Barcelona, Ed. Luis Gili, 1934), elogiava a Escola de Liège, dos Reformadores católicos e a Escola da Democracia Cristã (de Pottier, Sangnier e outros), deixando clara sua ligação com o ideal de uma democracia social, econômica e popular, voltada ao bem comum.

Llovera também elogiava a “escola harmônica”, que conciliava a liberdade (legítima autonomia da pessoa) com o bem comum, com a socialização.

Llovera seguiu a linha de Pesch e dos harmônicos, buscando a planificação participativa, com mecanismos de co-gestão, autogestão e cooperativismo.

O padre Heinrich Pesch também seguia parte da escola cristã dos socialistas de cátedra (a maior parte era formada por cristãos) tal como a linha dos historicistas como Roscher, Hildebrant e especialmente Adolf Wagner e Meyer (um grande cristão, amigo de Frederico Engels, com quem bebia vinhos alemães, cervejas alemães, especialmente do Reno).

As idéias de democracia social e participativa eram, no fundo, em linhas gerais, os ideais de Buchez, Ozanam, Lamennais e Ketteler, tal como eram as idéias do bispo Gregório.

São os ideais de uma democracia social, participativa, cooperativista.

As mesmas idéias inspiraram o padre Camilo Torres, na redação de sua “plataforma da Frente Unida Colombiana”, expondo o ideal de democracia social e popular, almejada pelas idéias cristãs e humanistas.

Conclusão: Llovera, em suas obras, explicou corretamente a concepção de poder (do Estado) e da economia do cristianismo, uma concepção que, aplicada às circunstâncias históricas presentes, aponta, como ideal histórico, uma democracia ECONÔMICA, social, participativa, popular, cooperativista e comunitária.

Este é o ideal histórico da democracia cristã, da doutrina social da Igreja, dos textos papais e dos bispos, dos melhores teólogos, sendo também o ideal da teologia da libertação.

Este ideal libertário era, também, o de Alceu Amoroso Lima, de Barbosa Lima Sobrinho, de José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e de outros grandes católicos brasileiros e latino-americanos.

Correntes da economia próximas à doutrina da Igreja, de economia mista, Estado social, Democracia popular participativa

Franz Oppenheimer (n. 1864) escreveu o livro “Nem capitalismo, nem comunismo”, em 1932. Ele achava que a destruição do latifúndio levaria a sociedade a uma forma de socialismo cooperativista. Estas ideias estavam perto das ideias da Igreja.

No fundo, era um modelo parecido com o de John Stuart Mill (1806-1873), que, no final da vida, adotou um projeto de socialismo cooperativista economia mista.

Estas mesmas ideias são próximas da Escola Institucionalista, dos EUA, de Veblen, economia mista.

No fundo, eram basicamente as ideias de Jean Sismondi (1773-1842), no livro “Novos Princípios de Economia Política” (1819).

 

A VIA MÉDIA, de um socialismo democrático com milhões de micros e pequenos produtores e trabalhadores associados

Sempre existiu uma VIA MÉDIA entre liberalismo individualista capitalista e “coletivismo” estatal (estatização de tudo, num molde militar).

Esta via média, ECONOMIA MISTA, foi basicamente a linha da doutrina social da Igreja. 

Uma linha de uma sociedade com IGUALDADE SOCIAL, sem miséria e sem grandes fortunas privadas. Com um grande Estado social protetor dos trabalhadores, com intervenção para regular o uso dos bens, fazer planos a longo prazo de desenvolvimento, estatais, obras públicas, leis sociais, direitos sociais e trabalhistas etc.

Uma linha que erradicaria a miséria, difundindo bens entre o povo, para erradicar a miséria.

Um Estado que daria ampla proteção ao trabalhador braçal (ampla legislação trabalhista, transformando as unidades produtivas em cooperativas basicamente).

Ao mesmo tempo, daria proteção a todo micro e pequeno produtor (artesãos, escritores, cientistas, pequenos industriais, pequenos comerciantes, pequena burguesia, CAMPONESES etc).

Uma linha que não aceita o grande capital privado (trustes e cartéis, Oligopólios) e o latifúndio. Ou seja, uma linha que NÃO ACEITA A GRANDE PROPRIEDADE PRIVADA, o grande capital privado, a concentração de bens e poder (controle do Estado) em poucas mãos.

Os bens e o poder (a estrutura estatal) devem ser ESPALHADOS, para todos, DEMOCRACIA ECONÔMICA. 

Esta linha está clara mesmo nos textos anti-capitalistas e anti-livre cambismo de Adam Muller, autor que Marx leu, bem jovem. Está em Franz von Baader, depois reaparece na linha de economistas como W.G.F. Roscher (1817-1897), em vários livros muito importantes para a história da análise econômica, elogiados no livro “História da Análise econômica” (Editora Fundo de Cultura, Rio de Janeiro, 1964, Parte III, p. 184).

No fundo, é a linha dos socialistas pré-marxistas.

É a linha dos socialistas pequenos burgueses, como Sismondi.

Também é a linha dos socialistas pequenos burgueses ricardianos, que queriam cooperativas.

É a linha de Saint Simon, do sansimonismo. A linha de Fourier e do fourierismo. A linha dos textos cooperativistas de Owen. E estes três autores tinha religiosidade, ponto que vou mostrar em detalhes, em outras postagens. Em geral, queriam economia mista, também.

Lembro que mesmo Babeuf era favorável a economia mista, não queria mexer com os micros e pequenos produtores, ponto que também vou mostrar, e já até postei sobre isso.

Lenin, no NEP, no fundo, queria isso, como fórmula de transição e de uma Frente Ampla. Bukharin, mais ainda. 

Também lembro que a linha de Morus, Campanella, Spinoza, Mably, Morelli e, depois, Babeuf e Buonarrotti, queriam um Estado amplo, mas, em geral, com liberdades, micros e pequenos produtores.

Os melhores textos de Rousseau, especialmente seus projetos de Constituição para a Córsega e para a Polônia, seguem esta linha. 

A linha da economia mista é a linha de Alban de Villeneuve-Bargemont (1784-1850), no livro “Economia política cristã” (1834), obra que o jovem Marx leu. 

Também era a linha de K. H. Rau (1792-1870), economista que escreveu o livro “Tratado de economia política” (1826-1837), obra que Adolf Wagner, mais tarde, apenas ampliou.

O mesmo seja dito sobre Frederich List (com o livro “Sistema nacional de economia política”, 1841) e, mais ainda, Henry Carey, nos EUA. 

Na mesma linha há Buchez, Johann Karl Rodbertus (1805-1875), Adolf Wagner e mesmo Ferdinand Lassalle.  E o bispo Ketteler.

No fundo, era também a linha de Stuart Mill, de um socialismo democrático cooperativista, tal como a linha de Buchez, Luís Blanc e dos socialistas democráticos. 

O bom movimento dos países não-alinhados, defensores de socialismo com economia mista

O movimento dos países não-alinhados, com base em Nehru (na Índia), em Sukarno na Indonésia, em Nasser, em Tito na Iusgoslávia e outros trouxe a mesma tendência de elaborarem formas de socialismo democrático, nacionalistas, economia mista, com base nas tradições culturais dos povos.

Ahmed Sukarno, em 1955, reuniu os líderes do terceiro mundo, nacionalizou várias empresas imperialistas etc. Em 1965, o horrendo general Suharto, títere do imperialismo, desencadeou um banho de sangue, matando centenas de milhares de pessoas, numa operação coordenada pelo imperialismo com o ataque simultâneo aos países da América Latina (Argentina, Brasil, São Domingos, Chile, Uruguai etc). Sukarno faleceu em 1970.

Mesmo Malta, hoje um país independente, desde 1984, com menos de meio milhão de habitantes, tem uma forma de socialismo democrático, graças ao Partido Trabalhista. Defende a posição dos países não-alinhados, a causa palestina etc. O México, na política externa, sempre seguiu com os países não-alinhados.

Ignacy Sachs e suas obras sobre economia mista e inclusão produtiva

Ignacy Sachs, no livro “Capitalismo de Estado e desenvolvimento” (1962) elogiou grandes expoentes da ECONOMIA MISTA. 

Elogiou Getúlio Vargas, o modelo nacionalista da Índia (de Nehru), Cárdenas no México, o Japão (o livro de Barbosa Lima Sobrinho, um dos maiores nacionalistas do Brasil, se apóia no exemplo de nacionalismo deste país, que infelizmente descambou para práticas imperialistas) etc.

Sachs elogiou Gandhi, Roberto Simonsen (um empresário que defendeu a planificação e que não deve ser confundido com o entreguista do governo militar, o horrível Mário Henrique Simonsen, neoliberal, entreguista), Gunnar Myrdal, François Perroux, Aristóteles Moura, Nkrumah, Strachey, Michael Kalecki, Oscar Lange e outros.

Estes autores, em geral, amparavam suas idéias, em geral de forma implícita, na teoria do domínio eminente da sociedade.

O socialista sueco Gunnar Myrdal é bem próximo das idéias de um Colin Clark e de outros pensadores ligados à Igreja.

— Updated: 16/11/2018 — Total visits: 40,905 — Last 24 hours: 55 — On-line: 0
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