Arquivos para : A Mídia deve ser do Povo, uma BBC brasileira, com milhões de pequenas e médias mídias familiares

Dom Celso Marchiori, bispo de Apucarana – Rede Globo é manipuladora, ditadora, conduz ao abismo, a destruição do povo, pelas mentiras

Rede Brasil Atual – O bispo da Diocese de Apucarana, Dom Celso Antônio Marchiori, conclamou os fiéis a não assistirem mais a Rede Globo. A fala de Marchiori aconteceu na última quinta-feira, na missa rezada em louvor à Nossa Senhora Aparecida.

“Nós católicos não deveríamos mais assistir a rede globo, porque a rede globo é um demônio dentro das nossas casas”.

O bispo disse ainda que a Globo “é uma rede manipuladora de opinião, está nos manipulando, está nos conduzindo para o abismo, para a destruição, nós precisamos nos unir contra esta ditadura da Rede Globo, que nos manipula, que nos destrói. Rezamos à Nossa Senhora Aparecida, que venha em nosso socorro, interceda por nós e nos ajude a sermos fiéis discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo”, completou.

Tim Weiner, desmascarou FBI e CIA. Bom trabalho rs.

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CIA bancava imprensa golpista contra Salvador Allende, e faz o mesmo no Brasil

Alceu Amoroso Lima sempre elogiou Salvador Allende e destacou o fato que a chilenização (nacionalização, estatização) do cobre iniciou com Eduardo Frei, antes, na mesma linha. Pois bem, Allende foi morto em 11.09.1973.

O golpe foi patrocinado pela CIA. A CIA financiou o grupo “El Mercurio”, “o Globo” do Chile. Agustín Edwards, o Marinho de lá, foi, no dia seguinte à eleição de Allende, a Washington, onde se reuniu com Henry Kissenger e com o diretor da CIA. A CIA enviou cerca de onze milhões de dólares ao Globo de lá, para bancar o golpe. O golpe no Chile matou 2.279 pessoas e prendeu 28.456. Claro que gente como Serra escapou, facilmente do estádio, onde estavam matando pessoas. Escapou pois serra e fhc já defendiam o grande capital privado e era úteis ao imperialismo. 

A CIA patrocinou golpes no mundo todo. Com destaque, o golpe militar de 1964, no Brasil. O mesmo no Irã, na Grécia e em outros países. Para que o imperialismo norte-americano pudesse continuar saqueando o mundo, pelas grandes corporações multinacionais.

Elogio de Samuel Wainer, por Cynara Menezes e Altamiro Borges. Otimo elogio

Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

O jornalista Samuel Wainer (1910-1980) foi, para quem não conhece a sua trajetória, um dos maiores jornalistas do país. Judeu do bairro do Bom Retiro, em São Paulo, de origem humilde, conseguiu construir seu próprio jornal, o Última Hora, um diário de perfil popular que logo conquistaria tiragens gigantescas, ameaçando o poderio da meia dúzia de famílias que detém o controle da imprensa em nosso país. Claro que os coronéis midiáticos não iriam permitir que um joão-ninguém roubasse seu público, e patrocinaram a destruição do império jornalístico fundado por Wainer com o apoio de Getúlio Vargas.

Compara-se muito atualmente a caçada a Lula à perseguição a Getúlio e a Juscelino Kubitschek. Pois eu encontro mais paralelos entre a história da Última Hora/Samuel Wainer e a do PT/Lula: o jornal de um outsider que tenta, para sobreviver, fazer o mesmo que os outros meios de comunicação fazem, ou seja, conseguir dinheiro junto às grandes fortunas brasileiras, ao governo e às empreiteiras. Os demais jornais podiam (e podem) fazer isso. A Última Hora e Wainer, não. O mesmo aconteceu com o PT e Lula: tentaram fazer parte de um clube que não os aceitava como sócios. Obviamente estão sendo expulsos agora. Samuel Wainer e a Última Hora foram investigados, assim como Lula e o PT, enquanto os outros jornais/partidos seguem inimputáveis.

Mas quando foi que começou essa promiscuidade entre as empreiteiras e os políticos? Não é verdade que foi a partir da ditadura militar. Segundo conta Samuel Wainer em sua autobiografia, Minha Razão de Viver, estas relações remontam à década de 1950, e contaram com a cumplicidade explícita dos meios de comunicação. A coisa funcionava assim: os donos de jornais atuavam como representantes das empreiteiras, a garantia de que o serviço prestado seria pago. Chantageavam o governo para que utilizasse tal empreiteira em determinada obra; se não o fizesse, passaria a ser atacado pelo veículo em questão. Se cedesse, o dono do jornal ganhava da empreiteira 10% sobre o valor orçado para a obra. Ora, ora, e nós pensando que foram os políticos que inventaram a propina…

O empreiteiro era, segundo Wainer, “uma figura essencial aos interessados em decifrar os segredos do jogo do poder no Brasil”. E continua sendo… A única diferença é que, em vez da relação direta que tinham com os donos dos jornais, o dinheiro foi providencialmente “limpo”: passaram a ser anunciantes. Ainda hoje as grandes construtoras figuram entre os que mais publicam anúncios na imprensa –só perdem para o governo, que tragédia. Será que se a Lava-Jato fosse uma operação séria estes elos poderiam ser melhor revelados? Difícil acreditar, quando a operação Zelotes, que originalmente foi criada para investigar um escândalo de sonegação de impostos que envolvia meios de comunicação, acabou tendo como único foco o ex-presidente Lula e seus familiares…

Samuel Wainer também fala das benesses que os empresários de comunicação obtinham do governo federal, como a isenção fiscal e a facilidade para a importação de papel-jornal e maquinários – sem contar os anúncios. Quando o PSDB ocupava a presidência não era muito diferente. Em 1999, o BNDES, um banco público, se tornou SÓCIO da Globo Cabo (4,8% de participação). Em 2002, ainda no governo FHC, o BNDES injetou 284 milhões de reais, em valores da época, na emissora. Obviamente o presidente FHC não iria faltar à inauguração do reluzente novo parque gráfico dos Marinho.

Em 2003, já no governo Lula, os jornais tentaram conseguir junto ao BNDES um novo empréstimo, desta vez em conjunto, para salvar sua situação financeira. O empréstimo não foi concedido. Quando eu vejo a pressão da imprensa pela volta dos tucanos ao poder, fico pensando: não haveria aí algum interesse financeiro? Se o PSDB voltar ao poder, haverá um Proer da mídia? Me parece meio óbvio.

Fiquem com Samuel Wainer e o trecho de Minha Razão de Viver em que fala sobre as relações promíscuas dos donos da imprensa com as empreiteiras.

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A imprensa e as empreiteiras

Por Samuel Wainer*

Ainda nos anos 50, a imprensa brasileira tinha como anunciantes, basicamente, pequenos comerciantes –a indústria nacional não alcançara sua maioridade, e tampouco havia grupos financeiros de grande porte. Como os recursos obtidos com as vendas em bancas e assinaturas eram insuficientes, os meios de comunicação precisavam valer-se de outras fontes de renda, utilizando como moeda de troca seu peso junto à opinião pública. Graças a esse trunfo, os barões da imprensa sempre mantiveram relações especiais com o governo, que tanto lhes prestava favores diretos como beneficiava seus amigos –amigos que sabiam retribuir a ajuda recebida.

Para assegurar o apoio dos meios de comunicação, ou ao menos evitar que lhe fizessem oposição frontal, o governo contemplava jornais e revistas com isenções fiscais, dólar subsidiado, facilidades para a importação de papel, eventualmente anúncios. Poucos ministros ousavam rechaçar reivindicações formuladas por homens como Assis Chateaubriand (dos Diários Associados) ou Paulo Bittencourt(do extinto Correio da Manhã) e destinadas a favorecer terceiros. Na Primeira República, muitos jornais prosperaram como agentes dos interesses dos exportadores de café. Nos anos 50, os barões do café foram substituídos pelos grandes empreiteiros. Especialmente nos anos JK, quando começou a era das obras portentosas, os empresários do ramo compreenderam que valia a pena contar com jornais amigos. Com a cumplicidade da imprensa, seria sempre mais fácil, também, receber do governo –um mau pagador crônico– o dinheiro a que tinham direito pelas obras executadas. Feitas tais constatações, logo se forjaram sociedades semiclandestinas bastante rentáveis.

Assis Chateaubriand, por exemplo, costumava procurar pessoalmente ministros de Estado, ou mesmo o presidente da República, para solicitar que um trecho de determinada obra –uma rodovia, uma hidrelétrica– fosse entregue a esta ou àquela construtora. Ficava claro que, se o pleito não fosse atendido, a ira do jornal desabaria sobre o autor da recusa. Era melhor, portanto, atender ao pedido. Feito o acerto, as empreiteiras premiadas presenteavam o emissário com 10% do total da quantia orçada para a obra. Geralmente, essa porcentagem resultava em cifras milionárias. Gorjetas adicionais pagavam outros favores prestados pelos donos de jornais e revistas, um dos quais era impedir atrasos no pagamento. Ministros mais prestativos, dispostos a liberar com agilidade as verbas devidas, mereciam rasgados elogios em editoriais e reportagens. Já os que protelavam pagamentos caíam em desgraça e recebiam ataques duríssimos. De quebra, os meios de comunicação faziam vista grossa para a irresponsabilidade das empreiteiras, que utilizavam material de segunda ordem, fraudavam cálculos e montavam orçamentos fictícios.

Esse tráfico de influências tornou-se particularmente intenso no governo de Juscelino Kubitschek, durante o qual se consolidaram fortunas imensas. Um dos principais beneficiários desse período foi Marco Paulo Rabello, de quem se dizia, sem provas concretas, que era sócio de JK. O presidente entregou a tarefa de construir Brasília a Rabello, que pôde distribuir entre outras empresas as obras de cuja execução não poderia encarregar-se –era muita coisa para um único empreiteiro. Só a construção de Brasília já bastaria para assegurar a alegria de dezenas de homens do ramo, mas houve mais. A rodovia Belém-Brasília, por exemplo. Também os governos estaduais incharam os cofres de algumas empreiteiras, às quais devotavam franca e suspeita simpatia, com a encomenda de projetos de âmbito regional mas também milionários.

A presença dos empreiteiros na cena política brasileira é ainda fortíssima. Eles seguem interferindo na nomeação de ministros que agirão nas áreas incluídas em seu universo de interesses, financiando partidos e candidatos, elegendo deputados e senadores, influenciando a linha editorial de jornais e revistas. Negócios desse tipo não costumam deixar rastros, mas é fácil deduzir que nestes últimos anos foram captados dessa forma alguns bilhões, repartidos entre empreiteiros e seus sócios na imprensa. Sempre que algum negócio me beneficiava, o dinheiro era integralmente aplicado na Última Hora –nunca quis nada para mim. Meus colegas pensavam de modo diferente: eles colocavam nos próprios bolsos as verbas recebidas, jamais cogitaram de aplicá-las nas empresas que dirigiam. Assim enriqueceram muitos barões da imprensa brasileira.

* Trecho do livro Minha Razão de Viver, de Samuel Wainer. Organização e edição de textos Augusto Nunes. Editora Planeta, 2010, 370 págs. O livro pode ser encontrado em edição digital na Amazon ou no sebo Estante Virtual.

Samuel Wainer e Getúlio tentaram construir uma imprensa popular, trabalhista e nacionalista

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Rádio Nacional, nossa BBC, criação de Getúlio. Mídia nacional, pública

Colhi este texto do jornal Hora do povo – “Quando o presidente Getúlio Vargas encampou como patrimônio do Estado a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, em 19 de abril de 1940, percebendo o enorme potencial do rádio como meio a ser utilizado no interesse nacional e educativo, e decidido a fazer desse instrumento o mais importante pólo aglutinador em um país de dimensões continentais, de variados sotaques e costumes e ricas manifestações artísticas, o Brasil não sabia que presenciava um dos mais importantes momentos de sua história cultural. A Rádio Nacional, nos moldes idealizado por Getúlio e colocado em prática por seus diretores, foi uma verdadeira revolução na consolidação da nossa identidade nacional.

Atingindo todos os rincões do país, e ainda EUA, Europa e Ásia, a partir da instalação, em dezembro de 1942, das ondas curtas e cinco antenas RCA Victor, a Rádio Nacional espraiou-se como unificadora e divulgadora da diversidade da nossa cultura e da própria língua que falamos, sem deixar perder o variado e colorido sotaque de nossas regiões.

Com o investimento do governo e a veia nacional e popular de sua programação, a rádio atrai a seu potente transmissor os melhores técnicos e o melhor elenco, influenciando por sua vez todas as rádios do país, e tornando-se uma das cinco maiores emissoras do mundo. Em seus 50 KW de alcance – o máximo que as outras alcançavam na época era 26 KW – estava lançada a “Era do Rádio”, um dos mais importantes fenômenos culturais do país.

Muitos nomes passaram pela Rádio Nacional e uniram suas vozes às vozes de todo o Brasil. Ary Barroso, Emilinha Borba, Mário Lago, Silvio Caldas, Marlene, Elza Soares, Almirante, Aracy de Almeida, Lamartine Babo, Dalva de Oliveira, entre tantos outros, cantavam, compunham, contavam piadas, inventavam causos, que eram transmitidos para todo o Brasil. O samba, por exemplo, em sua manifestação urbana, àquela época restrito ao Rio de Janeiro, com a Rádio Nacional, se tornou um ritmo brasileiro. No Ceará ou na Bahia ouvia-se, para muitos pela primeira vez, os sons dengosos de Emilinha Borba, a ginga de Aracy de Almeida, o vôo das vozes de Vicente Celestino e Ângela Maria, ou uma composição genial de Noel Rosa ou Silas de Oliveira. Uma crônica de Ary Barroso, um comentário sobre futebol, a “Aquarela do Brasil”. Por outro lado, o baião, o xote, o maxixe, até aquele momento reservado ao Nordeste, passou a ser ouvido e dançado no Rio de Janeiro ou São Paulo. As regiões acrescentavam-se, os ritmos se enriqueciam, nasciam parcerias, o país unia suas falas”.

O Jornal Nacional da Globo é o Repórter Esso, ou seja, o controle do imperialismo sobre a consciência nacional

O livro de Fernando Morais, “Chatô, o rei do Brasil” (São Paulo, Ed. Companhia das Letras-Schwarcz Ltda, 1994, p.673), mostra, nas palavras do próprio Chatô, como a Standard Oil, o maior truste de petróleo do mundo) controlou e controla boa parte do telejornal e do radiojornal no Brasil. 

A Standard oil é a Esso no Brasil, a Exxon, e outros nomes, todos sob controle da família Rockefeller. Especialmente, Nélson Rockefeller, quatro vezes governador do Estado de Nova Iorque, uma vez vice-presidente, no governo Ford. 

Chatô explicou “o papel abominável da Esso Standard”, que era responsável por “70% da publicidade norte-americana, de firmas” operando aqui. Este fluxo de ouro (dólares) mantinha o grupo Diários Associados, de rádio, tv, jornais e revistas. E mantinha no sentido de controle mesmo. 

As multinacionais bancavam (controlavam) a mídia, para que esta atuasse como relações públicas do grande capital internacional.

Pois bem, uma das formas era pelo “Repórter Esso”, o carro-chefe de notícias na TV Tupi e no império do Chatô. Quando Chatô se opôs aos Acordos Time-life (do senhor Henry Luce, republicano dos EUA) com a Globo, “em 24 horas”, a “Esso Standard” “tirou as ordens que tinha conosco”, desviando o colossal fluxo de recursos para as empresas Globo. Chatô atribuiu isso a Henry Luce e a Nélson Rockefeller, mostrando que isso era uma conspiração para o controle do sistema de rádio e TV pelo imperialismo, um “colonialismo cultural”.

O “Repórter Esso” foi transferido para a Globo e depois teria como nome o “Jornal Nacional”, o verdadeiro ópio do povo, o meio de hipnose e controle da consciência nacional. 

Chatô omite que isso era feito antes por ele mesmo, nas décadas de 40, 50 e 60. Chatô era o principal defensor das privatizações, da abertura ao mercado exterior, do fim do protecionismo, da desregulamentação da economia, do livre mercado. O mesmo papel que a Globo fazia, e passará a fazer quase como monopólio.

Hoje, esta tarefa de escravização é feita por Nove Famílias, que controlam o Cartel da Mídia, o Oligopólio da Mídia, no Brasil, que não passa da voz do Grande Capital privado. 

Malcolm X descreveu bem o poder nefasto da oligarquia da Mídia, uma oligarquia satânica e perversa

Malcolm X (1925-1965) escreveu: “A mídia [a oligarquia da mídia] é a entidade mais poderosa na Terra. Eles têm o poder de tornar o inocente culpado, e o culpado, inocente; e isso é poder. Porque controlam as mentes das pessoas”. 

O correto é a solução inglesa da BBC, uma estatal que controle as grandes emissoras de Tv e rádio, deixando milhões de pequenas mídias para os pequenos negócios familiares. O mesmo na Itália, com a RAI.

Linhas gerais de um sistema econômico misto, em adequação às ideias populares e cristãs

Depois de ler centenas de documentos papais, dos grandes bispos, de bons padres e grandes leigos e teólogos, vejamos um pequeno esboço das receitas de grandes leigos para o Estado, a sociedade e a economia. O Estado, na ótica cristã, seria um Estado anticapitalista, anti-latifundiário, anti-imperialista etc. O ideal cristão busca um Estado representativo e permeado da cultura popular, que assegure e protege os direitos humanos naturais.

A “plataforma” mínima consta nos documentos da CNBB; da CPT e da Via Campesina (tal como do MST); da Pastoral Operária; da Pastoral da Saúde; da Pastoral Carcerária; da Comissão Brasileira de Justiça e Paz; do CIMI; da União das Nações Indígenas; do “Comitê Chico Mendes”; dos Fóruns Sociais Mundiais; do jornal “Porantins”; e em centenas de outras entidades sociais.

Alguns destes pontos foram bem elencados por Emir Sader, em sua enciclopédia sobre a América Latina (p. 517): “fortalecimento fiscal do Estado”, com “ampliação e fortalecimento” das bases de arrecadação; valorização do “funcionalismo público”; “luta frontal contra a corrupção, potencializada até limites” máximos; “criação de novos instrumentos de intervenção do Estado na vida econômica e social”; “maior transparência e controle dos cidadãos sobre o processo da tomada de decisões”, através de mecanismos como o orçamento participativo (ampliado ao grosso do orçamento), “uso dos referendos”, “revogação de mandados” e outras formas de democracia direta. Neste sentido, o UNAFISCO, Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais, está correto ao apontar como exemplar a Receita Fiscal da França, que colhe mais de 50% do PIB, como ocorre nos países europeus.

O bom poder político ou público é o poder da própria sociedade, com a participação de todos. O poder público legítimo é um poder baseado na libertação, na liberdade social e pessoal. Este poder popular deve estender-se a todos os ramos e níveis da sociedade (micro-poderes etc), para assegurar e ampliar a autonomia pessoal e social.

Todos os trustes e cartéis privados (monopólios privados) deveriam ser destruídos, pois são monopólios e oligopólios, bases econômicas para a oligarquia, ponto que homens como Agamenon Magalhães, Alberto Passos Guimarães (explicando a relação entre a inflação e os oligopólios), Kurt Rudolf Mirow (“A ditadura dos cartéis”, Ed. Civilização Brasileira, 1980) e Richard Lewinsohn (“Trustes e cartéis”, Porto Alegre, Ed. Globo, 1945) souberam destacar.

Os latifúndios são outros fortes das oligarquias. Assim como Richelieu destruiu os castelos dos nobres, destruindo parte do poder da nobreza, é importante destruir e erradicar coisas como o latifúndio, bancos privados, redes particulares de TV e outros males. O melhor modelo de televisão no mundo é a BBC, da Inglaterra, uma TV pública, aberta a todos.

Conclusão: a verdadeira democracia não tolera a concentração de poder econômico, não tolera poderes privados excessivos ao lado da miséria, que permitam a opressão. Neste sentido, Pio XII, no documento “Dans La tradicion” (07.07.1952): “riqueza e miséria: este contraste” é “intolerável para a consciência cristã”, para a consciência humana. O remédio é a “repartição da renda nacional”, para que haja a mediania, elogiada por Aristóteles, Hesíodo, os estóicos e na Bíblia (Provérbios e outros textos

Os Marinhos, Cidadãos Kane, os principais oligarcas da mídia no Brasil

Passo a transcrever ótimo texto “Do GGN – A Agência Bloomberg, uma das maiores agências financeiras do planeta, acaba de publicar reportagem crítica sobre as Organizações Globo (http://migre.me/uQ44H). De autoria do repórter Blake Schmidt, a reportagem começa lembrando a fortuna da família Marinho, a dimensão da Globo frente a concorrência e o fato dos Marinhos ocuparem 3 das dez posições do Índice Bloomberg de Bilionários para o Brasil.
Diz que a história da Globo se confunde com as trevas do regime militar brasileiro e esse legado ainda assombra os Marinho. A reportagem cita partidários de Dilma afirmando que a cobertura de notícias pela Globo ajudou a preparer o processo de impeachment.
Entrevistado, o historiador João Braga informa que o “Globo foi um dos grupos empresariais qiue se beneficiaram da era da ditadura militar”. Diz mais: “Há grupos hoje que enxergam na Globo nào apenas um adversário de Dilma, mas um agente do golpe”.
A reportagem menciona a reação contra a Globo nos piquetes e manifestações contra o impeachment e o lema “o povo não é bobo, abaixo a rede Globo”.
Cita um artigo do Guardian em abril lembrando o golpe militar e mencionando que a Globo atua hoje em dia de forma semelhante para agitar para o brasileiro rico. João Roberto Marinho, presidente do grupo, enviou uma carta para o Guardian, mas recusou-se a comentar o artigo da Bloomberg.
A reportagem vai além. Diz que além do império de mídia, a fundação dos Marinhos também projetou seis museus, “dando à família o domínio na formação da narrativa histórica e cultural da Nação”.
A reportagem diz que a Globo é mencionada 40 vezes em um relatório de 229 páginas publicado em dezembro pela Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, descrevendo as relações comerciais entre Roberto Marinho e a ditadura. Menciona o embaixador norte-americano descrevendo-o como o articulador principal do regime militar.
Diz que essa relação com os militares permitiu à Globo montar a parceria com a Time-Life, que aportou US$ 6 milhões entre 1962 e 1966, 30 vezes o capital do grupo brasileiro na época.
A reportagem lembra o documentário “O Cidadão Kane” sobre Roberto Marinho, mostrando os laços do grupo com a ditadura. 
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