Arquivos para : A “Fórmula” SERZEDELO-Rob Simonsen: Substituição de importações, por produção LOCAL, NACIONAL, ESTATAIS, COOPERATIVAS e PEQUENAS EMPRESAS NACIONAIS, sem multinacionais

Lucien Brocard e o que há de permanente no protecionismo médio

Lucien Brocard foi professor na Faculdade de Direito, de Nancy, França. Continuou a boa linha de Ferrier, dos Carey, mostrando que todo país deve ter mecanismos públicos de proteção à economia local e que o COMÉRCIO JUSTO entre os povos é bom, desde que seja feito com SIMETRIA, igualdade, com INDUSTRIALIZAÇÃO UNIVERSAL.

Brocard escreveu obras como “As doutrinas econômicas e sociais do Marquês de Mirabeau, em o Amigo dos homens “(1902), “Princípios de economia nacional e internacional” (1929-1931) e “Os novos fundamentos do protecionismo industrial “(1933) e outras.

Lembro que o Marquês de Mirabeau é pessoa diferente do conde de Mirabeau, seu filho. O primeiro era mais progressista.  

Brocard defendia formas públicas de intervenção estatal, de planificação estatal na economia. A linha do grande Roberto Simonsen, no Brasil.

Roberto Simonsen, que nada tem a ver com o horrendo Mário Henrique Simonsen, traduziu o livro de Manoilesco e defendeu a planificação estatal da economia, contra os erros do horrendo Eugênio Gudin.

As ideias de Brocard são paralelas com a de Keynes, Cawès, List, os Carey, Gustav Schmoller, Adolf Wagner e outros autores intervencionistas.

O livro de Tatiana Lacerda Prazeres, “Comércio internacional e protecionismo. As barreiras técnicas na OMC” (São Paulo, Ed. Aduaneiras, 2003) mostram com CLAREZA que “o protecionismo não é antitético ao livre comércio”, não é contrário. Boas regras públicas asseguram e protegem o comércio justo, o bom comércio.

Segundo o livro de Tatiana, o protecionismo tem formas corretas, como forma para “regularizar” o comércio, “medidas… que restrinjam o comércio internacional”, impondo limites, como “decorrência natural do aumento do intercâmbio comercial”, visando o comércio justo, com simetria.

A própria OMC criou e aceita várias barreiras técnicas que são variações das barreiras alfandegárias.

O comércio externo precisa de regras jurídicas,  de REGRAS PÚBLICAS, sociais, para “equilibrar” o comércio.

Uma das barreiras técnicas é a proteção à “economia doméstica”, da produção local, especialmente de alimentos, para a segurança alimentar.

Outras barreiras corretas: regras e tarifas para a proteção da saúde animal, saúde humana, comércio de ouro e prata, marcas, tesouros, recursos naturais exauríveis, bens essenciais, fitossanitárias, meio ambiente, proteção ao balanço de pagamentos (restringir mercadorias importadas, para proteção), proteção aos produtores internos, regras preferenciais (em uniões aduaneiras e zonas de livre comércio e acordos regionais), promoção ao desenvolvimento sociais e econômico, segurança nacional, indústria nascente, medidas antidumping e interesses legítimos de consumidores, além de barreiras trabalhistas (para evitar o dumping social). 

 

A distribuição cada vez mais comanda a produção, quem controla a distribuição controla a economia

Ladislau Dowbor mostra, no livro “A era do capital improdutivo”, como as grandes empresas que controlam a distribuição-transporte obtém enormes lucros.

Os piores PARASITAS são os bancos, com a intermediação financeira. Os bancos devem ser estatizados, para que prestem serviços, com apenas taxas de serviço e manutenção. 

Dentro de cada empresa, há a extração da mais valia, de um excedente. Uma parte do ganho com a venda dos produtos vai para os trabalhadores, outra maior para repor o capital fixo e outra para o lucro do dono da empresa. Por exemplo, a empresa produz uma cadeira ou uma roupa, esta é vendida na porta da loja por dez reais. Destes dez, uns dois reais vai para o trabalhador e uns dois reais para o lucro do patrão. Depois, vejamos. 

O produto (a roupa, p. ex.), ao navegar pela cadeia produtiva, rumo ao consumidor, pelos transportes, vai subindo o preço, até chegar a noventa reais, para o consumidor final.

Na parte atacadista, a mesma roupa sobe para trinta reais.

Ao ingressar na parte da cadeia produtiva varejista, rumo aos  700 shoppings, o produto vai para noventa reais, preço da venda ao consumidor final.

Claro que se o patrão controlar a distribuição, sua parte sobe de dois a bem mais, especialmente se for o dono da loja no shopping (obterá noventa reais por camisa, pagando dois ao trabalhador que a produziu). 

Como mostra Dowbor, um quilo de café, na porta da fazenda ou unidade rural custa 0,14 dólares, em Uganda, e depois, quando chega num país rico, o mesmo quilo vai para 42 dólares, na gôndola do supermercado. O mesmo ocorre para cada litro de leite, cada quilo de carne, cada quilo de legume, no Brasil, frise-se. 

O mesmo ocorre com o mogno, o nosso quartzo, as madeiras exportadas em toras, os milhões de toneladas de minérios, de petróleo, de carvão, de grãos, de cana.

Exportar matérias primas é apenas a intensificação deste mecanismo. O Estado deve organizar a produção para cortar intermediação, encurtar cadeias produtivas. 

Vejamos como Dowbor descreve isso: “a visão que herdamos é que o lucro se gera na empresa, que paga aos trabalhadores menos do que o valor obtido. Isto sem dúvida é verdadeiro, quer chamemos o valor obtido de lucro, de mais-valia ou, de maneira mais neutra, de excedente. Não há muito a acrescentar neste debate.

“O que pretendemos demonstrar é como este lucro se desloca na cadeia produtiva. Cada vez menos é o produtor – e aqui nos referimos ao trabalhador mas também ao empresário produtivo – que se apropria do resultado do valor agregado de um determinado produto, e cada vez mais quem o faz é o intermediário”.

O velho CAREY aconselhava a proteção e industrialização de cada cidadezinha, a produção local, justamente para cortar ao máximo o transporte, a distância, encurtar a cadeia produtiva, para que o consumidor comprasse praticamente na porta da fábrica, na porta de cada granja (pequena quinta, sítio, pequeno produtor rural).

Claro que uma pequena intermediação do comércio local não iria fazer mal, pois os pequenos lojistas também prestam relevantes serviços. Os PARASITAS das grandes empresas É QUE ROUBAM grandes somas, ao controlarem a distribuição. 

O Estado deve INDUSTRIALIZAR cada pequena cidade e vila, para que a produção seja LOCAL, para que existam PÓLOS (clusters, cooperativas, na verdade, agrupando as pequenas fábricas), em cada vila, difundindo a tecnologia, o saber, aumentando a produtividade de cada trabalhador e de cada vila. 

Imperialismo vai desindustrializando o Brasil, destruindo nossos Pólos industriais (clusters), abandonados pelo Estado ausente, neoliberal, omisso, cúmplice das multinacionais. Embraer e ITA foram projetadas por Getúlio Vargas, e são pisadas hoje

Tirei do 247, site ótimo –

Brasil dá adeus ao polo da aviação nacional

Por Marcio Pochmann, na Rede Brasil Atual:
Após quase meio século de existência, a Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica) ingressa em sua terceira fase, a mais incerta por decorrência da transferência do controle do capital nacional para a Boeing, a maior corporação transnacional existente nos EUA desde 1916 para o desenvolvimento aeroespacial e defesa.
Em virtude disso, o fantasma do esvaziamento ocupacional, econômico e tecnológico, conforme constatado em Detroit, a maior cidade da indústria automobilística dos Estados Unidos, coloca-se sobre o município paulista de São José dos Campos e região, o polo maior da tecnologia de aviação do Brasil.

Destaca-se que Detroit já foi a rica capital do automóvel, sede das grandes empresas como Chrysler, General Motors e Ford, e responsável pela 5ª maior populosa estadunidense. Mas a partir da década de 1970, com o deslocamento da produção de automóveis para outras localidades, ela transitou para a 18ª posição em população (perda de 1,1 milhão de habitantes), com quase 40% dos residentes na condição de pobreza e a mais elevada da taxa de homicídios.

Essa situação limite não pode ser afastada da região de São Jose dos Campos, uma vez que se observa sinalização nesse sentido em outras regiões paulistas, devido ao precoce processo de desindustrialização, sem qualquer atuação em contrário por parte do governo estadual. Em 2015, por exemplo, a participação de São Paulo no PIB industrial foi de 30,7%, quando em 1970 era de 56,2%.

Diante disso, o anúncio da venda ao capital estrangeiro da Embraer aciona a luz vermelha em relação ao futuro da região de São José dos Campos, principal centro do desenvolvimento tecnológico e de produção aeroespacial e defesa do país.

Destaca-se que por 25 anos, a Embraer se constituiu e assumiu a condição de maior empresa de aviação na periferia do capitalismo mundial.

Ainda que configurasse por projeto original do segundo governo de Getúlio Vargas (1950-1954), constituído desde 1953 por importantes oficiais da Aviação do Exército (Casimiro Montenegro Filho) e engenheiros aeroespaciais, como o alemão H. Focke, a Embraer somente saiu do papel 16 anos depois.

Sob o governo de Artur da Costa e Silva (1967-1969), a Embraer, que nasceu em 1969, fez parte do projeto de industrialização nacional (1930-1980) que tinha por estratégia alcançar a soberania por meio da política de substituição de importações em vários setores, entre eles a indústria aeronáutica.

Para a sua montagem e funcionamento, a Embraer contou com o emprego de trabalhadores provenientes do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), a mais importante instituição de ensino superior da Força Aérea Brasileira, criada em 1950 também em São José dos Campos, pelo Marechal-do-Ar Casimiro Montenegro Filho.

Depois de um quarto de século de existência, a Embraer terminou sendo privatizada, em 1994, no governo de Itamar Franco (1992-1994), quando o seu controle passou para fundos de pensão brasileiros e investidores internacionais representados pelo Grupo Bozano, Simonsen, pelo banco Weinstein Perello Internacional e pelas caixas de previdência Sistel e Previ, entre outros.

Mas foi com o governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992) que o processo de privatização da Embraer teve início, levando 1.059 dias até ser concretizada definitivamente, com a venda de empresas associadas, como a Neiva (aviões leves e agrícolas), a EAC (braço norte-americano da Embraer), a EAE (divisão europeia) e a Embraer Divisão de Equipamentos.

Ao se aproximar dos 25 anos de sua privatização, o governo Temer completa mais uma entrega dentro do seu compromisso de transferência do patrimônio nacional ao capital pertencente às grandes corporações transnacionais. Desde 2016, por interromper a política de formação de grandes empresas brasileiras para a competição em dimensão global, o esvaziamento do setor produtivo nacional passou a sofrer processo inédito de desestruturação e enfraquecimento.

Com a venda da Embraer, ademais do enfraquecimento da soberania nacional, a tendência ao desaparecimento do polo tecnológico em São José dos Campos pode se confirmar. Sem a garantia da manutenção da Embraer na região, ademais de sua possível transformação em mera montadora, o abandono da condição de centro de desenvolvimento de tecnologia passa a ser uma possibilidade crescente, trazendo o fantasma de Detroit, com o desemprego e a pobreza diante do risco de demissão de mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, sobretudo de engenheiros.

Isso porque a perda da identidade brasileira pela Embraer, com a transferência de controle para uma empresa dos Estados Unidos, pode levar a restrições ainda mais rigorosas para acesso aos mercados prósperos, como Ásia e Oriente Médio.

Com o acirramento da atual guerra comercial entre os países mais ricos do mundo, a venda da Embraer para uma empresa de capital com sede nos EUA – país que vem constrangendo o mundo com suas políticas nacionalistas de defesa do mercado interno –, pode também revelar-se um enorme erro de estratégia empresarial.

As mentiras de Hélio Jaguaribe, FHC e outros neoliberais, defensores do capital internacional

No Brasil, há os entreguistas e os nacionalistas. Dentre os entreguistas, há os mentirosos, que se dizem de esquerda. Por exemplo, Hélio Jaguaribe e FHC.

Em 1958, Hélio Jaguaribe escreveu o livro “O nacionalismo na atualidade brasileira”. O título era um engodo, uma fraude.

No fundo, Jaguaribe, em vez de defender o nacionalismo, como fazia a Frente Nacionalista, com vários católicos, defendia a tese neoliberal que o investimento externo direto (multinacionais) teria um efeito positivo na melhoria da economia do Brasil.

Ou seja, Jaguaribe defendia o capital internacional, o inimigo principal de nossa economia e de nosso país. Por causa deste livro asqueroso, Jaguaribe saiu do ISEB, que defendia teses nacionalistas. Mais tarde, Jaguaribe acaba no PSDB, tucano, entreguista claramente. 

O mesmo fez FHC. Sua “teoria da dependência” é, na verdade, uma teoria da subordinação de nossa economia (de nosso povo) ao grande capital internacional.

O livro de Roberta Traspadini, “A teoria da inter-dependência de Fernando Henrique Cardoso” (Rio, Ed. Topbooks, 1999), mostra como FHC, desde suas primeiras obras, defendia a mesma tese de Jaguaribe.

A teoria da dependência de FHC é uma farsa. Seu livro, escrito com Enzo Falletto, não tinha nada com a tese da esquerda, sendo, ao contrário, uma tese neoliberal.

O mesmo erro está em outro livro de FHC, em 1963, “Empresário industrial e desenvolvimento econômico no Brasil”. 

Em vez de defender teses de protecionismo e substituição das importações, FHC atacava  até as teses aguadas da CEPAL, defendendo a aliança do grande capital brasileiro com o grande capital estrangeiro, multinacionais. Enfim, já defendia um “desenvolvimento” dependente e associado, subordinado ao capital internacional.

Mais tarde, FHC repete a mesma tese, no livro “Dependência e desenvolvimento na América Latina” (1967). Enfim, não precisou rasgar o que escreveu, pois sempre foi entreguista.

A mesma coisa para José Serra, em cuja presidência, a UNE se omitiu na defesa de Goulart. Depois, Serra escapa de um Ginásio, no Chile, onde a direita de Pinochet serrava mãos e matava pessoas. Serra é conduzido por um militar, pelas mãos, para fora, da forma mais suspeita possível.

Lembro que Cabo Anselmo também se fazia passar por pessoa de esquerda, sendo, na verdade, um agente provocador e um delator. 

A verdadeira teoria da dependência foi desenvolvida por Rui Mauro Marini, Theotônio dos Santos, André Gunder Frank e outros luminares, pessoas sérias. 

O Tripé estatais, cooperativas e milhões de micro, pequenas e médias empresas nacionais, uma economia mais saudável

O correto é que nossa matriz produtiva, nossa estrutura produtiva, econômica, seja uma matriz baseada no tripé – estatais, cooperativas e milhões de micro, pequenas e médias empresas familiares, nacionais.

Tudo isso coordenado, dirigido e planejado por um grande Estado social e econômico, renda básica para todos, microcrédito, amplo Programa de educação estatal técnico científico, para ampliar produtividade real do trabalhador, reduzindo drasticamente a jornada de trabalho etc. 

Não precisamos de latifúndio, grande capital particular e, muito menos, de multinacionais. Bancos privados são uma abominação. Rede particular de TVs é outra ABOMINAÇÃO, pois não passa de Programa mental do Grande capital sobre os cérebros dos trabalhadores. 

Lembro que o Programa Pró-Álcool ajudou na crise do petróleo, mas ajudava latifundiários, quando deveria ter sido um Pró Álcool de ajuda a camponeses. 

O Brasil teve coisas boas até nos horrendos governos militares entreguistas, por causa de nacionalistas como Severo Gomes, Bautista Vidal, General Andrade Serpa e outros.

O “Programa” do Partido Pátria Livre lista algumas coisas boas dos nacionalistas. Por exemplo, o “programa autônomo da Marinha iniciou, com tecnologia própria, o processo que iria desembocar no domínio do ciclo do urânio”, ou a “criação da Embrafilme (1969)”, que deu condições ao cinema brasileiro de disputar palmo a palmo com Hollywood o nosso mercado interno.

“A indústria nacional passou a fabricar aviões, navios de grande porte, blindados e microcomputadores.

“A política de substituição de importações – em sua concepção verdadeira, produzir internamente através de empresas nacionais e não de subsidiárias de empresas estrangeiras – foi transposta para o 2º PND do governo Geisel resultando em grandes avanços nas áreas de bens de capital e insumos básicos”. Isso ocorreu por causa de nacionalistas dentro do BNDES, como Marcos Vianna e outros”. 

Outro marco foi a criação, pelo grupo nacionalista, da “Telebrás (1972) – empresa altamente estratégica, pois, a partir da década de 70, o complexo industrial para onde convergem a indústria da microeletrônica, a da informática, a das telecomunicações e a indústria cultural iria se converter no principal centro irradiador do processo produtivo em escala mundial. Do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da empresa sairiam 76 produtos novos, entre eles um sistema de telefonia pública mundialmente inédito operado por cartão indutivo, as centrais digitais de comutação do tipo CPA-T e a tecnologia de produção da fibra ótica inteiramente nacional”.

— Updated: 19/09/2018 — Total visits: 35,466 — Last 24 hours: 119 — On-line: 0
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