Arquivos para : A “Fórmula” – São Tomás Morus – Utopias são Projetos POSSÍVEIS, PRÉ-FIGURAÇÕES, Projetos para MELHORAR A CRIAÇÃO PERENE e ETERNA do Universo

O Socialismo democrático está crescendo nos EUA, pois o Tea Party e os Republicanos defendem o neoliberalismo e a direita penal, contra o Estado do Bem Estar Social, contra as REFORMAS SOCIAIS

Tirei o artigo abaixo do blog Socialista Morena, que recomendo muito, da genial CYNARA MENEZES, artigo de 16 de agosto de 2018, 17h42

Por Cody Fenwick

Tradução Cynara Menezes

Os conservadores norte-americanos estão constantemente se descabelando para advertir o país de que o crescente apoio ao socialismo logo colocará os Estados Unidos no caminho da ruína, como a Venezuela.

Enquanto isso, figuras políticas como o senador independente Bernie Sanders e a candidata ao congresso por Nova York Alexandria Ocasio-Cortez, que se autointitulam socialistas democráticos, ganham o entusiasmo dos eleitores e a atenção do país, e muitos suspeitam que suas visões estão ganhando força dentro do Partido Democrata.

E, de acordo com uma pesquisa recente do Gallup, mais democratas têm uma visão positiva do socialismo (57%) do que do capitalismo (47%).

O economista Paul Krugman, ganhador do Nobel em sua área em 2008, argumentou no twitter nesta quarta-feira que, apesar de suas terríveis advertências, os conservadores devem apenas culpar a si mesmos pela popularidade do socialismo.

“Ando fazendo alguma pesquisa histórica sobre por que tantos norte-americanos agora dizem que apoiam o socialismo. É realmente importante admitir que os republicanos têm sistematicamente identificado a rede de proteção social com o socialismo”, ele escreveu.

Por exemplo, em 2008 John McCain chamou de “socialismo” as propostas de Barack Obama para um atendimento universal de saúde nos EUA (algo como o brasileiro SUS).

Em 2012, Mitt Romney concorreu contra Obama e disse que o então presidente queria trazer “as políticas socialistas europeias” para os Estados Unidos –referindo-se a países como a Dinamarca.

E quando o socialista democrático Sanders fala sobre sua visão política, ele explicitamente diz que gostaria de tornar os EUA mais parecido à Dinamarca.

“Se você acha que a Dinamarca parece bacana, os republicanos dizem que você é socialista, e então as pessoas começam a achar que o socialismo parece bacana. Se os republicanos pretendem que apoio ao ‘socialismo’ significa controle do governo sobre os meios de produção, é propaganda enganosa”, Krugman escreveu. “Quer dizer, eu sei que Trump e outros têm problemas com geografia, fusos horários e tudo mais, mas a Dinamarca não é o mesmo país que a Venezuela.”

Socialistas dos EUA lutam por “saúde como direito humano”, que já está em nossa Constituição

Um aspecto dessa dinâmica que Krugman não mencionou é a concepção conservadora do “capitalismo”. Os republicanos frequentemente tentam aplicar a si mesmos o rótulo de defensores do capitalismo –o que, para eles, significa uma forma de capitalismo muito limitada, desigual e frequentemente perversa. Este estigma pode afastar as pessoas do capitalismo tanto quanto pode afastar do socialismo.

“Não à Ku Klux Klan, não aos fascistas”

Mas, enquanto os republicanos distorceram o debate, tornando-o uma discussão sobre grandes questões filosóficas, quando candidatos como Sanders e Ocasio-Cortez são pressionados sobre que políticas exatamente querem, muitas das respostas deles são na verdade bastante populares: atendimento universal de saúde, maior acesso à educação superior, um salário mínimo maior, regulação inteligente do setor financeiro e dos poluidores, maiores impostos sobre os que podem pagar por eles e maior apoio às famílias e crianças.

Não importa que estas políticas sejam chamadas de “socialismo”, “socialismo democrático”, “social-democracia” ou qualquer outro rótulo, elas claramente angariam um enorme entusiasmo. E se os conservadores tentam atacar estas políticas usando o epíteto de “socialista” contra elas, estão apenas aumentando o apoio ao socialismo.

Publicado originalmente no Alternet

A Grande Linha da DEMOCRACIA POPULAR, na política, na economia, na cultura, na Igreja etc

A linha de São Tomás Morus é a linha do socialismo católico. 

É a mesma linha da teologia política (idéias políticas) do cristianismo, presente na consciência, nos atos e nos textos de milhões de atores sociais e foi bem exposta por autores como: o padre Vieira, OS GRANDES JESUÍTAS QUE TENTARAM CONSTRUIR A REPÚBLICA DOS GUARANIS E DE OUTROS ÍNDIOS, por Frei Junípero (Miguel José Serra, 1712-1784, fundador de várias missões na Califórnia), Tiradentes, o padre Antônio Pereira de Sousa Caldas (1762-1814, autor de “Ode ao homem selvagem”), o padre Miguel Hidalgo (libertador do México, tendo gritado: “Viva a Virgem de Guadalupe! Morte ao mau governo!”), o padre José Maria Morelos (1765-1815, continuador de Hidalgo) e outros.

Foi a linha católica de Artigas, José Bonifácio, Bolívar, o padre Januário da Cunha Barbosa, o padre João Ribeiro (da Revolução dos Frades, de 1817), Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca (1779-1825), o padre Roma, o padre Feijó, Antônio Pedro de Figueiredo, o cônego José Antônio Marinho, Zacarias de Góes e Vasconcelos, Dom Vital, Dom Antônio Macedo Costa, Cândido Mendes de Mendes e Castro Alves.

As idéias cristãs e racionais sobre o poder e a difusão de bens também estão presentes nos textos e na prática de homens como o padre José Antônio de Maria Ibiapina, Inácio da Cunha Galvão, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Antônio Felício dos Santos, Eduardo Prado, Joaquim Ignácio Tosta (1856-1919), João Alfredo Correia de Oliveira, Altino Arantes, Rui Barbosa, Brasílio Machado, Afonso Celso, Carlos de Laet (1847-1927), Paes Leme, Miguel Couto, Lacerda de Almeida, Joaquim Furtado de Menezes, Ponciano de Oliveira e o padre Cícero Romão Batista (vale à pena a leitura do discurso belíssimo do Senador Inácio Arruda, do PCdoB, em homenagem ao padre Cícero, em 06.06.2001).

Há a mesma linha nos textos do padre Antônio Maria de Moura, que lecionava “Análise da Constituição”, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, no século XIX.

A linha democrática foi bem destacada nos textos imorredouros do padre Júlio Maria de Morais Carneiro (1850-1916) e estão em vários grandes políticos republicanos.

O ideal da democracia social não-capitalista está também nos textos de Domingos Velasco, San Thiago Dantas, Alceu Amoroso Lima, Pontes de Miranda, San Thiago Dantas, Barbosa Lima Sobrinho, Paulo Freire, Plínio de Arruda Sampaio, Frei Betto, Edgard de Godoi da Mata Machado (vide “O cristão e a cidade”), Paulo de Tarso dos Santos, Ariano Suassuna, José Geraldo Bezerra de Menezes (católico e jurista) e em outros milhares de personagens e escritores.

As idéias principais do ideário político cristão estão difusas na consciência de milhões e o trabalho de catequese e de evangelização visa apenas aprofundar e clarificar estas idéias já presentes, de forma confusa.

O padre Júlio Maria, em suas próprias palavras, seguia o exemplo de Ketteler, do Cardeal Manning e do Cardeal Newman, na Inglaterra; do Cardeal Lavigerie na França; do cardeal Gibbons e do bispo Ireland, nos EUA.

Como ensinava o Cardeal Gibbons, “o clero” deve ser “o amigo do povo”, “não deve ficar indiferente a nenhuma das questões sociais, políticas ou econômicas que dizem respeito ao interesse e prosperidade da nação; podendo e devendo tratar de todos, porque o padre é um reformador social”.

Como explicou o padre Júlio, esta era a linha de Leão XIII, “unir a Igreja e o povo”.

A teologia política, natural e cristã, também está na letra de nossas melhores músicas (padre Zezinho, Renato Russo, Milton Nascimento, Cazuza, Gil, mesmo as músicas de amor de Roberto Carlos e outras), no folclore, na língua viva do povo, em nossas melhores obras literárias.

Está nos romances nos versos de Gregório de Matos, nos sermões de Vieira, nos romances de José de Alencar (1829-1877), de Lima Barreto, na poesia de Cora e de Adélia Prado, nas poesias de Castro Alves, estando inclusive nos romances sociais de Jorge Amado, Oswald de Andrade, Pagu e outros.

Há a mesma presença nos textos de autores como: Charles Dickens, Victor Hugo, Isabel Gaskell (1810-1865), Leon Tolstoi (1828-1910), Jean Ziegler, Norman Mattoon Thomas (1884-1968, socialista cristão estadunidense), Noam Chomsky, Norman Mailer, Gabriela Mistral e milhares e milhares de autores.

A difusão da concepção cristã sobre o poder atingiu o mundo todo. Por exemplo, Frederico Kristian Sibberns (1789-1872), dinamarquês, foi professor em Copenhage. Escreveu obras como “Da natureza espiritual do homem” (1819) e defendeu o sufrágio universal. Em “Notas tiradas de um escrito do ano de 2.153) (1862), defendeu um tipo de socialismo cristão.

Na Rússia, Vladimir Soloviev (1853-1900), filho de Sérgio Soloviev (1820-1879, autor de “História da Rússia”, em 29 volumes), escreveu “O direito e a moral” e “A justificação do bem”, com teses semelhantes.

A tarefa ética dos católicos é lutar por uma sociedade sem males, sem opressão, igualitária, livre, justa, abundante, sem miséria e sem reificação

Fraternidade, liberdade e igualdade são princípios cristãos, naturais e ETERNOS. 

Paulo VI, numa visita a Frascati, em 01.09.1963, elogiando a ação de São Vicente Palloti nesta cidade, deixou claro a mesma lição exposta por Leão XIII: os princípios e o lema “Fraternidade, Liberdade e Igualdade”, resumo das bases da Revolução Francesa, eram cristãos:

“Estávamos no período posterior à Revolução Francesa, com todos os desastres e as idéias desordenadas e caóticas e ao mesmo tempo apaixonadas e, além disso, esperançadas, que aquela revolução tinha posto nos homens do século precedente.

“Havia grande necessidade de colocar as coisas em ordem e, digamos assim, de estabilizar esse período histórico, de firmá-lo, como deve ser. Ao mesmo tempo, notava-se o fermento de algo novo: havia idéias vivas, coincidências entre os grandes princípios da Revolução, que não fizera outra coisa senão apropriar-se de alguns conceitos cristãos: Fraternidade, Liberdade, Igualdade, progresso, desejo de soerguer as classes humildes.

Portanto, tudo isto era cristão, mas tinha assumido então uma bandeira anticristã, laica, irreligiosa; tendente a desnaturar aquele traço do patrimônio evangélico, dirigido a valorizar a vida humana num sentido mais alto e mais nobre” (Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Polilotta Vaticana, 1963, vol. I, p. 569).

Paulo VI repetia a lição de grandes Papas, como Benedito XIV (correspondente e amigo de Voltaire), Pio VI e Pio VII, e Leão XIII: os “grandes princípios da Revolução” Francesa eram “conceitos cristãos: Fraternidade, Liberdade e Igualdade”, tal como o “desejo de soerguer as classes humildes”.

É claro que a maior parte do povo francês movia-se por idéias cristãs, embora também houvesse parte que adotasse as mesmas idéias hauridas da Paidéia (o classicismo foi como um novo renascimento).

Houve também pequena influência hebraica, no mesmo sentido. Afinal, o jusnaturalismo democrático (na forma cristã), adotado por praticamente todos os políticos que realizaram a Revolução tem raízes na razão humana, na Paidéia, no pensamento hebraico e no cristianismo (formado, na parte humana, pela fusão do pensamento hebraico e pela Paidéia).

João Paulo II, numa missa, no aeroporto Bourget, em Paris, em 01.06.1980, repetiu a mesma idéia: “a idéia de Liberdade, de Igualdade e de Fraternidade” foi vital na “formulação” dos “direitos inalienáveis”, lembrando que, “no fundo, estas são idéias cristãs”.

Este mesmo ponto foi ressaltado por Pontes de Miranda, que morreu católico e socialista, em sua principal obra política, sobre estes três princípios basilares do convívio humano.

Pontes, especialmente no final da vida, como Alceu, adotou uma forma de socialismo democrático mesclado com catolicismo, buscava um Estado social que combinasse democracia política com democracia social, a mesma meta de Paulo Bonavides, Fábio Konder Comparato e outros grandes juristas católicos.

Conclusão: João Paulo II, em 20.02.1984, complementou este ponto escrevendo que o “movimento histórico” da revolução francesa foi “inspirado por sentimentos generosos – Liberdade, Igualdade, Fraternidade – e por um desejo de reformas necessárias”. Ele atacou também o “turbilhão de represálias, de violências, de ódio religioso”, pois a Igreja sempre condena a violência e o ódio, coisas diabólicas mesmo.

Nestes textos, fica claro que democracia (social, econômica, política e cultural) e catolicismo têm um profundo nexo interno, pois partes de premissas comuns.

— Updated: 16/11/2018 — Total visits: 40,905 — Last 24 hours: 55 — On-line: 0
Pular para a barra de ferramentas