Arquivos para : A “Fórmula” – HANS KUNG, de ECONOMIA MISTA, amplo Estado social de proteção ao TRABALHO, com DEMOCRACIA ECONÔMICA, POPULAR e PARTICIPATIVA

Neoliberais querem regime de capitalização, ou seja, bancos privados administram, e só os ricos e abastados têm previdência. E milhões de burros votaram um Projeto suicida e GENOCIDA como este…

Reforma da Previdência é empobrecimento programado, AMPLIA A ESPOLIAÇÃO DOS TRABALHADORES.

REUTERS/Sergio Moraes: <p>Candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, ao lado do economista Paulo Guedes (D) durante evento no Rio de Janeiro 6/08/2018. REUTERS/Sergio Moraes</p>

“Pesquisa junto a 2045 brasileiros mostra que 63% da população não tem renda suficiente para pagar as contas do mês e que 75% declaram-se endividados”, escreve Paulo Moreira Leite, articulista do 247.

“Nesse ambiente, imaginar um sistema de aposentadoria com base em poupanças individuais, como quer proposta de Bolsonaro/Paulo Guedes, é uma irresponsabilidade grotesca, pela qual uma população que ganha cada vez menos deverá arcar com gastos cada vez maiores”

Economia socialista de mercado, economia mista, amplo Estado do Bem estar social, estatais, planejamento público, Democracia popular participativa, esta mistura é a marca das Fórmulas da Igreja

O melhor sistema é uma boa mistura entre sociedade civil, mercado e Estado.

A mistura que defendemos é uma síntese, que combina Distributismo (casas para todos, renda para todos via Renda básica), economia mista (economia socialista de mercado, estatais para os grandes meios e bens produtivos), amplo Estado do Bem Estar social (combinando o melhor que existe nos países escandinavos, França, Itália, Irlanda, Austrália etc), Democracia Popular Participativa (combinando democracia direita e indireta, nos moldes que Dalmo Dallari e Fábio Konder Comparato esboçam), economia solidária etc  

Esta mistura foi delineada por Franz Oppenheimer.

A Igreja aprecia textos de grandes caras, como Márcio Pochmann, Ladislau Dowbor, Haddad, Suplicy, tal como aprecia os GRANDES GARANTISTAS PENAIS, a base teórica da Pastoral Carcerária etc. E por isso a Igreja ama os grandes autores do campesinato, que inspiram o MST.

A China, HOJE, com a economia mista, é parecida com o Japão, de 1870 em diante (menos a militarização e o imperialismo), ponto que o grande católico Barbosa Lima Sobrinho demonstrou, tal como um historiador católico o fez, antes, lá por 1920. 

Economia mista foi o segredo do desenvolvimento da Alemanha, especialmente no século XIX até antes do nazismo, e depois, de 1949 a 1963, a era dourada da Democracia Cristã, em boas alianças com os socialistas democráticos.

Este modelo foi chamado de “capitalismo de Estado” (economia mista), e era basicamente o modelo de Lenin, principalmente com o NEP, o modelo que Bukharin quis desenvolver, e que teria mantido a URSS, numa trilha em aliança com o Trabalhismo, o catolicismo, os Socialistas democráticos, o New Deal etc.

O mesmo para a Itália, nas boas alianças entre Democracia Cristã, Socialistas e até com o PCI.

Da mesma forma, houve economia mista no protecionismo dos EUA, de Lincoln até o New Deal, até o governo de Kennedy, também até 1963, tendo Matheus e Henry Carey, como teóricos católicos. Os EUA se desenvolveram com amplo setor público, economia mista, ativos públicos, participação estatal, e não com base no capitalismo puro.

A economia não pode ser separada do Estado, e isso foi bem provado por Hans Kung, em obras como “Uma ética mundial para a economia e a política”, e Karl Polanyi (1886-1964), no livro “A grande transformação” (1944).

Lembro que autores neoliberais como Ludwig von Mises (1881-1973) e Friedrich August von Hayek (1899-1992) atacaram a ética social católica, como anti capitalista.O mesmo fizeram Milton Friedmann, e também Gudin e Roberto Campos, no Brasil.

O mesmo fizeram autores como Max Weber, no livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, e também Werner Sombart, no livro sobre os judeus e a ética econômica.

Max Weber e Sombart criticaram a ética católica como anti capitalista, e estavam corretos.

A ética católica quer economia de mercado, mas mercado controlado, pautado pelo Estado e pela ética, com distributismo e amplo Estado social. E por isso muitos católicos sempre apreciaram a escola “mercantilista”, no ponto em que estava defendia ampla intervenção estatal na economia (ver textos de Paul Hugon, sobre isso).

A Igreja nunca endossou os erros dos liberais e dos neoliberais, muito menos dos marginalistas. 

Os melhores exemplos de economia mista ocorreram na Noruega, Dinamarca, Suécia, mesmo Canadá, Irlanda, Austrália, os países de maior IDH do mundo.

O mesmo vale para o Trabalhismo inglês, onde os católicos se filiavam em massa, com autorização de Roma, tal como os católicos se filiavam em massa na esquerda do Partido Democrático, nos EUA, especialmente no New Deal e até Kennedy, e isso volta aos poucos a ocorrer hoje, na luta contra o Tea Party. 

Como explicou Hans Kung (ainda que de forma aguada), nós, católicos, queremos o Estado do Bem Estar ampliado (Estado social, nos termos de Paulo Bonavides), com economia mista, e o máximo de Democracia Popular Participativa.

Este modelo misto foi defendido pelos primeiros socialistas cristãos pré-Marxistas, antes de Marx, tal como pelos grandes expoentes da Doutrina social da Igreja.

Está consagrado nos melhores textos sociais papais, especialmente os textos de João XXIII e Francisco I.

A síntese que defendemos estava também nos melhores textos dos socialistas de cátedra, inclusive em seus precursores, como Sismondi, ou Buchez, mas também Mably, Morelly e Buonarroti (os autores do babovismo, com origens católicas, na ética católica e em textos como o de Morus e Campanella). 

Depois, o mesmo conjunto de textos volta com Buchez, Ketteler, tal como havia o mesmo conteúdo nos textos de Franz von Baader (textos de 1837 e antes, contra os erros de Ricardo e Adam Smith), os Brentano (inclusive Lujo Brentano), Karl Rodbertus (textos antes de Marx) e outros.

Os socialistas de cátedra trabalham com os grandes católicos sociais, como Ketteler, e homens como Rupert Meyer, que escreveram sobre o “socialismo católico” e a obra de Meyer é citada inclusive no livro “O Capital”, de Marx.

Esta mesma linha está em Karl Rau, Knies, Gustav Schmoller e é bem condensada em Adolf Wagner.

O mesmo Adolf Wagner que é elogiado reiteradamente por Heinrich Pesch, Oswald von Nell-Breuning, Gustav Grundlach e outros.

É a mesma linha de economia mista, de autores como o padre Lacordaire, Liberatore (defendia explicitamente a economia mista, em seu livro sobre economia política, lá por 1889), Albert Mun e outros.

Stuart Mill, no livro “Princípios de economia política” (editado no Brasil pela Abril Cultural, em 1983), no Livro quinto, redigiu o capítulo décimo, onde lembra que, antes do capitalismo, existia a economia mista, com estatais, a proteção da indústria nativa (protecionismo, inclusive proibições), a vedação da usura, a regulamentação e o controle dos preços (teoria dos preço justo), monopólios governamentais, proteção do Estado ao trabalho,  formas cooperativas de trabalho etc.

A Igreja aceitava bem estes institutos (formas) jurídicos socializantes e anti-liberais.

Stuart Mill, no final da vida, adotou uma forma de socialismo cooperativista economia mista, bem próxima da Doutrina social da Igreja, e era feminista, redigindo ótima obra sobre os direitos da mulher, obra escrita em co-autoria com sua esposa.

Victor Hugo tinha ideias próximas, também bem próximas da Igreja.

A doutrina da Igreja sobre a relação das pessoas entre si e com os bens não ampara o capitalismo, não está ligada com o mesmo.

Ao contrário, condena claramente o capitalismo, o imperialismo e o latifúndio.

A Igreja defende economia mista (cf. texto hiper claro do padre Liberatore, que participou da redação da “Rerum Novarum”, em 1891, em seu livro “Princípios de economia política”, que tenho em francês).

Adolf Wagner era pessoa religiosa e sempre foi apreciado pelos grandes teóricos da Doutrina Social da Igreja, como Huet (“O reino social do cristianismo”), Ahrens, Pesch, Liberatore (defensor da economia mista), Albert de Mun, Vogelsang, Franz Hitze, padre Charles Antoine, a Escola de Liège e outros.

Outros grandes católicos foram o Cônego Pottier, Hellepute, Arturo Verhaegen, Monsenhor de Harlez, o grande TONIOLO, Georges Goyau (“Sobre o catolicismo social”), o Abade Six e sua revista “Democratie Chrétienne”), o Abade Lemire, o Cardeal Manning, o Abade Naudet (“Propriedade, capital e trabalho”) e outros.

Este apreço e respeito ocorre pelo conteúdo comum entre as melhores ideias de Adolf Wagner e dos grandes Teóricos da Doutrina social da Igreja.

Ideias de uma Civilização do Trabalho, ponto que a Igreja, pela “Laborem exercens”, deixou claro.

Ideias defendidas por autores católicos como Lamennais, Ozanam, Lacordaire, Blome, Belcredi, Thun, Depauli, Zalinger, Falkenstein e outros, para superar o regime assalariado.

João XXIII e a ECONOMIA MISTA, a economia exige a síntese do máximo de iniciativas pessoais (formas de co-gestão e micros e pequenos produtores) com o máximo de proteção, coordenação e ajudas estatais. Um amplo Estado de proteção social

Na encíclica “Mater et Magistra”, de 1961, João XXIII deixou claro como a Igreja defende a economia mista, a socialização com personalização. Vejamos o texto:

Iniciativa pessoal e intervenção dos poderes públicos em matéria econômica

51. Devemos ensinar desde já que o mundo econômico é criação da iniciativa pessoal dos cidadãos, quer desenvolvam a sua atividade individualmente, quer façam parte de alguma associação destinada a promover interesses comuns.

52. Mas nele, pelas razões já aduzidas pelos nossos predecessores, devem intervir também os poderes públicos com o fim de promoverem devidamente o acréscimo de produção para o progresso social e em beneficio de todos os cidadãos.

53. A ação desses poderes, que deve ter caráter de orientação, de estímulo, de coordenação, de suplência e de integração, há de inspirar-se no “princípio de subsidiariedade”, [20] formulado por Pio XI na encíclica Quadragesimo Anno: “Deve contudo manter-se arme o princípio importantíssimo em filosofia social: do mesmo modo que não é lícito tirar aos indivíduos, a fim de o transferir para a comunidade, aquilo que eles podem realizar com as forças e a indústria que possuem, é também injusto entregar a uma sociedade maior e mais alta o que pode ser feito por comunidades menores e inferiores. Isto seria, ao mesmo tempo, grave dano e perturbação da justa ordem da sociedade; porque o objeto natural de qualquer intervenção da mesma sociedade é ajudar de maneira supletiva os membros do corpo social, e não destruí-los e absorvê-los”.[21]

54. É verdade que hoje os progressos dos conhecimentos científicos e das técnicas de produção oferecem aos poderes públicos maiores possibilidades concretas de reduzir os desequilíbrios entre os diferentes fatores produtivos, entre as várias zonas no interior dos países e entre as diversas nações no plano mundial.

Permitem, além disso, limitar as oscilações nas alternativas das situações econômicas e enfrentar com esperança de resultados positivos os fenômenos do desemprego das massas. Por conseguinte, os poderes públicos, responsáveis pelo bem comum, não podem deixar de sentir-se obrigados a exercer no campo econômico uma ação multiforme, mais vasta e mais orgânica; como também a adaptar-se, para este fim, às estruturas e competências, nos meios e nos métodos.

55. Mas é preciso reafirmar sempre o princípio que a presença do Estado no campo econômico, por mais ampla e penetrante que seja, não pode ter como meta reduzir cada vez mais a esfera da liberdade na iniciativa pessoal dos cidadãos; mas, deve, pelo contrário, garantir a essa esfera a maior amplidão possível, protegendo efetivamente, em favor de todos e de cada um, os direitos essenciais da pessoa humana. Entre estes há de enumerar-se o direito, que todos têm, de serem e permanecerem normalmente os primeiros responsáveis pela manutenção própria e da família; ora, isso implica que, nos sistemas econômicos, se consinta e facilite o livre exercício das atividades produtivas.

56. Aliás, até a evolução histórica põe em evidência cada vez maior o fato de se não poder conseguir uma convivência ordenada e fecunda sem a colaboração, no campo econômico, ao mesmo tempo dos cidadãos e dos poderes públicos; colaboração simultânea realizada harmonicamente, em proporções correspondentes às exigências do bem comum no meio das situações variáveis e das vicissitudes humanas.

57. De fato, a experiência ensina que, onde falta a iniciativa pessoal dos indivíduos, domina a tirania política; e há ao mesmo tempo estagnação nos setores econômicos, destinados a produzir sobretudo a gama indefinida dos bens de consumo e de serviços que se relacionam não só com as necessidades materiais mas também com as exigências do espírito: bens e serviços que exigem, de modo especial, o gênio criador dos indivíduos.

58. Onde, por outro lado, falta ou é defeituosa a necessária atuação do Estado, há desordem insanável; e os fracos são explorados pelos fortes menos escrupulosos, que medram por toda a parte e em todo o tempo, como a cizânia no meio do trigo. 

A SOCIALIZAÇÃO

Origens e extensão do fenômeno

59. A socialização é um dos aspectos característicos da nossa época. Consiste na multiplicação progressiva das relações dentro da convivência social, e comporta a associação de várias formas de vida e de atividade, e a criação de instituições jurídicas. O fato deve-se a multíplices causas históricas, como aos progressos científicos e técnicos, à maior eficiência produtiva e ao aumento do nível de vida.

60. A socialização é simultaneamente efeito e causa de uma crescente intervenção dos poderes públicos, mesmo nos domínios mais delicados, como os da saúde, da instrução e educação das novas gerações, da orientação profissional, dos métodos de recuperação e readaptação dos indivíduos de algum modo menos dotados.

Mas é também fruto e expressão de uma tendência natural, quase irreprimível, dos seres humanos: tendência a associarem-se para fins que ultrapassam as capacidades e os meios de que podem dispor os indivíduos em particular. Esta tendência deu origem, sobretudo nestes últimos decênios, a grande variedade de grupos, movimentos, associações e instituições, com finalidades econômicas, culturais, sociais, desportivas, recreativas, profissionais e políticas, tanto nos diversos países como no plano mundial.

Apreciação

61. E claro que a socialização assim entendida tem numerosas vantagens: torna possível satisfazer muitos direitos da pessoa humana, especialmente os chamados econômicos e sociais, por exemplo, o direito aos meios indispensáveis ao sustento, ao tratamento médico, a uma educação de base mais elevada, a uma formação profissional mais adequada, à habitação, ao trabalho, a um repouso conveniente e à recreação. Além disso, através da organização cada vez mais perfeita dos meios modernos da comunicação – imprensa, cinema, rádio e televisão – permite-se a todos de participar nos acontecimentos de caráter mundial.

62. Mas, por outro lado a socialização multiplica os organismos e torna sempre mais minuciosa a regulamentação jurídica das relações entre os homens, em todos os domínios. Deste modo, restringe o campo da liberdade de ação dos indivíduos. Utiliza meios, segue métodos e cria círculos fechados, que tornam difícil a cada um pensar independentemente dos influxos externos, agir por iniciativa própria, exercer a própria responsabilidade, afirmar e enriquecer a própria pessoa. Sendo assim, deverá concluir-se que a socialização, crescendo em amplitude e profundidade, chegará a reduzir necessariamente os homens a autômatos? A esta pergunta temos de responder negativamente.

63. Não se deve considerar a socialização como resultado de forças naturais impelidas pelo determinismo; ao contrário, como já observamos, é obra dos homens, seres conscientes e livres, levados por natureza a agir como responsáveis, ainda que em suas ações sejam obrigados a reconhecer e respeitar as leis do progresso econômico e social, e não possam subtrair-se de todo à pressão do ambiente.

64. Por isso, concluímos que a socialização pode e deve realizar-se de maneira que se obtenham as vantagens que ela traz consigo e se evitem ou reprimam as conseqüências negativas.

65. Para o conseguir, requer-se, porém, que as autoridades públicas se tenham formado, e realizem praticamente, uma concepção exata do bem comum; este compreende o conjunto das condições sociais que permitem e favorecem nos homens o desenvolvimento integral da personalidade. E cremos necessário, além disso, que os corpos intermediários e as diversas iniciativas sociais, em que sobretudo procura exprimir-se e realizar-se a socialização, gozem de uma autonomia efetiva relativamente aos poderes públicos, e vão no sentido dos seus interesses específicos, com espírito de leal colaboração mútua e de subordinação às exigências do bem comum. Nem é menos necessário que os ditos corpos apresentem forma e substância de verdadeiras comunidades; isto é, que os seus membros sejam considerados e tratados como pessoas, e estimulados a participar ativamente na vida associativa.

66. As organizações da sociedade contemporânea desenvolvem-se, e a ordem dentro delas consegue-se, cada vez mais, graças a um equilíbrio renovado: exigência, por um lado, de colaboração autônoma prestada por todos, indivíduos e grupos; e, por outro lado, coordenação no devido tempo e orientação promovidas pelas autoridades públicas.

67. Se a socialização se praticasse em conformidade com as leis morais indicadas, não traria, por sua natureza, perigos graves de vir a oprimir os indivíduos. Pelo contrário, ajudaria a que nestes se desenvolvessem as qualidades próprias da pessoa humana. Reorganizaria até a vida comum, tal como a apresentava o nosso predecessor Pio XI na encíclica Quadragesimo Anno (22): condição indispensável para a satisfação das exigências da justiça social. 

A Doutrina da Igreja ama a industrialização e a ciência, e condena o capitalismo

A Igreja sempre defendeu a INDUSTRIALIZAÇÃO em todos povos e cidades e condenou o capitalismo.

Vejamos estes pontos, na “Populorum progressio” (“Do progresso dos povos”, encíclica de Paulo VI, em 1967:

INDUSTRIALIZAÇÃO

25. Necessária ao rendimento econômico e ao progresso humano, a introdução da indústria é ao mesmo tempo, sinal e fator de desenvolvimento. Por meio de uma aplicação tenaz da inteligência e do trabalho, o homem consegue arrancar, pouco a pouco, os segredos à natureza e usar melhor das suas riquezas. Ao mesmo tempo que disciplina os hábitos, desenvolve em si o gosto da investigação e da invenção, o acolhimento do risco prudente, a audácia nas empresas, a iniciativa generosa e o sentido da responsabilidade.

Capitalismo liberal

26. Infelizmente, sobre estas novas condições da sociedade, construiu-se um sistema que considerava o lucro como motor essencial do progresso econômico, a concorrência como lei suprema da economia, a propriedade privada dos bens de produção como direito absoluto, sem limite nem obrigações sociais correspondentes.

Este liberalismo sem freio conduziu à ditadura denunciada com razão por Pio XI, como geradora do “imperialismo internacional do dinheiro“.[26, texto de Pio XI, em 1931, na “Quadragesimo anno”]

Nunca será demasiado reprovar tais abusos, lembrando mais uma vez, solenemente, que a economia está ao serviço do homem.[27] Mas, se é verdade que um certo capitalismo foi a fonte de tantos sofrimentos, injustiças e lutas fratricidas com efeitos ainda duráveis, é contudo sem motivo que se atribuem à industrialização males que são devidos ao nefasto sistema que a acompanhava.

Pelo contrário, é necessário reconhecer com toda a justiça o contributo insubstituível da organização do trabalho e do progresso industrial na obra do desenvolvimento”.

A Doutrina social da Igreja sempre foi pro Democracia Popular Participativa

A linha democrática de Suárez e Bellarmino, no fundo a linha dos grandes Santos Padres e dos Doutores da Igreja, é a de Lemire, de Lamennais, Ozanam e outros.

Também era a linha do abade Paul Naudet (1859-1929), que expôs esta base teórica em obras como “A democracia e os democratas cristãos” (1900).

Esta linha está também presente em autores como Turmann, Gayrand, Helleputte, Giuseppe Toniolo, Antônio Ballerini, Debon, Six, Savatier, Fonsegrive, Verbaegen, Pottier, Harlez, Schrijuers, Ireland, Falkenstein, Liechtenstein, Gaspar Decurtins, Darano, o padre Luigi Sturzo, Puccini, Minoretti, Cappellazzi, o cardeal Newman (que inspirou Raymond Saleilles, Georges Renard e outros), Guido Gonella (1905-1982, por dez anos um dos principais redatores do jornal “L´Osservatore Romano”), Welty, Viviani, Ryann, Lacordaire, Giorgio La Pira (vide “Esquisses pour une politique chrétienne”, Paris, Ed. Plon, 1958), Giordani, Watt, Lapp, La Tour du Pin, César Cantu, Gustav Gundlach (um dos maiores inspiradores da “Quadragésimo anno”), Guardini, Haas, O’Hara, Mun, Devas, Guitton, Lacroix, Mounier, Hitze, Blome, Lilly, Ventura e outros.

A teoria do consentimento racional ou do bem comum foi também exposta por autores como Anatólio Leroy-Beaulieu (1842-1912), chamado de “carola” por Joaquim Pimenta.

Anatólio (que não deve ser confundido com seu irmão Leroy Beaulieu) descreveu o movimento harmônico entre catolicismo e democracia, em obras como “Os católicos liberais, a Igreja e o liberalismo, de 1830 até nossos dias” (1885).

Anatólio ainda escreveu “Cristianismo e Democracia”, 1905, com idéias semelhantes às expostas neste meu blog.

O próprio Camilo Castelo Branco esposava estas idéias, como fica claro na tradução do livro “O Papa e a liberdade”, do dominicano Padre Constant (Porto, Ed. Livraria Portuense, 1879).

Os textos de Emile Zola (1840-1902), no livro “Roma”, também mostram a evolução da doutrina social da Igreja, clarificando-se cada vez mais, no sentido da democracia social e política.

Georges Goyau foi outro luminar da Igreja, que escreveu obras importantes como “Em torno do catolicismo social (1897-1912)” e “Retratados católicos: precursores”, 1921.

A mesma concepção está nos textos de Thierry, Ozanam, Montalembert, do padre Vincenzo Gioberti (1801-1852), Rosmini, César Cantu e Toniolo. Há a mesma linha em Paul Bureau, Jacques Valdour, Tourville, Francesco Olgiatti, Kolping, César Cantu e outros.

O livro de Henri Guilhermin, “Histoire des catholiques français au XIX siècle” (1947), historia a posição política dos católicos franceses no século XIX, quase todos ecléticos.

A linha democrática fica clara nos textos do padre Ventura de Raulica (1792-1861), que foi geral dos Teatinos, tendo boa ligação com Lamennais.

O padre Ventura e Rosmini defenderam a criação de uma Confederação Italiana, para unir a Itália.

O padre Ventura escreveu obras sobre democracia e catolicismo, como “A razão filosófica e a razão católica” (1852), “As mulheres do Evangelho” (1853) e “A mulher católica” (1854).

O padre Ventura redigiu uma “Oração fúnebre de O´Connell”, que foi um grande tribuno popular, expressando a luta dos irlandeses católicos por democracia.

O ideal católico de uma Democracia Popular, socialista, econômica, na esfera da economia, política e cultural

A democracia popular, social e participativa é o “ideal histórico” de nossa época, nos termos de Alceu e Dom Hélder

O ideal de uma democracia popular, social, na esfera política e econômica (e cultural), está presente nos textos dos maiores expoentes do catolicismo, no Brasil.

Por exemplo: Alceu Amoroso Lima, Dom Hélder, Dom Moacir Grecchi, Dom Pedro Casaldáliga, Olavo Bilac, Rui Barbosa, Antônio Houaiss, Sabóia Lima, Barbosa Lima Sobrinho, Celso Antônio Bandeira de Mello, Pontes de Miranda (socialista democrático e católico, no final da vida), San Thiago Dantas, Sérgio Buarque de Holanda, Lysaneas Maciel (protestante), Marcos Freire, Miguel Arraes, Alceu Amoroso Lima, Luiz Ignácio de Maranhão Filho (unindo catolicismo e marxismo), Roberto Lyra, Roberto Lyra Filho, Goffredo da Silva Telles, Tancredo Neves, Ariano Suassuna e Cândido Portinari (1903-1962).

Há a mesma linha católica, eclética, ecumênica e religiosa, nos textos de Antônio Cândido, Otto Maria Carpeaux, Monteiro Lobato (teísta), Agripino Grieco, Ronald de Carvalho, Augusto de Lima (ver “São Francisco de Assis”, 1930), Jorge de Lima, Osvaldo Euclides de Sousa Aranha, José Geraldo Bezerra de Menezes, Celso Furtado, Alencar Furtado, Freitas Nobre (socialista com fundamentação religiosa, espírita), Paes de Andrade, Teotônio Vilela, Brizola, Darcy Ribeiro (no final da vida, aproximou-se do cristianismo pelas mãos de Leonardo Boff) e outros.

Os textos de Luiz Veríssimo, filho de Érico, também esposam uma forma de socialismo, próxima do socialismo de João Mangabeira (1880-1964), Francisco Mangabeira e de outros luminares, inclusive Pagu e Oswald de Andrade (ambos, em suas últimas obras, defenderam o socialismo democrático, e Oswald de Andrade elogiava Alceu, pelas mesmas ideias).

Outra grande figura foi Modesto da Silveira, que foi congregado mariano, no início da vida e sempre permaneceu humanista e socialista.

Até mesmo Gustavo Corção (1896-1978), apesar de seus erros políticos graves e de sua conivência com a ditadura militar de 64, tinha, como ideal, uma democracia verdadeira, com base distributista, como pode ser visto na reportagem sobre sua morte, na revista “Veja” (12.07.1978, p. 78). Seu ideal era, em suas próprias palavras, um “regime” político baseado na “máxima participação pela forma representativa”.

Cada pessoa deve ser livre, autodeterminando-se, agindo de acordo com sua própria consciência.

Como ensinava o padre Baltasar Gracián, no livro “A arte da prudência” (São Paulo, Ed. Martin Claret, 2002), “tornar-se uma verdadeira pessoa constitui a maior perfeição de todas”.

Toda pessoa deve ser livre, senhora de si mesma, dirigindo-se pelos ditames (regras, idéias práticas) da própria consciência, sendo esta a base da ética cristã (cf. São Paulo, Häring, Marciano Vidal e outros). Pois bem; a mesma regra vale para as sociedades, pois estas carregam, em suas entranhas, as estruturas da pessoa humana e as próprias pessoas.

Como ensinaram e ensinam Dom Pedro Casaldáliga ou o padre Joseph Comblin: “somos ao mesmo tempo estruturantes e estruturados”.

As sociedades devem ser regidas pela consciência ética social, formada pelo diálogo entre as pessoas em busca do bem comum, que une as consciências pessoais.

As linhas gerais do ordenamento jurídico positivo, do Estado, das estruturas e unidades produtivas e a gestão do patrimônio devem ser pautadas pela consciência da sociedade, que tem, no núcleo, uma base racional, voltada, intrinsecamente, ao bem comum.

Esta é a tese fundamental do jusnaturalismo, sendo também o núcleo do ideário democrático-social e popular.

O cerne destas idéias está bem claro nos principais teólogos (especializados em ética) da Igreja, por exemplo, nos textos do padre Karl Rahner, em Marciano Vidal e Bernhard Häring (vide “A lei de Cristo” e também na “Livres e fiéis em Cristo”, duas magníficas obras).

Nossos grandes intelectuais do Brasil, ligados a esquerda católica

Do 247 – “Dezenas de artistas e intelectuais se unem contra a ameaça que ronda o futuro do País e assinam um manifesto contra a candidatura de alguém que “defende a quartelada, renega os horrores da ditadura, aplaude a tortura”;

“Não há espaço nem tempo para a omissão. Ser omisso diante do perigo que nos ameaça significa, em termos concretos, concordar com essa ameaça”,

afirmam; entre os signatários estão Emir Sader, Leonardo Boff, Chico Buarque, Maria Thereza Goulart e Marieta Severo; confira a íntegra”.

A lista de signatários contra Bolsonazi mostra alguns de nossos grandes intelectuais, como Boff e outros representantes da ética social católica.

E mostram pessoas ligadas a grande católicos trabalhistas como João Goulart, Severo Gomes e Sérgio Buarque de Holanda, grandes católicos sociais, pro economia mista, amplo Estado social e democracia popular. 

Padre e teólogo, Hans Kung, com 90 anos, com grandes textos

Hans Kung e a “fórmula” da ECONOMIA MISTA, com amplo Estado social protetor do trabalho, E DEMOCRACIA POPULAR PARTICIPATIVA

O padre HANS KUNG nasceu em 1928. Tem, hoje, 90 anos. Foi ordenado padre em 1954, é um GRANDE TEÓLOGO CATÓLICO SUIÇO, com quem concordo em vários pontos, discordando em pouco. 

O padre Hans Kung escreveu ótimos textos, mas errou em entrar em choques com o Vaticano. Mas, nos textos de Hans Kung, há muita coisa boa, totalmente em consonância com o Vaticano. Teve bom encontro com Bento XVI, em 2005, jantando com o Papa. 

A parte BOA (trigo, em consenso pleno com o Vaticano) mesmo dos textos do padre Kung é o ideal de uma boa economia mista (parte estatal, e parte com milhões de micro, pequenos e médias empresas familiares), com amplo Estado social (leis trabalhistas, previdenciárias, impostos negativos p pobres e impostos altos para ricos, planificação, bancos públicos etc) e tudo isso com ampla DEMOCRACIA POPULAR PARTICIPATIVA.

O padre e teólogo Hans Kung também soube expor e formular várias ótimas ideias para reforma da Igreja (ordenar homens casados e mulheres para o Clero, escolha de bispos pelos “Sínodos”-CNBs nacionais etc), ambientalismo, busca por um Estado mundial, uma ética mundial etc. 

No livro de Hans Kung, “Uma ética mundial para a economia e a política” (Madrid, Ed. Trotta, 1999), Kung examina a história da Economia Política. Kung ataca duramente o paleo-liberalismo e o neoliberalismo, como as ideologias do capitalismo.

Kung rejeita a ideia de estatizar tudo e o capitalismo. Quer um modelo misto.

Kung quer uma economia mista, uma economia socialista de mercado, mista, com estatais etc, o modelo da Noruega, Dinamarca, Suécia, com pitadas dos modelos da Alemanha, Itália, Bélgica etc.

Kung ataca o paleo-liberalismo, ultraliberalismo (Carl Menger etc) ou capitalismo puro (Escola de Manchester), tal como ataca o NEOLIBERALISMO, a versão moderna da ideologia do capital.

Kung ataca Ludwig von Mises (1881-1973),  Friedrich August von Hayek (1899-1992), Milton Friedman (n. 1912), Thatcher, Reagan, Pinochet e outros defensores do “mercado puro”, ausência total de intervenção estatal, de estatais, de leis sociais, de leis trabalhistas, de leis ambientais etc.

Kung ataca a “reagonomics” de Reagn, a “Voodoo Economics”, mostra que a Inglaterra pós Thatcher tornou-se o pais europeu com mais desigualdade social, com ESCANDALOS terríveis na City de Londres, com seus 520 bancos e 170 empresas de Seguros de 75 países.

A City de Londres é a matriz de Wall Stret, em Nova Iorque. A City e Wall Stret são a base dos GRANDES OLIPÓLIOS financeiros que destroem o mundo.

O padre Kung ataca principalmente o Partido Republicano dos EUA e o Partido Conservador do Reino Unido, detestando os governos de Ronald Reagan (1981-1989), George Bush (1989-1993) e do filho de Bush, mais tarde. Kung ataca Newt Gingrich, o porta voz da maioria republicana, a origem do Tea Party, nos EUA.

Kung lembra que a ideia de estatizar tudo não foi aplicada em lugar algum, mesmo na URSS existia era economia mista, com controles centralizados, burocráticos, planejamento despótico, não participativo.

Kung elogia o New Deal, Franklin Roosevelt, os partidos Socialistas democráticos, especialmente do Norte da Europa (escandinavos) e o Partido Trabalhista inglês. Elogia o modelo escandinavo. Modelos de economia mista, de socialismo democrático, de trabalhismo.

Friso que o velho Hans Kung, infelizmente, como apontava o padre Dussel, não entendia da América Latina, da África e da Ásia, era muito euro-centrista, Há o lado bom de apontar o melhor da Europa como exemplos, mas há a falta de referência às experiências do Terceiro e Quarto Mundo.

Kung elogia o Partido Democrático Social da Alemanha (SPD), a própria Ala esquerda do CDU da Alemanha (Ala esquerda da Democracia Cristã, na Alemanha), elogia inclusive pontos de Konrad Adenauer. Faz grandes elogios aos governos socialistas moderados de Willy Brandt e Helmut Schmidt (1969-1982), na Alemanha. Elogia os governos trabalhistas na Inglaterra.

Kung elogia os governos de Tage Erlander (1946-1969) e de Olof Palme (1969-1976 e 1982-1986), na Suécia, o modelo de Estado amplo do bem estar social, economia mista, o mesmo modelo existente, em menor escala, na Alemanha, França, Itália e outros países europeus menores. Elogia os modelos da Noruega, Dinamarca e Suécia.

Kung faz altos elogios a FRANZ OPPENHEIMER, um grande judeu, socialista democrático, cooperativista.

Kung defende a “VIA MÉDIA”, um modelo misto, com o melhor da economia de mercado (milhões de micros e pequenos produtores) e o melhor da intervenção ampla estatal (estatais, planejamento, proteção ampla do trabalho e da pessoa, pelo Estado etc).

Kung também elogia Eucken, Alfred Muller-Armack, Alexander Rustow, Wilhelm Ropke, até Ludwig Erhard (economia social de mercado, próxima da economia socialista de mercado chinesa).

Kung elogia John Maynard Keynes (1883-1946) e os keynesianos Paul A. Samuelson e J. R. Hicks. Elogia mais ainda John Kenneth Galbraith.  Outro autor elogiado por Kung foi o economista húngaro KARL POLANYI (1886-1964), autor do livro “A grande transformação” (1944).

Kung elogia J. Rawls, J. Habermas, Karl Otto Apel, M. Walzer, H. Jonas, O. Hoffe, peter Ulrich, Ingomar Hauchler, Warren R. Copeland, J. Philip Wogaman, Richard Falk e outros autores especializados em ética mundial, para DESARMAR O MUNDO, obter a PAZ mundial, superar o imperialismo, proteger o meio ambiente, obter um GOVERNO DEMOCRÁTICO MUNDIAL etc.

Tal como faz altos elogios a grandes especialistas em Doutrina Social da Igreja, como os padres Heinrich Pesch, Oswald von Nell-Breuning, Gustav Grundlach S.J, A. Wetter, Pieper e outros. Elogia também Martita Johr, W. A. Johr, P. Ulrich,  e mesmo o ex-padre H. D. Assmann.

Elogia Alcide de Gasperi, Charles de Gaulle, Konrad Adenauer, Robert Schuman, Jean Monnet, o ex vice presidente Al Gore (ideias de um novo Plano Marshall, e proteção ambiental) etc.

— Updated: 22/01/2019 — Total visits: 44,131 — Last 24 hours: 33 — On-line: 0
Pular para a barra de ferramentas