Arquivos para : A “Fórmula” – de Maria; distribuir o poder e os bens, a todos, derrubando os poderosos e os ricos, elevando os TRABALHADORES ao poder e aos bens, CONTROLE POPULAR sobre o Estado e a economia

Sobre a economia, um ótimo texto de Ladislau Dowbor ratificado por Leila Jinkings

Explicando sobre a lógica da economia

Dominação financeira, o caminho ao caos

Por Ines Castilho em 27/05/2017, no Outras Palavras

A semanas de lançar novo livro, Ladislau Dowbor sustenta: foi o controle exercido pelos bancos sobre orçamento público e o das famílias que provocou crise do lulismo e espiral do golpe

Por Ladislau Dowbor

O modelo brasileiro de desenvolvimento da última década ia bem obrigado.

Um conjunto de programas econômicos e sociais, como a elevação do salário mínimo, ampliação das aposentadorias, transferências para as famílias mais pobres, expansão da educação e dos serviços de saúde, amplos investimentos em infraestruturas e outros programas ampliaram a demanda para as empresas, o que por sua vez, além de gerar produtos, gerou mais de 10 milhões de empregos formais, ampliando ainda mais a demanda – levando ao chamado “círculo virtuoso” de crescimento:

dinamizou-se a economia, ao mesmo tempo que se respondia às necessidades reais da população, priorizando quem mais precisa. E como uma economia mais dinâmica gera mais recursos públicos, foi possível equilibrar o financiamento do conjunto, inclusive as políticas sociais e redistributivas.

Este esquema funciona, e não somente aqui. Funcionou na Coreia do Sul que realizou um milagre com forte participação estatal nos investimentos e redução da desigualdade, como funcionou também nos “30 anos de ouro” do pós-guerra na Europa da socialdemocracia, e nos EUA do New Deal, até ser travado nos anos 1980 pela onda ideológica neoliberal.

O que deixou as pessoas perplexas, no nosso caso, é como este modelo de desenvolvimento foi interrompido, e porque deixou de funcionar. O mais importante que temos de entender é que o modelo é correto e adequado, a economia deve sim responder às necessidades da população, e o Estado deve ser um articulador importante. Mas a apropriação privada da política é que travou o sistema.

Não só travaram o círculo virtuoso, como geraram uma enorme campanha de convencimento da população de que a culpa do travamento foi justamente a orientação redistributiva, a demagogia de um estado querendo ser bonzinho com os pobres, e portanto essencialmente “populista” e “irresponsável”.

O boicote organizado contra toda iniciativa do Estado, o ataque contra as políticas desenvolvimentistas em todos os espaços, na mídia, no Judiciário e em particular no Legislativo geraram a crise.

Assim conseguiram desarticular os processos democráticos, travar a economia, e ao mesmo tempo atribuir a culpa aos que tinham promovido a política redistributiva. Mas em nome da nação, naturalmente, em nome da luta contra a corrupção — pois desde sempre a bandidagem política se exerce em nome de elevados ideais éticos.
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Postado por Leila Jinkings às 23:16:00 0 comentários

Dom André de Witte, grande Bispo de Ruy Barbosa BA, contra o bolsonazismo

O núcleo da Doutrina Social da Igreja é antigo, tradicional, e quer uma DEMOCRACIA POPULAR PARTICIPATIVA, econômica, política, cultural etc

Albert Mun – tal como Étienne Lamy ou Jacques Piou – destacava corretamente a boa linha doutrinária da Igreja, no século XIX, ao escrever: “muitas de nossas idéias estão em germe em Lamennais, Montalembert, Lacordaire e a escola de Buchez”.

O mesmo foi dito, alguns anos depois, por Marc Sangnier, no livro “Reformadores sociais” (1932).

A “Rerum novarum” (15.05.1891) apenas chancelou algumas idéias bem mais antigas, condensadas e expostas por Buchez, Lamennais, Lacordaire, Montalembert, Ozanam, Ketteler, a União de Friburgo, De Mun, a Escola de Liège, Péguy, Mounier e outras boas correntes, precursoras da teologia da libertação e da doutrina social da Igreja.

Ora, as idéias de Buchez e de Ozanam podem ser resumidas no ideal de uma “democracia participativa e social”.

Este ideal concreto está nas entranhas da “doutrina social da Igreja” e na teologia da libertação.

De fato, há como que uma linha solar e brilhante entre os textos bíblicos, da Paidéia, dos Santos Padres, da escolástica, de Santo Tomás Morus, Vives, Gil Vicente, Montaigne, Las Casas, Vitória, Suárez, Bellarmino, Vieira, Montesquieu, Mably e os políticos latino-americanos que participaram do movimento de independência de seus países.

Esta linha é a mesma de Manzoni, Daniel O´Connell, Tocqueville, Ozanam, Buchez, Balmes, Ketteler, Toniolo, Georges Goyau (um grande apóstolo), Antônio Pottier (1849-1923), Marc Sangnier e os grandes românticos.

Há o mesmo conjunto de idéias cristãs e racionais sobre a democracia nos textos de líderes e organizações como: Albert de Mun, Antônio Fogozzaro (a quem Pio X apreciava e elogiava em cartas ao mesmo, embora censurasse o livro “O santo”, por conter erros envolvendo o darwinismo), a União de Friburgo, a Escola de Liège, Decurtins, o grupo da Democracia Cristã, Leão XIII, Pio XI, Renard, Hauriou, Deploige, Maritain, Mounier, Salleiles, o Cardeal Joseph Cardijn (fundador da JOC, em 1924), Armand Cuvillier, Rutten, Lacroix, Pio XII, Pietro Pavan, João XXIII, o Vaticano II, Paulo VI, Medellin, até chegar à teologia da libertação.

Esta é, também, a linha do grande distributista, Sismondi, em obras como “Novos princípios da economia política” (1819) e “Constituição dos povos livres”.

Marx, no “Manifesto Comunista”, considera Sismondi como o principal expoente do “socialismo pequeno-burguês” e o elogiava por desvendar as causas da exploração do trabalhador, das crises e da contradição implícita no capitalismo, entre o consumo e a produção.

Nos textos marxistas, há uma parte significativa, composta de textos gerados pelas idéias de Sismondi, tal como há textos oriundos de Thomas Morus, Morelly, Mably, Montesquieu, dos estóicos e de outras fontes cristãs. São, no fundo, idéias cristãs, “enlouquecidas”, como dizia Chesterton, idéias que devem ser resgatadas, como parte do legado cristão.

Dentre os elos relevantes da boa corrente de água viva, Albert de Mun poderia ter mencionado homens como: Santo Ambrósio, São Basílio, Gregório Nazianzeno, Lactâncio, Santo Agostinho, São Bento, Vicente de Lérins, Santo Isidoro, São Francisco de Assis, São Boaventura, Santo Tomás de Aquino, Erasmo, Luis Vives, Las Casas, Francisco Vitória, Suárez, Montesquieu, Antônio Genovesi (1712-1769), Condillac, Beccaria e o padre Sieyès.

Houve também mais de três quartos dos representantes do clero nos Estados Gerais de 1789, que se juntaram ao Terceiro Estado.

O clero era representado por 208 padres e 47 bispos. Pois bem, Mirabeau teve o discernimento de chamar o clero a juntar-se ao terceiro estado, para formar a Assembléia Nacional, tendo o acatamento de quase todos os representantes do clero, que ficaram ao lado do povo.

Mirabeau redigiu obras como “Sobre a educação pública”, “Ensaio sobre o despotismo” e outras, de fundo cristão e democrático. Boa parte dos textos de Mirabeau eram textos de seu assessor, um padre Jesuíta.

Na mesma linha, existiam milhares de militantes leigos católicos. Houve ainda estrelas de primeira grandeza, como o bispo Henri Gregório (1750-1831). Este teve grande participação na reunião das três ordens em 1789. Na Convenção, em 1792, foi o primeiro a propor a abolição da monarquia e a criação da república. Propôs a abolição da pena de morte. Foi o principal responsável pela restituição aos judeus dos direitos civis e pela abolição da escravatura, em 1794.

O bispo Gregório também defendeu a Declaração dos Direitos e a queria mais social, como deveres sociais. Este bispo lutou pela igualdade civil, a liberdade de cultos e pela tolerância religiosa. Redigiu obras como “Ensaio sobre a regeneração física, moral e política dos judeus” (1789); “Discurso sobre a liberdade dos cultos” (1794); “Ensaio histórico e patriótico sobre as árvores da liberdade” (1794); “Da liberdade de consciência e do culto no Haiti”; “Da Constituição francesa do ano de 1814”; “Apologia de Bartolomeu de las Casas”; “Da literatura dos negros”; “Da influência do cristianismo sobre a condição das mulheres” (1821) e outras.

Ocupou cargos na rede pública de educação e criou várias bibliotecas públicas, organizou livros didáticos simples e baratos etc.

Hipólito Carnot redigiu sua biografia, com o título “Henri Gregóire, bispo republicano” (Paris, 1882).

Numa linha próxima, na época, o bispo Jean Baptist Gobel (1727-1794), de Paris, sempre defendeu a soberania do povo. Disse, em boa voz, que sempre buscara “aumentar” no “povo”, o “amor aos princípios eternos da liberdade, da igualdade e da moral”.

Além do bispo Gregório, de Gobel e outros, houve o padre Sieyès, o bispo Claude Fauchet, Nicolau de Bonneville (1760-1828, autor de “Do espírito das religiões”, Fauchet e Bonneville eram os bispos católicos do Círculo Social) o bispo Antônio Pascoal Jacintho Sermet (1732-1808) e o padre Jacques Roux, o principal líder dos “enraivecidos”.

Fauchet e Bonneville fundaram o “Círculo Social”, inspirado nas idéias de Saint-Martin, que são extremamente religiosas, formando parte do iluminismo cristão e religioso (a maior parte do movimento iluminista era cristão e religioso, frise-se).

Por exemplo, os Iluminados de Avinhão tinham como principal líder o beneditino Pernety. Este criou um rito, em 1760, que foi introduzido na Universidade de Montpellier, em 1799, influenciando José Alvarez Maciel, que conspirou para a independência do Brasil.

Outro bispo que teve grande parte na Revolução Francesa e em seus desdobramentos foi Talleyrand (1754-1838). Talleyrand era bispo em Autun e tornou-se presidente da Assembléia Nacional, em 1790, tendo sido várias vezes Ministro de Estado. Teve seus méritos, tal como cometeu vários erros éticos, mas acabou tendo uma boa morte, graças à mediação de Dupanloup, um dos maiores bispos do século XIX.

Num parêntese, mesmo Metternich e Talleyrand não eram partidários da teoria do direito divino dos reis. Talleyrand e Metternich esposavam uma teoria consensual (jusnaturalista) de fundo histórico, flexível, parecida com a de Burke, um dos líderes do whig.

Houve, ainda, milhões de leigos católicos que conciliavam perfeitamente catolicismo com a luta pela democracia.

Mais tarde, houve homens como o cardeal Consavi; Sismondi (próximo ao catolicismo); Béranger; Buchez; Lamennais; e Villeneuve-Bargemont. Villeneuve-Bargemont (1784-1850) escreveu o livro “Economia política cristã” (1834), onde criticou o liberalismo e defendeu a intervenção estatal a favor dos pobres.

Marx, ao começar seus estudos sobre economia política, leu o livro de Villeneuve, recebendo boa influência cristã pré-marxista, tal como Marx leu, já em 1842 ou antes, obras de Buchez, Roux e outros católicos sociais. Numa linha próxima, houve ainda Ozanam (1813-1853), professor na Sorbonna e fundador dos Vicentinos.

O primado do bem comum era a base da concepção de Alban de Villeneuve-Bargemont, no livro “Economia política cristã” (1834), onde critica a “concentração de riqueza e do poder” nas mãos da nobreza, como a causa principal da revolução francesa. Alban atacou o “absenteísmo” dos grandes proprietários. Criticou também a burguesia, a “nova feudalidade”, “do dinheiro e da indústria”, que “começa pela servidão das massas e termina com a usurpação dos poderes públicos”. Alban criticou o capitalismo, na mesma linha de Sismondi, um dos autores que mais citava.

Karl Marx, quando era jovem, leu Villeneuve-Bargemont e também Sismondi e Buchez, sendo estas algumas de suas fontes cristãs.

Os textos de Karl Marx estão cheios de metáforas religiosas, de textos bíblicos e de grandes autores cristãos (inclusive Montalembert).

Petr Yákovlevich Chaadaev (1794-1856) foi um pensador russo, católico, influenciado por Lamennais. Chaadaev militou ao lado de Alexandre Herzen (1812-1870), pela democracia e a igualdade, tal como faziam os católicos que militavam ao lado de Mazzini e Garibaldi, apesar do anticlericalismo destes líderes que tinham ampla religiosidade.

Outro expoente foi Daniel O´Connell (1775-1854), o líder do movimento católico na Inglaterra, organizando a luta do povo irlandês em prol da independência da Irlanda. Houve ainda Fergus O`Connor, líder dos cartistas.

Outro marco foi o movimento dos católicos da Renânia, na década de 1830 e 1840, elogiado até por Bakunin.

Nos EUA, os católicos militavam no movimento dos Cavaleiros do Trabalho, chegando à liderança deste movimento operário (elogiado por Lenin), com Powderly.

Na Itália, houve líderes emblemáticos como Alexandre Manzoni (1785-1873, elogiado por Pio XI, na “Divini Illius”), Rosmini e Gioberti.

Além destes, vale à pena lembrar dos padres Gallupi, Garelli, Billia, Sanseverino, Liberatore, Cornoldi, Satolli, Prisco e outros.

Na França, devem ser recordados expoentes como Tocqueville, Ozanam, Buchez, Albert de Broglie, Augustin Cochin, Montalembert, Lacordaire, Dupanloup e outros.

Tocqueville, por exemplo, influenciou autores como Edouard Laboulaye (1811-1883), na obra “O partido liberal” (1863), que teve influência no Partido Liberal, no Brasil, no século XIX, para ampliar a Democracia, no Brasil.

Há ainda Huit, Piat, Desdouits, Fonsegrive, Graty, Ollè-Laprunne, Domet de Vorges, Farges, Peillaube e outros que foram precursores de Maritain.

Há ainda expoentes como John Acton (1834-1902); Skrzynecki; Montalembert; Lacordaire; Ketteler; Ludwig Windsthorst (1812-1891, líder do Partido do Centro, crítico de Bismarck); César Cantu; Albert de Mun e outros.

Na Polônia, houve o carmelita São Rafael Kalinowski (1835-1907), um dos líderes da insurreição polonesa e lituana, de 1863, contra a opressão russa contra a Polônia, tendo sido mandado para a Sibéria, por dez anos.

Depois, o próprio Leão XIII, Newmann (elogiado por Henri Brémond), Manning, Gibbon, Péguy, Marc Sangnier, Maritain, Mounier, o abade Pierre, João XXIII, Dom Hélder, Alceu e há milhões de outros expoentes, que, por sua vez, refletem o rio vivo de verdades que corre na consciência (“coração”) do povo, tal como do coração de Deus (cf. Ap. 22).

Napoleão ressaltou que o catolicismo é perfeitamente compatível com um “governo democrático e republicano”. Em seu testamento, Bonaparte escreveu: “morro na religião apostólica e romana, na qual nasci há mais de cinqüenta anos”. Convém lembrar que até Marx reconhecia o papel positivo de Napoleão ao disseminar na Europa os princípios da Revolução Francesa.

O livro de Daniel-Rops (1901-1965), “A Igreja das revoluções” (São Paulo, Ed. Quadrante, 2003), em quase 900 páginas, deixou algumas boas páginas sobre a participação da Igreja nos movimentos democráticos do século XIX, reconhecendo que “os escolásticos, com Santo Tomás e depois Bellarmino (acrescentemos, naturalmente, Suárez, para não irmos mais longe)” corroboravam a tese da “soberania do povo”.

Sobre Bellarmino, o papa Clemente VIII, quando o escolheu para ser cardeal, proferiu as seguintes palavras: “elegemos este porque a Igreja não possui outro igual em sabedoria”.

Prova clara da matriz “ideológica” do jusnaturalismo teísta é o preâmbulo da “Declaração dos direitos do homem e do cidadão”, de 1789, com referência explícita a Deus, “o Ser Supremo”.

O livro de Guizot, “História das origens do governo representativo e das instituições políticas da Europa depois da queda do Império romano até o século XIV” (Paris, Ed. Didier, 1855), também atesta as origens cristãs e naturais da democracia.

Os textos do Visconde de Ouguella (1830-1897) também combinavam jusnaturalismo, catolicismo, democracia e socialismo.

Os elos mais relevantes e atuais são (a meu ver): Mably; Lamennais; Ozanam; Lacordaire; Daniel O´Connell e o movimento irlandês e a relação do movimento irlandês com os cartistas; e a participação hegemônica dos católicos na independência da Bélgica em 1830; a constituição belga (avançada para a época), defendida por Leão XIII, que foi núncio em Bruxelas, por vários anos.

Outro elo vital entre Suarez e a teologia da libertação é o movimento de independência e dos católicos republicanos da América Latina.

Na mesma linha, há a ampla participação da Igreja nas Revoluções de 1848, tal como o apoio de Leão XIII ao surgimento das leis sociais, na Alemanha, na França, no Brasil (contra a escravidão).

A luta por democracia e independência dos poloneses também merece destaque, contando com homens como Adam Chmielowski (Frei Alberto, beatificado).

Na Itália, a maior parte dos católicos, especialmente dos leigos e do baixo clero, participou do “risorgimento” e da unificação italiana.

Houve lideranças como Rosmini (“Filosofia da política”, Milão, 1837); Manzoni, o padre Gioberti, César Cantu e outros.

No mesmo sentido, o cartismo, na Inglaterra, também foi um movimento organizado por idéias cristãs. Lênin elogiou o cartismo, escrevendo: “a Inglaterra deu ao mundo o primeiro movimento amplo, verdadeiramente de massas, políticamente formado, um movimento proletário revolucionário, o cartismo”.

Stalin, nas “Conversas com Wells” (embutida no livro “Questões do leninismo”, 1936), também elogiou o cartismo, como movimento precursor.

O líder principal dos cartistas foi Daniel O´Connor, um irlandês católico, “distributista”, que lutava por democracia, reforma agrária e outras reformas sociais.

Na Alemanha, houve Ketteler e o Partido do Centro (o “Zentrum” foi criado em 1870-71 e durou até 1933, tendo sido extinto por Hitler); na Áustria, os cristãos sociais fizeram boas e duras críticas ao capitalismo (ver textos de Vogelsang).

Nos EUA, os católicos tiveram ampla participação na vida pública e, em 1890, existiam 84 bispos católicos nos EUA, e apenas uns 14 no Brasil, por conta do regalismo e da falta de vocações.

Em geral, nos EUA, os católicos votaram no Partido Democrático, tendo candidatos católicos que quase chegaram à Presidência, como Frémont, lá por 1870 e, mais tarde, Al Smith, governador de Nova Iorque, que ajudou Franklin Roosevelt.

Outro nome que merece recordação é John Ireland. Depois, houve John Kennedy, no início da década de 60, que foi morto num complô da direita. Robert Francis Kennedy (1925-1968) também foi assassinado quando era candidato a presidente e tinha chance, criticando a guerra do Vietnam.

Na própria China, houve, lá por 1850, os “taipings”, um movimento cristão de camponeses. O termo “taiping” vem de “tai-pin-tian-go”, “reino celeste da prosperidade eterna” e a base teórica era quase toda cristã. Foi possivelmente a maior rebelião dos camponeses, no século XIX e movida por um ideário de origem cristã, no meio da China.

Na França, houve Buchez, Ozanam, Didon, Charles Perraud, Ramadié, o abade Lagrange (1855-1938), o cardeal Lavigerie e milhares de expoentes combativos.

Antes mesmo de 1848, houve vários cardeais, como Croy, Belmas, Giraud, Bonald, Affre e outros que protestaram contra o capitalismo.

O boulangismo foi derrotado com o discurso de Lavigerie, no brinde a vários altos oficiais da esquadra francesa, em Argel, lá por 1890.

O cardeal Lavigerie disse: “Quando da vontade de um povo se afirma sobre a forma de governo, e quando, para arrancar um povo aos abismos que o ameaçam, é preciso aderir, sem reservas, a esta forma política, é chegado o momento de declarar feita a prova”.

Para o Brasil, foi providencial a explicitação maior das teses papais e católicas que mostram que a República é uma forma de governo aceitável aos católicos, a partir de novembro de 1890.

Mesmo antes a Igreja sempre conviveu bem com repúblicas, basta ver as cidades-repúblicas da Itália, a Suíça etc. Isto facilitou a consolidação da República, na França, e a derrubada de alguns projetos de leis contra a Igreja.

Após o brinde, o cardeal abolicionista Lavigerie mandou tocar a Marselhesa, que ainda é o hino nacional francês, com textos jusnaturalistas e teístas.

Leão XIII, em 16.02.1892, na encíciclica “Au milieu des sollicitudes”, detalhou as razões pelas quais era conveniente a aceitação da Constituição de 1875, com o sufrágio universal etc. O argumento principal era que “os católicos”, tal como todas as pessoas, tinham “liberdade de preferirem uma forma de governo a outra”, pois as formas de governo não são “imutáveis” e são relativas, o que importa é que devem proteger e promover o bem das pessoas, o bem comum.

Depois, Leão XIII, numa entrevista publicada em 17.02.1892, aconselhou os católicos franceses a aceitarem a república.

O próprio Pio X, na alocução ao Consistório, em 15.04.1907, disse que “eles [os que perseguiam a Igreja] esperam fazer crer ao povo que, quando nós defendemos os direitos da Igreja, nós nos opomos ao regime popular; e, no entanto, este regime [o popular], nós o temos sempre aceitado, sempre respeitado”.

O que é trágico é ver que os antigos textos de TFP (hoje, esta organização alinhou-se com a CNBB), espalhavam a mesma calúnia, a mesma mentira dos perseguidores da Igreja.

Os bispos do sul do Brasil, na “Pastoral coletiva de 1915” (n. 88 e 89), ensinaram claramente que “afirmar que a Igreja se opõe à constituição moderna das nações e que sistematicamente rejeita e repele o adiantamento do nosso século, é uma vã e pura calúnia”.

Uma “calúnia”, pois “a Igreja católica foi sempre inventora, fautora ou defensora” “de todas as instituições úteis para pôr côbro à licença dos governantes que abusam do povo; de tudo o que serve para impedir o governo de violar as liberdades municipais ou domésticas; de tudo o que concorre para garantir o dêcoro e a dignidade humana e estabelecer a igualdade”.

Houve, ainda, Taparelli e sua defesa de governos representativos, em obras como o “Exame crítico da ordem representativa” (Roma, 1854); os trabalhos de pesquisa de Villermé; Leão XIII e suas encíclicas democráticas; a reconciliação entre católicos e republicanos, na França e no mundo todo; o grupo de Eduardo Sanz y Escartín (ver “O Estado e a reforma social”, 1896) e a Escola de Liège.

Na mesma linha, houve o círculo de Friburgo e o cardeal Mermillod (autor do livro “A Igreja e os operários no século XIX”, 1868); o episcopado norte-americano com homens como o Cardeal Gibbons (1834-1921); o cardeal Manning; a Liga Democrática Belga (aprovada por Pio X); o Partido Popular Cristão, ligado ao padre Daens; o “solidarismo” do padre Antônio Pottier, do padre Pesch e do padre Llovera; o partido popular, ligado ao padre Sturzo; a corrente do personalismo cristão de Renouvier; Maritain, Mounier, a Resistência Francesa, De Gaulle; a linha de padres como Kothen (seu livro, “Problemas sociais da atualidade”, foi editado no Brasil com o prefácio de Alceu), até chegar à teologia da libertação e aos socialistas cristãos, de hoje, que retomam as linhas históricas mais importantes.

Houve marcos como o movimento da Democracia cristã, com expoentes como Romolo Murri (1870-1944); o abade Naudet; o “Sillon” e Marc Sangnier (1873-1950); Péguy, Giuseppe Toniolo, Sturzo e o partido popular; o padre Olgiatti; Maritain; Mounier e a corrente do personalismo; o próprio De Gaulle (que defendeu corretamente a descolonização, a participação dos trabalhadores na gestão e nos lucros das empresas e criticou o imperialismo ianque) e os católicos da |Resistência Francesa; os católicos existencialistas; a JOC e a Ação Católica Operária, especialmente com o Cardeal Cardij; as alianças entre a democracia cristã e os socialistas democráticos; João XXIII; o Concílio Vaticano II; Medellin; a teologia da libertação; o movimento “Cristãos pelo Socialismo”; Puebla; a CPT, o MST e a Via Campesina etc.

Para detalhar um pouco a linha acima esboçada, vejamos o padre Pottier e Pesch, que são bons exemplos de sacerdotes.

O padre Antônio Pottier (1849-1923) foi um dos líderes da Escola de Liège, elaborando bons textos sobre democracia social em 1892 e 1893. Ele participou também do movimento da democracia cristã. Escreveu obras como “De iure et iustitia” (Liège, 1900), “A cooperação e as sociedades operárias” (Liège, 1889); “A Igreja e a democracia cristã” (1901), “A questão operária” (Roma, 1903); “A moral católica e as questões sociais de hoje” (Milão, 1921).

Pottier também atuou ao lado de homens como Georges Goyau (sua obra, “O Cristo”, foi traduzida, no Brasil, por Alceu, em 1942) e Romolo Murri (1870-1944).

Goyau escreveu obras importantíssimas como “O Cristo”, “Ketteler” (1907), “Retratos católicos de precursores” (1921) e “Catolicismo social” (5 volumes).

O padre Heinrich Pesch (1854-1926) foi aluno de Rudolf Meyer (socialista cristão, amigo de Frederico Engels) e de Adolf Wagner (n. em 1835). Adolf Wagner também era socialista cristão e defendia a extensão das funções do Estado, mas com respeito à liberdade etc.

Adolf Wagner era filho de Rodolpho Wagner (1805-1864), que foi um grande cientista alemão, bem ligado à religião. O solidarismo de Pesch era uma forma branda de socialismo com liberdade e distributismo.

O solidarismo e o socialismo de cátedra eram formas de socialismo ligadas à religião. O cristianismo e o pensamento hebraico foram as matrizes do socialismo utópico, pré-marxista.

Pesch, em seu livro “Tratado da economia nacional” (5 volumes, 1905-1923), defendeu o “solidarismo cristão”, ressaltando que o bem comum significa a síntese entre o bem pessoal e o bem da sociedade. Ou seja, o dever de assegurar o bem de cada pessoa em harmonia com o bem da sociedade, o bem comum.

Na linha do socialismo romântico e cristão, há também as figuras dos irmãos Clemente Brentano (1778-1842) e Lujo Brentano, na Alemanha.

Pesch escreveu livros como “Solidarismo” (1919) e outros, bem próximos do radicalismo e do socialismo democrático.

Antes, o padre Hitze (1851-1921) já frisava que “somente uma obra legislativa ampla e profunda, somente a mão onipotente do Estado poderão estabelecer a ordem na vida social”.

O Cardeal Mercier também frisava que “quando trabalha para repartir mais equitativamente a riqueza da sociedade, o socialismo tem toda razão”.

Enfim, a relação entre cristianismo e democracia foi reconhecida até mesmo por Henrique (1908-1999), chamado o Conde de Paris (houve outros, antes, como Luís Filipe Alberto de Órleans, n. em 1838), o herdeiro da família dos Capetos e dos orleanistas, descendente de Luís IX, Henrique IV e Luís XIV. A dinastia dos capetos governou a França por uns 800 anos, descendendo de Hugo de Capeto, que assumiu o poder em 987.

Para mostrar que até os membros das famílias dinásticas aprendem (lentamente.., embora alguns, nunca), o Conde de Paris, no livro “A monarquia de amanhã” (Lisboa, Ed. Gama, 1948, texto no prefácio, p. XXIV), reconheceu que

“a autoridade e o poder têm em Deus a sua origem, mas o suporte terreno dessa autoridade só pode ser, evidentemente, o conjunto de homens que vivem na sociedade; emana, pois, do povo”.

O Conde de Paris também admitiu que “o cristão que se ordena ao bem comum e o democrata humanista que se ordena ao interesse geral encontra-se, lado a lado, nas suas esperanças temporais e políticas”.

O ideal histórico concreto da Igreja Católica é uma DEMOCRACIA POPULAR PARTICIPATIVA, ECONÔMICA, SOCIAL, CULTURAL, POLÍTICA ETC.

A verdadeira democracia é uma síntese de democracia política, social, econômica e cultural. Esta síntese foi batizada de “democracia participativa” ou “socialismo participativo”.

Democracia plena ou integral é basicamente a Fórmula principal da Igreja, a síntese da combinação das regras éticas naturais defendidas pela Igreja, a concreção das “virtudes” (regras racionais e naturais da vida).

No fundo, Democracia participativa econômica é o ideal clássico. A“politéia”, na terminologia aristotélica e tomista, ou seja, o regime governado pelo povo visando o bem comum, o bem do povo. Este é também o ideal cristão e hebraico.

Não há democracia verdadeira sem a democratização e humanização das relações sociais. Especialmente das relações produtivas, de trocas e do consumo.

Por isso, é vital a democratização da estrutura jurídica das unidades produtivas e de toda a estrutura produtiva nacional, concretizando o princípio da destinação universal dos bens, com a estatização dos meios de produção com excessivo poder (os grandes meios e mesmo médios, com influência social excessiva, cf. Pio XI, na “Quadragésimo anno”), planejamento público participativo, distribuição maciça dos bens (renda, moradia, creches, escolas públicas, saúde pública etc) na medida das necessidades de cada pessoa etc.

Nesta linha, o grande católico, Plínio de Arruda Sampaio, no livro “O Brasil pode dar certo” (São Paulo, Ed. Paulinas, 1994, p. 90), ensinou que “a democracia econômica” exige “a democratização” da estrutura das unidades econômicas, com o fim da “concentração de poder econômico”.

Plínio enfatizou que é absolutamente necessário “um substancial processo de distribuição de riqueza e da renda”, especialmente considerando que “o Brasil é o país que apresenta o índice de concentração de renda [coeficiente de Gini, em homenagem a Corrado Gini] mais elevado do mundo”.

Também destacou a necessidade de “uma regulamentação efetiva” da economia, para evitar três males: a “concentração da renda”, a falta de “um padrão de vida decente a todos” e a “devastação dos recursos naturais”, do meio ambiente.

Plínio de Arruda Sampaio foi um dos grandes leigos da Igreja e seus textos têm bom amparo na Tradição cristã, na linha de Alceu Amoroso Lima, de Frei Betto, de Dom Hélder e outros luminares.

Por direito natural – cuja compreensão é ampliada e em parte alterada no processo histórico –, os trabalhadores têm direito ao controle pessoal dos meios de produção (cf. “Genêsis, 1,29).

Os trabalhadores devem ter a maior parte dos frutos de seus trabalhos, obtendo remunerações sem a extração da mais-valia. Da mesma forma, devem ter coisas elementares como: boas condições de trabalho; jornada de seis ou sete horas corridas com semana de 35 horas ou menos, como exigiam Santo Tomás Morus, Campanella, Morelly e Mably.

Pela ética cristã e natural, humana, os trabalhadores, os produtores, tem o direito natural de trabalharem sem serem reificados, sem serem transformados em objetos, sem consciência, em “proletários”.

A sociedade não deve ter proletários e nem milionários, sem miséria e sem opulência.

Toda pessoa, somente por existir, tem o direito natural a uma renda básica assegurada pelo Estado.

Todos os trabalhadores deveriam ter estabilidade de emprego (como prevê a OIT, que estende aos trabalhadores privados o regime hoje adotado pelos funcionários públicos).

No bojo das relações de trabalho, os trabalhadores deveriam ter formas de autogestão (recomendadas por Maurício Tragtenberg, João Bernardo e outros) ou co-gestão consensual; tal como o acesso à contabilidade e às informações; à participação nos resultados (reditos, excedente) etc.

Nesta mesma linha, Alceu, na revista “A ordem” (Rio de Janeiro, Ed. Centro Dom Vital, julho a setembro de 1947, p. 188), exigia “a substituição [superação] do patronato pela associação”, a “substituição do salário pela participação” e a “superação do capitalismo individualista ou estatal, pelo humanismo econômico”.

Esta foi também a linha de Maritain, de Mounier, de Marc Sangnier, do abade Pierre, de Lebret, João XXIII e outros bons expoentes da Igreja.

Era o ideal de Mably, de Morelly, dos grandes bispos do Círculo Social, do padre vermelho Jacques Roux, do bispo Gregório, de Lamennais, Buchez, Ketteler, do Partido do Centro, De Mun, da Escola de Liège e outros luminares da Igreja.

A evolução social e trabalhista deve transformar gradualmente (o mais rápido possível) toda a estrutura econômica, de cada país e cidade, numa estrutura cooperativista (baseada na co-gestão e na autogestão) com planejamento estatal participativo e amplo distributismo, como recomendavam Buchez e Keteller.

Sobre a necessidade de uma estrutura cooperativa na economia, vejamos a lição do Vaticano II, do documento “Gaudium et Spes” (n. 67), dos bispos católicos do mundo todo em consenso com o Papa:

Como a atividade econômica se processa normalmente pelo trabalho associado dos homens, é iníquo e desumano dispô-la e organizá-la de tal modo que se transforme em prejuízo para qualquer trabalhador. Acontece, porém, muitas vezes, também em nossos dias, que os que trabalham são, de certa maneira, escravizados pela própria obra. E isso não se justifica de modo algum”.

Como explicaram Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, o trabalhador (a pessoa) não deve ser explorado pela extração da mais valia e não deve ser tratado como uma coisa, um objeto, um robô (vide a crítica de Karel capek, na peça “Rossum´s Universal Robots”; ou do teísta H.G.Wells, em “The time machine”). Há a mesma idéia no filme de Charles Chaplin.

O ser humano não deve ser tratado como coisa, sem subjetividade, nem dentro das unidades de trabalho, nem nas escolas, nos quartéis, nos presídios ou na vida civil.

Em todas estas esferas deve haver participação do povo (das pessoas) na formulação das decisões gerais, que interessam a todos.

A antropologia cristã do trabalho (e do ser humano) exige o respeito à subjetividade humana, especialmente na vida pública do país. O princípio é o mesmo: as pessoas devem participar ativamente dos bens, do poder, da cultura, do saber, dos prazeres racionais, etc.

Deve haver justiça comutativa nas relações de trabalho. O trabalho deve ser remunerado sem a extração de mais-valia (sem usura, sem infração à comutatividade das prestações).

Além disso, na medida em que as unidades produtivas forem maiores e mais poderosas, elas ficam cada vez mais sujeitas ao direito público (a formas de planejamento participativo), aos ditames da justiça distributiva e, principalmente, da justiça social (geral), à soberania da sociedade.

As unidades produtivas que detenham poder excessivo deveriam ser estatais, com co-gestão. As pequenas e médias unidades devem ser regulamentadas também.

A regulamentação pública (planejamento estatal participativo, regras, controle de preços etc) deve variar na medida exata do poder destas unidades, tal como dos bens produzidos.

Um dos remédios mais essenciais e salutíferos para coibir o mal é erradicar dois dos males piores: o capital monopolista (os monopólios, trustes, cartéis, multinacionais etc) e o latifúndio.

Estes são dois males diabólicos e filhos da soberba, da avareza e da cobiça, vícios e pecados proibidos expressamente nos Dez Mandamentos (tal como na ética do hinduísmo, do budismo, das religiões africanas etc).

O capital oligárquico (especialmente multinacionais e bancos privados) e o latifúndio geram a proletarização nas cidades e nos campos.

Conclusão: um “regime” justo requer a difusão maciça dos bens (o máximo de distributismo) e a participação de todas as pessoas na gestão destes bens, tal como no poder.

Esta foi a lição de Santo Tomás Morus, na “Utopia” (1519), onde os bens são comuns (acessíveis a todos). Os cargos (frações de poder) são abertos a todos. São eletivos ou providos por concursos públicos (como também defendia Confúcio, autor sempre elogiado e difundido na Europa, pelos jesuítas).

Esta foi também a lição de Campanella, na “Cidade do sol”, onde ensinou que “entre os solarianos existem tantas autoridades como entre nós nomes de virtudes: magnanimidade, coragem, castidade, generosidade, bom humor, sobriedade etc”.

Campanella ensinou que as eleições são a melhor forma de provimento de cargos: “eleitos para os cargos”.

Na mesma linha, há as idéias do “Código da natureza”, do padre Morelli, que influenciou diretamente Babeuf e Buonarroti, que eram teístas também.

Há ainda os textos de Mably e de praticamente todos os precursores do socialismo (Sismondi, Saint-Simon, Leroux, Fourier, Fourier, Buchez e outros) que tinham idéias e sentimentos religiosos. Fica evidente que o socialismo nasceu de ideias éticas da Igreja, distorcidas, mas de ideias religiosas católicas.

O socialismo tem, assim, um núcleo correto, de BOM TRIGO, basta retirar os erros, sendo um sistema econômico misto, pois une o máximo de difusão pessoal de bens a um máximo de socialização não reificante, participativa, baseada na liberdade. 

A doutrina da Igreja sempre defendeu trabalhadores, inclusive micros e pequenos produtores

Livros como o “Tratado da República” (1521), do Frei trinitário (ordem destinado à redenção, libertação, dos cativos) Alonso de Castrillo, mostram a relação entre o movimento das comunas desde o século XI (um movimento elogiadíssimo por Kropotkin) e a luta pela democratização do Estado.

Frei Alonso destacava a igualdade de todas as pessoas e a importância das regras estatais serem consensuais, racionais e benéficas a todos.

Criticava a perpetuidade dos mandos, ensinando que o agente público deve “dar contas de como governa”, prestar contas à sociedade. Ensinava que a difusão de bens era o caminho correto.

Como Marx, viu que a parte boa da economia medieval era formada por milhões de camponeses livres, de artesãos e outros micro e pequenos trabalhadores. A parte má era o latifúndio.

Os “nobres” eram os grandes fazendeiros, que vivem armados, iguais ao figurino de BozoNazi.

Esta parte tinha mesmo de ser erradicada.

Outra parte má eram os banqueiros, que a Igreja e o Estado cerceavam e a própria Igreja defendia os “Montes de piedade”, espécies de bancos públicos, que cobravam apenas taxas administrativas, sem usura.

No livro “Da vida civil (1430), de Matteo Palmieri (1405-1475) há a mesma base bíblica, tal como no melhor da Paidéia, especialmente Platão, Aristóteles, Cícero, Plutarco, Quintiliano e outros.

Ou seja, as bases sempre atuais do humanismo católico, fundado no humanismo da Paidéia e no humanismo hebraico.

O bem comum é cada um ter sua cota-parte e o controle PESSOAL sobre o fluxo da produção, sobre a organização geral da economia

Os bens e o poder político devem ser universalizados, socializados, tendo a participação de todos.

O princípio da destinação universal dos bens aplica-se a todos os bens, tal como ao poder

Os bens e o poder político foram destinados e dados por Deus a sociedade e são naturalmente destinados a todos. Logo, todos devem ter participação nos bens e no poder. O poder é uma espécie de bens e está sujeito também ao princípio da destinação universal dos bens.

Como explicou Fernando de Azevedo, no livro “A cultura brasileira” (4ª. edição, Brasília, Ed. UnB, 1963, p. 200), o caminho ético (correto, racional) da história do Brasil é a “integração… progressiva, de todo o povo, na vida econômica, cultural e política da nação”.

Fernando de Azevedo fundamentava esta opinião nos textos de Pandiá Calógeras, Sérgio Buarque de Holanda, Joaquim Nabuco, Oliveira Lima (grande historiador católico) e de outros grandes católicos.

João Paulo II ensinou, em seus discursos no Brasil (em 30.06.1980 e 10.07.1980), que “o acesso de todos” aos bens (inclusive ao poder) “constitui” “condição indispensável da liberdade e criatividade do homem, aquilo que lhe permite sair do anonimato e da alienação” e “colaborar com o bem comum”. Para este fim, o papa ressaltou a necessidade de “reformas audazes”. Como ensinava Santo Tomás, “difundir-se é próprio da natureza do bem” (“bonum dicitur diffusivum sui est”).

A idéia de um direito vivo, adequado à consciência e às necessidades do povo, que difunda os bens, o poder e o saber, faz parte do jusnaturalismo e das teses do direito alternativo.

Por isso, José Geral do de Sousa Júnior, no livro “Para uma crítica da eficácia do direito” (Porto Alegre, Ed. Sérgio Antônio Fabris, 1984, p. 136), acolhe os textos de Roberto Lyra Filho (socialista cristão, como seu pai, Roberto Lyra) e defende “a instauração de um efetivo poder popular”.

O direito vivo (verdadeiro), para Lyra Filho, é “a centelha” (“sinderesis”, cf. São Jerônimo) que nasce da sociedade, como “canal condutor” “o cadinho em que se forma o parâmetro da estimativa [no fundo, as melhores idéias para orientar as decisões] e, portanto, o guia da praxis humana progressista” (cf. p. 135, do excelente livro de José Geraldo).

As lições de Moisés, dos Profetas, de Cristo, dos Apóstolos e de Maria foram esmiuçadas nos textos revolucionários de São Basílio e de Santo Ambrósio, que ensinavam que os bens são destinados a todos, como ensina o princípio da destinação universal, e isso vale também para o “poder”. Os poderes e os bens devem ser regidos pela sociedade, pelos direitos subjetivos naturais humanos.

Os bens, como um rio que deve escoar por pequenos canais (capilarização, cf. Alceu), devem fertilizar as “terras”, todos os membros da sociedade.

Os bens, como o sangue, devem irrigar todo o corpo social (todos os membros), numa boa estrutura metabólica. Os bens devem ser “partilhados”, serem titulados, participados por todos.

Os bens e, assim, também o poder, é como a água que flui mais pura à medida que dela se haure com mais frequência, apodrecendo (e enchendo-se de vermes, como dizia São Tiago), se ficar parada, “acumulada”.

Num sentido parecido, há a mesma tese no livro “Democracia industrial” (1892), do casal Sidney e Beatrice Webb, inspirado em idéias do socialismo cristão da Inglaterra, tal como no tolstoísmo.

Maritain elogiou (no livro “Humanismo integral”, p. 81) os Webb por terem esboçado as linhas de uma “democracia multiforme” sem a “subordinação da força-trabalho humana à fecundidade do dinheiro” e do lucro.

Estas imagens e idéias reaparecem depois nos textos socialistas, especialmente nas metáforas religiosas usadas por Marx, como bem ressalou Enrique Dussel.

Estão presentes nos textos dos socialistas cristãos pré-marxistas, nos de Marx, Bukharin e até em Stalin (que foi seminarista até os 21 anos, pois nasceu em 1878 e ficou no seminário até 1899) etc.

Sobre este ponto, vale à pena ler, do mexicano José Porfírio Miranda, os livros “Marx e a Bíblia” (1971), “Comunismo na Bíblia” (1981) e “O humanismo cristão de Marx” (1978). Numa linha próxima, há as obras de Dussel sobre as metáforas (imagens) cristãs usadas por Marx.

Stalin, diante do ataque nazista à URSS, estendeu às mãos à Igreja Ortodoxa, à força moral da religião e do patriotismo. Stalin tinha a seu lado vários ex-seminaristas, como, por exemplo, Anastas ivanovich Mikoyan (1896-1978).

Anastas estudou, por anos, no Seminário Teológico Armênio e, depois, chegou a ser Presidente da URSS, de 1964 a 1965. Ocupou vários Ministérios (Comissariados) de Estado de grande importância, como o de Abastecimento (1926), do Suprimento (1930), da Alimentação (1934), presidente do Comitê de Abastecimento durante a II Guerra e Ministro do Comércio Nacional e Internacional no pós-guerra.

A III Internacional Comunista, desde 1935 (dezoito anos após a Revolução Russa, de 1917), com as teses do VII Congresso, com base em Dmitrov, preconizou a aproximação com as organizações operárias católicas.

Em 15.07.1935, a Junta Central da Internacional comunistas dos jovens recomendava “amiudar os acordos fraternos com os jovens trabalhadores cristãos e as suas organizações, para o incremento da união da mocidade contra o fascismo”.

No início de 1936, tendo como marco-símbolo o discurso de Thorez (encontrava-se com João XXIII, quando este era núncio, em Paris, depois de 1944), em 17.04.1936, a Internacional orientou seus militantes a estender às mãos aos católicos, na política das mãos estendidas.

Thorez proferiu o discurso pela Rádio Paris, sendo este o marco da “politique de la main tendue” (“política das mãos estendidas”) aos católicos.

Pio XI, na “Divini Redemptoris” (19.03.1937), descreve esta política: os comunistas “convidam os católicos a colaborar” no “campo humanitário e caritativo, propondo por vez coisas em tudo conformes ao espírito cristão e à doutrina da Igreja”.

Os comunistas chegavam ao ponto de dizer que “em países de maior fé ou de maior cultura”, o socialismo “não impedirá o culto religioso e respeitará a liberdade de consciência”. A Internacional também mencionava as “mudanças introduzidas” na “legislação soviética”, especificamente na Constituição da URSS, de 1936.

No fundo, Stalin e a Internacional, a partir de 1935, tendo como expoente Dmitrov, lançaram um movimento de aproximação com os católicos, os muçulmanos, a religiosidade africana e com os socialistas democráticos.

A “apropriação” social ou socialização dos meios de produção se aplica para os grandes poderes sociais e exige a estatização-socialização dos meios de produção (bens) que contenham grande poder, tal como de outros bens que também gerem poder.

O ponto central é que as grandes decisões, que concernem a todos, devem ter a participação de todos, como explicavam os Santos Padres.

O processo decisório deve ter como marcos a “lei natural”, ou seja, o conteúdo da consciência de todas as pessoas, como explicava São Paulo, o poder deve ser a expressão das regras sociais e razoáveis de conduta, regras consensuais.

A socialização dos meios de produção implica na adoção de idéias racionais, consensuais e benéficas a todos no processo decisório da sociedade, em formas de planejamento participativo.

Este ponto foi bem explicado por Pio XI na “Quadragesimo anno”, em 1931; por Pio XII, em 11.03.1945; nas encíclicas de João XXIII; nos textos do Vaticano II; nos textos de Paulo VI; e também por João Paulo II, na “Laborem exercens”, 1981, onde ensinou que a “socialização” dos “meios de produção” era “satisfatória” no prisma ético, desde que estes meios de produção estivessem sob o controle dos trabalhadores e da sociedade e servissem às necessidades humanas. Em outras palavras, desde que a gestão destes bens fosse feita de forma participativa, baseado em idéias consensuais, que asseguram o bem comum.

Os bens pequenos – especialmente moradias, renda cidadã básica para bens de consumo, ferramentas etc, tal como os pequenos poderes – devem ser difundidos entre todas as pessoas (moradia para todos, renda cidadã, boa remuneração do trabalho etc).

Sobre a importância da difusão de moradias, há o documento “A Igreja ante a carência de moradias”, da Pontifícia Comissão de Justiça e Paz, de 27.12.1987:

“Cada nação e a comunidade de nações estão perante um desafio da humanidade: desenhar [projetar, planejar} uma sociedade onde nenhuma pessoa fique sem satisfazer as necessidades essenciais para viver com dignidade; onde ninguém fique privado de uma moradia [vivenda] digna, como fator principal do progresso humano”.

Este documento frisa que todas as pessoas têm o direito à moradia e que a “carência ou privação” “de algo devido” é “uma injustiça”. A justiça manda dar “a cada um o que lhe é devido” e o que é devido são os bens e os poderes necessários a uma vida digna, ou seja, há justiça quando os direitos humanos naturais são atendidos.

Logo, “toda pessoa ou família que, sem culpa direta carece uma vivenda decente é vítima de uma injustiça”, de “uma injustiça estrutural, causada e mantida por injustiças pessoais”.

O mesmo princípio vale para o poder: nenhuma pessoa deve ser tratada como pária, como escravo, como coisa, todos devem participar no poder, sendo esta a forma de controle popular do poder e de assegurar o bem comum.

O cooperativismo – tendo como precursores Buchez, Ozanam, Ketteler, recomendadas por Pio IX, Leão XIII, Pio X e demais papas – e o planejamento participativo permitem que as pequenas atividades econômicas sejam socializadas e organizadas para o bem comum.

Estas liberdades, ao lado da difusão das moradias familiares e outros bens fundamentais (distributismo de Chesterton etc), são importantes para assegurar inclusive o controle social sobre o Estado e sobre as estatais, que devem ser organizadas com a co-gestão dos trabalhadores, com a democratização das unidades produtivas.

Estas liberdades também são essenciais para assegurar formas de planejamento participativo das atividades econômicas, cingindo-as aos limites do bem comum.

Pio XII, no “Discurso de 11.03.1945”, deixou clara a licitude e mesmo a necessidade de que o Estado decrete a expropriação de bens privados, para difundir os bens entre todos e para constituir patrimônios públicos necessários aos fins gerais da economia nacional.

Com base nestas idéias, no Brasil, a Frente Nacional do Trabalho queria a expropriação das grandes fábricas para entregá-las aos operários como propriedade social, utilizando a mesma estratégia da CPT, da Pastoral da Terra.

Durante a própria Idade Média – como foi apontado pelo próprio Marx, no início do livro “O Capital”, onde cita Santo Tomás Morus, o padroeiro dos governantes e dos políticos –, existia uma constelação de propriedades comunais e estatais sob o controle dos trabalhadores.

Existiam estruturas municipais (comunas), terras comunais e as Universidades sob o controle dos professores e dos alunos etc.

Marx, no livro “O Capital”, relata como o capital (os capitalistas) foram destruindo estas propriedades estatais, comunais e comunitárias.

A socialização exige, sim, a planificação participativa de toda a economia. Esta é a função normal (racional) e ética do Estado de “coordenar” (regulamentar, planejar, de forma participativa) as “atividades para o bem comum nacional”, nas palavras textuais de Pio XI.

A socialização também exige a estatização dos grandes meios de produção, ou seja, dos meios de produção com poderes excessivos, próprios da sociedade, cuja posse privada geraria ditaduras e tiranias privadas.

Afinal de contas, não pode haver planejamento participativo com a sociedade dividida, com miséria e riqueza concentrada.

A estatização dos meios de produção que trazem muito poder e o planejamento participativo foi elogiada e recomendada por Pio XI, na “Quadragesimo anno” (1931, com o respaldo de Pio XII, João XXIII e Paulo VI, mais tarde).

Nesta encíclica, Pio XI destacou a convergência entre as opiniões dos católicos e dos socialistas democráticos, em vários pontos, tal como a aproximação dos socialistas das idéias da Tradição cristã.

Sobre este ponto, vale à pena a leitura dos livros e textos de autores como Clemente Attlee, G. D. H. Cole, Hobson, Laski, Fernando de los Rios (“El socialismo humanista”, Madrid, 1926, um socialismo aberto aos católicos, que inspirou parte relevante dos revolucionários espanhóis, em 1931), Somerville e outros.

Conclusão: na linha de Buchez/Ketteler (esposada também por Lassalle, Luís Blanc e outros), a doutrina da Igreja, ao aceitar as pequenas propriedades familiares, não aceita a estrutura egoísta e autocentrada do Estado atual e da propriedade quiritária (não sujeita ao controle social).

Mesmo os pequenos meios de produção e outros bens (moradias, veículos e outras atividades etc) devem estar sujeitos ao domínio (controle) eminente da sociedade, ao direito amplo de gestão (da autogestão ampliada) da sociedade, que é a titular e o sujeito do bem comum.

A sociedade – especialmente por sua ferramenta, Estado, que deve ser controlado pela sociedade organizada – deve regular o uso e a distribuição dos bens para que estes também sirvam ao bem comum, para a promoção da igualdade social (mediania), eliminando a miséria e também as fortunas privadas.

O grande Padre Gabriel Bonnot Mably, elogiadíssimo por Karl Marx, precursor católico de Marx

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A VIA MÉDIA, de um socialismo democrático com milhões de micros e pequenos produtores e trabalhadores associados

Sempre existiu uma VIA MÉDIA entre liberalismo individualista capitalista e “coletivismo” estatal (estatização de tudo, num molde militar).

Esta via média, ECONOMIA MISTA, foi basicamente a linha da doutrina social da Igreja. 

Uma linha de uma sociedade com IGUALDADE SOCIAL, sem miséria e sem grandes fortunas privadas. Com um grande Estado social protetor dos trabalhadores, com intervenção para regular o uso dos bens, fazer planos a longo prazo de desenvolvimento, estatais, obras públicas, leis sociais, direitos sociais e trabalhistas etc.

Uma linha que erradicaria a miséria, difundindo bens entre o povo, para erradicar a miséria.

Um Estado que daria ampla proteção ao trabalhador braçal (ampla legislação trabalhista, transformando as unidades produtivas em cooperativas basicamente).

Ao mesmo tempo, daria proteção a todo micro e pequeno produtor (artesãos, escritores, cientistas, pequenos industriais, pequenos comerciantes, pequena burguesia, CAMPONESES etc).

Uma linha que não aceita o grande capital privado (trustes e cartéis, Oligopólios) e o latifúndio. Ou seja, uma linha que NÃO ACEITA A GRANDE PROPRIEDADE PRIVADA, o grande capital privado, a concentração de bens e poder (controle do Estado) em poucas mãos.

Os bens e o poder (a estrutura estatal) devem ser ESPALHADOS, para todos, DEMOCRACIA ECONÔMICA. 

Esta linha está clara mesmo nos textos anti-capitalistas e anti-livre cambismo de Adam Muller, autor que Marx leu, bem jovem. Está em Franz von Baader, depois reaparece na linha de economistas como W.G.F. Roscher (1817-1897), em vários livros muito importantes para a história da análise econômica, elogiados no livro “História da Análise econômica” (Editora Fundo de Cultura, Rio de Janeiro, 1964, Parte III, p. 184).

No fundo, é a linha dos socialistas pré-marxistas.

É a linha dos socialistas pequenos burgueses, como Sismondi.

Também é a linha dos socialistas pequenos burgueses ricardianos, que queriam cooperativas.

É a linha de Saint Simon, do sansimonismo. A linha de Fourier e do fourierismo. A linha dos textos cooperativistas de Owen. E estes três autores tinha religiosidade, ponto que vou mostrar em detalhes, em outras postagens. Em geral, queriam economia mista, também.

Lembro que mesmo Babeuf era favorável a economia mista, não queria mexer com os micros e pequenos produtores, ponto que também vou mostrar, e já até postei sobre isso.

Lenin, no NEP, no fundo, queria isso, como fórmula de transição e de uma Frente Ampla. Bukharin, mais ainda. 

Também lembro que a linha de Morus, Campanella, Spinoza, Mably, Morelli e, depois, Babeuf e Buonarrotti, queriam um Estado amplo, mas, em geral, com liberdades, micros e pequenos produtores.

Os melhores textos de Rousseau, especialmente seus projetos de Constituição para a Córsega e para a Polônia, seguem esta linha. 

A linha da economia mista é a linha de Alban de Villeneuve-Bargemont (1784-1850), no livro “Economia política cristã” (1834), obra que o jovem Marx leu. 

Também era a linha de K. H. Rau (1792-1870), economista que escreveu o livro “Tratado de economia política” (1826-1837), obra que Adolf Wagner, mais tarde, apenas ampliou.

O mesmo seja dito sobre Frederich List (com o livro “Sistema nacional de economia política”, 1841) e, mais ainda, Henry Carey, nos EUA. 

Na mesma linha há Buchez, Johann Karl Rodbertus (1805-1875), Adolf Wagner e mesmo Ferdinand Lassalle.  E o bispo Ketteler.

No fundo, era também a linha de Stuart Mill, de um socialismo democrático cooperativista, tal como a linha de Buchez, Luís Blanc e dos socialistas democráticos. 

O ideal do Estado social, amplo, de ampla intervenção social, faz parte INTRÍNSECA da ética do catolicismo

Pio XI, no “discurso à Federação Universitária Católica Italiana” (18.12.1937), destacou bem a importância do poder público, do Estado: “nada, poder-se-ia dizer, exceto a religião, é superior ao domínio político, que concerne aos interesses de toda a sociedade e que, neste sentido, é o domínio por excelência da forma mais extensa da caridade: a caridade política”.

“Caridade política” é criar um Estado social, Bom Samaritano, Bom Pastor, Protetor, Pai, de Amparo social a cada membro da sociedade, com prioridade para os mais necessitados.

O ideal do Estado social é parte INTRÍNSECA DA ÉTICA CRISTÃ E NATURAL. 

No mesmo sentido, Paulo VI, na “Octogesima adveniens” (n. 46), destacou que “a política é uma maneira exigente… de viver o compromisso cristão, ao serviço dos outros”.

De fato, na concepção cristã sobre o poder, O PODER é intrinsecamente um “serviço”, estando sujeito aos “interesses de toda a sociedade”, ao povo, guardião do bem comum.

De fato, o povo vivo é o principal bem comum, ao qual tudo deve estar vinculado. 

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