Arquivos para : A “Fórmula” – BABOVISTA, de Babeuf, Buonarrotti, Mably, Morelli e Morus. Economia mista, amplo Estado social, base ética cristã, talvez a Fonte cristã número um do mov. socialista

Nota da Comissão Pastoral da Terra contra BolsoNAZI, a ameaça do Terror dos ricos contra os pobres

Em Nota Pública, Conselheiros e Conselheiras, Coordenação Executiva Nacional e Diretoria da Comissão Pastoral da Terra (CPT) repudiam veementemente as declarações ofensivas de Jair Bolsonaro sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

O documento destaca: “As ofensas dirigidas a estes Organismos se estendem também a todos os católicos e a todas as católicas do Brasil e do Mundo, já que somos muitos e muitas, mas formamos um só corpo” (cf. 1 Cor 12, 13). Confira:

“Felizes vocês se forem insultados e perseguidos e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim” (Mt 5, 11).

Nós, Conselheiros e Conselheiras, Coordenação Executiva Nacional e Diretoria da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em reunião do Conselho Nacional, queremos MANIFESTAR nosso REPÚDIO às afirmações do Sr. Jair Bolsonaro que, em vídeo que circula nas redes sociais, ofende a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), chamando estes dois Organismos de “banda podre da Igreja Católica”.

As ofensas dirigidas a estes Organismos se estendem também a todos os católicos e a todas as católicas do Brasil e do Mundo, já que somos muitos e muitas, mas formamos um só corpo (cf. 1 Cor 12, 13).

A CNBB, diferentemente das acusações do Sr. Jair Bolsonaro, é um Organismo que há 66 anos coordena as atividades de todos os bispos Católicos do Brasil, que tanto bem tem feito não somente à Igreja Católica, mas ao povo brasileiro, quando tomou a defesa dos perseguidos e torturados pela ditadura militar.

Durante todos os anos de sua história tem tomado posição ao lado do bem, da verdade, da justiça, da vida, da dignidade da pessoa humana, especialmente dos mais pobres e excluídos.

Tem se manifestado em Documentos, Mensagens e Notas no sentido de promover a democracia, os direitos dos trabalhadores, dos povos indígenas, das comunidades camponesas e a favor de uma Reforma Agrária autêntica.

A CNBB, portanto, não pode jamais ser chamada de “banda podre da Igreja Católica”, pelo contrário, ela nos ajuda a ser e viver como cristãos e cristãs, no seguimento de Cristo, que veio para que tivéssemos vida e vida em abundância (cf. Jo 10, 10). A CNBB nos representa. Nós somos CNBB.

O CIMI, diferentemente das acusações do Sr. Jair Bolsonaro, é um Organismo da Igreja Católica que nasceu para SERVIR os Povos Indígenas e tem cumprido exemplarmente esta missão, sendo muitas das vezes a única voz em sua defesa e em apoio às suas lutas, para não perderem suas terras e territórios, para preservarem suas culturas e direitos e para reconquistarem territórios dos quais foram esbulhados pela sociedade envolvente.

O CIMI, também, não pode jamais ser chamado de “banda podre da Igreja Católica”. Ele é uma das muitas formas de se praticar a caridade cristã, através da prática da solidariedade com os Povos Indígenas. O CIMI nos representa. Nós somos CIMI!

LEIA TAMBÉM: NOTA PÚBLICA: Com as armas da solidariedade e da justiça, resistamos à mentira, hipocrisia e barbárie!

Cremos que o povo brasileiro, os cristãos de todas as Igrejas e os Católicos ficarão com quem faz o bem e promove a vida e a paz; com quem busca a verdade e denuncia a mentira e as injustiças; ficarão com a CNBB e com o CIMI.

Assumimos como nossas as afirmações da Nota Conjunta da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), CNBB e outras entidades sobre o momento em que vivemos. Com elas queremos:

AFIRMAR o peremptório repúdio a toda manifestação de ódio, violência, intolerância, preconceito e desprezo aos direitos humanos, assacadas sob qualquer pretexto que seja, contra indivíduos ou grupos sociais, bem como a toda e qualquer incitação política, proposta legislativa ou de governo que venha a tolerá-las ou incentivá-las”; ­­

“REITERAR a imperiosa necessidade de preservação de um ambiente sociopolítico genuinamente ético, democrático, de diálogo, com liberdade de imprensa, livre de constrangimentos e de autoritarismos, da corrupção endêmica, do fisiologismo político, do aparelhamento das instituições e da divulgação de falsas notícias como veículo de manipulação eleitoral, para que se garanta o livre debate de ideias e de concepções políticas divergentes, sempre lastreado em premissas fáticas verdadeiras”.

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32).

 Goiânia, 26 de outubro de 2018.

Conselho Nacional, Coordenação Executiva Nacional e Diretoria da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Algumas boas ideias de Paul Lafargue sobre a religião

Paul Lafargue, o genro de Marx, escreveu o texto “Porque a burguesia crê em Deus” (publicado, no Brasil, na revista “Divulgação marxista”, n. 09, novembro de 1946, p. 7 a 9).

Vejamos um trecho deste texto de Lafargue: “… os homens de ciência, com raríssimas exceções, vivem sob o encanto desta crença” (em Deus), “todos os sábios reconhecem que Deus é mais ou menos necessário para o bom funcionamento da engrenagem social e para a moralidade das massas populares”.

Lafargue reconheceu que Robespierre e Napoleão viam a religião como necessária.

Constatou também que “Voltaire, Rousseau, Turgot e outros não chegaram jamais à negação de Deus”.

Se Lafargue tivesse lido Turgot mais atentamente, veria que este fez um excelente elogio do cristianismo como a principal fonte do progresso social.

Quanto ao número de cientistas católicos, basta citar alguns, dentre milhares: Pasteur, Pascal, Volta, Galvani, André Marie Ampère (1775-1836), Copérnico, Galileu, Mendel, Lavoisier, Descartes, Secchi (vide “A unidade das forças físicas”, 1865), Bartolomeu de Gusmão e outros.

O genro de Marx também lembrou que “Cabanis, Maine de Biran, de Gerando” e outros “retrataram-se publicamente de suas doutrinas ímpias”.

O velho Georges Cabanis (1757-1808), no final da vida, escreveu o livro “Carta sobre as causas primeiras” (1806), onde elogia a religião natural, a ética cristá e admite a existência independente da alma. Mesmo em seu livro “Relatório do físico e do moral do homem” (1802) não há uma declaração clara de ateísmo.

Cabanis interpretou o próprio pensamento nesta obra, publicada após sua morte, deixando claro suas diferenças e divergências com Holbach e Lamettrie.

Biran e Gerando permaneceram religiosos durante toda a vida.

Maine de Biran (1766-1824) redigiu obras genais como “A influência do hábito” (1802), “A decomposição do pensamento” (1805) ou “Relações entre o físico e o moral” (1814).

Lafargue reconheceu ainda o “deísmo dos homens de gênio como Cuvier, Goffroy, Saint Hillaire, Faraday e Darwin”. Por fim, Lafargue reconheceu que:

a leitura da Bíblia pelos assalariados contém perigos que Rockefeller soube apreciar e, a fim de remediá-los, o grande “Trustman” organizou um “trust” para a publicação das bíblias populares, expurgadas das queixas contra as iniqüidades dos ricos e dos protestos de cólera contra o escândalo de sua fortuna”.

Neste último ponto, Lafargue admitiu que a Bíblia tem textos contra os ricos, ou seja, contra a concentração de bens em mãos privadas, contra as opressões etc.

Ernest Belfort Bax (1854-1926) e Emile Vandervelde (1866-1938) censuraram Paul Lafargue, o genro de Marx, por este não entender a importância dos “princípios éticos”, que, para estes socialistas, eram conceitos universais e necessários e essenciais inclusive para a crítica do capitalismo.

Nisto, Bax e Vandervelde deixaram explícitas as bases éticas de suas idéias socialistas. O livro de Bax, “A ascensão e queda dos anabatistas” deixa explícita esta linha ética.

De fato, as correntes do socialismo democrático, lá por 1870, já estavam se reaproximando do catolicismo, defendendo reformas sociais graduais, democracia, possibilismo, “oportunismo”, gradualismo, trabalhismo, personalismo etc, isso na Inglaterra, na França, na Suiça e outros países.

A esta crítica, Paul Lafargue, o genro de Marx, respondeu:

Por Deus! Tal como os filósofos mais espirituais, eu não posso me evadir de meu meio social: é necessário sofrer as idéias correntes, cada um as corta a sua medida e toma seus conceitos individuais para criticar as idéias e as ações dos outros”.

A discordância de Lafargue era apenas que não considerava estes conceitos como os “axiomas da matemática”, pois achava que estes variavam nos lugares e épocas.

Conclusão: Lafargue não sabia, mas o jusnaturalismo adotado na doutrina da Igreja atende a seu pleito, pois admite claramente, na linha dos textos de Tomás de Aquino e de outros Doutores, a variabilidade, a flexibilidade do direito natural e, assim, da própria doutrina social.

A Liga dos Justos, organização existente antes de Marx, já baseava toda sua teoria sobre comunismo e socialismo em ideias religiosas

A Liga dos Justos foi criada em torno de 1834 ou 1836, pois houve alterações. Desde o início, usava textos de Sismondi, Lamennais e, depois, de Wilhelm Weitling. Foi criada em Paris, tendo, principalmente, alemães imigrados.

Os textos principais da Liga eram “A humanidade como ela é e como deveria ser” (1838) e “Garantias da harmonia e da liberdade” (1842).

Como Heine apontou, esta última obra, “Garantias”, durante longo tempo, foi o Catecismo dos comunistas alemães”.

Weitling era profundamente cristão, tendo também escrito o livro “O Evangelho dos pobres pecadores”.

A Liga seguia as ideias do socialismo de Cabet, de fundo religioso, tal como as ideias do babovismo, que eram as ideias do padre Morelly e do padre Mably, transmitidas principalmente no livro de Philippe Buonarroti, pessoa religiosa, cristã, católica.

Foi na Liga que Marx aprendeu a base de seu socialismo.

Quando Marx chega a Paris, em 1842, vai viver num apartamento ao lado de German Maurer, o dirigente francês da Liga dos Justos.

As ideias cristãs fazem parte do NÚCLEO original das ideias socialistas, a parte do Trigo

“Mensagem dos bispos do Terceiro Mundo” (um documento firmado por Dom Hélder e outros bispos em 1968) é claríssima sobre o mal do capitalismo e a defesa de um modelo de socialismo democrático:

“… a Igreja, de um século para cá, tem tolerado o capitalismo com o empréstimo a juros legais e outros uso dele, pouco conformes com a moral dos Profetas e do Evangelho. Mas, ela não pode senão regozijar-se ao ver aparecer no meio dos homens outro sistema social menos distante desta moral. Caberá aos cristãos de amanhã, segundo a iniciativa de Paulo VI, reconduzir as suas verdadeiras fontes cristãs essas correntes de valores cristãos que são a solidariedade, a fraternidade (cf. “Ecclesiam Suam”). Os cristãos têm o dever de mostrar que “o verdadeiro socialismo é o cristianismo integralmente vivido, na justa repartiçaõ dos bens e a igualdade fundamental”.

“Longe de nós mostrar-nos contrários a ele; é, antes, necessário que adiramos com alegria, como a uma forma de vida melhor adaptada a nosso tempo e mais conforme com o Espírito do Evangelho” (“Cuadernos de Marcha, n. 9, janeiro de 1968. De Camilo Torres a Helder Câmara)”.

No núcleo mais profundo do movimento democrático e das correntes socialistas e comunistas há inúmeras sementes de verdade e idéias cristãs, como reconheceram Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II.

O principal é distinguir os bons elementos (os bons sinais, sementes do Verbo) e acolhendo-os, jogando fora os erros das partes más (a água suja que lavou o bebê).

Por exemplo, a Liga dos Justos nasceu cristã, inspirada nos textos cristãos de Lamennais, Sismondi, dos carbonários, de Philip Buonarotti (1761-1837), Giuzeppe Mazzini, Saint-Simon, Weitling, Ludwig Borne (1786-1837, cristão), Victor Considerant (1808-1893), Benjamin Buchez (1796-1865) e de Etienne Cabet.

A Liga defendia, antes de Marx, a “teoria da comunidade de bens”, com base no livro “Atos dos Apóstolos”, usando os textos de Santo Tomás Morus, Campanella, Mably, Morelly.

Os primeiros socialistas usavam textos do cristianismo primitivo, de São Basílio e Moisés. Esta comunidade de bens é o princípio da destinação universal dos bens e faz parte essencial da ética cristã e hebraica.

Os carbonários, por exemplo, lutavam pela democracia e também abonam a tese deste livro sobre a harmonia entre a religião e a democracia social.

A religiosidade dos carbonários fica mais do que evidente nos textos históricos da seita, nos seus ritos e na própria fórmula do juramento.

Esta religiosidade foi reconhecida inclusive no documento “Ecclesiam a Jesu Christo” (13.09.1821), onde Pio VII constata o apreço dos carbonários por Cristo, pelo cristianismo e pela Igreja.

Nos ritos e dogmas carbonários há o amor à paixão de Cristo e por outros “mistérios” religiosos. Em seus juramentos, a base é religiosa. Tinham erros teológicos, mas também bases verdadeiras.

Na França, os líderes iniciais da Carbonária foram homens religiosos como Buchez e mesmo Bazard.

Na Itália, um de seus líderes principais foi Giuseppe Mazzini, um italiano com grande religiosidade, defensor de uma democracia social e econômica, com fundamentação religiosa.

A religiosidade dos carbonários foi atestada pelo próprio Pio VII, na bula “Eccles. à Jesu-Christo”, em 1821: “eles afetam singular respeito e um zelo admirável pela religião e pela doutrina e pessoa de Jesus Cristo, a quem” chamam de “seu grão-mestre e o chefe da sua sociedade”. Usam “discursos que parecem mais suaves que o óleo”.

Neste documento, Pio VII condenou o juramento de segredo dos carbonários, com o mesmo argumento da proibição da maçonaria.

As sociedades secretas são anti-democráticas, pois fogem à luz pública do dia. Esta premissa foi adotada pelo Cardeal Salvatore Pappalardo, arcebispo de Palermo, no conflito contra a máfia, na Sicília.

O diálogo ecumênico (ecletismo racional) e aberto entre correntes de idéias contrapostas é essencial na ética cristã, como ressaltava Alceu.

Este diálogo auxilia no surgimento de uma democracia participativa. Em outros termos, auxilia no parto de uma forma boa de socialismo humanista e participativo.

Conclusão: a difusão do controle (do poder, dos bens), ou seja, a democratização (o poder do povo em todas as instâncias) da sociedade, é uma exigência cristã e natural.

As origens religiosas do movimento socialista

As fontes teóricas de Marx são, quase todas, fontes religiosas

Marx explicitou suas fontes teóricas, quase todas PESSOAS RELIGIOSAS: São Tomás Morus (1516), citado no início do livro “O capital”, vol. I; Campanella (1602); Gerard Winstanley (1609-1652), o abade Ferdinando Galiani (1728-1787, autor do livro “Diálogos sobre o comércio de grãos”); Mably; Morelly; o Círculo Social (cujos dirigentes eram padres); o padre Jacques Roux; Babeuf e Phillipp Buonarroti (1761-1837, autor do livro “História da conspiração de Babeuf”), sendo estes dois teístas, com base em Morus, Mably e Morelly; Sismondi; William Cobbett (autor apreciadíssimo por Marx); Weitling; Buchez; Leroux; Robbertus; Saint Simon e Bartolomeu-Próspero Enfantin (1796-1864, que deixou boas obras sobre ética e economia); Owen; Fourier e Victor Considerant; Thomas Carlyle; Moses Hess e antes Spinoza; Etienne Cabet; Eugenio Buret (que influenciou diretamente Engels); Louis Blanc; Vitor Hugo; os cartistas; os irlandeses católicos (com O´Connell antes do cartismo e depois com os fenianos); o movimento de independência polonês, quase todo católico; os Cavaleiros do Trabalho nos EUA (dirigidos por um grande católico chamado Powderly); e centenas de outros autores, quase todos católicos ou cristãos.

As fontes principais de Marx são religiosas: Hegel, Saint-Simon, Santo Tomás Moorus, Morelly, Babeuf, Buonarotti, Weitling, Moses Hess, Spinoza e mesmo Feuerbach.

Analisei estas fontes e dezenas de outras em meu livro, com os textos transcritos, para deixar claro que não inventei nada, apenas pesquisei e transcrevi os textos e as fontes, como abonações.

O próprio Marx escreveu que o comunismo cabetiano era o maior na França no início dos anos 40 (antes de Marx se tornar comunista) e esta forma de socialismo utópico era difundida com base em idéias cristãs (inclusive nos bons textos de Victor Considerant, 1808-1893).

Na Inglaterra, os cartistas cristãos (Thomas Cooper e especialmente Feargus Edward O´Connor, 1794-1855, dirigente cristão da ala esquerda dos cartistas, fundador e redator do jornal “A Estrela do Norte, que era o órgão central do cartismo, autor elogiado por Marx e Engels, tal como Bronterre), foram os precursores do socialismo e o primeiro movimento operário organizado. Feargus lutava por uma extensa reforma agrária na Inglaterra.

Os cartistas inspiraram-se no movimento dos irlandeses, especialmente em líderes católicos como o grande católico Daniel O´Connell (1775-1846).

Este político foi um advogado irlandês, que encabeçou o movimento pela emancipação irlandesa. Em 1832, fundou a “Great Catholic Association” e, em 1840, como líder católico, a “Royal National Repeal”, cujos métodos em boa parte inspiraram a luta dos cartistas, pois boa parte destes era formada por irlandeses.

O próprio Feargus começou a militar entre os “repeals”.

Flora Tristan, em suas viagens a Inglaterra, conheceu os cartistas, a O´Connor e O´Brien e foi influenciada por estas correntes, tal como pelo sansimonismo.

É possível que Marx tenha conhecido pessoalmente Flora, pois ao ir para Paris, Ruge aconselhou que conhecesse Flora e George Sand, socialistas com grande religiosidade.

Nos EUA, este papel coube aos Cavaleiros do Trabalho. Esta organização nasceu em 1869 e, em 1878, tinha, como principal liderança, o católico Terêncio Powderly, um operário mecânico.

Os Cavaleiros tiveram o apoio do Cardeal Gibbons e de outros nove grandes prelados, tal como do Cardeal Manning e, por fim, de Leão XIII.

Os Cavaleiros recrutavam milhões de trabalhadores e defendiam uma forma de socialismo cooperativo.

Sobre as fontes cristãs-hebraicas do socialismo/comunismo eanarquismo, há quase 1.200 páginas em meu  livro e provam também a tese deste blog, pois o socialismo nasce como uma “democracia social” (o velho nome dos partidos comunistas durante a vida de Marx).

O apreço de Engels pelo cristianismo primitivo fica patente em suas últimas obras: “Bruno Bauer e o cristianismo” (1882); “O livro de offenbarung” (1883) e “Sobre a história do cristianismo” (1895, no ano de sua morte).

Marx, no final de sua vida, em 1881, numa carta a Domela Nieuwenhuis (um dos precursores do socialista na Holanda e também teólogo), também elogiou o cristianismo primitivo. Rosa de Luxemburgo escreveu uma linda obra. Bebel e Kautsky também escreveram obras sobre socialismo e cristianismo, elogiando o cristianismo primitivo, o que mesmo elogio que Lenin também fez.

Lênin recebeu o batismo ortodoxo e casou-se inclusive com os ritos religiosos ortodoxos.

Marx, em 1843, realizou seu casamento no civil e perante uma igreja luterana.

Engels, quando sua esposa de fato estava morrendo, no leito de morte desta, chamou um sacerdote e casou-se com a padecente, e casamento católico.

A esposa de Lênin tornou-se socialista devido a influência do tolstoismo, de Tolstoi, uma corrente anarquista profundamente cristã. Estes aspectos (especialmente as expressões religiosas usadas em suas cartas particulares) de Lênin são ocultados pela literatura estalinista.

É certo que Lênin, tornou-se ateu e, tudo indica, morreu desta forma, mas em sua formação, em suas idéias e textos existem fortes elementos cristãos.

Nas memórias de sua esposa, consta que mesmo no Natal do ano anterior de sua morte, ele participava das festas natalinas, montava sua árvore de Natal etc. Esposa de Lenin escreveu vários textos de elogios aos católicos, dando estes como exemplos para os comunistas.

Livro que recomendo, de Louis Auguste Blanqui, sobre a eternidade

O Babovismo foi um movimento cristão socialista, com forte religiosidade

O Babovismo foi o movimento de François Noel Babeuf (1760-1797), Gracchus Babeuf, foi um jornalista revolucionário, que, no final das contas, apenas seguia as ideias do padre Morelly, do padre Mably, de Campanella e de São Tomás Morus.

E isso foi reconhecido em textos do próprio Marx e Engels, textos que vou transcrever, em outras postagens, nesta “Categoria”. 

Toda a base teórica vem destes autores católicos, da ética cristã social. Com pitadas de platonismo, a mesma base de Santo Agostinho e outros luminares da Igreja.

Friso que Babeuf não queria estatizar todos os bens, deixava claro que os camponeses, artesãos, pequenos comerciantes (retalhistas) e pequenos burgueses, ou seja, OS MICRO E PEQUENOS PRODUTORES, não seriam atingidos.

Já postei textos de Babeuf, mostrando isso, e o farei novamente, com mais detalhes, em outros posts.

Apenas os grandes ricos seriam desapropriados, para realização do bem comum. 

Depois da morte de Babeuf, suas ideias foram mantidas por um grande católico, chamado Filippo Giuseppe Maria Ludovico Buonarroti, mais conhecido como Philippe Buonarroti (1761-1837), descendente da família do escultor católico Michelangelo Buonarroti.

Philippe Buonarroti era carbonário, a mesma corrente católica de Buchez, anos depois. Os Carbonários eram um tipo de maçonária, empapada de catolicismo, com amplo amor a Jesus Cristo.

Buonarrotti escreveu os livros “História das sociedades secretas do Exército” (1815), “Conspiração dos Iguais” (1828) e “Conspiração para a Igualdade, dita de Babeuf, seguido do processo ao qual ele foi julgado” (1828).

Estas obras foram traduzidas para o inglês, pelo irlandês James Bronterre O´Brien, “Conspiração de Babeuf pela Igualdade”, em 1836. Bronterre era católico. Outros discípulos foram Raspail, também com religiosidade, e outros. 

A Sociedade das Estações, na França, que atuou principalmente entre 1834 e 1836, tinha como líderes Philippe Buonarroti, Blanqui, Barbès e outras pessoas, inclusive ex padres.

Na época, todas estas lideranças eram católicas, inclusive Louis Auguste Blanqui. Barbès sempre manteve a fé católica.

Depois, Blanqui se torna ateu, mas, no final da vida, escreve um livro praticamente religioso, “A eternidade pelos astros”, editado pela Ed. Saraiva, no Brasil, com a ideia cristã e hebraica da renovação do universo, mas com base “científica”. 

— Updated: 16/11/2018 — Total visits: 40,905 — Last 24 hours: 55 — On-line: 0
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