Arquivos para : A “Fórmula” Alceu, Paulo Freire, Alvaro Vieira Pinto, Darci Ribeiro e Brizola: Estado EDUCADOR, Educação integral e técnica, erradicar analfabetismo. Ensino baseado na VIDA e no SABER do POVO

A situação das crianças pobres…

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Crianças pobres e negras e crianças de ricos. Uma rede de escolas médias e profissionalizantes FEDERAIS ajudaria a diminuir o abismo

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O grande e sarcástico Paulo Henrique Amorim, desmascarando as mentiras do PIG (pig é porco em inglês, um nome apropriado para a Oligarquia da Mídia, embora ofensivo ao pobre porco…)

O Estado deveria PROIBIR ou cercear programas policialescos fascistas como Datena e outros. Lucram com a humilhação e a miséria moral das pessoas

Tirei o texto de Boulos e concordo totalmente:

“9. Regulamentação dos programas policialescos. 

“Um estudo conduzido pela ANDI em colaboração com o Intervozes, a Artigo 19 e o Ministério Público Federal aponta que pelo menos 12 leis brasileiras e sete tratados multilaterais são desrespeitados cotidianamente pelos programas ditos “policialescos” que se valem de uma concessão pública para ir ao ar (disponível em: http://intervozes.org.br/publicacoes/guia-violacoes-de-direitos-humanos-na-midiavolume-i/).

“Necessitamos de uma atuação de fiscalização destes conteúdos, uma vez que a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa devem conviver harmonicamente com os demais direitos.

“O primeiro passo é compreender que tais programas não são propriamente jornalísticos, mas fazem parte de uma categoria específica, cujo conteúdo violento e sensacionalista não deve ser veiculado em todos os horários de uma rede de televisão aberta”.

Deus nos criou para nos movermos à luz do Diálogo, pela Educação, pela Democracia Popular

A comunhão de bens e de poder – a DEMOCRATIZAÇÃO DOS BENS, DO SABER, DO PODER – é o ideal que foi sintetizado no cântico “Magnificat”, de Maria.

Este cântico é o cântico-lema da Teologia da Libertação e do melhor da Tradição da Igreja.

Maria louva Deus pelo processo constante de elevação dos caídos, de difusão de bens e do poder, pela derrubada dos “ricos” e dos “poderosos” (dos que monopolizam os bens e o poder, a gestão social).

Deus quer a eliminação (erradicação) da miséria, do analfabetismo, dos cativeiros-prisões, da reificação, da exploração, da extração da mais valia etc. 

O “Magnificat” contém o ideal da difusão (democratização) do poder e dos bens, para todos.

A Igreja, o próprio Deus, quer a destinação universal dos bens, do poder, do saber, da alegria, da saúde, da vida abundante e plena.

A doutrina social da Igreja tem idéias gerais (princípios, diretrizes, critérios etc) que constituem as linhas gerais do que se convencionou chamar de socialismo democrático ou trabalhismo. 

As ideias sociais da igreja, a ética social, defendem um sistema político, econômico e social, baseado no bem comum, na cooperação solidária, na gestão social pautada pelo logos, pela palavra, pelo convencimento racional, pelo diálogo, pela sabedoria popular, baseada no Poder Popular.

Como explicou a Congregação para a Educação Católica, no documento “Orientações para o estudo da Doutrina Social da Igreja”, a Doutrina Social da Igreja tem “princípios fundamentais” e também “juízos morais sobre situações, estruturas e sistemas sociais”. Hierarquicamente, a parte mais importante é o conjunto de “princípios fundamentais”.

Os princípios políticos principais do CATOLICISMO são os princípios da dignidade (centralidade, sacralidade) humana; da destinação universal dos bens e do poder (do bem comum, da comunhão de bens); do princípio “a cada um segundo suas necessidades”, que deve reger a distribuição dos bens; da comunhão; da regência da sociedade pela via do diálogo; da igualdade, da fraternidade, da liberdade; da solidariedade etc.

A doutrina social cristã tem uma concepção (“noção”, “teoria”, idéias gerais) jurídica, pedagógica, política, sociológica, antropológica e econômica.

A idéia nuclear é o primado da pessoa e sua dignidade e centralidade, com o corolário da regra da destinação universal dos bens, que é a realização da dignidade. Cada estrutura social deve ser moldada para defender a dignidade humana.

Deus (a ação divina, a Providência) atua no mundo principalmente através do poder das idéias verdadeiras, idéias que produzem, protegem e promovem o bem comum, a difusão de bens para atender às necessidades reais das pessoas.

Como a Bíblia e Cícero explicaram, toda idéia verdadeira é também uma idéia útil, benéfica, correlata ao bem comum.

Cristo explicou que uma boa idéia, uma idéia verdadeira, é uma semente do bem comum. As boas idéias devem ser semeadas, germinadas, adubadas, colhidas e novamente plantadas, ampliando o círculo do bem comum, num processo histórico sem fim, virtuoso, benéfico, heliocoidal, como explicou Vico.

A forma humana de geração e difusão de boas idéias, que são fontes naturais do bem comum, é o diálogo.

A sociedade é bem regida e movimenta-se naturalmente, como Deus quer, quando movimenta-se pelo diálogo e quando isso ocorre, a sociedade move-se para a realização e ampliação do bem comum.

O diálogo (logo, a DEMOCRACIA) é a forma humana para gerar as idéias necessárias para a boa regência (organização, planejamento) da vida social, para a concretização do bem comum e seu aumento, pela eternidade afora.

As idéias verdadeiras estão presentes no diálogo do povo, na sabedoria do povo, na cultura popular, que expressa a sabedoria divina, como já explicava Cervantes, no livro “Dom Quixote”.

A Tradição é o Diálogo, é o rio das idéias verdadeiras, na história, sendo a bússola e a luz (tao), para o caminho para uma vida plena e digna, para todos.

O “Caminho” para uma Vida social plena é o Caminho do Diálogo, sendo este o Caminho do Bem comum, da união das pessoas entre si e com Deus, o Amor, o Bem vivo.

As idéias verdadeiras nascem do diálogo do povo, visando sempre o bem comum. As idéias verdadeiras são sempre idéias úteis e benéficas ao povo, como explicou Cícero, no “Tratado dos deveres”, lição adotada por Santo Ambrósio, São Basílio, Santo Agostinho e pelos demais Santos Padres da Igreja, pois coincide com a lição da Bíblia, sendo também uma lição racional.

Como explicou Frei Luís de Granada, no livro “Guia dos pecadores” (livro I, cap. XIII), a graça, a ação do Espírito Santo, é “uma participação da natureza divina” em nossa natureza, produzindo “santidade”, idéias de “bondade”, justiça e todas as virtudes.

Deus deifica a natureza humana, aperfeiçoando-a, realizando a essência humana, planejada pelo próprio Criador, para uma vida de comunhão (como explica o dogma da comunhão dos santos). Isso ocorre principalmente pelo fluir das idéias verdadeiras, um fluir dialogal, que forma o rio da Vida.

Conclusão: a Igreja tem uma doutrina social, com idéias gerais sobre a política, o Estado, o direito, a economia, a sociedade etc.

Esta doutrina ensina que o governo natural da sociedade deve ser como o governo de Deus sobre as pessoas, pela via do diálogo. O “rio da vida” é o diálogo, pois este é a fonte das idéias (caminho) para uma vida pessoal, familiar e social, abundante, plena e digna.

A governo divino opera pelo diálogo e assim deve ser o governo humano.

Deus atua pela mediação do diálogo.

Deus, pelo diálogo interno, torna cada pessoa “consorte e participante da natureza divina” (cf. “Guia dos pecadores”, livro II, cap. III), gera uma união natural e sobrenatural das pessoas, uma comunhão, visando o bem comum.

A ação divina forma uma irmandade natural ETERNA, uma comunhão mística e viva, para realizar e ampliar o bem comum, dentro da espiral da eternidade.

A importância da EDUCAÇÃO para o BEM COMUM

A EDUCAÇÃO é o PRINCIPAL FATOR DE LIBERTAÇÃO, de AUTOGOVERNO PESSOAL E SOCIAL. Por isso, a PRINCIPAL função do Estado é criar um Sistema Educacional GRATUITO, ABERTO A TODOS, tendo até escolas particulares, mas gratuitas, com o Estado as controlando e pagando, para evitar que a educação vire negócios privados. 

O princípio, o fim e o centro de toda ordem econômica, política, social e pedagógica é a pessoa, cada pessoa, todas as pessoas. As pessoas (a sociedade) foram criadas para o autogoverno, para a autodeterminação. A sociedade foi criada para a autogestão social

O poder, como todo ato humano, deve ser racional e em adequação ao bem comum. Os bispos católicos da República Dominicana, numa Carta à sociedade, em 19.03.1982, resumiram bem a teoria do poder, ensinando que as pessoas, “segundo o Desígnio divino”, devem ser “o princípio, o fim e o centro de toda ordem econômica, política e social”.

Dom Raymundo Damasceno, presidente atual do CELAM e Arcebispo de Aparecida SP, sucessor de Dom Luciano Mendes, resume bem o aspecto político da atuação da Igreja com a expressão democracia participativa, que é uma síntese de democracia direta (plebiscitos, referendos, projetos populares, candidaturas populares, recalls, revogação de mandatos, formas de impeachment, orçamento direto) com democracia representativa, junto com uma DEMOCRACIA ECONÔMICA (ORGANIZAÇÃO-ESTRUTURA E UNIDADES ECONÔMICAS com PRIMADO DO TRABALHO, DO ASPECTO SUBJETIVO DO TRABALHO).

O Vaticano, por um editorial da revista “La Civiltà Cattolica” (n. 3.301, ano 139, vol I, p. 3-16), resumiu bem a teoria cristã e católica sobre o poder, nestes termos:

… a teoria da soberania popular, sobre a qual se fundamenta a democracia, já cerca de dois séculos antes de Rousseau, foi propugnada e defendida contra o absolutismo e o direito divino do rei, sustentado pelo rei da Inglaterra, Jaime I, por dois teólogos católicos, Francisco Suarez e Roberto Bellarmino.

Assim, este último, nas suas “Controversie” (T. II, I. 3, “De laicis”, c. 6), afirma que o “o poder reside imediatamente, como no seu sujeito (“tanquam in subjectoo”, como em todo o povo (“in tota multitudine”): que “o poder é transferido do povo para uma ou mais pessoas pelo próprio direito natural (“eodem jure naturae”), que “os diferentes tipos de governo são do direito das gentes, e não do direito natural; de fato, depende do consenso do povo constituir, para governá-lo, um rei, ou governadores ou outros magistrados, como é claro; e, se há uma causa legítima, o povo pode mudar o reino em aristocracia ou em democracia, comolemos ter sido feito em Roma”.

O editorial de “La Civiltá”, revista dirigida pelos Jesuítas, sob controle estrito do Vaticano, termina e conclui o artigo “Cristianismo e democracia”, como estas palavras:

Portanto [pelo exposto], o poder é conferido por Deus, enquanto Autor da natureza e da sociedade, ao povo, que o transfere aos governantes, permanecendo sempre com o poder de mudar o regime político. A soberania popular, por isso, não está em contradição com a afirmação cristã de que Deus é a origem da autoridade. Em conclusão, o cristianismo não é ligado a nenhuma forma de regime político, mas há uma preferência pela democracia e se julga em condição de proporcionar-lhe uma contribuição particular, para que seja verdadeira e sã, e promova o verdadeiro bem do homem [o bem comum]. Como escreveu Jaques Maritain, “a democracia tem muita necessidade do fermento evangélico para se realizar e para perdurar” (“Cristianismo e democracia”, cit., 48)” [texto colhido da revista “Cultura e fé”, n. 40, de janeiro e março de 1988, p. 25).

Conclusão: o importante, na ética e na teoria política cristã e hebraica, é aumentar o protagonismo das pessoas e da sociedade, para que estas sejam donas de seu próprio destino, para a libertação, o auto-governo, a autodeterminação, a autonomia.

O Plano (vontade inteligente) de Deus é que sejamos filhos de Deus, co-regentes do universo, participantes da natureza divina, divinizados, deuses humanos, controlando a natureza, para pautar tudo em prol do bem comum, do bem geral (cf. Gen 1,26).

Há a mesma concepção em toda a Bíblia, como fica claro no livro de Daniel, no Apocalipse, nas cartas de São Pedro e de São Paulo, e em outros textos bíblicos.

Um dos livros de Anísio Spínola Teixeira, que recomendo

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