Arquivos para : A Fome, coisa diabólica. cf. Josué de Castro

Francisco I – a sociedade deve ser regida pelos pobres e excluídos, que devem estender o bem bem estar a todos, diminuir as desigualdades

247 – Em entrevista ao jornal italiano “La Repubblica”, o papa Francisco afirmou que “são os comunistas os que pensam como os cristãos”, ao responder sobre se gostaria de uma sociedade de inspiração marxista 

“São os comunistas os que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam. Não os demagogos, mas o povo, os pobres, os que têm fé em Deus ou não, mas são eles a quem temos que ajudar a obter a igualdade e a liberdade”, disse Francisco.

Francisco espera que os Movimentos Populares entrem na política, “mas não no político, nas lutas de poder, no egoísmo, na demagogia, no dinheiro, mas na política criativa e de grandes visões”.

O papa evitou falar do recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assegurou que dos políticos só lhe interessa “os sofrimentos que sua maneira de proceder podem causar aos pobres e aos excluídos”.

Francisco explicou que sua maior preocupação é o drama dos refugiados e imigrantes, e reiterou que é necessário “acabar com os muros que dividem, tentar aumentar e estender o bem-estar, e para eles é necessário derrubar muros e construir pontes que permitam diminuir as desigualdades e dar mais liberdade e direitos”.

Discurso de Boaventura de Sousa Santos sobre Dilma e as prioridades de comida, moradia, saúde, educação, transportes e renda estatal

Colhi no 247 – “Em visita à Ocupação Povo Sem Medo, em São Bernardo do Campo, na tarde deste sábado (11), o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos afirmou que a organização no local mostra que o povo, apesar do cenário adverso no Brasil, ainda resiste.  “Muitas vezes as pessoas se perguntam onde está a revolução, onde está a resistência. A persistência está aqui”, disse ao Mídia Ninja.

“É preciso lutar. Nas piores condições, encontramos as melhores oportunidades. O que eles querem é que percamos a esperança. Porque a desesperança leva ao medo, o medo leva à resignação, a resignação leva à desistência, e nós temos esperança em um sociedade melhor e digna”, defendeu.

Em sua fala no acampamento, Boaventura ressaltou ainda a ruptura democrática que houve no país com a derrubada de Dilma Rousseff. “Vocês viram isso, tiveram uma presidente eleita legitimamente e poucos meses depois pedem o impeachment dela. A política mais honesta da América Latina foi impedida pelos políticos mais corruptos da América Latina. Foi isso que se passou”, afirmou. “Em plena democracia, um golpe institucional que se deu com a colaboração do Judiciário.”

Boaventura ponderou ser necessário compreender o atual momento para definir a estratégia de resistência. “Precisamos saber em que tempo estamos. É um tempo de lutas difíceis, defensivas, não podemos sonhar com o socialismo, precisamos dar dignidade às pessoas hoje, agora”, apontou. “Comida, habitação, moradia digna, proteção à saúde, educação pública. Não é uma utopia lá longe, é uma utopia aqui, agora.”

O direito originário e primário de todos aos bens. O Estado deve distribuir rendas estatais a todos, bens para todos, erradicar a miséria

Pio XII, na alocução de 01.06.1941, ressaltou o “direito originário” de todas as pessoas “sobre o uso dos bens materiais”, tal como os “demais direitos [naturais] da pessoa humana”.

Na Mensagem de Natal, em 1942, este papa ressaltou que “a dignidade da pessoa humana” exige “como fundamento natural para a vida, o direito de uso dos bens da terra”. 

Disse, ainda, que o direito natural de todos aos bens (de uso, controle, usufruto e consumo) gera, para o Estado e a sociedade, “uma obrigação” (dever) “fundamental” de assegurar, “o quanto seja possível, a todos” os bens necessários para uma vida digna e plena.

A doutrina política, jurídica e social da Igreja tem como núcleo central o princípio do primado das pessoas.

Este primado decorre da concepção da pessoa como imagem de Deus (“imago Dei), da antropologia agostiniana.

Esta antropologia também está presente no tomismo e em outras correntes como o personalismo de Mounier, da revista “Esprit”, de Lacroix, Romano Guardini (1885-1968), Stefanini e de outros milhares de autores.

O Estado deve assegurar a todas as pessoas os bens suficientes e bastantes para uma vida digna, simples, abundante e feliz. 

Os Frades Dominicanos, elogiados por Henfil

A situação dos pobres no Brasil, por causa do maldito neoliberalismo

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Princípio da destinação universal dos bens faz parte essencial da ética natural e cristã

Como foi ensinado pelo Pontifício Conselho “Cor Unum”, do Vaticano, no documento “A fome no mundo” (São Paulo, Ed. Loyola, 1997, p. 40):

o princípio da destinação universal e comum dos bens da terra situa-se bem no âmago [na essência] da justiça social. O Papa João Paulo II expressou-o assim: “Deus deu a terra a todo o gênero humano, para que ela sustente todos os seus membros, sem excluir nem privilegiar ninguém”. Nunca é demais reiterar esta afirmação constante na tradição cristã, embora evidentemente diga respeito à humanidade inteira, para além da pertença confessional. O axioma constitui em si mesmo um fundamento necessário para a edificação de uma sociedade de justiça, paz e solidariedade. Com efeito, geração após geração, devemos considerar-nos como administradores transitórios dos recursos da terra e do sistema de produção”.

Uma boa frase de Enrique Dussel, meu filósofo preferido

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Fome, subnutrição e miséria, a mesma coisa, no fundo

A fome é um dos sinais da miséria, um dos aspectos da miséria. A miséria é o cativeiro, é a alienação, a reificação, a degradação, a redução da pessoa a mero objeto, a um pedaço de matéria sem consciência.

É um cativeiro que reifica (coisifica) e destrói a vida do povo, corrompendo o corpo e a consciência das pessoas.

A miséria deve ser erradicada, pois é uma forma cruel de escravidão, de escravidão, de degradação.

A miséria é um cativeiro, uma forma de escravidão, como foi explicado pelo Vaticano. O conjunto dos algozes (causadores e exploradores da miséria) dos miseráveis é chamado historicamente de oligarquia, termo usado por Platão, Aristóteles, Políbio e pelos estóicos, tal como pelos Santos Padres.

A oligarquia é formada pelos latifundiários, os grandes capitalistas que detêm oligopólios (trustes e cartéis), as multinacionais e os milionários e bilionários. Para erradicar a miséria é preciso retirar o supérfluo da oligarquia, erradicar a oligarquia, como tal, não as pessoas concretas dela, e sim o excesso de poder econômico e político que detêm.

Erradicar a fome, as servidões, a opressão. Deveres sagrados de cada pessoa

Paulo VI, no n. 47 da “Populorum progressio”, sobre o “combate contra a miséria”, destacou que a miséria é um cativeiro, uma situação e condição social infra-humana, diabólica:

“Não se trata apenas de vencer a fome, nem tampouco de afastar a pobreza. O combate contra a miséria, embora urgente e necessário, não é suficiente: trata-se de construir um mundo em que todos os homens, sem exceção de raça, religião ou nacionalidade, possam viver uma vida plenamente humana e livres de servidões que lhes vêm dos homens e de uma natureza mal domada: um mundo em que a liberdade não seja uma palavra vã” (n. 47).

Isso é desgoverno temer – país negativado

Recessão da economia levada ao extremo pelas medidas econômicas de Michel Temer e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, fez com que 2016 terminasse com 58,3 milhões de brasileiros com o nome sujo junto aos órgãos de proteção ao crédito, segundo dados da SPC Brasil e da CNDL; número corresponde a um em cada três consumidores; 
no ano passado, 700 mil pessoas foram incluídas no cadastro de negativados; recessão derrubou as vendas do comércio varejista em 6,6% em 2016, pior resultado desde os anos 2000, pressionadas por um ambiente de juros elevados e desemprego que alcança 12,1 milhões de brasileiros

 

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