Arquivos para : A “Fórmula” da PRODUÇÃO: a causa EFICIENTE da produção é o trabalho humano, o PRINCIPAL fator da produção dos bens. Trabalho e natureza são as fontes de riqueza das sociedades.

Desgoverno temer pune o trabalhador até por ajuizar ação trabalhista para obter indenização

Do 247 – “O número de ações trabalhistas pendentes de julgamento despencou após seis meses de reforma trabalhista;

até maio deste ano, as varas de todo o país tinham 1,5 milhão de ações à espera de julgamento; no fim de 2017, eram 1,8 milhão;

a nova lei passou a exigir, que, em caso de derrota, o trabalhador pague honorários de sucumbência para o advogado da empresa ou honorários periciais, o que explica a redução de ações”

Um elogio a Lenin, feito pelo padre jesuíta Affonso Urbano Thiesen, bom gaúcho

O padre Affonso Urbano Thiesen S.J., no livro “A ética política de Lênine” (Porto Alegre, Editora do Instituto de Filosofia da UFRS, 1967, p. 45), elogia os textos de Lenin, recheados de juízos éticos, de análises éticas.

Na p. 45, o Jesuíta estuda as “fontes” da ética de Lênin, mostrando que o velho Lenin usava pilhas de textos, imagens e metáforas religiosas. Por exemplo, o texto de São Mateus, 25,15, na parábola dos talentos, onde está dito expressamente “a cada um de acordo com a sua capacidade”.

De fato, Deus dá a todas as pessoas capacidades e talentos.

O trabalho humano e a natureza são as fontes produtivas dos valores de uso, dos bens. Mas, o trabalho tem o primado, pois é a causa instrumental primária da produção. Isso foi ensinado por  Marx, no último texto de 1882, no “Glossas ao Tratado de Economia Política de Adolf Wagner; sendo a mesma opinião do padre Liberatore, em 1891, no livro que escreveu sobre economia política, sendo o padre Liberatore um dos co-autores da “Rerum novarum”, de Leão XIII. 

Assim, a VALORIZAÇÃO, o CULTIVO e a PROTEÇÃO do trabalho humano é a parte mais essencial da economia, de uma boa estrutura econômica da sociedade. 

Trabalho criativo, sem reificação, com pequena jornada de trabalho, sem exploração, é a base de um bom processo produtivo, o núcleo da ética social. 

Uma boa estrutura social e estatal é a que protege e cultiva cada talento, cada pessoa concreta,  cada trabalhador concreto, unindo trabalho intelectual e manual, cada processo cognitivo, até das pessoas com deficiências mentais, pois até estas têm ótimas ideias e podem colaborar para o florescimento de uma sociedade plena, sem miséria, sem reificação, sem exploração, sem grandes fortunas privadas.

Destinação universal dos bens, trabalho como causa eficiente da produção e princípio a cada um de acordo com suas necessidades, pontos que Marx colheu na Tradição Católica

H. Delalys escreveu o livro “La valeur d’après Karl Marx et les Scolastiques” (Ponthièvre, Lille, 1899), onde, segundo o padre Henri Chambre (no livro “De Marx a Mao Tse Tung”, da editora Duas Cidades, São Paulo, 1963, tradução do padre Fernando Bastos de Ávila, p. 111), “tentou provar” a compatibilidade entre a noção de preços e valores em Marx e a concepção escolástica do justo preço.

Chambre, na obra referida, mostrou que Marx examinou os textos de Aristóteles sobre o valor de uso (nos livros “Política”, livro I, capítulo 9; e “Ética a Nicômaco”, Livro V, capítulo 5).

Marx, no entanto, citou de forma errada o texto de Aristóteles contido na “Ética a Nicômaco”(Livro V, capítulo 5), pois Aristóteles escreveu:

… é necessário, portanto, que todas as coisas sejam medidas por um elemento único, como já se disse. E, na verdade, a necessidade é este elemento que tudo reúne. Mas, por convenção humana, a moeda tornou-se intermediária da necessidade. (…) É, na verdade, impossível encontrar uma comensurabilidade entre coisas tão diferentes, mas, uma vez que nos colocamos no ponto de vista da necessidade, podemos fazê-lo de maneira suficiente”.

Aristóteles tinha razão ao colocar a necessidade como a base fundamental (para a disposição, a atribuição, a titularidade dos bens, para o controle, enfim) e dizer que outros elementos da economia (como a moeda e os outros institutos), são meras convenções (formas de consenso), que podem ser alteradas, pois são formas jurídicas passíveis de inúmeras alterações. Estes pontos foram aceitos pela Doutrina social da Igreja e são essenciais. 

Suarez desenvolveu estes pontos em obras onde diz que Deus deu o poder e os bens para a sociedade, cabendo a esta regulamentar e dispor mediante formas jurídicas, estando estas vinculadas ao bem comum, a destinação universal dos bens.

Marx, no entanto, mesmo citando errado, acertou ao apontar o trabalho como a causa eficiente da produção (daí, o primado do trabalho, como foi bem explicado por Maritain e mesmo João Paulo II, na “Laborem exercens”).

E também acertou ao dizer que o princípio bíblico “a cada um de acordo com suas necessidades” deve ser a lei fundamental de um modo de produção justo, ou seja, que os bens devem atender às necessidades de todos.

— Updated: 21/10/2018 — Total visits: 38,783 — Last 24 hours: 74 — On-line: 0
Pular para a barra de ferramentas