Arquivos para : Absurdo da ideologia liberal do Estado Mínimo

A desgraça do neoliberalismo, exposta no livro de Walter Brock

O livro de Walter Brock, “Defendendo o indefensável”, do famigerado Instituto Ludwig von Mises Brasil (2010, editado em São Paulo), é um exemplo da desgraça do neoliberalismo, sem nada de ética social. 

O livro simples justifica até “profissões” e “atividades” “indefensáveis”, como “cafetão”, “porco chauvinista”, “traficante de drogas”, “chantagistas”, “caluniadores”, “cambistas” (ilegais), “o policial desonesto”, “o falsificador”, “o avarento”, “o que não contribui para a caridade”, “o fura greve”, “o empregador de mão de obra infantil”, “o minerador de superfície”, o “especulador” e outros. 

Segundo o autor, todos que buscam o próprio interesse privado gerariam, automaticamente, o interesse geral, o que é uma mentira imensa, que o velho Marx já desmascarava, no livro “O capital”, vol. I. 

Doutrina da Igreja contra grandes empresários privados, sonegação, imperialismo, latifúndios etc

Paulo VI: “não é admissível que cidadãos com grandes rendimentos, provenientes da atividade e dos recursos nacionais, transfiram uma parte considerável para o estrangeiro, com proveito apenas pessoal, sem se importarem do mal evidente que com isso causam à pátria” (PP 24).

Encontro dos bispos católicos latino-americanos em Medellin, 1968, critica a “fuga de capitais econômicos e humanos”, o “endividamento progressivo” e os “monopólios internacionais e o imperialismo internacional do dinheiro”, as “companhias estrangeiras” que burlam as leis e os sistemas tributários.

Encontro dos bispos católicos em Puebla diz que a economia da América Latina é controlada, em muitos pontos, pelo imperialismo – “Agrava a situação o fato de que estes centros de poder se acham estruturados em formas encobertas, presentes em toda parte, e se subtraem facilmente ao controle dos governos e dos próprios organismos internacionais (DP 501) (…) novas formas de domínio supranacional … o poderio de empresas multinacionais se sobrepõe ao exercício da soberania das nações e ao pleno domínio de seus recursos naturais (DP 1264)”.  

“Ibad, sigla da corrupção”, de Eloy Dutra. Obra hiper atual, pois o esquema continua

Eloy Dutra, então deputado federal, escreveu o livro “Ibad, sigla da corrupção” (Rio, Ed. Civilização Brasileira, 1963), com apenas 91 páginas. A obra é hiper atual. Mostra como o imperialismo econômico dos EUA, as multinacionais, compram deputados, corrompem eleições, no Brasil e em toda a América Latina, tal como no mundo. O mesmo esquema se aplicava no Japão, com o Partido Democrático Liberal de lá, extensão da CIA. 

Recomendo muito o livro. Só é encontrado nos sebos. As obras de Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira (nascido em 1935) têm a mesma linha. A linha trabalhista, getuliana, nacionalista, popular. A boa linha, que também esposo. 

Ótima crítica de Hélio Fernandes ao horrível Doria, prefeito de São Paulo

O texto abaixo é de Hélio Fernandes, quem tem quase 97 anos, quase cem anos, e continua muito lúcido.

DORIA DOADOR
Ele não é político nem gestor, é o que está no titulo. Está organizando pessoalmente, uma relação de bens públicos, que entregará de graça, aos que se candidatarem. Como ainda não completou, vou selecionar as principais e mais vergonhosas e escandalosas.

1- O tradicional Estádio do Pacaembu.
2- O autódromo de Interlagos.
3- O Parque do Anhembi, está estudando o Ibirapuera.
4- 30 cemitérios, 35% do total.
5-100 parques (praças ) públicos.
6-Tudo entregue de graça, sem que a prefeitura receba nada.
CONCLUSÃO POR HOJE.
Essas 100 (por enquanto) praças são abertas, frequentadas pelos moradores. Continuarão assim? Ou os “administradores” passarão a cobrar a entrada, através de vistosas máquinas eletrônicas?”.

Marcelo Auler, um jornalista excelente e hiper inteligente

Colhi o texto seguinte do site 247 – “Jornalista Marcelo Auler diz que os efeitos do golpe de 2016 que entregou a República a uma trupe encalacradas com denúncias criminais, que promove o desmonte das políticas sociais e a venda de ativos importantes do país, fez a chamada direita se achar;

ele cita como exemplo o I Fórum Nacional da Direita e Conservadorismo do Brasil, que ocorreu em São Paulo, nesse sábado; “encontro, sem dúvida, resulta da maciça campanha contra partidos de esquerda, em especial o PT, promovida a partir da Operação Lava Jato, com o apoio da mídia tradicional”, afirma”.

Friso que a “direita” não passa de um bando de alienados, pagos regiamente pelos ultra ricos. Os tais “conservadores” são ultraliberais, querem apenas conservar o máximo de opressão, exploração, desigualdade e miséria e, acima de tudo, querem apenas conservarem as grandes fortunas privadas dos ultra ricos. Eis a que se resume o “conservadorismo”. Um bando de marionetes do grande capital privado.

Walter Block, um libertariano, hiperliberal, horrível

O livro de Walter Block, “Defendendo o indefensável” (do horrendo Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010), expõe a corrente libertariana, ou seja, ultraliberal, extremistas neoliberais. Block é um dos discípulos da horrenda Ayn Rand, uma militante neoliberal extremista nos EUA. Há um partido dos libertarianos nos EUA, que chega a superar os erros do Tea Party, da direita dos republicanos. 

Na página 26, Block ataca a Igreja, destacando que os textos das “Cartas pastorais dos bispos católicos dos Estados Unidos”, os textos da “Conferência Canadense de Bispos Católicos” e das “Encíclicas Papais” são “o oposto completo” do neoliberalismo. Nisso, Block está certo. O mesmo Ludwig von Mises demonstrou este ponto no livro “Ação humana”, sua obra mais importante.

No livro de Block, ele simplesmente defende, como coisas positivas, manifestações da liberdade econômica: a prostituição, o lenocínio (o papel dos cafetões), o tráfico particular de drogas, os cambistas (que fraudam o câmbio, vendendo divisas estrangeiras livremente), os motoristas de táxi clandestinos, os agiotas (liberdade para emprestar dinheiro, sem limites), os especuladores etc.

Chega a defender o “empregador de mão de obra infantil”, a exploração empresarial do trabalho infantil, o que mostra a aberração dos neoliberais. Ataca as leis ambientais, defendendo o direito de jogar lixo onde a pessoa quiser. Também defende até os chantagistas e mesmo a figura do “policial desonesto”. Faz ardorosa apologia do direito de herança, contra os impostos sobre heranças etc.

Para os neoliberais, o Estado é o inimigo. A mesma posição dos anarquistas. Com a diferença, como será mostrando em outras postagens, que os anarquistas defendiam os artesãos, os pequenos fabricantes, os pequenos comerciantes etc, ou seja, os pequenos negócios. Os libertarianos são defensores dos interesses dos ultra ricos. 

A hipocrisia dos neoliberais

Os trabalhistas querem a expansão do Estado para termos aumento do patrimônio nacional, uma economia  voltada a atender às necessidades do povo, para ordenar, programar, planificar a economia, para erradicar a miséria e as grandes fortunas privadas. Os neoliberais são contra. No entanto, para enganarem o povo, nas campanhas políticas, lutam para que o Estado pague despesas para o carnaval, futebol, esportes, pague bilhões para os chefões das Forças Armadas terem seus brinquedinhos eletrônicos, bilhões para expandir a polícia etc. Então, mesmo neoliberais querem a presença do Estado e especialmente querem que o Estado pague juros, no mecanismo obsceno da dívida pública.

O Estado gasta uns 30 bilhões para o Bolsa Família para ajudar mais de 50 milhões de pessoas pobres e gasta 500 bilhões para os juros da dívida pública, para ampliar o patrimônio privado dos rentistas, dos ultra ricos. Estas despesas do Estado com os ricos é precisam acabar e já e já. 

Economia boa é uma boa economia mista, com florescimento da prosperidade das famílias, de todas as famílias, e não apenas dos nababos. 

Claro que o Estado deve ter uma política esportiva, apoiar a prática de esportes pelo povo, tal como deve apoiar empreendimentos sadios de turismo, para expandir o turismo. Mas, o ponto central é que o Estado deve ter estatais e altos tributos para os ricos, tirar o supérfluo dos ricos, o luxo, os desperdícios malucos dos ricos. E reverter as somas para ajudar a promoção das pessoas pobres. 

Desgoverno de temer vai destruindo Previdência Social. Neoliberais são genocidas

Colhi este texto no site 247 – “Corte de gastos promovido pelo governo Michel Temer, que deve fechar o ano com um déficit da ordem de R$ 139 bilhões, deve afetar até o atendimento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), levando a suspensão do atendimento à população em até cerca da metade das agências da instituição em todo o país; corte ordenado pelo Ministério do Planejamento teria alcançado 40% dos recursos destinados às agências do INSS; golpe parlamentar que alçou Michel Temer ao poder continua fazendo vítimas principalmente entre os mais fracos: aposentados, pensionistas e trabalhadores”.

Sistema S, grande capital controla e Estado paga. Hipocrisia neoliberal

Elio Gaspari escreveu: “a Fiesp de Skaf como a CNI de Andrade são entidades milionárias [BILIONÁRIAS], mas essa riqueza não vem do encanto dos empresários que dizem representar. Elas estão amarradas aos cofres do Sistema S, que morde entre 0,2% e 2,5% das folhas de pagamento das empresas e só no ano passado arrecadou R$ 16 bilhões”.

Ou seja, os trabalhadores e o Estado pagam e o grande capital controla o sistema S (Senac, Senai etc). Os grandes capitalistas são como grandes VERMES sanguessugas, drenando o Estado, via sistema S e, principalmente, via Dívida pública e controle sobre o BACEN, o BNDES e os bancos públicos.

Mais controle das urnas, via financiamento privado das campanhas. E controle da mídia, pelo Cartel da oligarquia da Mídia. E controle dos grandes contratos públicos. Há ainda outras formas, como o controle das minas, das terras pelo latifúndio etc. 

O povo tem direito natural a uma vida digna e feliz. O neoliberalismo é o inimigo do povo

O Cardeal Dom Sérgio da Rocha, presidente da CNBB, deu uma boa entrevista sobre a crise. Disse frases boas, em crítica direta ao desgoverno golpista de temer, como “a alegação de que “o País não pode parar” não pode servir para justificar a estagnação na corrupção nem a votação apressada de projetos. A corrupção mata. Mata, porque o desvio de recursos implica a negação do direito do povo à saúde, à educação, à segurança, ao emprego, à alimentação”.
O povo tem direito natural aos bens necessários e suficientes para uma vida digna e plena. Tem direito à saúde, o que implica na Saúde pública, num SUS reforçado, que abarca um sistema misto de saúde pública e privada, mas na rede privada, o Estado paga a conta dos pobres. Sowell é contra, claro. Junto ao SUS, programas como Medico em casa, Mais médicos (por médicos gratuitos em municípios sem médicos, do interior, pagos pela União, como Dilma fez).
Tem direito à educação, por um sistema misto de educação pública e privada, mas na rede privada, o Estado deve pagar a conta dos pobres, via ProUni, Cotas sociais e etnicas, financiamento da CEF a longo prazo com juros pífios e bolsas, e controle público das mensalidades. Sowell é contra, claro, como todos os conservadores neoliberais malignos.

O povo tem direito à moradia, via sistema público e privado, MISTO, ECONOMIA MISTA, reforçando a CEF e dando subsídio (o Estado paga parte da conta dos pobres), como o programa minha casa, minha vida.
O povo tem direitos aos recursos naturais criados para todos. Por isso, deve haver muitas estatais, estatizando os bancos, as grandes minas, o petróleo etc.
O povo tem direito natural ao trabalho protegido, pois, na doutrina social da Igreja, o trabalho é o principal fator produtivo e toda economia deve ser centrada no trabalho digno, no trabalho protegido, bem remunerado, com jornada pequena, e amplos direitos trabalhistas. Temer e os neoliberais procuram destruir os direitos trabalhistas via privatizações, via precarizações, acordos permitindo burlas legais, terceirizações da área fim e outras desgraças.
O povo tem direito à Previdência Social e a renda universal (o programa Bolsa família é um passo, uma etapa do programa Renda universal, onde o Estado assegura uma renda cidadã, suficiente para uma vida digna, a todas as pessoas). Temer e os neoliberais querem destruir isso. Tal como procuram destruir o meio ambiente, os índios, os negros etc.
O povo tem direito à segurança pública, via unificação da polícia, desmilitarização da polícia, controle civil e social da polícia, controles externos eficientes, garantismo etc.
Como disse Dom Sérgio, “no âmbito social, o papa Francisco tem retomado as grandes linhas da doutrina social da Igreja, aplicando-as ao mundo de hoje. A sua ênfase em alguns pontos tem sido evidente. Por exemplo, a defesa enfática dos imigrantes e refugiados, a perspectiva ecológica da “casa comum”, a dura crítica da corrupção política, a condenação enérgica das guerras e do armamentismo, a proposta de uma economia a serviço da pessoa com a crítica do neoliberalismo”.

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