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Lições de SOBERANIA POPULAR E NACIONAL, do grande SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES

A posição do Brasil no mundo

Por Samuel Pinheiro Guimarães

“A geografia é a política das Nações” – Napoleão (1769-1821)

“O Brasil está fadado a ser, por tempo indefinido, um satélite dos Estados Unidos” – Raul Fernandes, Ministro das Relações Exteriores – 26/08/1954 a 12/11/1955 [Raul, um grande traíra….neoliberal…do golpe de 54].

1. A política exterior e a posição do Brasil no mundo se transformaram radicalmente desde a posse de Michel Temer, resultado de golpe de Estado político/midiático/judicial em 2016.

2. A julgar pelas manifestações do presidente eleito, de familiares e de seus ministros indicados, essa mudança de política e de posição deverá se acentuar na gestão do Presidente Jair Bolsonaro, a partir de 2019, devido à sua visão do mundo e da sociedade brasileira.

3. A justificativa para aquela mudança radical se baseava em críticas à política exterior do PT, em especial do Governo Lula:

a. seria ideológica e privilegiaria as relações com governos de “esquerda”, não democráticos;

b. negligenciaria as relações com os países ocidentais desenvolvidos;

c. envolveria o Brasil, com prejuízo para sua imagem, em temas nos quais não teria interesse direto nem poder suficiente para influir;

d. não daria atenção suficiente aos interesses comerciais e econômicos do Brasil;

e. contrariaria importantes interesses norte-americanos na América do Sul;

f. não criaria um ambiente receptivo aos capitais multinacionais.

4. A política exterior do Governo de Dilma Rousseff, acusada de exibir semelhantes características, foi afetada pela mudança no cenário internacional e pelo desenrolar da crise política interna, a partir das manifestações de 2013 e, em especial, após sua reeleição, e pela visão da Presidente acerca das prioridades de seu governo. Algumas iniciativas, como a inclusão da Venezuela no Mercosul, a criação do Banco dos BRICS, o programa Ciência sem Fronteiras e o Mais Médicos despertaram reação e, na área militar, o programa de fortalecimento das indústrias de defesa foi de grande importância.

5. O confronto aqui feito é entre a política exterior definida pelo Presidente Lula, e executada pelo Chanceler Celso Amorim, com a assistência do Professor Marco Aurélio Garcia e do Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, e a política exterior do período Temer, a partir de 2016.

6. A política exterior de Temer, em grande medida, retoma a política do Marechal Castelo Branco, do Presidente Fernando Collor e do Presidente Fernando Henrique, com as circunstâncias de cada período, mas com a mesma orientação geral comum de alinhamento com a política norte-americana.

*****

7. As características do Brasil, de natureza permanente, são:

a. extraordinárias disparidades internas;

b. notáveis vulnerabilidades externas de natureza política, econômica, tecnológica, militar e ideológica;

c. grande potencial de desenvolvimento;

d. localização na América do Sul, com notáveis disparidades em relação aos vizinhos; extensas fronteiras terrestres; longo litoral no Atlântico Sul, em frente a 23 Estados da África Ocidental;

e. localização na zona estratégica mais importante para os Estados Unidos da América, maior potência política, militar, econômica, tecnológica e ideológica atual, que exerce uma política imperial.

8. Assim, caso a definição e execução da política externa não se fundamente nessas características e, ao contrário, vier a se construir sobre idéias pré-concebidas ou que ignoram tais características, ela dificilmente terá êxito.

9. As disparidades internas podem ser sintetizadas nos índices de concentração de riqueza e renda, como revela a distância entre os brasileiros que ganham mais de 320 mil reais por mês, em número de 6.200, e os 53 milhões de brasileiros que recebem o Bolsa Família. As demais disparidades são decorrentes e relacionadas em suas causas e efeitos. Essas disparidades nos diferenciam radicalmente dos países desenvolvidos e nos aproximam dos países subdesenvolvidos, na situação real e na busca de soluções.

10. A vulnerabilidade política decorre de o Brasil não ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e estar, todavia, obrigado a cumprir suas decisões; a militar, da ausência de poder dissuasório; a econômica, do desequilíbrio estrutural no balanço de contas correntes; a tecnológica, da baixa capacidade de gerar novas tecnologias; a ideológica, da forte penetração externa cultural e de informação.

11. O enorme potencial brasileiro de desenvolvimento decorre da extensão de terras e da fertilidade (corrigida) do solo e, quanto ao subsolo, da significativa gama de recursos minerais, inclusive o pré-sal; do gigantesco mercado potencial interno; da capacidade produtiva instalada e da capacidade de atração e geração de capital.

12. O número de Estados vizinhos de fronteira, na região e na África Ocidental; as disparidades de dimensão e de potencial em relação a eles; a origem e evolução histórica distinta; os ressentimentos, fruto de conflitos do passado entre os Estados na região, tornam a posição do Brasil muito delicada em suas relações bilaterais e regionais.

13. A localização geográfica do Brasil na principal zona estratégica para os Estados Unidos, suas dimensões e potencial e a política americana de impedir ou dificultar a emergência de potências regionais que possam rivalizar com sua influência tornam necessárias firmeza, prudência e perseverança na execução da política externa.

*****

14. Devido às características do Brasil os objetivos da política exterior devem ser:

a. manter as melhores relações com todos os Estados vizinhos da América do Sul;

b. criar e fortalecer gradualmente um sistema de segurança político/militar na América do Sul e no Atlântico Sul;

c. criar e fortalecer um sistema dissuasório de defesa nacional;

d. estabelecer laços e programas de cooperação política e econômica com grandes Estados, como os Estados Unidos, a China, a Rússia, a Índia, a França e a Alemanha;

e. contribuir, ativa e imparcialmente, para a solução de crises internacionais;

f. participar ativamente de conferências internacionais sobre temas universais, como meio ambiente, pobreza, raça, gênero, etc.

g. cooperar com países subdesenvolvidos em projetos de desenvolvimento, sem impor “condicionalidades” políticas ou econômicas;

h. diversificar, quanto a produtos, destinos e origens, seu comércio internacional;

i. abrir novos territórios para a ação das empresas brasileiras;

j. promover a revisão dos sistemas de decisão dos organismos econômicos internacionais para obter condições de melhor participação do Brasil;

k. conquistar um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

15. Foi por não se orientar por estes objetivos e por buscar um alinhamento unilateral, sem reciprocidade, com a política exterior americana que a política exterior de Temer não obtém resultados positivos e a imagem e a posição do Brasil se encontram afetadas negativamente.

*****

16. No governo do Presidente Lula, o Brasil seguiu à risca os princípios de não-intervenção e de respeito à autodeterminação, inscritos na Carta da ONU e na Constituição de 1988. Assim, foi possível manter, ao mesmo tempo, excelentes relações com a Colômbia e a Venezuela; com o Peru e o Equador; com Bolívia, Peru e Chile; com a Argentina e o Uruguai; apesar das divergências de posição e de crises entre esses países em diversos momentos.

17. No período de Michel Temer, o Brasil se juntou aos países da Aliança do Pacífico e aos países do Grupo de Lima contra a Venezuela, infringindo os princípios de autodeterminação e de não intervenção, gerando desconfianças e ressentimentos, no esforço de agradar aos Estados Unidos em sua campanha para derrubar o governo da Venezuela.

18. Sob a condução de Lula, o Brasil procurou criar um sistema de segurança político/militar na América do Sul, que foi a UNASUL, e seu Conselho de Defesa, foro exclusivo sul americano para resolver divergências entre os Estados da região e promover a cooperação em geral, mas em especial na área de defesa, como o projeto do avião de transporte KC 390.

19. No governo de Temer, o Brasil veio a se retirar da UNASUL, e passou a privilegiar a OEA, organização onde a influência americana é extraordinária; promoveu a venda da Embraer à Boeing e assistiu ao esvaziamento do Centro de Estudos de Defesa, da UNASUL, em Quinto.

20. Com o Presidente Lula, o Brasil procurou criar um sistema de dissuasão, com o programa de transferência de tecnologia e construção do submarino nuclear com a França e a aquisição e produção, no Brasil, de caças Gripen suecos. Os programas militares estratégicos tiveram aumento significativo de recursos orçamentários.

21. Na gestão de Michel Temer, foram reduzidos os recursos para os programas estratégicos militares (cibernética, espacial, nuclear) e houve a condenação, sem provas, do Almirante Othon Pinheiro da Silva, responsável pelo programa nuclear, a 43 anos de prisão.

22. No governo de Lula, o Brasil manteve excelentes relações com os Estados Unidos e com seus Presidentes, se aproximou da China e da Rússia, colaborou ativamente para criar o BRICS, formou o IBAS com a Índia e África do Sul; aproximou-se da França, com o projeto do submarino nuclear e a ação conjunta na iniciativa Campanha contra a Fome; e com a Alemanha, o Japão e a Índia formou o G-4 para articular a reforma da Carta da ONU e permitir seu futuro ingresso no Conselho de Segurança, como membro permanente.

23. Com Michel Temer, o Brasil passou a ter uma política não apenas exterior, mas uma política geral de governo de atender a reivindicações dos Estados Unidos, como a mudança do regime do pré-sal e as licitações de áreas do pré-sal, a redução da Petrobrás a uma pequena empresa, não integrada, com o auxílio do Judiciário, da Operação Lava Jato; de acesso à base de Alcântara e de abertura de todos os setores da economia ao capital estrangeiro.

24. No Governo do Presidente Lula, o Brasil procurou, em articulação com a França e a Alemanha, impedir a invasão do Iraque em 2003; contribuir para a paz na Palestina, ao reconhecer o Estado palestino e ao manter boas relações com Israel e, com a Turquia, negociou com o Irã a aceitação das condições ocidentais relativas a seu programa nuclear.

25. Com Temer, o Brasil tornou uma posição tímida e distante em relação às crises da Síria e do Irã.

26. Com o Presidente Lula, o Brasil participou ativamente das conferências mundiais organizadas pelas Nações Unidas e suas Agências, tais como a de diversidade cultural (Unesco), e do clima e promoveu importantes e inéditas conferências, como as reuniões de países árabes/América do Sul e África/América do Sul; contribuiu para a ação do G-20 financeiro e lançou a Iniciativa Mundial contra a Fome.

27. No governo de Michel Temer, o Brasil passou a participar de forma discreta de conferências mundiais, e de reuniões importantes inclusive as reuniões do G-20 financeiro, com um perfil diplomático baixo e sem apresentar propostas importantes.

28. Com Lula, o Brasil fortaleceu o Mercosul, articulou a expansão do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM), a inclusão da Venezuela e da Bolívia no Mercosul e instalou vários projetos de cooperação na África, como as unidades da Embrapa em Gana e da Fiocruz, em Moçambique.

29. Temer não prestigiou o Mercosul, agiu para suspender a Venezuela do Mercosul, contribuiu para enfraquecer o bloco, não procurou fortalecer a cooperação com a Argentina, mesmo com o seu Governo simpático ao Brasil, nem com a África, onde esteve apenas em Cabo Verde, para a Conferência dos Países de Língua Portuguesa, e na África do Sul, para a Cúpula do BRICS.

30. O Governo do Presidente Lula procurou a diversificação do comércio exterior brasileiro, promovendo as exportações de produtos industriais, em especial para a América Latina e para a África e o comércio do Brasil com os países desenvolvidos atingiu níveis mais elevados.

31. Na gestão Temer, não houve preocupação maior com a perda de participação percentual das manufaturas no total das exportações, com o acentuado processo de desindustrialização, resultado de uma política cambial de valorização do real e controle da inflação.

32. No Governo Lula, houve um esforço significativo de apoiar a internacionalização das grandes empresas de capital brasileiro, em competição com megaempresas multinacionais de engenharia de construção, não somente na África e América Latina, mas inclusive nos Estados Unidos e na Europa.

33. Com Temer, houve uma sujeição do Executivo ao arbítrio da Operação Lava Jato que não somente procurou, por meios inclusive ilegais, lutar contra a corrupção, mas em especial com o objetivo político de desmoralizar os partidos e, em especial, o Partido dos Trabalhadores e o Presidente Lula, o que ficou comprovado com a aceitação do juiz Sérgio Moro para ocupar o Ministério da Justiça no futuro governo Bolsonaro. A atitude de Temer permitiu a destruição e desorganização de grandes empresas brasileiras, o que não ocorreu em outros países, onde os empresários culpados são punidos e as empresas preservadas.

34. O Brasil, no período de 2003 a 2010, procurou articular com outros países a revisão dos mecanismos de decisão do FMI e do Banco Mundial, através da redistribuição de quotas e de poder de voto nessas organizações, as quais, aliás, o Brasil apoiou durante a crise financeira, inclusive com um empréstimo de US$ 10 bilhões ao Fundo Monetário.

35. A luta política pela revisão do sistema de votos não teve continuidade no Governo Temer, inclusive devido à oposição americana e seu desejo de alinhamento incondicional com os interesses americanos.

36. O objetivo brasileiro, de longa data, de obter um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, foi fortalecido no período Lula, com a criação do G-4 em que o Brasil, em estreita coordenação com o Japão, a Alemanha e a Índia, articulou politicamente junto aos demais membros da ONU a reforma dos artigos da Carta.

37. O Presidente Michel Temer não atribuiu importância a este objetivo histórico e central da política exterior brasileira.

*****

38. As declarações do Presidente eleito Jair Bolsonaro, do Deputado Eduardo Bolsonaro, do Embaixador Ernesto Araújo, Ministro, indicado, das Relações Exteriores, e de outros ministros-indicados, revelam desconhecimento e uma visão especial da complexidade da política internacional e das circunstâncias permanentes que devem orientar a política exterior brasileira.

39. A probabilidade de se agravar a situação de ineficácia da política exterior e de desprestígio do Brasil no mundo pode ser, assim, muito elevada.

40. A realidade, talvez, venha a se impor.

* Samuel Pinheiro Guimarães foi secretário-geral do Itamaraty (2003-2009) e ministro de Assuntos Estratégicos (2009-2010).

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As longas mãos da CIA, para implantar neoliberalismo neocolonizador no Brasil

China revida, golpe a golpe, guerra econômica dos EUA. Livre cambismo dos EUA é a base do imperialismo

247, com Sputnik e Resistência -No dia 6 de julho, a China vai impor tarifas aduaneiras de US$ 34 bilhões (R$ 132 bilhões) sobre os produtos importados dos EUA, comunicou a agência Reuters, citando suas fontes em Pequim.

“Nossas medidas são iguais, o que significa que, se os EUA começarem [a impor tarifas] no dia 6 de julho, vamos começar em 6 de julho”, afirmou a fonte à Reuters, pedindo anonimato, acrescentando que “a implementação das medidas se iniciará à meia noite”.

O passo de Pequim se segue à decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de introduzir em 6 de julho tarifas aduaneiras de US$ 34 bilhões (R$ 132 bilhões) sobre os produtos provenientes da China.

Embora o passo da Pequim seja uma ação de resposta, a China anunciará as medidas mais cedo devido à diferença de 12 horas nos fusos horários entre a China e os EUA.

Washington anunciou no dia 15 de junho a decisão de introduzir tarifas adicionais de 25% sobre 818 produtos da China no valor total de US$ 34 bilhões (R$ 132 bilhões). Em resposta, Pequim afirmou que iria tomar medidas de retaliação contra produtos agrícolas e automóveis importados dos EUA.

A Família Civita tem 3,3 bilhões de dólares. Família Civita está em décimo primeiro lugar entre as 15 Famílias mais ricas do Brasil. Editam a suja Veja… defensora das multinacionais

A morte da Veja e a riqueza da família Civita – Por Altamiro Borges

Colhi no excelente blog do Miro – “No meio jornalístico já é tida como certa uma nova onda de demissões – o famoso “passaralho” – na Editora Abril, que publica inúmeras revistas, entre elas a asquerosa Veja. O site Poder360, que tem sólidos vínculos com os barões da mídia, inclusive já postou que várias publicações serão extintas e que cerca de 300 funcionários serão defenestrados.

A famiglia Civita, dona do império falido, ainda não confirmou os “rumores”, mas o clima já é de velório nas redações. O facão seria consequência da grave crise que afeta a editora. Somente no ano passado, ela teve prejuízo de R$ 331,6 milhões, uma queda de mais de 140% em comparação aos números negativos de 2016. (…)

A decadência da Editora Abril decorre de vários fatores – entre eles, da própria crise econômica que a revista Veja insiste em esconder dos seus leitores mais tapados para proteger a máfia que ajudou a alçar ao poder; da explosão da internet; da perda de credibilidade das suas publicações; e também da incompetência administrativa dos mimados herdeiros de Roberto Civita. Em recente matéria postada no blog Diário do Centro do Mundo, o articulista Miguel Enriquez deu alguns detalhes do tamanho do rombo da Editora Abril – que, mais cedo do que tarde, deve atingir em cheio a Veja. Vale conferir: ***** 

Demissões, fechamento de revistas: a agonia da Abril continua

Por Miguel Enriquez 

A primeira semana de julho promete ser plena de más notícias para o grupo Abril, que edita Veja, a maior revista semanal do país. Às voltas com uma sucessão de prejuízos que totalizaram R$ 768,1 milhões nos últimos três anos ( R$ 331,4 milhões, em 2017), com um endividamento de R$ 1,2 bilhão, queda de vendas e patrimônio negativo de R$ 715,9 milhões, a empresa mais uma vez terá de cortar na carne, em seu desesperado esforço para continuar em pé. 

Por conta das recomendações de uma empresa de auditoria contratada pelos bancos credores, está previsto o anúncio de mais um enxugamento do quadro de pessoal, cujos números variam entre 300 e 1000 funcionários. Caso seja mantida a prática iniciada em 2017, suas indenizações deverão ser quitadas em 10 parcelas mensais. 

A tesoura atingiria, inclusive, a até aqui praticamente intocável redação de Veja, carro chefe da editora, que vem perdendo circulação ano a ano – estima-se que os 1,2 milhão de exemplares vendidos semanalmente, no início da década, tenham desabado para algo ao redor de 500 mil, atualmente. 

As demissões se seriam decorrência de uma profunda redução do seu portfólio de revistas proposta pelos credores. Comenta-se internamente que, das publicações atuais, seriam poupadas apenas as revistas Veja, Exame e Cláudia. Os demais títulos, que deixariam de circular nas bancas, seriam sumariamente fechados ou mantidos apenas em suas versões digitais. 

Esse novo surto de razia editorial, anunciado no jargão da casa como “revisão estratégica”, teve inicio no dia 8 de junho, com a decisão de interromper a publicação das revistas da Disney. Iniciada há 68 anos, a parceria com o grupo americano está na origem da Abril. Sua primeira publicação, ao ser fundada, em 1950, pelo empreendedor italiano Victor Civita, foi justamente a revista do Pato Donald. 

Os cortes de atividades e de pessoal seriam estendidos a outras operações do grupo. Notadamente, à Dinap, sua distribuidora de revistas, que vem perdendo clientes de peso. No ano passado, por exemplo, seus serviços foram dispensados por um dos principais clientes, a Panini, editora de álbuns de figurinhas e revistas de história em quadrinhos, que resolveu montar um sistema próprio de distribuição. 

A dimensão da crise que afeta a Abril, outrora denominada a maior editora da América Latina, pode ser medida, não apenas na redução paulatina do número de suas publicações, nos últimos anos, como fisicamente, pela mudança de endereço, completada neste mês de junho. Por duas décadas instalada no suntuoso edifício Birmann 21, de 24 andares, localizado na marginal do rio Pinheiros, em São Paulo, a Abril passou a ocupar dois prédios acanhados de quatro andares, no condomínio América Business Park, no Jardim Morumbi, na outra margem do Pinheiros. 

O início dessa agonia coincide com a morte, em 2013, de Roberto Civita, herdeiro do fundador Victor Civita. Desde então, a Abril se transformou numa espécie de nau sem rumo, com mudanças constantes em seu comando. O último executivo não pertencente à família Civita a ocupar a presidência, o advogado Arnaldo Tibyriçá, permaneceu menos de quatro meses no cargo, demitindo-se em março deste ano. Seu antecessor, Walter Longo, teve seu contrato interrompido antes de completar dois anos. 

No lugar de Tibiryça, assumiu Giancarlo Civita, o primogênito de Roberto e neto do fundador Victor, que também preside o Conselho de Administração da Abril. Cabe a Gianca, como é mais conhecido, tentar reverter o prognóstico sombrio lavrado pela PricewaterhouseCoopers (PwC), que auditou o último balanço do grupo. 

Ao avaliar os números negativos de 2017 e seu impacto sobre o futuro da Abril, a auditoria afirmou em seu relatório: “Essa situação, entre outras descritas na Nota 1.2, indicam a existência de incerteza relevante, que pode levantar dúvida significativa sobre sua continuidade operacional.” 

Em meio ao desafio de recuperar a empresa, o atual presidente acaba de perder seu braço direito, o diretor de operações (COO), Fábio Gallo, que deixou o grupo no início da segunda quinzena de junho. Gallo, que começou a trabalhar na Abril em 2004 e ocupava a diretoria de operações desde 2016, também presidia a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner). 

Segundo pessoas que acompanham a situação da Abril, Giancarlo e seus irmãos Victor Neto e Roberta, estariam considerando duas alternativas para o futuro do negócio. Uma delas é a venda, pura e simples do grupo. A outra seria recorrer à recuperação judicial, recurso que voltou a ganhar força neste ano no país, acionado por empresas em dificuldades, em razão do agravamento da situação econômica. 

O certo é que, dificilmente, a empresa poderá se manter apenas à base de cortes de pessoal e de operações. Por mais duras que sejam as providências, elas deverão ser tomadas. Como afirmou, certa vez, o empresário José Mindlin, ao justificar a venda da Metal Leve, que fundara, mergulhada em dificuldades, no começo dos anos 1990: “como dizia Goethe, é preferível um fim com horror, do que um horror sem fim.” 

No entanto, qualquer que seja o desfecho, vale a pena relembrar a recomendação do jornalista Paulo Nogueira, fundador deste DCM, ao comentar a situação de empresários que, a exemplo de Mindlin, foram obrigados a desfazer-se de seus negócios ou vê-los encolher: não chore pela família Civita. 

A despeito da preocupante situação da Abril, na pessoa física eles vão muito bem, obrigado, De acordo com a revista Forbes, em sua edição de setembro de 2016, os irmãos Giancarlo, Victor e Roberta, integravam, em 11º lugar, a seletíssima lista das 15 famílias mais ricas do Brasil, com uma fortuna avaliada em US$ 3,3 bilhões.

Eleições no México, daqui a uma semana, podem dar um fim ao neoliberalismo

Tirei este artigo do Blog do Miro, de Altamiro, blog que recomendo muito.

“Eleição no México: Vai Obrador!

Por Cesar Locatelli, no site Jornalistas Livres:
“Toda reconstrução histórica é um pouco arbitrária e imprecisa. Mas feita esta ressalva, se pode afirmar que o “desenvolvimentismo” latino-americano nasceu no México, durante o governo do presidente Lázaro Cárdenas, na década de 1930. Cárdenas foi nacionalista e seu governo fez uma reforma agrária radical; estatizou a produção do petróleo; criou os primeiros bancos estatais de desenvolvimento industrial e de comércio exterior da América Latina; investiu na construção de infraestrutura; praticou políticas de industrialização e proteção do mercado interno; criou uma legislação trabalhista e adotou uma política externa independente e anti-imperialista”. José Luís Fiori

Essa semana foi publicado um admirável artigo no New Yorker, uma revista estado-unidense de ensaios, com o título Uma nova revolução no México – fartos da corrupção e de Trump, eleitores abraçam o político independente de esquerda Andrés Manuel López Obrador.

Com um pedido de perdão pela presunção, e falta de modos, Jon Lee Anderson está certo ao propor que eles não aguentam mais a corrupção e Trump. Não me parece que seja uma revolução de fato, mas não é essa a principal divergência. Ele desconsiderou um ponto essencial: o povo mexicano está cheio é do conto do vigário do neoliberalismo. O México vem, há quase quarenta anos, cumprindo a agenda proposta pelos luminares do neoliberalismo e não colheu nenhum dos benefícios prometidos.

O México está certamente entre os melhores alunos da cartilha que determina que o Estado deve ser reduzido, que a carga tributária deve ser baixa, que o país deve abrir-se ao comércio exterior reduzindo os impostos de importação e expondo a indústria nacional à concorrência internacional, que as leis do trabalho devem ser flexíveis.

O México tratou, da mesma forma, de assinar o tratado de livre comércio com Canadá e Estados Unidos, deu liberdade ao mercado financeiro, desregulamentou a torto e a direito, privatizou mais de 1.000 empresas, reformou o ensino contrariamente ao que advogavam alunos e professor. Bem, brasileiros, sabemos bem como é essa agenda.

O que mexicanos sabem melhor do que nós, são os resultados desastrosos. Ao contrário do prometido crescimento, estão submersos em corrupção, em violência pelo tráfico, em desigualdade e pobreza. Estima-se em cem mil as vidas tolhidas pela violência do tráfico e da guerra estúpida contra ele, sem qualquer resultado que indique acerto no caminho trilhado.

Quando venderam para os mexicanos o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN ou NAFTA, na sigla em inglês), usavam como argumento principal que o acordo propiciaria a convergência econômica entre os três países, o que desmotivaria a emigração de mexicanos para os EUA. Em outras palavras, venderam que México, Canadá e Estados Unidos se tornariam países com nível semelhante de desenvolvimento. Se a qualidade de vida do trabalhador mexicano fosse minimamente comparada à dos vizinhos ninguém em sã consciência arriscaria a vida em fazer a travessia.

Discutia-se, à época da assinatura do tratado, se deveriam incluir a livre circulação de trabalhadores entre os três países. Do mesmo modo que a corrente de comércio e os fluxos de investimentos, movimentação de trabalhadores estaria liberada. Obviamente o fluxo de trabalhadores ficou de fora. O problema da emigração é hoje aquele de mais difícil solução na relação dos dois países. O neoliberalismo não entregou o que prometeu aqui também. O Acordo entrou em vigor em 1994, 24 anos atrás, e não há o menor sinal de convergência do padrão de vida de trabalhadores canadenses, mexicanos e estado-unidenses.

O esperado crescimento e desenvolvimento resumiu-se a um cinturão de “maquiadoras” na fronteira norte do país. As maquiadoras são linhas de montagem que trazem os insumos do exterior e mandam o produto de sua “maquiagem” ao exterior.

Linhas inteiras de cadeias produtivas foram destruídas ou se tornaram maquiadoras, Elas proporcionaram empregos razoáveis para o padrão mexicano, sem, no entanto, gerar qualquer benefício para a economia do país. O fosso entre os salários no sul e do norte somente se alargou.

Anderson marca em seu artigo que:

“Em um de seus discursos de López Obrador, ele comparou a administração atual aos déspotas e colonos que controlavam o país antes da revolução. Ele atacou a “desonestidade colossal” que ele disse ter caracterizado as políticas “neoliberais” dos últimos governos do México. ‘Os líderes do país se dedicaram… a ceder o território nacional’, disse ele. Com sua presidência, o governo ‘deixaria de ser uma fábrica que produz os novos-ricos do México’”.

López Obrador definiu precisamente como vê a sociedade mexicana atual:

Um pequeno grupo confiscou todos os poderes e mantém sequestradas as instituições para seu exclusivo benefício. O Estado foi tomado e convertido em um mero comitê a serviço de uma minoria. E como dizia León Tolstoi [Tolstoi apenas repetiu uma frase de SANTO AGOSTINHO…]: um Estado que não procura a justiça não é mais do que um nado de malfeitores.

Nesse 1 de julho de 2018, os mexicanos, para nossa inveja, podem pôr um fim, ou ao menos um intervalo, a um conjunto de políticas que prometeu o céu e os levou ao inferno. Na torcida.

Notas

1- O texto aqui incluído é um trabalho acadêmico, feito no meu mestrado, de análise dos discursos econômicos na eleição mexicana de 2006, começa com uma pequena história econômica do México, passa pelo Tratado de Livre Comércio e chega às propostas dos candidatos à presidência, entre eles López Obrador: O debate econômico na eleição presidencial mexicana de 2006

2- O link para o artigo da New Yorker é https://www.newyorker.com/magazine/2018/06/25/a-new-revolution-in-mexico?mbid=social_twitter

3- O link para o site com as propostas de López Obrador é https://lopezobrador.org.mx

Retrato do temer golpe baixo…

Uma imagem fala mais que mil palavras, diz o ditado…

— Updated: 15/12/2019 — Total visits: 62,094 — Last 24 hours: 24 — On-line: 0
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