A "Fórmula" Alceu-Barbosa Lima Sobrinho-Benayon e Dowbor. Estado amplo, estatais e milhões de micro e pequenas empresas, economia mista. Hans Singer, Andre G. Frank, Amin, Theotonio dos Santos A Archives - Blog Luiz Francisco Fernandes de Souza

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Dilma estava certa ao dar APOIO ESTATAL aos microempreendedores, às micro e pequenas empresas

Pontos CORRETOS dos Planos de Dilma, para fortalecer O MICROEMPREENDEDOR, as MICROS e PEQUENAS EMPRESAS:

“As iniciativas dos governos Lula e Dilma para o estímulo ao empreendedorismo e o fortalecimento das micro e pequenas empresas merecem destaque.

“Em 2006, o Simples Nacional foi implantado, dando consistência prática à previsão de tratamento diferenciado contida na Constituição Federal.

“Em 2008, foi instituído o Microempreendedor Individual (MEI), para trazer para a formalidade milhões de pequenos negócios.

“O governo Dilma cuidou muito do aprimoramento dos mecanismos de apoio ao empreendedorismo.

Aprimorou a legislação da pequena empresa e do microempreendedor individual, ampliando em 50% o limite das faixas para enquadramento no Simples Nacional.

“No caso do MEI, houve também redução da alíquota de contribuição para o INSS para apenas 5% do salário mínimo.

“Com isto, hoje já são 4,16 milhões de brasileiras e brasileiros no MEI que trabalham por conta própria formalizados e protegidos pela Previdência.

Outras 4,7 milhões de empresas são micro e pequenas que se beneficiam do Simples Nacional.

“Foi criado o CRESCER, programa de microcrédito produtivo orientado para facilitar o acesso dos pequenos empreendedores aos recursos necessários para abrir, manter e expandir seus negócios.

“Em menos de três anos, o CRESCER concedeu R$ 14,1 bilhões em crédito, em 9,4 milhões de operações. Deste total, um terço foi realizado por beneficiários do Bolsa Famíliaque buscam fortalecer seu pequeno negócio com o microcrédito”.

Alguns pontos corretos do Plano Brasil Maior, de Dilma

O Plano Brasil Maior, de Dilma, tinha pontos bons. Especialmente a defesa da produção LOCAL e NACIONAL, por meio de políticas de compras governamentais, fixando margens de preferência para produtos nacionais e a política de conteúdo local, em especial na área do petróleo.

Dilma estava certa, quando adotava “medidas de estímulo ao desenvolvimento de cadeias produtivas”, como o Inovar-Auto e outras.

Também estava certa ao estimular o aumento de exportações com o Reintegra.

Acertou também ao ampliar “os recursos do BNDES para o financiamento do investimento, com o PSI/BNDES, bem como os recursos para capital de giro, com o PROGEREN”.

Outro ponto bom foi a criação da Agência Brasileira Garantidora de Fundos.

Quando a crise diminuísse no comércio internacional, estava sendo “esperado para os próximos anos”, desta “política industrial”, benefícios à indústria brasileira e à prestação de serviços e à agropecuária.

O ideal concreto histórico, a “Fórmula-síntese” de Alceu, Barbosa Lima, Benayon, Dowbor e outros

No fundo, o IDEAL CATÓLICO, que é o mesmo do ideal hebreu e do ideal clássico, é um ideal de autonomia e libertação da pessoa, do trabalho.

O ideal da Paidéia é o ideal da Antiguidade e de todos os povos, inclusive da China, da Índia, de nossos indígenas (bororos de GO e MT e outros), dos africanos, dos esquimós (“inuits”, na Groelândia) e de todos os povos.

Trata-se do ideal natural de uma estrutura-organização econômica e regime social e político baseado no trabalho não-reificado, não servil, de libertação do trabalho, de controle PESSOAL E ATIVO do trabalhador sobre o processo produtivo junto com a subordinação do processo produtivo ao domínio eminente da sociedade, ao Estado, ao planejamento público. Economia mista.

Em termos atual, este ideal ganha a forma de uma economia mista, com ampla difusão da pequena propriedade rural e urbana, tal como do trabalho cooperativado, de estatais com co-gestão dos trabalhadores e de planejamento público participativo.

Em termos políticos, este ideal ganhou o nome de Democracia Participativa, sendo adotado em vários documentos da Igreja. Trata-se do ideal de uma democracia real, onde o povo seja o dono do próprio destino, assuma o controle da natureza e dos processos produtivos, tal como participe das decisões relevantes sobre a própria vida. A Igreja exige um regime social, político, econômico e cultural de vida plena, digna e abundante, para todos.

A democracia participativa exige difusão de rendas e bens para todos, pequena propriedade familiar para todos, renda básica e moradia para todos, cooperativas e também um amplo setor da economia estatal, com planejamento público participativo (cf. Pio XI e Paulo VI).

Como explicou Pio XI, na “Quadragesimo Anno” (n. 114), “com razão se pretende que se reservem ao poder público certos gêneros de bens que atribuem poder excessivo, que não pode ser deixado em mãos de particulares, sem perigo para o Estado”.

João XXIII, na “Mater et Magistra” (n. 116), foi mais sintético: “o Estado e as demais instituições públicas” podem “possuir legitimamente bens de produção”. O Papa e todos os bispos católicos, na “Gaudium et Spes” (n. 71), sintetizaram este ponto, explicando que a difusão da pequena propriedade familiar é compatível e complementar com “diversas formas de propriedade pública”.

A exigência de trabalho não-reificado, do primado do trabalho no processo produtivo (cf. Alceu e João Paulo II), foi elogiada na Bíblia (por Moisés, especialmente no “Deuteronômio”, tal como nos livros proféticos e sapienciais).

O mesmo ensinamento está também nos maiores autores gregos, como Hesíodo, Homero, Heródoto, Xenofonte (“Economia”), Platão (no livro “As leis”), Aristóteles (na “Política”, nas obras éticas e na “Economia”), nos textos dos estóicos, em Cícero, Tito Lívio, Virgílio (70-19 a.C.), Columela, Plínio o Antigo, Plutarco e outros luminares.

A concepção política e econômica humanista foi recepcionada pelo cristianismo e pelos Santos Padres. Autores como Virgílio praticamente prepararam o terreno para a semente do cristianismo, através de obras magistrais como “Eneida”, “Geórgicas” e “Bucólicas”, sempre apreciadas pelos Papas e Santos Padres.

Nas “Bucólicas”, Virgílio escreveu palavras que foram usadas pelos cristãos, como, por exemplo:

“Vejo surgir uma larga série de séculos que renascem. Retorna à terra a virgem Astrea e, com ela, o reinado de Saturno [que os hebreus identificam com o reino de Deus]. Baixa dos céus uma nova raça de heróis. Sorri o Menino que vem, porque a sua chegada dará fim à idade do ferro e pelo mundo se espalhará a idade de ouro” [o ideal de um novo Éden, o mesmo ideal bíblico, presente nos textos éticos sobre a parusia e a renovação gradual do mundo].

Há textos na mesma linha de Sêneca Pai, o pai de Sêneca, de Sêneca, tal como de Quinto Horácio (65-8 a.C.) e outros. Horácio, nas “Epístolas” e nas “Odes”, adota um estoicismo humanista, próximo de Sêneca. A concepção jurídica dos grandes juristas romanos era estóica e atuou também como preparação humana para o cristianismo.

O elogio da Paidéia e do cristianismo foi bem redigido por autores como Hegel, Werner Jaeger, Eleutherio Elorduy (“O estoicismo”, “A filosofia social dos estóicos” e outras grandes e magníficas obras), Max Pohlenz (“Die Stoa” e “Paulo e a Stoa”), Bonhoeffer (“Epíteto e o Novo Testamento”), G. Hansen, Ernest Barker (“Teoria política grega”), Simone Weil e outros.

Toda a tradição católica parte da síntese entre Paidéia e a Revelação Hebraica, oral e escrita, da síntese da cultura hebraica com o melhor da cultura da Paidéia.

O padre Eleuthério Elorduy, no livro “El estoicismo” (Madrid, Ed. Gredos, 1972, Tomo II, p. 319), resume bem o primado da sabedoria, das idéias do bem comum, da subjetividade do trabalhador e da pessoa no processo histórico e social, com as seguintes palavras:

A sabedoria divina, que é o mesmo que o Summum Bonum [o Bem Supremo, a fonte de todo bem, do bem geral, comum] ou o Amor de Deus, é energia radiante e universal comunicadora de perfeição na ordem da atividade individual das pessoas e no coletivo dos corpos sociais. Esta é a visão compartilhada por Sêneca, testemunha deste fenômeno nas grandes domus da Roma de 63-64, como de Agostinho, em sua doutrina universal da “Cidade de Deus”. A visão metafísica do Bem supremo e da Sabedoria divina, Causa Primeira e Agente universal, desdobra-se no mundo da realidade pela via da participação – por aderência a Deus em Agostinho e por irradição da “Ratio” [Razão, Logos] em Sêneca – fundamentando a base ontológica de toda perfeição física, moral, social e política, tanto na ordem das naturezas específicas recebidas na criação, como na elevação sobrenatural que em Sua Providência [a “tensão” da Providência] pode Deus estabelecer…(…).

“A semelhança do cristianismo com o estoicismo neste ponto implica uma aproximação da filosofia estóica com a teologia Patrística, estudada com grande erudição por Stelzenberger, Spanneut e Pohlenz”.

Os hebreus e os cristãos sempre estão abertos às idéias verdadeiras, que formam a “Sabedoria”, como ensinam os livros sapienciais da Bíblia. Estas idéias são salvíficas, são geradoras do bem comum.

Os cristãos e os hebreus, tal como os grandes filósofos da antiguidade (inclusive Confúcio, Buda e outros) sabem que a verdade (as idéias verdadeiras e boas) é a fonte normal do bem comum, é salvífica, liberta (“conhecereis a verdade e esta vos libertará”, cf. Jesus).

Os hebreus deram um grande exemplo de abertura e ecumenismo na tradução da “Septuaginta”, lá por 285 a.C., realizando, na tracas com as idéias da Paidéia. A “Septuaginta” tem importância essencial, pois foi o texto mais usado pelos Apóstolos e talvez até por Jesus Cristo. A difusão do cristianismo ocorreu pela mediação da “Septuaginta”, já numa forma de síntese entre idéias hebraicas e da Paidéia.

A própria Bíblia contém a incorporação de idéias da Paidéia mais antiga, especialmente do melhor da cultura mesopotâmica (de Ur, Harã e outras cidades), tal como do Egito e da cultura de Canaã. A Bíblia, inclusive o Antigo Testamento, foi formada com base no material das culturas da Antiguidade, com a ajuda da inspiração.

A inspiração incide sobre a natureza, sobre pessoas concretas, mergulhadas em seus habitats culturais, em seus húmus culturais. O mesmo ocorre com a graça, com a profecia, pois o “sobrenatural” é a ação divina sobre a natureza, sem destruir a criação do próprio Deus, e sim a elevando, aperfeiçoando-a, por dentro, por inculturação.

Ladislau Dowbor mostra como o comércio externo é pequeno no Brasil. O importante é o comércio interno

Ladislau Dowbor, no livro “A era do capitalismo improdutivo”, p. 188, mostra que o fator principal é a “DEMANDA DAS FAMÍLIAS”, a economia familiar, é ampliar a renda dos trabalhadores, para termos uma economia sadia:

“A economia funciona movida por quatro motores: as exportações, a demanda das famílias, as iniciativas empresariais e as políticas públicas. No nosso caso, a partir de 2014, estes quatro motores ficaram travados, e o sistema financeiro desempenhou um papel essencial neste travamento. Entender este processo nos permite entender as principais engrenagens da própria economia.

“O comércio externo
No Brasil, as exportações não constituem nem de longe o principal motor da economia.

Os cerca de 200 bilhões de dólares de exportações, equivalentes a cerca 600 bilhões de reais, representam 10% do PIB.

“É significativo, em particular porque permite importar bens e serviços importantes para a economia, mas nada de decisivo. Não somos, de modo algum, uma economia como alguns países asiáticos, onde o motor do comércio externo é essencial. Com uma população de 204 milhões habitantes, e um PIB de 6 trilhões de reais, somos antes de tudo uma economia vinculada ao mercado interno. Se as dinâmicas internas não funcionam, o setor externo pouco poderá resolver”. (…)

A demanda interna
Incomparavelmente mais importante é a demanda das famílias, que constitui o principal motor da economia. Trata-se também de uma dinâmica que estimula atividades fins, o arroz e o feijão na nossa mesa. Quando a demanda interna murcha, as empresas não têm interesse em produzir. E quando a demanda está forte, haverá quem invista para responder e lucrar, dinamizando a economia.

Os dois governos Lula e o primeiro governo Dilma elevaram fortemente a base popular de consumo, com um conjunto de programas de distribuição de renda, elevação do salário mínimo, inclusão produtiva e outras medidas que permitiram tirar da pobreza dezenas de milhões de pessoas.

Isso gerou uma dinâmica de forte crescimento, o que por sua vez permitiu financiar as próprias políticas sociais. É o que se chamou de círculo virtuoso, em que um progresso alimentou outro.

“A partir de 2013, no entanto, o processo entrou em crise. A realidade é que os bancos e outros intermediários financeiros demoraram pouco para aprender a drenar o aumento da capacidade de compra do andar de baixo da economia, esterilizando em grande parte o processo redistributivo e a dinâmica de crescimento. Trata-se da esterilização dos recursos do país pelo sistema de intermediação financeira”. 

A Fórmula (receita) de John A. Hobson é a mesma de Barbosa Lima Sobrinho e Adriano Benayon

John A. Hobson, um economista fabiano, que escreveu o livro “Imperialismo: um estudo” (de 1902) elogiado por Lênin e Hilferding, no livro “A evolução do capitalismo moderno” (ed. Nova Cultural, São Paulo, 1985, p. 323), também propôs uma “síntese” (no final do livro, Hobson usa este termo) onde a grande produção estatal e socializada coexistiria com o respeito à personalidade de cada pessoa (“a base é a individualização”) e à criatividade de todos (especialmente na arte, na produção intelectual e na pequena produção).

Esta síntese é a mesma ideia de Barbosa Lima Sobrinho e de Adriano Benayon.

Hobson adotou a mesma conclusão deste blog, que o distributismo é a finalidade de um bom socialismo. Vejamos as ideias principais de Hobson, que endosso: “…a própria raison d’être dessa coesão social aumentada é tornar mais econômica e rica a vida individual, permitindo assim que a energia individual assuma formas mais elevadas, capazes de assegurar uma satisfação individual maior, configura-se um esforço humano cada vez mais acentuado nas indústrias que serão entregues à iniciativa e ao controle individual, atividades em que a liberdade da espontaneidade pessoal encontrará espaço para expressar a beleza e a aptidão física ou moral, assim como para atingir a verdade intelectual”.

Da mesma forma, Hobson defendeu que o regime salarial fosse suplementado e alterado, graças a uma “reforma de estrutura empresarial”, para que todas as firmas tivessem uma estrutura com base na “cooperação efetiva” (autogestão, co-gestão e autogestão social, boa síntese).

Transformar as grandes empresas e médias em comunidades de trabalhadores, com estabilidade, participação na gestão, nos lucros, diminuição drástica da jornada etc. A fórmula de De Gaulle e François Perroux, Barbosa Lima Sobrinho,  Goulart, Paulo de Tarso, Sérgio Magalhães, tal como de Alceu e outros, grandes católicos.

A mesma fórmula, receita, Plano, PROJETO PRINCIPAL

Distributismo (distributivismo) e socialismo, economia mista, melhor solução

Uma sólida base distributista (moradias para todos, pequenos lotes, roupas, carros econômicos elétricos com poucas cilindradas etc), em marcos comunitários e sujeitas a formas de planejamento participativo, complementa uma estrutura de boas estatais e médias e grandes cooperativas sujeitas ao bem comum.

Esta base distributista existe, hoje, em todos os países socialistas. Engels, numa carta a Conrado Schmidt, em 05.08.1890, critica alguns militantes “materialistas” e fala sobre a distribuição de bens numa sociedade socialista:

Marx disse, no final da década de 70, referindo-se aos ‘marxistas’ franceses, que ‘tout ce que je sais, c’est que je ne suis pas marxiste’ [tudo o que sei é que eu não sou marxista]. Também na Volks-Tribüne, houve uma discussão sobre se a distribuição dos produtos na sociedade futura seria feita de acordo com a quantidade de trabalho ou de outra maneira. (…Por mais estranho que seja, a ninguém ocorreu pensar que o modo de distribuição depende essencialmente da quantidade de produtos que deve ser distribuída e que esta quantidade varia, naturalmente, com o progresso da produção e da organização social e que, portanto, tem que mudar também o modo de distribuição. (…) Racionalmente, a única coisa que se pode fazer é: 1º) tratar de descobrir o modo de distribuição que deve ser aplicado no início; 2º) tratar de estabelecer a tendência geral que deve ser seguida no desenvolvimento ulterior. (…) Nossa concepção da história é, sobretudo, um guia para o estudo, e não uma alavanca para levantar construções como faz o hegelianismo”.

O texto acima mostra como “o modo de distribuição” era discutido entre os socialistas.

A solução de Marx e Engels foi aceitar a solução bíblica, expressa na frase “eles tinham tudo em comum e distribuiam a cada um de acordo com suas necessidades” (o princípio fundamental contido no livro “Atos dos Apóstolos”, duas expresso literalmente, nos capítulos 2 e 4, que descreve como devem ser organizadas as comunidades cristãs).

O “modo de distribuição” era discutido também pelos Santos Padres e pelos escolásticos, que usavam a expressão “justiça distributiva” e apontavam como critério fundamental para a boa distribuição dos bens as necessidades de cada pessoa (“a cada um de acordo com suas necessidades”).

Em outros textos, Marx e Engels dizem que a sociedade socialista produziria tanto que cada pessoa poderia ter os produtos que quisesse (casas, carros, eletrodomésticos, roupas etc).

No final das contas, fica claro que o distributismo é a finalidade do socialismo, que as pessoas poderiam ter os bens necessários ou os bens que quisessem (pela produção ampliada).

O termo “produtos” é amplíssimo, pois quase tudo é “produto” (casas, ruas etc). Por isso, um socialismo humanista deve abolir as grandes propriedades particulares e mesmo a propriedade quiritária (abolir o capital e o latifúndio), mas deve difundir o controle pessoal dos trabalhadores sobre os bens, estando este controle sujeito ao bem comum, ao controle da sociedade.

Em Cuba, a ilha rebelde sitiada pelo imperialismo, “85% da população cubana é dona de sua residência” e “não paga impostos” sobre estas moradias. A Constituição de Cuba reconhece a “propriedade individual dos pequenos agricultores”, as “cooperativas de produção agropecuária” e as pequenas empresas familiares.

Cláudia Furiati, na obra “Fidel Castro – uma biografia consentida” (Editora Revan, Rio de Janeiro, maio de 2003, 4.ª Edição, p. 637), mostra como Cuba permite a pequena produção familiar:

No Campo, criaram-se as unidades básicas de produção cooperativizada (UBPC), reformando as relações em uma parte das granjas e fazendas do Estado. Este preservava a condição de dotar os créditos e os meios de produção, mas os operários agrícolas passavam a donos da produção e usufrutários da terra, recebendo parcelas para a exploração em caráter familiar. A mesma disposição, de entrega de terras em condições de usufruto, foi conferida a produtores de tabaco, café e cacau. (…)

“Outra providência foi a ampliação do “trabalho por conta própria”, sobretudo no setor terciário. Legalizaram-se ofícios privados e pequenas empresas familiares, buscando-se alternativas de emprego e oferta adicional à população. Logo a medida receberia uma normatização especial. Em 1995, segundo dados oficiais, 208 mil pessoas eram já “contapropristas”.”

De fato, as comunidades (especialmente as cooperativas) contêm, em suas estruturas, a difusão de direitos subjetivos positivos e limitados, que asseguram o controle pessoal sobre os bens, inclusive bens pessoais.

Vejamos alguns exemplos da convivência de bens pessoais e sociais (em diversos graus): uma cooperativa de pescadores convive com barcos de pesca pessoais; uma reserva extrativista de seringueiros atribui a cada família direitos de uso específicos sobre lotes, “colocações”, que inclusive passam para os filhos.

Uma cooperativa de agricultores organiza lotes familiares e áreas comuns, de plantio.

Até mesmo nas terras indígenas, as famílias têm direitos de uso específicos sobre partes da terra e estes direitos convivem bem com as estruturas comunitárias.

Da mesma forma, nos condomínios verticais e horizontais (rurais e em prédios ou casas) há as partes familiares e as partes comuns.

Nas antigas propriedades comunitárias (inclusive no mir russo) existiam as casas das famílias, pequenos pomares e criações de animais da família junto com as terras comunais e formas de trabalho cooperativo.

Na área rural brasileira, sempre houve as roças familiares ao lado das roças comunitárias com o mutirão e outras formas cooperativas e comunitárias.

Nos assentamentos do MST há casas familiares, pequenos lotes e áreas comuns, de plantio e colheita.

Mesmo nos órgãos públicos, nos prédios da Administração direta (por exemplo, nos Ministérios), os servidores têm direitos subjetivos específicos, círculos de ações onde são livres (inclusive salas próprias, mesas, objetos pessoais, estações, postos de trabalho com personalização, espaços próprios e pessoais etc).

No organograma das melhores estatais empresariais há espaços próprios, salas próprias, autonomias, poderes, liberdades para criação, poderes específicos não sujeitos a controles, áreas com autonomia, para assegurar as liberdades pessoais, evitar-diminuir a reificação. 

Boas sínteses são importantíssimas para superar o modo de produção capitalista. Os textos de Boaventura de Sousa Santos apontam no mesmo sentido, para formas de socialismo com base na autogestão, no cooperativismo, economia mista, com bases comunitárias.

Petróleo e recursos naturais devem ser de ESTATAIS, e nunca de multinacionais

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Aula de Getúlio Vargas, no discurso de 29.11.1946, sobre Democracia socialista

Lições de Getúlio Vargas, explicitando a corrente trabalhista-nacionalista, no discurso de 29.11.1946:

“Impera no Brasil essa democracia capitalista, comodamente instalada na vida, que não sente a desgraça dos que sofrem e não percebem, às vezes, nem mesmo o indispensável para viver. Essa democracia facilita o ambiente propício para a criação dos trustes e monopólios, das negociatas e do câmbio negro, que exploram a miséria do povo. Tira o que foi cedido ao Estado para entregar ao monopólio de empresas particulares.

Ou a democracia capitalista, compreendendo a gravidade do momento, abre mão de suas vantagens e privilégios, facilitando a evolução para o socialismo, ou a luta se travará com os espoliados, que constituem a grande maioria, numa conturbação de resultados imprevisíveis para o futuro. Essa espécie de democracia é como uma velha árvore coberta de musgos e folhas secas. O povo um dia pode sacudi-la com o vendaval de sua cólera, para fazê-la reverdecer em nova primavera, cheia de flores e de frutos”.

E, mais adiante:

A velha democracia liberal e capitalista está em franco declínio porque tem seu fundamento na desigualdade. A ela pertencem, repito, vários partidos com o rótulo diferente e a mesma substância. A outra é a democracia socialista, a democracia dos trabalhadores. A esta eu me filio. Por ela combaterei em benefício da coletividade” (Getúlio Vargas, 29/11/1946).

Pontos essenciais da Fórmula Barbosa Lima Sobrinho-Benayon

Para a Fórmula Barbosa Lima Sobrinho-Benayon, é preciso AUMENTAR DRASTICAMENTE a proteção estatal ao trabalho humano, com redução da jornada de trabalho para MENOS  de 40 horas, AMPLIANDO OS DIREITOS DOS TRABALHADORES.

Também é essencial a participação nos lucros, abertura dos livros contábeis e das contas e na gestão das empresas, praticada em muitos países, inclusive Alemanha. Outro ponto é a ESTABILIDADE do emprego, prevista na Constituição e determinada por resolução da OIT (demissão apenas por justa causa); ampliação maciça do salário mínimo etc. 

Vi um ponto ótimo no programa do Pátria livre, que cito: implantar “nos três níveis de governo, municipal, estadual e federal”, a prioridade, em suas compras, à indústria e aos serviços NACIONAIS, e das pequenas empresas, no caso dos pequenos contratos, dando aos micro e pequenos cerca de 30%, pelo menos, dos contratos públicos. “Criar normas a este respeito, à semelhança da legislação dos Estados Unidos ( Buying American Act)”.

Outro ponto – “Voltar o BNDES para financiar exclusivamente a empresa nacional, estatal e privada, possuída e dirigida por brasileiros, com prioridade à pequena e média empresa, o micro empresário”.

PONTO ESSENCIAL – “Desenvolver ações para que cada cidade, cada distrito, cada aldeia tenha a sua fábrica, a sua indústria”, sua base industrial, ampliando a industrialização (produtividade física, com aumento da utilização da energia elétrica), por pessoa e por km quadrado, para DIMINUIR, até eliminar, a divisão trabalho intelectual-braçal, campo-cidade. A Fórmula Soria y Mata, das cidades lineares (agrovilas) ás margens de ferrovias, tem a mesma ideia básica. 

Concordo com as ideias – “a industrialização e a nacionalização fizeram as nações. Essa foi a luta e esse foi o sonho de muitas gerações, desde Tiradentes e Bonifácio, a partir da Independência, passando por lutas de intrépidos promotores da indústria, como Mauá e outros, até a consolidação do Estado nacional brasileiro, com o avanço que teve a partir da Revolução de 1930″.

Faltou citar Roberto Simonsen e o grande Serzedelo Correa, dois grandes protecionistas. 

Também concordo – “A industrialização do País retrocedeu nos últimos anos. A privatização de setores importantes e estratégicos como telecomunicações, siderurgia, hidrelétricas retirou instrumentos de alavancagem da indústria nacional e da evolução e inovação tecnológicas. A desnacionalização em massa de empresas industriais privadas teve, como consequência, a transformação dessas empresas em meras montadoras ou maquiadoras de componentes importados”.

É preciso “retomar a industrialização brasileira através de diversos mecanismos, especialmente a partir do poder de compra dos governos nos diversos níveis”, tal como pela estatização dos bancos, siderúrgica, telefonia etc.

— Updated: 14/08/2018 — Total visits: 32,200 — Last 24 hours: 74 — On-line: 0
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