Arquivos para : A “Fórmula” Alceu-Barbosa Lima Sobrinho-Benayon e Dowbor. Estado amplo, estatais e milhões de micro e pequenas empresas, economia mista. Hans Singer, Andre G. Frank, Amin, Theotonio dos Santos A

Juscelino, Leonel Brizola e João Goulart, grandes getulistas, grandes patriotas ligados ao povo

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Sanders está CERTO em querer um novo NEW DEAL, mas acho que errou sobre a China e Rússia, que são ALIADOS dos BRICs E DOS PAÍSES EXPLORADOS. China e Rússia, mesmo com FALHAS, são CONTRAPESOS ESSENCIAIS ao imperialismo dos EUA e da Grã Bretanha

247 – “Político mais popular dos Estados Unidos, o senador Bernie Sanders, que assinou documento contra a prisão política de Lula, lançou neste sábado um dos mais importantes documentos políticos das últimas décadas: o manifesto que pede uma Internacional Progressista.

O objetivo é COMBATER movimentos autoritários, como o de Donald Trump, nos Estados Unidos, mas também de Jair Bolsonaro, no Brasil, que semeiam o ódio e cultivam uma agenda econômica que beneficia poucos bilionários, que já controlam mais da metade da riqueza global.

“É hora de os democratas de todo o mundo formarem uma Internacional Progressista no interesse da maioria das pessoas em todos os continentes, em todos os países”, diz ele.

Leia a íntegra do documento:

Por Bernie Sanders – “Está em curso uma luta global que tem enormes consequências. O que está em jogo é nada mais, nada menos que o futuro do planeta, economicamente, socialmente e ambientalmente.

Em um momento de enorme riqueza e desigualdade de renda, quando 1% do mundo agora tem mais riqueza do que os 99% restantes, estamos vendo o surgimento de um novo EIXO autoritário.

Embora esses regimes possam diferir em alguns aspectos, eles compartilham atributos-chave: hostilidade às normas democráticas, antagonismo em relação à liberdade de imprensa, intolerância em relação às minorias étnicas e religiosas e a crença de que o governo deve beneficiar a si próprio e a interesses financeiros egoístas.

Os líderes deste eixo autoritário também estão profundamente ligados a uma rede de oligarcas bilionários que vêem o mundo como seu brinquedo econômico.

Aqueles de nós que acreditam na democracia, que acreditam que um governo deve prestar contas ao seu povo, devem entender o alcance desse desafio, se quisermos enfrentá-lo de forma eficaz.

Deve ficar claro agora que Donald Trump e o movimento de direita que o apóia não são um fenômeno exclusivo dos Estados Unidos. Em todo o mundo, na Europa, na Rússia, no Oriente Médio, na Ásia e em outros lugares, estamos testemunhando movimentos liderados por demagogos que exploram medos, preconceitos e queixas das pessoas para alcançar e manter o poder.

Essa tendência certamente não começou com Trump, mas não há dúvida de que os líderes autoritários de todo o mundo se inspiraram no fato de que o mais antigo e mais poderoso líder democrata do mundo parece se deliciar com a destruição das normas democráticas.

Há três anos, quem teria imaginado que os Estados Unidos permaneceriam neutros entre o Canadá, nosso vizinho democrático e o segundo maior parceiro comercial, e a Arábia Saudita, um estado-cliente monárquico que trata as mulheres como cidadãos de terceira classe? Também é difícil imaginar que o governo de Netanyahu em Israel teria aprovado a recente “lei do estado-nação”, que basicamente codifica o status de segunda classe dos cidadãos não-judeus de Israel, se Benjamin Netanyahu não soubesse que Trump estaria do seu lado.

Tudo isso não é exatamente um segredo. Com os Estados Unidos afastando-se cada vez mais dos nossos aliados democráticos de longa data, o embaixador estadunidense na Alemanha tornou claro recentemente o apoio do governo Trump aos partidos extremistas de direita por toda a Europa.

Além de hostilidade de Trump às instituições democráticas, temos um presidente bilionário, de forma inédita, que tem descaradamente defendido seus próprios interesses econômicos e os de seus comparsas nas políticas governamentais.

Outros estados autoritários estão muito mais avançados ao longo deste processo cleptocrático. Na Rússia, é impossível dizer onde terminam as decisões do governo e os interesses de Vladimir Putin e seu círculo de oligarcas. Eles operam como uma unidade. Da mesma forma, na Arábia Saudita, não há debate sobre a separação, porque os recursos naturais do estado, avaliados em trilhões de dólares, pertencem à família real saudita.

Na Hungria, o líder autoritário de extrema-direita Viktor Orbán alia-se abertamente a Putin na Rússia. Na China, um círculo interno liderado por Xi Jinping consolidou o poder de forma constante, tomando medidas drásticas contra a liberdade política interna enquanto promoveu agressivamente uma versão do capitalismo autoritário no exterior.

Devemos entender que esses autoritários fazem parte de uma frente comum. Eles estão em estreito contato uns com os outros, compartilham táticas e, como no caso dos movimentos de direita europeus e norte-americanos, compartilham até mesmo alguns dos mesmos financiadores.

A família Mercer, por exemplo, os defensores da infame Cambridge Analytica, foram patrocinadores principais de Trump e do Breitbart News, que opera na Europa, Estados Unidos e Israel para promover a mesma agenda anti-imigrante e anti-muçulmanos.

O mega-doador republicano Sheldon Adelson atua tanto nos Estados Unidos quanto em Israel, promovendo uma agenda compartilhada de intolerância e nos dois países.

No entanto, a verdade é que, para efetivamente nos opormos ao autoritarismo da direita, não podemos simplesmente retornar ao status quo fracassado das últimas décadas.

Hoje, nos Estados Unidos e em muitas outras partes do mundo, as pessoas trabalham mais horas para estancar os salários e se preocupam com o fato de seus filhos terem um padrão de vida mais baixo do que o deles.

Nosso trabalho é lutar por um futuro no qual a nova tecnologia e a inovação funcionem para beneficiar todas as pessoas, não apenas algumas.

Não é aceitável que 1% da população mundial detenha metade da riqueza do planeta, enquanto 70% da população em idade ativa disponha de apenas 2,7% da riqueza mundial.

Juntos, os governos do mundo devem se unir para acabar com o absurdo de empresas ricas e multinacionais mantenham mais de US$ 21 bilhões [DEVE SER TRILHÕES] em contas bancárias offshore para evitar pagar sua parcela justa de impostos e exigir que seus respectivos governos imponham uma agenda de austeridade.

Não é aceitável que a indústria de combustíveis fósseis continue a gerar enormes lucros, enquanto suas emissões de carbono destroem o planeta para nossos filhos e netos.

Não é aceitável que um punhado de gigantes da mídia multinacional, de propriedade de um pequeno número de bilionários, controle o fluxo de informações no planeta em grande medida.

Não é aceitável que as políticas comerciais que beneficiam as grandes corporações multinacionais prejudiquem as pessoas que trabalham em todo o mundo.

Para combater eficazmente a ascensão do EIXO autoritário internacional, precisamos de um movimento internacional progressista que se mobilize por uma visão de prosperidade compartilhada, segurança e dignidade para todas as pessoas e que aborde a enorme desigualdade global que existe, não apenas em riqueza, mas também na riqueza do poder político.

Tal movimento deve estar disposto a pensar de forma criativa e ousada sobre o mundo que gostaríamos de ver. Enquanto o eixo autoritário se comprometeu a derrubar uma ordem mundial pós-Segunda Guerra Mundial que eles acreditam que limita seu acesso ao poder e à riqueza, não é suficiente simplesmente defendermos essa ordem como ela existe agora.

Devemos honestamente ver como essa ordem não cumpriu muitas de suas promessas e como os autoritários exploraram com habilidade essas falhas para gerar apoio à sua agenda.

Devemos aproveitar a oportunidade para conceituar uma ordem global genuinamente progressista baseada na solidariedade humana, uma ordem que reconheça que cada pessoa neste planeta compartilha uma humanidade comum, que todos queremos que nossos filhos cresçam saudáveis, tenham uma boa educação, tenham empregos decente, bebam água limpa, respirem ar puro e vivam em paz.

Nosso trabalho é alcançar pessoas de todos os cantos do mundo que compartilhem esses valores e lutem por um mundo melhor.

Em uma época de explosão de riqueza e tecnologia, temos o potencial de criar uma vida decente para todas as pessoas. Nosso trabalho é construir uma humanidade comum e fazer tudo o que pudermos para nos opor a todas as forças, poder governamental irresponsável ou poder corporativo irresponsável, que tentam nos dividir e confrontar uns aos outros. Sabemos que essas forças trabalham juntas através das fronteiras. Nós devemos fazer o mesmo.

Mais recentemente, os fanáticos de direita xenofóbicos também formaram sua própria Internacional Nacionalista, colocando pessoas orgulhosas contra outras para controlar sua riqueza e política.

É hora de os democratas de todo o mundo formarem uma Internacional Progressista no interesse da maioria das pessoas em todos os continentes, em todos os países.

Nossa Internacional Progressista deve liderar uma visão de prosperidade verde e compartilhada que a engenhosidade humana é capaz de fornecer, desde que a democracia tenha a oportunidade de torná-la possível.

Para isso, precisamos fazer mais de uma campanha juntos. Vamos formar um conselho comum que elabore um plano comum para um New Deal internacional, um Novo Bretton Woods (resoluções da conferência monetária e financeira das Nações Unidas), progressista.

(texto publicado neste sábado no The Guardian)

A linha socializante de Alceu e de Dom Hélder é a mesma de Maritain, Mounier, Péguy, Albert de Mun, Marc Sangnier, Buchez, Ketteler e dos Santos Padres

Alceu Amoroso Lima, no artigo “Nos anos 70” (de 01.01.70), defendeu o “ideal” do “policentrismo” e o “ideal” da “reconciliação entre o socialismo e o espiritualismo e de modo particular entre socialismo, democracia e cristianismo”.

Este ideal de reconciliação entre socialismo e espiritualismo (principalmente catolicismo) é explicável pelo fato do socialismo ter nascido com matriz religiosa, nos textos cristãos e judaicos.

Há o mesmo ideal de um socialismo com liberdade e democracia nos textos de expoentes como Marc Sangnier (1879-1950), Albert de Mun, Charles Péguy, Maritain, Emannuel Mounier (1905-1950, fundador do Sillon e do Movimento Republicano Popular), Karl Rahner (1904-1984), Dom Hélder Câmara (1909-1999), Dom Tomás Balduíno, Marciano Vidal (o maior teólogo moralista destes últimos cem anos), Hans Küng e nos livros de vários bispos (Dom José Maria Pires, D. Pedro Casaldáliga, Dom Adriano Hipólito e outros).

Mounier é um grande exemplo, tendo militando na Resistência Francesa e dirigido a revista “Esprit”. Mounier esboçou um modelo de economia mista, onde o trabalho tinha o primado, com grande intervenção estatal, fundo cooperativo etc. 

Dom Pedro Casaldáliga considera Karl Rahner o principal teólogo do século XX, ponto que fica claro no livro “Tratado fundamental da fé” (1976), do padre Karl Rahner, um grande teólogo do ecumenismo (Hans Küng deu continuidade a esta linha).

O ideal pró-socialismo de Mounier fica patente em obras como “O pensamento de Charles Péguy” e outras.

O grande Charles Péguy foi aliado do grande Jaurés (socialismo democrático, com religiosidade). Péguy defendia um socialismo cristão, católico, bem próximo de Jean Jaurés, que era teísta e humanista.

No fundo, democracia popular, participativa e social e socialismo participativo, democrático e humanista são, de fato, sacos com a mesma farinha, o mesmo bom milho.

Conclusão: o primado da pessoa, a destinação universal dos bens ou o direito primário de todos aos bens são proposições centrais da doutrina política e econômica do maior Doutor da Igreja, o grande Santo Tomás de Aquino (cf.”Summa Theol”., 2-2, q. 32, ª 5 ad 2 e q. 66, a. 2).

Também está nos textos dos Santos Padres e estas teses foram ensinadas por Leão XIII, na “Rerum novarum”; relembrado por Pio XII na alocução de 01 de junho de 1941; e na Mensagem radiofônica natalina, de 1954. Fazem parte da Tradição, estando nos melhores textos dos Santos Padres, com destaque para Santo Ambrósio e São Basílio Magno.

As linhas convergentes entre socialismo democrático, trabalhismo e Doutrina social da Igreja

As linhas convergentes entre o socialismo democrático, trabalhismo e Doutrina social cristã. 

Os livros da TFP, com seus erros de heresia neoliberal, mostram claramente a convergência entre catolicismo e socialismo democrático, que já tinha sido descrita por Ketteler e Pio XI na “Quadragésimo anno”, em 1931.

Esta convergência foi demonstrada nos textos de centenas de autores e basta citar, como exemplo, Alceu Amoroso Lima, João Goulart, Getúlio, Plínio de Arruda Sampaio, Paulo de Tarso, Domingos Velasco, João e Francisco Mangabeira.

Maria do Carmo Campello de Souza, doutora em Ciência Política e então professora de Ciências Sociais da USP, tendo escrito o livro “Estado e partidos políticos no Brasil, 1930-1964” (editora Alfa-Omega), deu uma entrevista ao jornal “Versus” (n. 15, outubro de 1977, pp. 3-5), onde, respondendo a perguntas de Francisco Weffort, diz:

“Em torno de que idéias-eixo você vê uma reorganização do sistema partidário no Brasil? R – Parece-me que existem atualmente pelo menos três grandes questões que terão de ser equacionadas no futuro sistema partidário. Uma é a da justiça social, de uma distribuição mais eqüitativa da renda. Outra é a questão do nacionalismo, ligado à da estatização, que deverá cortar os partidos de um modo muito mais complexo do que no passado. A terceira é a dos direitos humanos, ou mais amplamente, das garantias dos direitos individuais e das liberdades básicas. Poderá surgir, por exemplo, um partido de orientação socialista ou democrata-cristã, enfatizando o problema da justiça social, como também poderia nascer um partido trabalhista-nacionalista”. (…)

P – Você acredita na viabilidade de um partido socialista, hoje, no Brasil?

R–…sem dúvida alguma.

P – Por que?

R – Porque acho que a plataforma de um partido socialista, ao mesmo tempo democrática e voltada para a justiça social, seria aceitável para uma grande parte da população, muito embora a difusão de idéias socialistas seja pequena, no Brasil. Claro, esse partido não poderia se enrijecer, não poderia se resguardar num tipo de política meramente doutrinária, sem bases populares”.

Nas respostas, Maria do Carlos mostra apreço por um partido de orientação socialista-democrática, aberto, ou democrata-cristã, socializante. Nisso, implicitamente, apontava a convergências destas tendências que gerariam o PT, o PDT, PSB, o PCdoB (metade de sua direção veio da antiga AP da Igreja) ou o PSOL.

De fato, o ideal de uma democracia popular, socialismo democrático, trabalhismo, está espalhado entre vários partidos não-liberais e não-neoliberais, estando presente em setores do PMDB (Requião), PDT, PT, PSOL, PCdoB, PSB, PCB, Pátria Livre e outros. 

Dom Hélder Camara deu a linha para a Igreja no Brasil defender o nacionalismo econômico, o socialismo democrático, o trabalhismo

A ética cristã e humana exige a erradicação dos grandes monopólios privados, dos trustes e cartéis, do grande capital privado, dos latifúndios, da oligarquia, que tem seu poder no oligopólio.

A Igreja sempre apreciou o Estado, as estatais, as cooperativas, as micro, pequenas e médias propriedades familiares produtivas e úteis. 

A Igreja luta pela renda cidadã para todos, para que TODOS TENHAM PEQUENOS BENS. 

E a Igreja luta pelo subsídio agrícola, para que o campesinato tenha pleno amparo da sociedade, do Estado. Por isso, a Igreja apoia o MST, a sucursal no Brasil da Via Campesina. 

Dom Hélder seguiu os passos do padre Cícero (que elogiava, com oitenta anos, o nacionalismo de Sandino) e de Alceu Amoroso Lima.

Numa poesia (de 24.07.1966) com um elogio a Lebret, Dom Hélder escreveu: “Karl Marx, levado ao céu pela crítica ao capital e pela defesa do trabalhador” (cf. a biografia de Dom Hélder, feita por Nelson Piletti e Walter Praxedes, “Dom Hélder Câmara”, São Paulo, Ed. Ática, 1997, p. 409).

Expoentes como Dom Hélder, Dom Luciano, o abade Pierre (na França), Barbosa Lima Sobrinho, Alceu Amoroso Lima, Frei Betto, Dom Moacir Grechi e outros são a cristalização das melhores idéias do povo, da boa linha evolutiva de nosso povo e da Igreja.

Resumindo, nas palavras de Dom Hélder: “o desenvolvimento recebido do alto, pré-fabricado, sem a participação do povo na criatividade e nas opções, pode ser tudo, menos desenvolvimento”. Neste ponto, Dom Hélder tinha a mesma concepção de Paulo Freire, no livro “Pedagogia do oprimido”.

A ligação de Dom Hélder com Roger Garaudy também é outro grande sinal dos tempos, a meu ver.

A palestra feita por Dom Hélder, em outubro de 1974, na Universidade de Chicago, sobre a relação entre Santo Tomás e Karl Marx, também tem a mesma linha libertária e ecumênica, mostrando que o método de Santo Tomás era ecumênico, pois acolhia todas as verdades contidas na Paidéia, nos textos de Maimônides, Averróis e Avicena. Este método deve adotado para as verdades contidas nos textos de Marx e outros autores, como recomendava Dom Hélder.

Croce, Hegel, Alceu e as ligações entre socialismo democrático e catolicismo

Croce: a concepção cristã do Estado é baseada no primado da consciência moral, social; da sociedade sobre o Estado

Benedetto Croce (1866-1952) foi um hegeliano muito estimado por Alceu Amoroso Lima. Teve o mérito de lutar contra o fascismo e desenvolver uma síntese entre hegelianismo e democracia.

A meu ver, nesta síntese, resgatou a posição correta de Hegel, como filósofo cristão, progressista e próximo da Igreja Católica, papel que o padre Lima e Vaz mostrou, em excelentes textos sobre Hegel.

Hegel, influenciado por bons autores cameralistas, queria um Estado amplo, democrático, limitado, claro, mas combinando ampla intervenção estatal na economia e democracia política. 

O próprio Karl Marx, em texto público, se reconheceu como discípulo de Hegel, discípulo independente e crítico, próprio da índole de Marx.

Alceu foi, desde o início, influenciado por boas fontes de socialismo brando, apreciando autores como Benedetto Croce, Graça Aranha (panteísta, socialista religioso) e Henri Bergson (um grande judeu católico, precursor de Teilhard de Chardin).

O livro de Walquíria Domingues Leão Rêgo, “Em busca do socialismo democrático” (São Paulo, Ed. Unicamp, 2001), destaca corretamente o papel de Croce na elaboração das bases teóricas de um socialismo democrático, num papel semelhante ao do de Bobbio, hoje.

O socialismo democrático, como foi destacado por Pio XI, na “Quadragesimo anno”, retomou várias idéias da doutrina social da Igreja e também do socialismo utópico cristão, pré-marxista (Luís Blanc, Leroux, Victor Hugo e outros socialistas cristãos).

As teses do socialismo democrático (como pode ser visto no livro de Harold Laski, “Socialismo y libertad”, Buenos Aires, Ed. Dedalo, 1961), de uma democracia social e popular, coincidem, em vários pontos, com o catolicismo social.

Croce viu corretamente que a “concepção católica” sobre o Estado considera que a pessoa, o cidadão, deve ser a origem, o exercício e a finalidade do Estado. O Estado, para ser legítimo, deve ser apenas um meio, uma ferramenta, um instrumento, um agente a serviço da sociedade, do bem comum (tanto o bem da sociedade, como da família e de cada pessoa).

No livro de Croce, “Aspectos morais da vida política” (Rio de Janeiro, Ed. Athena, 1935, p. 80), este grande crítico italiano, que valorizava a razão e as emoções na estética, elogiou uma encíclica de Pio XI, de dezembro de 1926, contra a “Action Française”, escrevendo:

“… que se pense, sim, na recente encíclica papal (dezembro de 1926) de protesto contra a “concepção que faz do Estado o fim, e do cidadão, do homem, o meio, tudo monopolizando e absorvendo aquele”: concepção (acrescenta-se) que “não pode ser a concepção católica”. O papa, quaisquer que sejam naquela encíclica as suas referências e os escopos que praticamente quer alcançar, tem razão no enunciado teórico, que é incontrastável, porque aquilo que por ele, no símbolo da Igreja, é reivindicado contra o Estado é, nem mais nem menos, a consciência moral.

E cabe à Igreja católica o mérito de, da maneira como pôde e soube, ter oposto esta exigência ao cru e unilateral maquiavelismo”.

O “cru e unilaterial maquiavelismo” era a doutrina de Mussolini (e, em parte, de Maurras, nesta época e, por isso, estas idéias de Maurras foram devidamente condenadas).

Um dos grandes feitos de Pio XI foi ter condenado o fascismo no nascedouro, em 1926, ao ter condenado as ideias de Maurras, decisão que foi elogiada por todos os socialistas. 

Pio XI, depois, na “Non Abbiamo bisogno”, em 1931, designou estes erros como “estatolatria”.

Sérgio Panunzio foi um dos principais teóricos do fascismo. Seu livro, “Teoria generale dello Stato Fascista” (Padova, Ed. Cedam, 1937), na p. 49, confessa: “O Estado fascista é, em verdade, um Estado tipicamente e plenamente totalitário”, “é um Estado Estatocrático” (tradução de minha autoria). Há a mesma doutrina nos textos de Alfredo Rocco, Gentili, Costamagna, Giurco (cf. “O partido único”) e outros.

A Doutrina da Igreja, como a de Hegel, tem grande apreço pelo Estado, mas nunca é estatolátrica ou estatocrática. 

Os fascistas resumiam sua concepção estatal na frase de Mussolini: “tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado” (p. 54). Panunzio resume assim: “A estatocracia” é a “fórmula ideal do Estado fascista”.

Neste livro, Panunzio expõe a concepção fascista de partido único e de Estado-partido, como uma concepção da “ditadura” fascista. Estas ideias foram sempre REJEITADAS pela Igreja, que nunca teve apreço pelo partido único, ou pela confusão entre Estado e partido político. Os dois são essenciais, claro, mas não unidos, pois aí suprime a democracia. 

As idéias de concentração do poder no Estado (com a crítica à ideia cristã da divisão do poder em três poderes, elogiada por Leão XIII) e de obediência cegas às leis estatais são os erros fascistas sobre a obediência cega às normas estatais.

São os mesmos erros do normativismo estatal kelseniano, de Hans Kelsen (o autor predileto dos juristas da ditadura militar e dos capitalistas).

Estes também foram os erros compartilhados por Andrei Vychinski (1883-1954), prof. de Direito e reitor da Univ de Moscou, Procurador Geral da União Soviética. Vychinski foi o Procurador Geral da República, de Stalin, que atuou nos processos de Moscou (em 1938), obtendo a morte de vários bolchevistas.

A Inteligência Britânica e outros fontes manobraram Stalin, levando-a a dizimar boa parte das Forças Armadas russas. Estes erros foram corretamente condenados pela Igreja.

O direito tem como fonte imediata a consciência das pessoas, e não o Estado. As ideias devem nascer da sociedade, para reger o Estado. Claro que é essencial haver uma BBC (TV e rádio estatais), mas a própria BBC deve ser CRÍTICA ao Estado, com direção eleita pelos jornalistas e pela sociedade.

As leis estatais são válidas e legítimas, desde que expressem as exigências racionais do bem comum, as idéias práticas que nascem a cada momento na sociedade.

Pio XI também condenou o nazismo na “Mit brennender sorge”, em 1937. Esta encíclica condenando o nazismo teve que ser levada a Alemanha escondida, distribuída nas igrejas. E gerou inclusive uma Conspiração nazista. Há fortes suspeitas que Pio XI foi morto envenenado pelos fascistas e pelos nazistas.

Pio XI, quando morreu, talvez envenenado, estava terminando uma encíclica condenando novamente e especificamente o RACISMO, mostrando que a natureza humana é a mesma em todas as pessoas e que as diferenças ínfimas de pele e de cabelo (fenótipicas) são superficiais, e irrelevantes, não alterando o fato de todas as pessoas do mesmo terem a mesma natureza humana, a mesma base genética. 

Como Croce apontou, o poder legítimo, na concepção cristã, nasce da consciência, e não da força. Por isto, o Vaticano sempre condenou o maquiavelismo (as primeiras críticas ao livro “O príncipe” são críticas de grandes católicos, especialmente jesuítas).

Como Marx mesmo apontou, o maquiavelismo era a ideologia da força, do absolutismo, pois fundava o poder na força bruta e na mentira. Friso que a maior parte dos textos de Maquiavel são textos bons, textos católicos, pois ele morreu como católico, só há erros em alguns pontos, o joio, havendo muitos textos de Maquiavel que são puro trigo (a busca por um Estado nacional italiano etc). 

Croce também teve o mérito de distinguir entre liberalismo e democracia, esposando a democracia. No Brasil, a Esquerda democrática (a organização que gerou o Partido Socialista Brasileiro), em 1946, também distinguia entre liberalismo e democracia, a mesma distinção feita por Benedetto Croce e centenas de outros autores. A doutrina da Igreja faz a mesma distinção, aprovando a democracia e rejeitando o liberalismo.

Na época, apesar de ideias corretas da Esquerda Democrática, houve erros táticos, pois a melhor posição seria a de Prestes, apoiar o getulismo, o Trabalhismo, buscando uma República democrática trabalhista. 

Benedetto Croce demonstrou de forma clara que o “liberalismo político” (instituições democráticas) existe independente do liberalismo econômico.

A democracia não é, em si, liberal, o liberalismo forja uma forma oligárquica e falsa de democracia, a “democracia liberal”, que é incompleta, pois, nela, o poder é controlado pelos monopólios privados, o latifúndio e pelas pessoas ricas. O poder, na democracia liberal, é o guardião do capitalismo, da opressão dos trabalhadores.

Alceu Amoroso Lima, Edgar de Godói da Mata Machado, Raymundo Faoro e outros também demonstraram que o liberalismo econômico não é democrático. Os liberais e neoliberais do PFL/DEM e de outros partidos, na linha privativista da antiga UDN de Carlos Lacerda, tentam confundir liberalismo e democracia, mas, os pés de “barro” (de lama, sujeita e sangue) do Estado burguês ficam patentes.

Alceu e Afrânio Peixoto, dois grandes católicos, seguiram a linha de crítica literária de Croce, uma linha expressionista, e não impressionista, subjetivista.

Na década de 70 do século XX, no Brasil, os textos de Alencar Furtado, Francisco Oliveira, Francisco Pinto, Marcos Freire, Severo Gomes, Teotônio Brandão e mesmo de Ulysses e Franco Montoro demonstram a distinção entre democracia e liberalismo econômico.

Estas fontes – tal como a linha editorial dos jornais alternativos da década de 70 -, recomendavam, com nuances, uma forma de democracia social e popular (a que denominavam “socialismo democrático e participativo), como opção para superar o capitalismo, a dependência, o imperialismo e os erros de um socialismo burocrático e autoritário.

Outra prova da aproximação entre socialismo democrático e catolicismo está na aliança, na década de 50, entre o PSB de João Mangabeira e do PDC (com segmentos capitalistas, mas também com segmentos socialistas, como Plínio de Arruda Sampaio, Paulo de Tarso, Alceu e outros).

O PTB estava cheio de católicos sociais, TRABALHISTAS, que faziam boas alianças com o PCB, o PSB, a parte de esquerda do próprio PSD (Barbosa Lima Sobrinho) etc. 

Morelly, Babeuf, Rousseau e Mably queriam uma economia mista

Morelly deixa claro, no final de seu livro “Código da Natureza”, que a “lei fundamental e sagrada” de seu “modelo da legislação” era assegurar a todas as pessoas a pequena propriedade particular das “coisas” de que, cada pessoa, “se servirá para suas necessidades, seus prazeres e seu trabalho cotidiano” (pequenas ferramentas).

A função do Estado é assegurar a cada pessoa um patrimônio e renda suficientes para “suas necessidades, seus prazeres e seu trabalho cotidiano”. 

Fica claro que um grande Estado social com grande infra-estrutura social e econômica estatal visa, acima de tudo, DIFUNDIR OS BENS E A RENDA, DIFUNDIR a micro e pequena propriedade pessoal (moradias, roupas, alimento, pequenas ferramentas etc).

Um Estado socialista NÃO quer pessoas na miséria, fragilidade, insegurança, precariedade. 

Um Estado socialista quer pessoas medianas, livres do medo da miséria. Quer o “espírito de pobre” bíblico, pessoas solidárias, bondosas, honradas, não egoístas, que cada pessoa tenha uma vida simples, culta, inteligente, plena, abundante.

A Igreja quer erradicar a miséria e as grandes fortunas privadas. Quer fazer isso, principalmente através de um grande Estado social com sistema tributário REDISTRIBUTIVO e ESTATAIS, para assegurar MEDIANIA, IGUALDADE SOCIAL, pessoas sóbrias, moderadas, econômicas, cultas, generosas, estudiosas etc

 

Cardeal de Lubac: o socialismo nasceu dos textos hebraicos e católicos

Segundo o cardeal de Lubac, o socialismo foi uma forma de secularização da esperança hebraica-cristã. 

A maioria dos socialistas da França tentou conciliar o socialismo com a liberdade e a religião.

A tendência é antiga, como prova o exame das idéias de Morelly, Rousseau, Mably, o Círculo Social dos Padres Fauchet e Boneville, Leclerc, Robespierre (o jacobinismo é claramente pró-socialista), o padre Jacques Roux, Babeuf e Buonarotti.

Na mesma corrente, há ainda o elo representado por Charles Péguy e Jaurès. Péguy, em 1897, escreve “Joana d`Arc”, sua primeira obra. Em 1910, Péguy converte-se ao catolicismo e escreve duas obras: “O Mistério da Caridade de Joana d`Arc” e “Nossa Juventude”, mostrando que o catolicismo é perfeitamente conforme com o socialismo e o republicanismo.

O amor a Joana d`Arc simboliza bem a luta contra o imperalismo, o capitalismo e o latifúndio.

O livro de Shaw sobre Joana d’Arc (tal como os de Mark Twain e Érico Veríssimo sobre esta santa) mostra o papel de Joaninha contra o imperalismo e o feudalismo (a centralização monárquica na França foi uma luta dos camponeses, dos artesãos e dos pequenos burgueses contra os senhores feudais, como apontou o próprio Marx, que também elogiou Joana d’Arc).

Péguy gostava de Jaurès (este teve um neto de Marx como aliado) e seguiu este até se desentenderem, devido a algumas leis anticlericais e por outras razões.

Péguy e Jaurès, no entanto, em um ponto, sempre estiveram juntos, souberam conciliar o socialismo com a democracia e a religião.

Bergson, Marc Sangnier, Péguy, Maritain, Mounier, o abade Pierre e outros também são estrelas da mesma constelação.

Nikolai Aleksandrovitch Berdiaev (1874-1948) foi um russo, nascido em Kiev, que defendeu idéias socialistas na juventude, sendo expulso da Universidade de Kiev, em 1898. Foi depois desterrado para uma província. Converteu-se e viveu sempre como cristão. Em 1922, saiu da Rússia e permaneceu quase toda a vida em Paris. Berdiaev reconheceu verdades contidas no marxismo, por exemplo, a crítica ao individualismo e à coisificação (reificação) das pessoas. Disse que o marxismo vive do que combate e ignora: basicamente do caráter existencial das pessoas (cf. consta no excelente “Dicionário de filosofia”, de J. Ferrater Mora, Edições Loyola, São Paulo, 2000, no verbete sobre Berdiaev).

Defendeu que o ser humano é naturalmente comunitário e, por isso, busca a comunhão com o próximo e com Deus e somente vive bem em formas comunitárias e cooperativas. Escreveu obras como “A verdade e a falsidade do comunismo”, onde reconheceu várias verdades contidas no marxismo.

Jacques Maritain (1882-1973), como Alceu (na juventude e na velhice), foi socialista quando era adolescente. Adotou uma forma de socialismo democrático, com abertura à religião, inspirado em Jaurès e Péguy.

Maritain escreveu, quando tinha apenas 16 anos, uma carta a um operário, Baton, esposo da cozinheira na casa de seus pais, onde diz: “serei socialista e viverei para a revolução”.

Em 1901, Maritain conheceu Raíssa Oumansoff, sua futura esposa, uma judia russa. O episódio que os uniu foi quererem escrever um artigo de protesto contra a perseguição dos socialistas na Rússia. Maritain atacou duramente o nazismo, o fascismo e a ditadura de Franco, na Espanha, redigindo manifestos a favor dos republicanos espanhóis. Depois, defendeu a Resistência Francesa e a colaboração entre católicos e comunistas contra os nazistas. Adotava uma forma de personalismo comunitário com base nos direitos humanos e queria que a sociedade se transformasse em uma “comunidade de homens livres”, de produtores (trabalhadores) livres, sem reificação.

Jean Lacroix (autor de “Marxismo, existencialismo, personalismo, presença da eternidade no tempo”, Paz e Terra, 1967) foi outro pensador católico de esquerda (1900-1986). Fazia parte desta grande corrente representada por Péguy, Maritain e Mounier (é co-fundador da revista Esprit). Adotava uma forma de personalismo comunitário socialista: “o coletivismo revolucionário deve acabar no personalismo socialista”, defendendo que “o progresso não constitui um mito e existe um sentido na história”. A idéia de “sentido” na história é a idéia de plano, um plano cooperativo e participativo, de Deus, que requer a liberdade humana. Foi um bom discípulo de Blondel, Renouvier, Carlos Secrétan (1815-1895, discípulo de Leibnitz, tendo escrito o livro “Os direitos da humanidade”, em 1890), Laberthonniere e Scheler, que eram ligados à Igreja.

Sobre Marc Sangnier, vale a pena ler o elogio que S. Pio X fez do movimento Sillon, em um documento de 1904. Sangnier permaneceu na Igreja e foi uma liderança católica importante na França. Alguns erros menores não prejudicam as grandes verdades expostas por Sangnier e pelo Sillon. São Pio X condenou alguns erros do Sillon, mas reconheceu a boa fé e as boas idéias de Sangnier.

A condenação de Pio X foi infeliz, pois possibilitou que os burgueses usassem a condenação contra a ala mais comprometida da Igreja.

Sangnier queria a democratização de todas as relações sociais. Tinha um programa belíssimo, pugnando pela democratização de todas as relações sociais, inclusive das relações de produção. Queria que as unidades produtivas tivessem estruturas cooperativas, comunitárias e democráticas.

Simone Weil (1909-1943) foi uma linda judia parisiense (parecida, em alguns pontos, com Edith Stein, que morreu nas câmaras de gás de Auschwitz). Simone lecionou filosofia desde 1931. Nos anos de 1934-1935, trabalhou como operária voluntária numa fábrica (é uma precursora dos padres operários franceses). Em 1936, uniu-se ao grupo republicano espanhol, ligado à CNT. De 1937 a 1939, após ir até Assis, a cidade de São Francisco, aproximou-se do cristianismo. Foi perseguida pelos nazistas por ser judia. Participou da Resistência Francesa, ao lado do Frei dominicano Perrin e morreu de tuberculose, em Ashford.

Simone foi discípula de Alain, o principal intelectual do radicalismo, que também tinha afinidades com a doutrina da Igreja na defesa da liberdade e da difusão dos bens (e na luta pela democracia).

Simone sempre foi anticapitalista, pois era personalista e lutou por uma sociedade personalista e comunitária. O ecumenismo desta militante, que morreu praticamente de fome, gerou textos de sínteses entre o melhor do pensamento grego, budista, radical, anarquista, socialista, personalista e o cristianismo.

Emmanuel Mounier (1905-1950), no artigo “Fidelité” (publicado na revista “Esprit”, de fevereiro de 1950), defendeu formas de luta conjunta, estratégica, entre os personalistas cristãos (que assimilavam o melhor do existencialismo) e os marxistas humanistas, uma aliança que surgiu nos anos de Resistência Francesa, contra o nazismo. Defendia também o surgimento de “um novo socialismo”:

O personalismo considera, com efeito, que as estruturas do capitalismo são um obstáculo ao movimento de libertação do homem e que devem ser destruídas e substituídas por uma organização socialista da produção e do consumo. Este socialismo não foi inventado por nós… e comporta, sob o ângulo humano, exigências capitais. Não deve substituir o imperialismo dos interesses privados pela tirania dos poderes coletivos; é preciso, pois, encontrar uma estrutura democrática, sem debilitar o rigor das medidas que devem ser tomadas para instalar e defender suas primeiras conquistas” (do livro “O que é o personalismo?”).

Mounier escreveu várias obras, como “O pensamento de Charles Péguy” (1931), “Da propriedade capitalista à propriedade humana”(1934), “Revolução personalista e comunitária” (1935), “Anarquia e personalismo”(1937), “Liberdade sob condições” (1946) e outras.

Na obra sobre a propriedade, Mounier criticou a propriedade capitalista e desenvolveu as grandes teses do cristianismo. Foi discípulo de Jacques Chevalier, Maritain, Berdiaev, Santo Agostinho, Bergson, Péguy e outros. Combateu o regime de Franco, na Espanha. Participou da Resistência Francesa, contra os nazistas. Queria refazer o Renascimento. Tinha ódio do capitalismo pela desordem estabelecida (injustiça institucionalizada) e pelo primado do dinheiro (do capital). Lutou pela paz, defendeu o anticolonialismo, a escola pública pluralista etc. Deixou discípulos, como Jean Marie Doménach, Marrou, Jean Hau, Albert Béguin e milhões de leitores gratos.

Para Mounier, tal como os Santos Padres, todas as pessoas têm um direito natural primário (ius naturae) aos bens necessários para uma vida digna. Este direito natural decorre do destino comum dos bens da terra para servir às necessidades, ao bem (cada necessidade tem como contrapartida bens) de todos, para que todos vivam dignamente.

Os bens supérfluos estão totalmente sujeitos à comunidade, ao uso comum.

A sociedade pode e deve ter controle sobre os bens supérfluos para atender a todos. Mesmo o Estado “não tem domínio sobre as coisas”, pois os bens pertencem à sociedade (domínio eminente da sociedade, que decorre da soberania da mesma, do povo).

O Estado pode apenas administrar estes bens e a melhor gestão dos mesmos ocorre por formas de autogestão (cooperativas sujeitas a planos estatais e/ou estatais sujeitas a co-gestão dos trabalhadores), de gestão (também formas de planificação dentro das unidades produtivas), com base no trabalho pessoal (primado do trabalho e do aspecto subjetivo do trabalho, cf. João Paulo II), sujeitas a formas de planificação participativas. Estas idéias foram acatadas principalmente por influência do frei dominicano Georg Renard, que escreveu obras socialistas e queria transformar todas as unidades produtivas em cooperativas e/ou fundações.

Emmanuel Mounier, que exerceu muitíssima influência no ideário político do Uruguai e de outros países, seguiu as idéias de Buchez. Mounier descreveu muito bem o domínio eminente da sociedade, como prova o texto abaixo. O personalismo comunitário de Mounier tem Buchez como precursor principal. Buchez, Marc Sangnier, Mounier, Maritain e Alceu Amoroso Lima são elos importantes entre a doutrina social da Igreja e a teologia da libertação.

Alino Lorenzon, no livro “Atualidade do pensamento de Emmanuel Mounier” (Editora Unijuí – Ihuí, RS, 1996, pp. 95, 119-120), traz algumas boas informações sobre Mounier:

Mounier aconselha àqueles que pretendem ultrapassar o marxismo sem conhecê-lo a fundo uma atitude independente e aberta.

“Um pensamento vivo somente é ultrapassado pela sua própria nascente (…).

Ajudemos antes o marxismo, através de nossos questionamentos, através de nossas elucidações, através de nossa contribuição a se ultrapassar a si mesmo, vale dizer, a lutar contra suas próprias cristalizações, a se desembaraçar das contaminações do momento, a descobrir ou a admitir (como toda hipótese científica) perspectivas que antes de mais nada não tinha visado, enfim a desenvolver a força inventiva de suas próprias descobertas”.(…)

Na tese de doutoramento em Sociologia do professor Luiz Alberto Gómez de Souza, intitulada “A JUC: os estudantes católicos e a políti­ca”, as referências a citações de textos de Mounier, fundamentando a reflexão e o engajamento dos jucistas, aparecem de maneira insistente, ao longo de boa parte da obra. Para ilustrar nossa afirmação, transcreve­mos apenas uma citação. “Se de um lado Maritain e seu Humanismo integral tinham inspirado os movimentos social-cristãos e os parti­dos democrata-cristãos (do Chile, da Venezuela) e mesmo da seção paulista do (PDC brasileiro), a ação dos militantes da JUC, sobretudo em Belo Horizonte e em São Paulo, se orientava mais pelo pensamento de Mounier, num compro­misso que pouco a pouco se ia explicitando como personalista e socialista”.

É que a influência do pensamento e do testemunho de Mounier já vinha inspirando na Europa toda uma série de discussões no campo teo­lógico e filosófico, muito importantes. Apenas duas citações ilustram a constatação.

“Mounier é considerado um dos precursores leigos do concílio Vaticano II. Entre as muitas pessoas que o afirmam, podemos lembrar o padre Chenu, o padre Ganne e o padre M. Vincent, que apresentou, em 1977, na Universidade Católica de Louvaina, uma tese de doutorado em Teologia tendo por título ‘As orientações personalistas da Gaudium et Spes’. O padre Chenu sublinha a importância de Mounier sobretudo para as relações com os não cristãos, a abertura da Igreja para o mundo, o acontecimento, como sinal dos tempos, e a laicidade, como presença atuante dos cristãos no mundo “.

O socialismo personalista e humanista de Mounier, combinado com o distributismo e outras correntes socializantes, auxilia na aplicação dos textos subversivos do Evangelho, para superar o capitalismo, o imperialismo e o latifúndio.

Bergson, no livro “As duas fontes da moral e da religião”, comparou a influência das doutrinas dos Antigos com a do Evangelho: “Foi preciso esperar até o cristianismo para que a idéia da fraternidade universal, que implica na igualdade de direitos e inviolabilidade das pessoas, se tornasse operante. Dir-se-á que a ação foi muita lenta: com efeito, dezoito séculos passaram… mas ela não deixou por isso de começar com o ensinamento do Evangelho para continuar indefinidamente. Outra coisa é um ideal simplesmente apresentado aos homens por sábios dignos de admiração, outra coisa o ideal lançado ao mundo através de uma mensagem carregada de amor e que pede o amor” (Paris, Alcan, p. 75).

A França foi o país berço do socialismo. Onde houve o maior esforço para conciliar o socialismo com a liberdade e a democracia. Basta considerar Vitor Hugo, Louis Blanc, Jaurès e mesmo Sartre. Vitor Hugo, Louis Blanc e outros sempre foram teístas e adoradores do Deus verdadeiro.

Jaurès esforçou-se por elaborar uma síntese, ligada a Benoit Malon, que conciliaria a religião, o socialismo e a democracia.

Jaurès foi panteísta, reconhecendo a imanência de Deus, somente faltando o reconhecimento da transcendência.

Sartre, na maior parte de sua vida, buscou a reconstituição da Frente Popular e a conciliação do socialismo com a liberdade, com a democracia.

François Mauriac, apesar de erros antropológicos em alguns de seus romances (pessimismo), sempre tentou se inspirar em Marc Sangnier, buscando uma política pró-socialista e pró-democracia, inspirada nas Sagradas Escrituras, principalmente no Sermão da Montanha.

Os católicos, na França, deram exemplos e idéias ao mundo todo. François Mitterrand, mesmo pertencendo a uma parte do Partido Socialista mais laica, apontou fontes variadas para o socialismo francês, destacando as fontes cristãs.

Karl Marx, numa carta a J. B. Schweitzer (o sucessor de Lassalle, que foi educado em escola jesuíta), de 24.01.1865, sobre a morte de Proudhon, escreveu que Proudhon distinguiu-se de outros socialistas. Os textos de Proudhon seriam distintos por: “…terem sido escritos na França numa época em que os socialistas franceses julgavam oportuno fazer constar que seus sentimentos religiosos os situavam acima do voltaireanismo burguês do século XVIII e do ateísmo alemão do século XIX”.

Marx viu corretamente, pois, afinal de contas, permaneceu de outubro de 1843 a 02 de fevereiro de 1845 em Paris. Os “socialistas franceses” tinham “sentimentos religiosos”. Vale a pena lembrar que, segundo Lênin, o marxismo tem três fontes: o socialismo francês, a economia política inglesa (na verdade, os socialistas ricardianos, que eram inspirados na religião) e a filosofia alemã (totalmente religiosa, basta pensar em Hegel, que Lênin e Marx chamavam de “idealista”).

Segundo Marx, os “socialistas franceses” pré-marxistas tinham “sentimentos religiosos”, exceto Proudhon. Na verdade, mesmo Proudhon tinha idéias e sentimentos religiosos, expressos em várias obras. Por exemplo, no livro mais importante de Proudhon, “O que é a propriedade?”, escrita em 1840, o mesmo, quase no fechamento do livro, tece um bom elogio a Deus. Vejamos:

Oh, Deus da liberdade! Deus da igualdade! Tu, que hás colocado em meu coração o sentimento da justiça antes que minha razão chegasse a compreende-la, ouve minha ardente súplica! Tu és quem me há inspirado quando acabo de escrever. Tu hás formado meu pensamento, dirigido meu estudo, privado meu coração de más paixões, a fim de que publique tua verdade ante o amo e o escravo. Tenho falado segundo a energia e a capacidade que tu me hás concedido; a Ti cabe acabar tua obra. Tu sabes, Deus da liberdade, se me guiei pelo interesse próprio ou por tua glória. Pereça meu nome e que a humanidade seja livre! Veja eu, desde um obscuro rincão, instruído ao povo, aconselhado por leais, protetores, conduzido por corações desinteressados! Acelera, se é possível, o tempo de nossa provação, afoga na igualdade o orgulho e a avareza; confunde esta idolatria da glória que nos retém na objeção, ensina a estes pobres filhos teus que no seio da liberdade não haverá heróis nem grandes homens.

“Inspira ao poderoso, ao rico, a aquele cujo nome jamais pronunciarão meus lábios em tua presença, sentimentos de horror a suas rapinas; sejam eles os que peçam que se lhes admita a restituição e absolva-lhes seu imediato arrependimento de todas suas culpas. Então, grandes e pequenos, sábios e ignorantes, ricos e pobres, se confundirão em inefável fraternidade, e todos juntos, entoando um hino novo, te erigirão o altar, oh Deus de liberdade e de igualdade!”.

Este texto mostra como Proudhon foi influenciado pela leitura dos Santos Padres, quando trabalhava numa gráfica, em sua juventude.

Proudhon teve aliados católicos, como Charles François Chevé (1813-1865), um socialista católico, que dirigiu o jornal Voix du Peuple (Voz do povo), com Proudhon.

Chevé foi inclusive citado por Marx, nos “Grundrisse”, o que mostra como exerceu influência em seu tempo e como algumas da idéias de Proudhon tinham afinidade com as da Igreja..

A teoria do domínio eminente da sociedade, TRADICIONAL NA IGREJA, a base da propriedade comunitária, foi também defendida por Proudhon. Este, no livro “Teoria da propriedade”, 1866, mostra que a “posse” (o uso, o controle dos bens pelas pessoas), que defendia nas primeiras obras, poderia ser obtida pela forma jurídica de uma pequena propriedade limitada, socializada, como função social, regulamentada pelo direito econômico.

Ou seja, para Proudhon, no fundo, o importante é que as formas jurídicas de uso (controle) dos bens garantam que os bens estejam a serviço, acessíveis a todos. Proudhon defendia a difusão dos bens, com pequenas propriedades e empresas com co-propriedade, agrupadas em federações industriais-agrícolas, que seriam uma mistura de cooperativas com sindicatos. Desta forma, não havendo assalariados, o resultado seria o planejamento geral e setorial, por ramos da produção, planejamento dos trabalhadores, com o trabalho associado e autogerido. Estas idéias eram perfeitamente adequadas e coerentes com o cristianismo, como foi apontado por Mounier e outros pensadores da Igreja.

Proudhon, em 1844, em seus “Cadernos de Notas”, escreveu: “Pregam, neste momento, não sei quantos novos Evangelhos: Evangelho segundo Buchez; Evangelho segundo Pedro Leroux; Evangelho segundo Lamennais, Considérant, Madame George Sand, Madame Flora Tristan, Evangelho segundo Pecqueur e outros muitos. Não tenho a ambição de aumentar o número destes loucos” (Carnets, Paris, Rivière, 1960, vol. I, p. XIV”.

Buchez, Pedro Leroux, Lamennais, Considérant, George Sand, Flora Tristan, Pecqueur e outros foram socialistas religiosos. Não tinham Evangelhos próprios e sim interpretações próprias do Evangelho.

Marx admitiu, nesta mesma carta que foi publicada no jornal de Schweitzer (o SocialDemokrat) que “os socialistas franceses”, em geral, tinham sentimentos religiosos de 1840 a 1865, mais ou menos.

Proudhon mudou suas opiniões religiosas. No início, era panteísta, especialmente quando era amigo de Marx e lia Feuerbach (discípulo de Spinoza, como Moses Hess). Depois, adotou um tipo de maniqueísmo estranho, parecido com a opinião dos frankistas. Tal como estes, considerava que o mundo estaria invertido. Que o Deus das religiões positivas era na verdade o Mal, era opressor. Esta opinião estava presente em algumas maçônicas. E também em Proudhon e nos frankistas. Há um fundo religioso nestas idéias (combate à idolatria) que deve ser sempre ressaltado.

No livro “Obras completas de Juan Donoso Cortés” (vol. II, editado pela BAC, em Madri, em 1970, na pág. 565), há, numa nota de rodapé, uma informação colhida em G.D.H. Cole, da obra “Historia del Pensamiento socialista” (Fondo, México,1957, t. I, p. 202), que merece ser referida. Segundo Cole, Proudhon nunca negou a existência do Deus verdadeiro e pensava que a esse Deus se deve dar um culto, ainda que subjetivo e pessoal.

Difusão de bens, do poder, do saber, dos prazeres, eis o Plano Central de Deus

O Estado é uma obra humana, UMA CONSTRUÇÃO HUMANA, um conjunto de atos humanos.

A finalidade intrínseca do Estado e da sociedade, e assim a medida da legitimidade (o critério-chave) é a de defender, proteger e promover a dignidade humana, a vida humana, realizar o bem comum.

A Bíblia ensina que a sociedade deve ter a forma de uma comunhão de bens, uma comunidade participativa, partilhando os bens e o poder.

Na prática, significa todas as famílias terem casas boas (há um texto ótimo de Kautsky sobre isso), lotes, móveis, acesso a internet rápida e gratuita (banda larga), transporte público de ótima qualidade, sistema público de saúde e educação, ótima Previdência (paga pelo Estado e pelas empresas), boas aposentadorias (com 50 anos, o Estado já deveria dar algo, aumentando com a idade), bons empregos (demissão só com justa causa, jornada pequena, ótima remuneração), milhões de micros e pequenas empresas familiares, milhões de cooperativas, milhares de ótimas estatais com co-gestão, planejamento participativo etc. 

Todo poder vem de Deus, por mediações, especialmente pela mediação da consciência do povo, das pessoas

O poder vem de Deus (cf. Rom 13,1), mas mediante as pessoas, a sociedade, o povo, como demonstraram Santo Ambrósio, São Basílio Magno, São João Crisóstomo e os demais Santos Padres.

A mesma lição está nos textos de Boécio, São Isidoro de Sevilha, o Arcebispo John de Salisbury (m. em 1080), Manegold de Lautenbach (m. em 1110), Fernão Lopes, São Tomás Morus, Bartolomeu las Casas, Francisco de Vitória, Francisco Suarez, o abde de Saint Pierre, Fenélon, Montesquieu, Alexander Pope (1688-1744), Santo Alfonso Maria de Ligório (1696-1787), Mably e outros. Merecem destaque estrelas como Salisbury, Morus, Las Casas, Suarez, Bellarmino, Ligório (o patrono da teologia moral), Mably, o bispo John Caroll (1735-1815), Frei Caneca (1774-1825), William Cobbett, O´Connell, Buchez, Ozanam, Dom Félix Dupanloup (1802-1878), Lacordaire, Ketteler, Mun, Lavigerie, Luis Windthorst, Manning, Gibbons, Ireland, Manning, Billot, Maritain, Cardjin, Rommen, Alceu, Dom Hélder e outros luminares, que expuseram corretamente a teoria cristã sobre o poder público.

O poder legítimo nasce imediatamente da sabedoria (das idéias verdadeiras, fruto do diálogo) do povo, da bondade do povo.

O poder legítimo reflete a Trindade, as processões da Trindade.

O poder legítimo é fruto do Logos, do Verbo, do Amor, da Bondade, do Bem comum. O poder legítimo procede de Deus mediante a Sabedoria do povo, atuando pelo Amor, pela realização do bem comum.

A teoria cristã sobre o poder é, assim, a teoria popular sobre o poder. Esta teoria tem como princípio-chave o ideal da destinação universal dos bens, da Comunhão, inclusive do poder, sendo este o ideal do bem comum, a regra suprema do bem comum.

Todos devem usar e fruir dos bens na medida das próprias necessidades (cf. At 4,32), erradicando a miséria e a riqueza privada, organizando a sociedade com base na mediania, na igualdade, pois Deus não faz acepção de pessoas.

A teoria popular sobre o poder é a teoria natural e racional sobre o poder, sendo, assim, a teoria cristã do poder.

Esta teoria sobre o poder e os bens inspirou a Igreja e está bem clara na Bíblia, na recepção cristã do melhor da teoria grega-romana sobre o poder, nos Santos Padres, Isidoro de Sevilha, Manegold, John Salisbury, na Carta Magna de 1215, em Fernão Lopes, Thomas Morus, Las Casas, Vitória, Suarez, o abade de Saint-Pierre, Montesquieu, Mably e outras estrelas do catolicismo.

O ideário de Mably, por exemplo, é o núcleo dos melhores textos inclusive do jornal “O amigo do povo”, de Marat (a parte sangrenta é o joio, tendo ao lado o trigo, vindo de Mably, da Igreja).

O mesmo ocorre nos textos de Babeuf e de Buonarrotti, inspirados em Mably , Morelly, Campanella (1568-1639) e Morus, autores que o próprio Marx considerava como precursores, como seus fundamentos teóricos.

O mesmo ocorria na Liga dos Justos, onde Weitling fundamentava o ideal de comunhão social democrático e socialista nas idéias cristãs.

Estes ideais estão também nos textos religiosos de Saint-Simon, Owen, Leroux, Considerant, Buchez e outras estrelas socialistas.

Conclusão: a ação humana, do povo, é causa eficiente secundária no destino humano, atuando em interação dialógica e concursal com Deus, a Causa Primária de tudo o que é bom.

O poder vem de Deus, mediante o povo, pela consciência do povo, partindo do povo, sendo exercida pelo povo, para o bem do povo.

Dilma estava certa ao dar APOIO ESTATAL aos microempreendedores, às micro e pequenas empresas

Pontos CORRETOS dos Planos de Dilma, para fortalecer O MICROEMPREENDEDOR, as MICROS e PEQUENAS EMPRESAS:

“As iniciativas dos governos Lula e Dilma para o estímulo ao empreendedorismo e o fortalecimento das micro e pequenas empresas merecem destaque.

“Em 2006, o Simples Nacional foi implantado, dando consistência prática à previsão de tratamento diferenciado contida na Constituição Federal.

“Em 2008, foi instituído o Microempreendedor Individual (MEI), para trazer para a formalidade milhões de pequenos negócios.

“O governo Dilma cuidou muito do aprimoramento dos mecanismos de apoio ao empreendedorismo.

Aprimorou a legislação da pequena empresa e do microempreendedor individual, ampliando em 50% o limite das faixas para enquadramento no Simples Nacional.

“No caso do MEI, houve também redução da alíquota de contribuição para o INSS para apenas 5% do salário mínimo.

“Com isto, hoje já são 4,16 milhões de brasileiras e brasileiros no MEI que trabalham por conta própria formalizados e protegidos pela Previdência.

Outras 4,7 milhões de empresas são micro e pequenas que se beneficiam do Simples Nacional.

“Foi criado o CRESCER, programa de microcrédito produtivo orientado para facilitar o acesso dos pequenos empreendedores aos recursos necessários para abrir, manter e expandir seus negócios.

“Em menos de três anos, o CRESCER concedeu R$ 14,1 bilhões em crédito, em 9,4 milhões de operações. Deste total, um terço foi realizado por beneficiários do Bolsa Famíliaque buscam fortalecer seu pequeno negócio com o microcrédito”.

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