As linhas convergentes entre o socialismo democrático, trabalhismo e Doutrina social cristã. 

Os livros da TFP, com seus erros de heresia neoliberal, mostram claramente a convergência entre catolicismo e socialismo democrático, que já tinha sido descrita por Ketteler e Pio XI na “Quadragésimo anno”, em 1931.

Esta convergência foi demonstrada nos textos de centenas de autores e basta citar, como exemplo, Alceu Amoroso Lima, João Goulart, Getúlio, Plínio de Arruda Sampaio, Paulo de Tarso, Domingos Velasco, João e Francisco Mangabeira.

Maria do Carmo Campello de Souza, doutora em Ciência Política e então professora de Ciências Sociais da USP, tendo escrito o livro “Estado e partidos políticos no Brasil, 1930-1964” (editora Alfa-Omega), deu uma entrevista ao jornal “Versus” (n. 15, outubro de 1977, pp. 3-5), onde, respondendo a perguntas de Francisco Weffort, diz:

“Em torno de que idéias-eixo você vê uma reorganização do sistema partidário no Brasil? R – Parece-me que existem atualmente pelo menos três grandes questões que terão de ser equacionadas no futuro sistema partidário. Uma é a da justiça social, de uma distribuição mais eqüitativa da renda. Outra é a questão do nacionalismo, ligado à da estatização, que deverá cortar os partidos de um modo muito mais complexo do que no passado. A terceira é a dos direitos humanos, ou mais amplamente, das garantias dos direitos individuais e das liberdades básicas. Poderá surgir, por exemplo, um partido de orientação socialista ou democrata-cristã, enfatizando o problema da justiça social, como também poderia nascer um partido trabalhista-nacionalista”. (…)

P – Você acredita na viabilidade de um partido socialista, hoje, no Brasil?

R–…sem dúvida alguma.

P – Por que?

R – Porque acho que a plataforma de um partido socialista, ao mesmo tempo democrática e voltada para a justiça social, seria aceitável para uma grande parte da população, muito embora a difusão de idéias socialistas seja pequena, no Brasil. Claro, esse partido não poderia se enrijecer, não poderia se resguardar num tipo de política meramente doutrinária, sem bases populares”.

Nas respostas, Maria do Carlos mostra apreço por um partido de orientação socialista-democrática, aberto, ou democrata-cristã, socializante. Nisso, implicitamente, apontava a convergências destas tendências que gerariam o PT, o PDT, PSB, o PCdoB (metade de sua direção veio da antiga AP da Igreja) ou o PSOL.

De fato, o ideal de uma democracia popular, socialismo democrático, trabalhismo, está espalhado entre vários partidos não-liberais e não-neoliberais, estando presente em setores do PMDB (Requião), PDT, PT, PSOL, PCdoB, PSB, PCB, Pátria Livre e outros. 

Comentários estão fechados.

— Updated: 13/02/2020 — Total visits: 63,609 — Last 24 hours: 24 — On-line: 0
Pular para a barra de ferramentas