Marx aprendeu muito sobre o ordenamento jurídico positivo burguês (com base no direito real quiritário, liberal) lendo as obras de um católico chamado Simão Nicolas Henri Linguet (1736-1794).

O livro de Linguet, “Teoria das leis civis ou princípios fundamentais da sociedade”, 1767, foi elogiadíssimo por Marx (que também elogiava os livros do abade Galiani).

Linguet defendia uma forma de despotismo asiático (o modo de produção asiático), um amplo Estado, com base comunitária, dizendo que o sistema capitalista é que era despótico por reduzir os trabalhadores a uma situação de total dependência.

Linguet criticou corretamente os erros capitalistas dos fisiocratas (os primeiros ideólogos do capitalismo).

Segundo Marx, no livro “Teorias sobre a mais valia” (o último livro de “O capital”, organizado por Kautsky), “Linguet viu bem a essência da produção capitalista”.

Linguet “não” era “certamente socialista”, mas “sua polêmica (…) contra a dominação burguesa” era excelente.

Em 1865, Marx reconheceu (e o mesmo sempre foi econômico em elogios) que “a Teoria das leis civis é, não obstante, um livro verdadeiramente genial”.Marx, na carta a J. B. Schweitzer, em 24.01.1865, escreveu que o livro de Linguet é “uma obra genial”.

Marx citou seu precursor, no Livro I, de “O capital”, pelo menos cinco vezes, transcrevendo duas vezes a frase de Linguet: “o espírito das leis é a propriedade”.

Linguet atacou a propriedade capitalista e defendeu a teoria católica do domínio eminente da sociedade (a propriedade universal do Estado, que representaria a sociedade), criticando a usurpação praticada pelos ricos da propriedade comum (dos bens, destinados a todos).

Linguet criticou “as leis civis” capitalistas (com base na propriedade quiritária), pois estas tinham como finalidade consagrar uma primeira usurpação a fim de prevenir outras novas usurpações, sendo uma salvaguarda do rico contra os ataques do pobre.

Enfim, este digno precursor de Marx achava que as leis civis burguesas (com base na propriedade quiritária, na propriedade burguesa), seriam “uma conspiração contra a parte mais numerosa do gênero humano”.

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