A lição de Villeneuve de Bargemont, precursor da doutrina social da Igreja, autor que Marx leu, no início de sua vida como socialista

Leão XIII ensinou, na “Diuturnum illud” (29.06.1881), que o que justifica (torna justo, correto, legitima, torna legítimo) o poder público, o Estado, é a realização do bem comum.

A sociedade e o Estado devem ser organizados para a realização do bem comum. As ideias práticas para a realização do bem comum formam o que se convencionou chamar de “lei natural”.

Santo Agostinho simplificava – lei natural são as ideias práticas para a melhoria e a defesa da natureza, especialmente da natureza humana. 

Villeneuve de Bargemont, no livro “Economia política cristã” (1834), ensinava a mesma coisa: “a finalidade da sociedade não pode ser só a produção de riquezas [bens materiais]”, coisa legítima, em si mesma.

A “finalidade” da sociedade e do Estado é “a mais ampla difusão possível da abundância, do bem-estar e da moral”, entre as pessoas.

A “abundância” (cf. Jo 10,10) ou riqueza da sociedade não significa grandes fortunas privadas, e sim a difusão de bens necessários, úteis, convenientes e decorosos para todos, para uma vida plena, digna e feliz para todas as pessoas, como Frei Caneca destacava, em seus textos.

A verdadeira abundância ou prosperidade da sociedade é a erradicação da miséria e da oligarquia.