Arquivos para : dezembro2017

Estado deve tributar e investir, para diminuir desigualdade social

“247 – A desigualdade econômica é generalizada e tem crescido desde a década de 1980, questionando as políticas de crescimento econômico em todo o mundo, de acordo com uma nova pesquisa do World Inequality Lab. As conclusões do estudo são detalhadas no primeiro World Inequality Report (Relatório Mundial de Desigualdade), único relatório a fazer uma avaliação global da desigualdade econômica e social.

Coordenada pelos economistas Facundo Alvaredo, Lucas Chancel, Thomas Piketty, Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, a pesquisa baseia-se no banco de dados mais extenso do mundo sobre a evolução histórica da desigualdade de renda e riqueza.

Seu objetivo é contribuir para um debate democrático global mais informado sobre a desigualdade econômica, trazendo dados mais atualizados e abrangentes para a discussão pública.

“Pela primeira vez, este relatório examina como o crescimento global foi compartilhado entre indivíduos em todo o mundo desde a década de 1980, com foco especial nos países emergentes onde os dados de desigualdade eram escassos ou inexistentes”, afirma o PhD em economia, Thomas Piketty.

Os principais resultados da pesquisa indicam que a desigualdade de renda aumentou em quase todas as regiões do mundo nas últimas décadas, embora em velocidades diferentes, destacando a importância dos papéis dos governos para mitigar a desigualdade.

Desde 1980, a desigualdade de renda aumentou rapidamente na América do Norte, China, Índia e Rússia, crescendo moderadamente na Europa. No entanto, existem exceções a esse padrão: no Oriente Médio, na África subsaariana e no Brasil, a desigualdade de renda permaneceu relativamente estável, porém em níveis extremamente altos.

Lucas Chancel, coordenador geral do relatório, destaca a importância de políticas nacionais para combater a desigualdade. “O fato de as tendências de desigualdade variarem tanto entre os países, mesmo entre os que compartilham níveis de desenvolvimento semelhantes, destaca o papel importante das políticas nacionais na formação da desigualdade. Por exemplo, considere a China e a Índia desde 1980: o primeiro registrou taxas de crescimento muito maiores com níveis de desigualdade significativamente menores do que a Índia. A conclusão positiva do Relatório Mundial sobre Desigualdade é que a política importa, e muito”, enfatiza Chancel.

O relatório também revela a queda dramática da riqueza líquida dos governos nas últimas décadas e os desafios que isso representa para enfrentar a desigualdade. Com base nos dados, o relatório discute opções promissoras para diminuir e combater essa discrepância de renda e riqueza – começando pela importância da transparência dos dados econômicos.

A criação de um registro financeiro global para documentar propriedade de ativos financeiros seria um duro golpe para a evasão fiscal e a lavagem de dinheiro, e aumentaria a eficácia da tributação progressiva, que é uma ferramenta essencial na redução da desigualdade econômica”, afirma o coordenador do relatório, Gabriel Zucman.

O relatório salienta a necessidade de políticas mais ambiciosas para democratizar o acesso à educação e aos empregos bem remunerados em países ricos e emergentes da mesma forma. Além disso, investimentos públicos em saúde e proteção ambiental também são necessários para capacitar as gerações mais jovens. Para financiar esses investimentos no futuro, impostos sobre capital para os mais ricos ou perdão da dívida foram regularmente utilizados pelos governos ao longo da história como solução para a diminuição da desigualdade.

Alguns destaques do relatório foram impressionantes. Ao contrário das estimativas passadas, as políticas brasileiras visando a desigualdade ao longo dos últimos 15 anos não tiveram êxito. Dados de desigualdade mais precisos mostram que os 50% mais pobres conquistaram uma parcela muito limitada do crescimento de renda total entre 2001 e 2015.

Em 2015, os 10% mais ricos receberam mais de 55% da renda nacional total, enquanto os 50% inferiores receberam apenas 12%. Na verdade, a participação no crescimento total conquistado pelos 10% superiores dos assalariados permaneceu forte e não foi afetada pela crise financeira global em 2008.

Surpreendentemente, desde 1980, o 1% mais rico da população mundial conquistou duas vezes mais do que os 50% mais pobres. Em outras palavras, desde então, 27% das novas receitas geradas em todo o mundo foram capturadas pelo 1% mais rico, enquanto os 50% mais pobres da população mundial capturaram apenas 13% do crescimento total. Esses números demonstram um contraste acentuado, considerando que o 1% superior representa atualmente 75 milhões de indivíduos, enquanto os 50% inferiores representam 3,7 bilhões de indivíduos. A população intermediária, em grande parte composta por pessoas assalariadas de média ou baixa renda, na América do Norte e Europa, apresentou taxas de crescimento de renda modestas ou mesmo nulas.

Ainda desde 1980, houve grandes mudanças na propriedade do capital. O capital privado líquido – os ativos dos indivíduos menos suas dívidas – aumentou enormemente nas últimas décadas, mas inversamente.

Já o capital público líquido – os ativos dos governos menos suas dívidas – diminuiu em quase todos os países nos últimos 40 anos, devido a grandes privatizações em escala e aumento das dívidas públicas. O capital público agora está próximo ou abaixo de zero em países ricos. Esta situação excepcional, de acordo com padrões históricos, tem fortes implicações na política. Em particular, torna-se extremamente desafiador para os governos investir em educação, saúde ou proteção ambiental.

A desigualdade de riqueza entre os indivíduos também aumentou acentuadamente desde 1980. Aumentos significativos nas participações mais altas de riqueza aconteceram na China e na Rússia após suas transições do comunismo para economias mais capitalistas. A participação de riqueza do 1% superior dobrou na China e na Rússia, entre 1995 e 2015, de 15% para 30% e de 22% para 43%, respectivamente.

Emmanuel Saez, coordenador do relatório, explicou que a combinação das privatizações e a crescente desigualdade de renda alimentou o aumento da desigualdade da riqueza. “Nesses países e em nível global, o capital privado está cada vez mais concentrado entre alguns indivíduos. Esse aumento foi extremo nos EUA, onde a participação da riqueza do 1% superior aumentou de 22% em 1980 para 39% em 2014”, afirma Saez.

A renda global e a desigualdade da riqueza aumentarão de forma constante se os países continuarem a seguir a mesma trajetória em que estão desde 1980, apesar do forte crescimento nos países emergentes. Até 2050, a participação da riqueza global detida por 0,1% dos mais ricos do mundo (representando 7,5 milhões de pessoas hoje) será igual à da classe média (3 bilhões de indivíduos).

No entanto, o aumento da desigualdade global não será inevitável no futuro e a limitação terá impactos tremendos sobre a erradicação global da pobreza. Se todos os países seguirem a mesma tendência de desigualdade que a Europa desde 1980, a renda da metade inferior da população mundial poderia aumentar de €$ 3.100,00 em 2017 para €$ 9.100,00 em 2050. Por outro lado, se os países seguissem a tendência dos EUA, a renda dos 50% inferiores aumentaria para apenas €$4.500,00 até 2050.

Os dados apresentados no relatório combinam de forma sistemática e transparente todas as fontes de informações econômicas disponíveis, incluindo pesquisas domiciliares, recibos fiscais e contas nacionais de renda e riqueza (incluindo vazamentos de dados offshore, quando disponíveis). Este relatório baseia-se na análise de mais de 175 milhões de dados sobre a desigualdade.

“Este estudo baseia-se, de uma forma ou de outra, nas estatísticas de desigualdade coletadas no WID.world – The World Wealth and Income Database – desde a sua criação como o World Top Incomes Database, em 2011. Essas bases de dados não seriam possíveis sem a colaboração de mais de 100 pesquisadores de todo o mundo”, conclui Facundo Alvaredo, coordenador do relatório. 

Sílvio Santos, expoente horrível do neoliberalismo, continua a fazer o mal

Colhi no 247 – “Michel Temer irá ao programa de Silvio Santos defender o projeto de Reforma da Previdência. Faz parte de uma campanha para popularizar o tema; informação é do colunista Lauro Jardim; aparição de Temer seria já neste domingo, véspera da votação na Câmara; como a reforma vai ficar mesmo para fevereiro, a ideia agora é que a ida de Temer se dê no último domingo de janeiro; pelos planos do Planalto, Silvio entrevistará Temer”. 

A morte da revista Veja, a pior e que mais mente, distorce e aliena as pessoas

A pior das revistas (o que é dizer muito, tendo em conta a ruindade geral…), a infame Veja, está morrendo. A expoente do neoliberalismo, a porta voz dos ultra ricos, está dizimando os jornalistas que a ajudaram a dar o golpe, está demitindo em massa, como todos os capitalistas.

Colhi no 247 – “A Editora Abril, que edita Veja, revista que se especializou em atacar governos trabalhistas e prever o fim de Lula, anunciou internamente, nesta quarta-feira, mais um “passaralho”;  já se sabe de 130 demissões, que devem continuar até fevereiro; vários publicações deverão ser fechadas e, no mercado, fala-se na possibilidade de recuperação judicial; recentemente, o presidente Walter Longo foi demitido pela família Civita e substituído pelo diretor jurídico, Arnaldo Figueiredo Tibyriçá – num sinal de que a editora prepara a renegociação de suas dívidas com o mercado”. 

— Updated: 15/10/2018 — Total visits: 38,180 — Last 24 hours: 113 — On-line: 0
Pular para a barra de ferramentas