Julian Assange e seu bichano. Amor aos animais é ótima prova de bom caráter

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Nossos grandes intelectuais do Brasil, ligados a esquerda católica

Do 247 – “Dezenas de artistas e intelectuais se unem contra a ameaça que ronda o futuro do País e assinam um manifesto contra a candidatura de alguém que “defende a quartelada, renega os horrores da ditadura, aplaude a tortura”;

“Não há espaço nem tempo para a omissão. Ser omisso diante do perigo que nos ameaça significa, em termos concretos, concordar com essa ameaça”,

afirmam; entre os signatários estão Emir Sader, Leonardo Boff, Chico Buarque, Maria Thereza Goulart e Marieta Severo; confira a íntegra”.

A lista de signatários contra Bolsonazi mostra alguns de nossos grandes intelectuais, como Boff e outros representantes da ética social católica.

E mostram pessoas ligadas a grande católicos trabalhistas como João Goulart, Severo Gomes e Sérgio Buarque de Holanda, grandes católicos sociais, pro economia mista, amplo Estado social e democracia popular. 

Concordo com Leonardo Boff, Dom Orani cometeu um erro grave

Do 247 – “O teólogo e escritor Leonardo Boff afirma em seu Twitter que, ao receber Bolsonaro, o arcebispo Dom Orani Tempesta demonstra se contrário ao que o papa ensina;

diz o teólogo: “[ele] nem sabe que o candidato fascista com o qual faz um compromisso está já no terceiro casamento. O Sr. aprova? É assim que vai defender a família? O arcebispo envergonha os cristãos do Rio e do Brasil por seu conservadorismo”

Padre e teólogo, Hans Kung, com 90 anos, com grandes textos

Hans Kung e a “fórmula” da ECONOMIA MISTA, com amplo Estado social protetor do trabalho, E DEMOCRACIA POPULAR PARTICIPATIVA

O padre HANS KUNG nasceu em 1928. Tem, hoje, 90 anos. Foi ordenado padre em 1954, é um GRANDE TEÓLOGO CATÓLICO SUIÇO, com quem concordo em vários pontos, discordando em pouco. 

O padre Hans Kung escreveu ótimos textos, mas errou em entrar em choques com o Vaticano. Mas, nos textos de Hans Kung, há muita coisa boa, totalmente em consonância com o Vaticano. Teve bom encontro com Bento XVI, em 2005, jantando com o Papa. 

A parte BOA (trigo, em consenso pleno com o Vaticano) mesmo dos textos do padre Kung é o ideal de uma boa economia mista (parte estatal, e parte com milhões de micro, pequenos e médias empresas familiares), com amplo Estado social (leis trabalhistas, previdenciárias, impostos negativos p pobres e impostos altos para ricos, planificação, bancos públicos etc) e tudo isso com ampla DEMOCRACIA POPULAR PARTICIPATIVA.

O padre e teólogo Hans Kung também soube expor e formular várias ótimas ideias para reforma da Igreja (ordenar homens casados e mulheres para o Clero, escolha de bispos pelos “Sínodos”-CNBs nacionais etc), ambientalismo, busca por um Estado mundial, uma ética mundial etc. 

No livro de Hans Kung, “Uma ética mundial para a economia e a política” (Madrid, Ed. Trotta, 1999), Kung examina a história da Economia Política. Kung ataca duramente o paleo-liberalismo e o neoliberalismo, como as ideologias do capitalismo.

Kung rejeita a ideia de estatizar tudo e o capitalismo. Quer um modelo misto.

Kung quer uma economia mista, uma economia socialista de mercado, mista, com estatais etc, o modelo da Noruega, Dinamarca, Suécia, com pitadas dos modelos da Alemanha, Itália, Bélgica etc.

Kung ataca o paleo-liberalismo, ultraliberalismo (Carl Menger etc) ou capitalismo puro (Escola de Manchester), tal como ataca o NEOLIBERALISMO, a versão moderna da ideologia do capital.

Kung ataca Ludwig von Mises (1881-1973),  Friedrich August von Hayek (1899-1992), Milton Friedman (n. 1912), Thatcher, Reagan, Pinochet e outros defensores do “mercado puro”, ausência total de intervenção estatal, de estatais, de leis sociais, de leis trabalhistas, de leis ambientais etc.

Kung ataca a “reagonomics” de Reagn, a “Voodoo Economics”, mostra que a Inglaterra pós Thatcher tornou-se o pais europeu com mais desigualdade social, com ESCANDALOS terríveis na City de Londres, com seus 520 bancos e 170 empresas de Seguros de 75 países.

A City de Londres é a matriz de Wall Stret, em Nova Iorque. A City e Wall Stret são a base dos GRANDES OLIPÓLIOS financeiros que destroem o mundo.

O padre Kung ataca principalmente o Partido Republicano dos EUA e o Partido Conservador do Reino Unido, detestando os governos de Ronald Reagan (1981-1989), George Bush (1989-1993) e do filho de Bush, mais tarde. Kung ataca Newt Gingrich, o porta voz da maioria republicana, a origem do Tea Party, nos EUA.

Kung lembra que a ideia de estatizar tudo não foi aplicada em lugar algum, mesmo na URSS existia era economia mista, com controles centralizados, burocráticos, planejamento despótico, não participativo.

Kung elogia o New Deal, Franklin Roosevelt, os partidos Socialistas democráticos, especialmente do Norte da Europa (escandinavos) e o Partido Trabalhista inglês. Elogia o modelo escandinavo. Modelos de economia mista, de socialismo democrático, de trabalhismo.

Friso que o velho Hans Kung, infelizmente, como apontava o padre Dussel, não entendia da América Latina, da África e da Ásia, era muito euro-centrista, Há o lado bom de apontar o melhor da Europa como exemplos, mas há a falta de referência às experiências do Terceiro e Quarto Mundo.

Kung elogia o Partido Democrático Social da Alemanha (SPD), a própria Ala esquerda do CDU da Alemanha (Ala esquerda da Democracia Cristã, na Alemanha), elogia inclusive pontos de Konrad Adenauer. Faz grandes elogios aos governos socialistas moderados de Willy Brandt e Helmut Schmidt (1969-1982), na Alemanha. Elogia os governos trabalhistas na Inglaterra.

Kung elogia os governos de Tage Erlander (1946-1969) e de Olof Palme (1969-1976 e 1982-1986), na Suécia, o modelo de Estado amplo do bem estar social, economia mista, o mesmo modelo existente, em menor escala, na Alemanha, França, Itália e outros países europeus menores. Elogia os modelos da Noruega, Dinamarca e Suécia.

Kung faz altos elogios a FRANZ OPPENHEIMER, um grande judeu, socialista democrático, cooperativista.

Kung defende a “VIA MÉDIA”, um modelo misto, com o melhor da economia de mercado (milhões de micros e pequenos produtores) e o melhor da intervenção ampla estatal (estatais, planejamento, proteção ampla do trabalho e da pessoa, pelo Estado etc).

Kung também elogia Eucken, Alfred Muller-Armack, Alexander Rustow, Wilhelm Ropke, até Ludwig Erhard (economia social de mercado, próxima da economia socialista de mercado chinesa).

Kung elogia John Maynard Keynes (1883-1946) e os keynesianos Paul A. Samuelson e J. R. Hicks. Elogia mais ainda John Kenneth Galbraith.  Outro autor elogiado por Kung foi o economista húngaro KARL POLANYI (1886-1964), autor do livro “A grande transformação” (1944).

Kung elogia J. Rawls, J. Habermas, Karl Otto Apel, M. Walzer, H. Jonas, O. Hoffe, peter Ulrich, Ingomar Hauchler, Warren R. Copeland, J. Philip Wogaman, Richard Falk e outros autores especializados em ética mundial, para DESARMAR O MUNDO, obter a PAZ mundial, superar o imperialismo, proteger o meio ambiente, obter um GOVERNO DEMOCRÁTICO MUNDIAL etc.

Tal como faz altos elogios a grandes especialistas em Doutrina Social da Igreja, como os padres Heinrich Pesch, Oswald von Nell-Breuning, Gustav Grundlach S.J, A. Wetter, Pieper e outros. Elogia também Martita Johr, W. A. Johr, P. Ulrich,  e mesmo o ex-padre H. D. Assmann.

Elogia Alcide de Gasperi, Charles de Gaulle, Konrad Adenauer, Robert Schuman, Jean Monnet, o ex vice presidente Al Gore (ideias de um novo Plano Marshall, e proteção ambiental) etc.

Cabo Daciolo associando Marco Feliciano a “Pomba Gira” e a Maçonaria…

Do 247 – “Os deputados Cabo Daciolo (Patriota-RJ) e Pastor Marco Feliciano (Pode-SP) bateram boca no plenário da Câmara; em vídeo, Daciolo acusou o Feliciano de ser maçom;

“Estou pedindo pra ele provar. Ele é tão menino, é tão calça curta que não presta nem para conversar”, disse Feliciano para Daciolo, que rebateu: “O tempo vai mostrar. Ainda tem pomba gira também”

O ideal da ECONOMIA MISTA, o modelo chinês, e o ataque cibernético dos EUA

Passo a transcrever o artigo “Cartago deve ser destruída e, desde 2013, o Brasil é Cartago”.

Artigo tirado do Portal Vermelho, que defende um socialismo de mercado, economia mista, a mesma tese do historiador, Elias Jabbour.

O artigo trata sobre a reação dos EUA a China, desde 2009, especialmente sobre o Projeto Nova Rota Marítima e Terrestre da Seda. E explica a ação de Bolsonazi como apenas um fantoche do governo de Trump e das multinacionais, usando empresas milionárias para enviarem MILHÕES e até BILHÕES de msg via Whatsapp e REDES SOCIAIS, para enganar as pessoas, manipular as pessoas.

PASSO A TRANSCREVER:

“Uma olhadela em papers publicados em revistas norte-americanas de ponta na área de Geopolítica e Economia Política Internacional, acrescidos de pronunciamentos de Trump e seus próprios assessores deixam muito claro que não tolerarão nem outra China, nem tampouco a própria China.

O que nos faz lembrar da famosa frase de Henry Kissinger sobre o processo de desenvolvimento brasileiro na década de 1970: “não podemos permitir a existência de um novo Japão, agora na América do Sul” [O MESMO foi dito, no gov de Eisenhower, sobre o Segundo Governo de Getúlio, gerando o golpe de 1954, que levou Getúlio ao suicídio].

É de bom tom lembrar deste passado remoto do Brasil diante da desconstrução de nossa história arquitetada nos escritórios do Departamento de Estado dos EUA e executada por picaretas (direita) e ingênuos (“esquerda”) que substituíram Darcy Ribeiro pela “narrativa” para quem um país de passado “escravocrata” e “patriarcal” não é digno de futuro.

Não é de difícil percepção a qualquer pessoa minimamente inteligente que a desconstrução histórica não é um fim em si mesmo.

Abrindo parêntese, negar o caráter universal de Zumbi dos Palmares o reduzindo a um herói de uma raça e não um herói brasileiro e construtor de nossa nacionalidade é exemplo claro de como se “joga o jogo” do tal de “debate de ideias” no Brasil hoje. O objetivo é sacar a alma do coletivo. É criar condições para que outros tomem conta de nosso destino.

O papel das Fundações Ford da vida foram executadas com esmero: nos últimos 15 anos, o Brasil deixou de ser o “país do futuro”, a “maior das latinidades” e o “berço de uma nova e superior civilização” para se tornar o país mais racista, homofóbico e machista do mundo. Antes de colocar palavras na minha boca ou praticar o nojento papel de patrulheiros de quinta categoria, deixo bem claro que amo minha Pátria e o racismo, por exemplo, é um câncer que envergonha meu país.

Negar essas contradições no seio do povo é se perfilar com tipos como Bolsonaro.

Não perceber o papel destas “narrativas” (de onde saem e quem as emite internamente) é fazer o jogo do fascismo norte-americano. Afinal delenda est Carthago (Cartago deve ser destruída).

A política externa de Trump é óbvia e direta. É senso comum na inteligência norte-americana que o prazo de validade para barrar a China, e sua ascensão, expira em 2023. Depois disso, já era.

Os EUA possuem armas eficazes que não se encerram em aumento das tarifas de importações.

O próximo passo é a denúncia seguida de sanções abertas contra a espinha dorsal da economia chinesa, a saber: seus imensos 149 conglomerados estatais. Evidente que uma economia de mercado dominada por empresas e bancos estatais restringe em demasia a ação da lei do valor.

A capacidade de planificar em níveis cada vez mais superiores por parte das figuras que manejam as cordas da “Gosplan Chinesa” (Banco Popular da China + Conselho de Estado) não dão outra alternativa ao imperialismo a não ser isso a que estamos assistindo: guerra comercial, financiamento e alocação de grupos uigures e tibetanos voltados contra o governo central, abrigo e acolhida aos bilionários devidamente convidados a se retirarem do país por Xi Jinping etc

Delenda est Carthago é a política para quem ouse se aproximar da China e de seu “modelo”.

A ideia não é somente desmontar projetos nacionais autônomos. Vai além: é destruir qualquer massa onde exista um “núcleo duro”, é destruir – via divisão interna seguida de caos econômico e social – sociedades inteiras. O exemplo mexicano é sugestivo onde grupos “progressistas” apoiam as demandas de todos os grupos indígenas interessadas em se desmembrar do México e se tornaram “Estados independentes”. Nosso companheiro Evo Moralez sabe o doce sabor desse veneno.

A América Central se dilui entre narcotraficantes (agentes pagos da CIA) que tomam para si nacos de países como, por exemplo, a Nicarágua (coincidentemente sede do maior empreendimento chinês na América Latina que visa quebrar o bloqueio do Canal do Panamá exercido pelos EUA).

O Brasil segue trilha semelhante com divisão da sociedade brasileira em estilhaços onde se encontra de tudo, menos a vontade de ser brasileiro. E sob aplausos da “intelectualidade (pós) moderna”; a mesma que acha antiquada noções como Nação, soberania, território etc…

O maior inimigo do Brasil hoje é invisível.

Vive fora, remete milhões de transmissões por minuto de fake news cujo rastreio adentra a fronteira dos Estados Unidos. Dominam tecnologias que não só não sabemos como funcionam, como nem imaginamos como se manipulam. Bolsonaro é um boneco a serviço dos interesses mais sujos de uma nação decadente, onde a Casa Branca e o Parlamento são locais de abrigo e proteção a grupos proto-fascistas, think tanks poderosos e de narcotraficantes que utilizam a complexo industrial militar para lavar dinheiro.

Mas todos eles com uma grande convicção: MAKE AMERICA GREAT AGAIN. Nem que o preço seja a destruição completa de Cartago.

E o Brasil, desde 2013, é uma imensa Cartago. Mas ainda fico com Lênin, repetindo sua célebre frase em meio ao caos pós-fracasso da revolução de 1905: “as apostasias tendem a fracassar”. Não duvido disso. Mas não sem antes tomarmos um grande banho de brasilidade. Sem antes não temer o fogo, a dor e a contradição. VENCEREMOS!

*Elias Jabbour é professor adjunto da FCE/UERJ e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Econômicas (PPGCE) da UERJ.

Autor do livro “China Hoje: Projeto Nacional, Desenvolvimento e Socialismo de Mercado”.

Os planos diabólicos do Nazi

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A Grande Linha da DEMOCRACIA POPULAR, na política, na economia, na cultura, na Igreja etc

A linha de São Tomás Morus é a linha do socialismo católico. 

É a mesma linha da teologia política (idéias políticas) do cristianismo, presente na consciência, nos atos e nos textos de milhões de atores sociais e foi bem exposta por autores como: o padre Vieira, OS GRANDES JESUÍTAS QUE TENTARAM CONSTRUIR A REPÚBLICA DOS GUARANIS E DE OUTROS ÍNDIOS, por Frei Junípero (Miguel José Serra, 1712-1784, fundador de várias missões na Califórnia), Tiradentes, o padre Antônio Pereira de Sousa Caldas (1762-1814, autor de “Ode ao homem selvagem”), o padre Miguel Hidalgo (libertador do México, tendo gritado: “Viva a Virgem de Guadalupe! Morte ao mau governo!”), o padre José Maria Morelos (1765-1815, continuador de Hidalgo) e outros.

Foi a linha católica de Artigas, José Bonifácio, Bolívar, o padre Januário da Cunha Barbosa, o padre João Ribeiro (da Revolução dos Frades, de 1817), Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca (1779-1825), o padre Roma, o padre Feijó, Antônio Pedro de Figueiredo, o cônego José Antônio Marinho, Zacarias de Góes e Vasconcelos, Dom Vital, Dom Antônio Macedo Costa, Cândido Mendes de Mendes e Castro Alves.

As idéias cristãs e racionais sobre o poder e a difusão de bens também estão presentes nos textos e na prática de homens como o padre José Antônio de Maria Ibiapina, Inácio da Cunha Galvão, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Antônio Felício dos Santos, Eduardo Prado, Joaquim Ignácio Tosta (1856-1919), João Alfredo Correia de Oliveira, Altino Arantes, Rui Barbosa, Brasílio Machado, Afonso Celso, Carlos de Laet (1847-1927), Paes Leme, Miguel Couto, Lacerda de Almeida, Joaquim Furtado de Menezes, Ponciano de Oliveira e o padre Cícero Romão Batista (vale à pena a leitura do discurso belíssimo do Senador Inácio Arruda, do PCdoB, em homenagem ao padre Cícero, em 06.06.2001).

Há a mesma linha nos textos do padre Antônio Maria de Moura, que lecionava “Análise da Constituição”, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, no século XIX.

A linha democrática foi bem destacada nos textos imorredouros do padre Júlio Maria de Morais Carneiro (1850-1916) e estão em vários grandes políticos republicanos.

O ideal da democracia social não-capitalista está também nos textos de Domingos Velasco, San Thiago Dantas, Alceu Amoroso Lima, Pontes de Miranda, San Thiago Dantas, Barbosa Lima Sobrinho, Paulo Freire, Plínio de Arruda Sampaio, Frei Betto, Edgard de Godoi da Mata Machado (vide “O cristão e a cidade”), Paulo de Tarso dos Santos, Ariano Suassuna, José Geraldo Bezerra de Menezes (católico e jurista) e em outros milhares de personagens e escritores.

As idéias principais do ideário político cristão estão difusas na consciência de milhões e o trabalho de catequese e de evangelização visa apenas aprofundar e clarificar estas idéias já presentes, de forma confusa.

O padre Júlio Maria, em suas próprias palavras, seguia o exemplo de Ketteler, do Cardeal Manning e do Cardeal Newman, na Inglaterra; do Cardeal Lavigerie na França; do cardeal Gibbons e do bispo Ireland, nos EUA.

Como ensinava o Cardeal Gibbons, “o clero” deve ser “o amigo do povo”, “não deve ficar indiferente a nenhuma das questões sociais, políticas ou econômicas que dizem respeito ao interesse e prosperidade da nação; podendo e devendo tratar de todos, porque o padre é um reformador social”.

Como explicou o padre Júlio, esta era a linha de Leão XIII, “unir a Igreja e o povo”.

A teologia política, natural e cristã, também está na letra de nossas melhores músicas (padre Zezinho, Renato Russo, Milton Nascimento, Cazuza, Gil, mesmo as músicas de amor de Roberto Carlos e outras), no folclore, na língua viva do povo, em nossas melhores obras literárias.

Está nos romances nos versos de Gregório de Matos, nos sermões de Vieira, nos romances de José de Alencar (1829-1877), de Lima Barreto, na poesia de Cora e de Adélia Prado, nas poesias de Castro Alves, estando inclusive nos romances sociais de Jorge Amado, Oswald de Andrade, Pagu e outros.

Há a mesma presença nos textos de autores como: Charles Dickens, Victor Hugo, Isabel Gaskell (1810-1865), Leon Tolstoi (1828-1910), Jean Ziegler, Norman Mattoon Thomas (1884-1968, socialista cristão estadunidense), Noam Chomsky, Norman Mailer, Gabriela Mistral e milhares e milhares de autores.

A difusão da concepção cristã sobre o poder atingiu o mundo todo. Por exemplo, Frederico Kristian Sibberns (1789-1872), dinamarquês, foi professor em Copenhage. Escreveu obras como “Da natureza espiritual do homem” (1819) e defendeu o sufrágio universal. Em “Notas tiradas de um escrito do ano de 2.153) (1862), defendeu um tipo de socialismo cristão.

Na Rússia, Vladimir Soloviev (1853-1900), filho de Sérgio Soloviev (1820-1879, autor de “História da Rússia”, em 29 volumes), escreveu “O direito e a moral” e “A justificação do bem”, com teses semelhantes.

A Grande Linha Democrática Popular da Doutrina social da Igreja, a linha de Francisco I

A busca de um regime justo, de uma democracia popular (socialismo democrático) não-capitalista, foi a linha de São Tomás Morus, Las Casas, Campanella, o abade de Saint-Pierre (1658-1743), Mably e outros precursores católicos de Marx. É a linha de João XXIII, de Francisco I.

Foi a linha retomada por Buchez, Lamennais, Ozanam (1813-1853), Lacordaire (1802-1861), Tocqueville, o abade Antônio Rosmini Serbati (1797-1855, um dos maiores luminares do pensamento italiano, no século XIX), Ketteler e outros.

Depois, novamente retomada pela Escola de Liège, por Marc Sangnier, Luigi Sturzo, Jacques Maritain, Mounier, do Cardeal Journet, do Cardeal Lercaro, do beato João XXIII, Alceu, Dom Hélder, Dom Lombardi (Núncio Apostólico no Brasil, de 1954 a 1964, amigo de Dom Hélder), Frei Betto, Dom Balduíno, Dom Hélder, Dom Casaldáliga, do Cardeal Leão José Suenens, do padre Yves Congar e de outros luminares da Igreja.

A linha democrática popular da Igreja também brilhou na luta dos poloneses e dos irlandeses. Por exemplo, na luta de Daniel O´Connor (1775-1847).

O´Connor foi chamado “o grande Agitador”, o “Libertador” da Irlanda, tendo sido aluno dos jesuítas, advogado (jurista mesmo), tribuno, jornalista, escritor, fundador de clubes políticos, deputado, especialista em comícios e lutas políticas.

O´Connor deixou obras como “Memórias sobre a Irlanda” e foi elogiado por grandes sacerdotes como Lacordaire, o padre Ventura d´Raulica e mesmo por Marx.

A combatividade do leigo O´Connor foi exemplar, marcando toda a luta dos irlandês contra o imperialismo inglês e por democracia.

O ideal de uma democracia popular era também o ideal cristão de William Cobbett, autor muito elogiado também por Karl Marx.

Chesterton redigiu uma boa biografia de Cobbett, no livro “La vie de William Cobbett” (Paris, Ed. Gallimard, 1929, com tradução de Marcel Agobert).

— Updated: 20/10/2018 — Total visits: 38,639 — Last 24 hours: 66 — On-line: 1
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