Os roubos dos bancos, do capital financeiro. Artigo de José Carlos de Assis, sobre a luta dos bancos para destruir a Previdência Social Pública

Colhi no 247 – Artigo de José Carlos de Assis, grande economista nacionalista, ligado ao povo.

“O Globo anuncia que as três grandes agências internacionais de risco darão prazo até fevereiro para decidirem se desclassificam ou não o Brasil como destino de investimento. Oh, por Júpiter, bradarão os vigaristas do mercado financeiro! Eles contam com essa ameaça não por conta do risco mas a fim de aumentar a pressão para forçar o Congresso a aprovar de qualquer forma a chamada reforma da Previdência. Afinal, nem todo parlamentar é bem informado em questões financeiras. Muitos levam a sério a opinião das agências de risco.

Agências de risco existem há décadas. Elas se dedicavam originalmente a fazer avaliações de risco sobre empresas e países cujos clientes não tinham capacidade ou desejo de fazer estudos próprios para orientar seus investimentos. Era um trabalho essencialmente técnico. A partir da crise da dívida externa dos anos 80, elas passaram a avaliar os países também sob a ótica política. No momento seguinte, tornaram-se instrumento de forçar mudanças políticas de sentido neoliberal sobretudo nos países em desenvolvimento.

A “politização” financeira de empréstimos era, inicialmente, uma prerrogativa do Fundo Monetário Internacional [FMI, e, antes, de grandes banqueiros internacionais]. Mas a intervenção do Fundo só era relevante se o país precisasse de socorro financeiro em dólares. As crises dos balanços de pagamento dos países em desenvolvimento surgiram no momento oportuno.

O Fundo não tergiversou: meteu a colher de pau dele nas políticas econômicas, sempre em sentido neoliberal, mergulhando boa parte do mundo na estagnação econômica.

Entretanto, em reação à crise asiática de fins dos anos 90, e especialmente com a política “mercantilista” de acumulação de reservas internacionais no rastro do modelo chinês, os principais países emergentes, inclusive o Brasil, começaram a acumular reservas de forma acelerada. O Brasil não só pagou sua dívida com o Fundo, mas lhe deu um empréstimo no Governo Lula. Diante disso, a influência do Fundo sobre a política econômica brasileira, em termos práticos, reduziu-se a zero. Assim como a do Banco Mundial, acionado para fazer um relatório picareta sobre gasto público e necessidade da reforma previdenciária.

O grande capital financeiro internacional ocidental, contudo, não faria por menos. As agências de risco ocuparam o espaço do Fundo e do BM na determinação das políticas econômicas dos países em desenvolvimento, fora a Ásia. Esta passou a contar com um abrigo financeiro próprio, sem condicionalidades políticas, o poderoso Sistema Bancário chinês. O primeiro movimento de institucionalização nesse sentido foi o Novo Banco de Desenvolvimento, nome oficial do Banco dos BRICS, do qual o Brasil tem uma quota relevante.

Acontece que Meirelles e a quadrilha do Temer não gostam muito do Novo Banco de Desenvolvimento. Preferem ficar pendurados no sistema bancário ocidental ao qual estão ligados por interesses pessoais. Numa palavra, estamos escravizados pelos banqueiros americanos e europeus e comem as migalhas. Temos as taxas básicas de juros mais elevadas do mundo, e taxas de aplicação – aquela que você paga no cartão de crédito e no cheque especial – de mais de 300%. Isso poderia dar forca se o povo entendesse de política financeira.

Os bancos brasileiros são um instrumento de extorsão. Não prestam nenhum serviço ao desenvolvimento da economia. Seu lema é a escravização do povo. Em lugar de favorecer o sistema produtivo, tira o sangue dele e tritura a carne até o osso.

Miseráveis, pobres, classe média e mesmo os ricos estão estrangulados até o pescoço por endividamento.

Ao lado disso, temos o endividamento do Estado, que transfere mais de R$ 500 bilhões por ano de juros aos banqueiros e outros titulares da dívida pública. O filósofo Proudhon dizia que a propriedade é um roubo. Roubo, mesmo, é o que fazem os bancos brasileiros!

Um registro adicional: todo o empenho na reforma previdenciária se reduz ao intento de piorar as condições gerais do sistema público, e transformá-lo em carniça, para viabilizar a ampliação do sistema complementar privado com contribuições específicas dos poupadores, a carne fresca.

Façam uma previdência complementar pública e esse interesse desapareceria”.

Uma Frente Ampla Geringonça, em prol do Estado Social, boa solução tática

A vitória de Pinera, no Chile, mostra a necessidade da formação de uma Frente Ampla no Brasil e na América Latina, uma Geringonça, como foi feita em Portugal. 

A Geringonça, em Portugal, é uma coligação, uma Frente, entre o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda, o PC de Portugal e os Verdes.

A Frente Ampla, no Chile, deveria ter se unido ao Partido Socialista e, com isso, derrotaria a direita.

Deveriam ter seguido o exemplo do Uruguai, do Equador, de Portugal. 

No Brasil, uma Geringonça uniria o PT (liderado por Requião, parece), um pedaço nacionalista do PMDB nacionalista (o pedaço ligado a Requião), o PDT com Ciro, o PSB com Aldo Rebelo, o PC do B com Manuela e o PSOL, com Boulos.

Isso resolveria o problema, acho. Daria suporte ao Estado social, ao nacionalismo, a defesa das estatais e da intervenção do Estado (economia mista), à Democracia popular participativa e ao meio ambiente.

Uma boa lição de Pio XII sobre distribuição de bens, pelo Estado

Pio XII, em carta ao Presidente da Semanas Sociais da França, em 03.06.1952, defendeu a planificação econômica estatal. Disse claramente que “a dificuldade de uma sadia distribuição” de bens, para responder “às exigências da vida social”, não pode ser resolvida pelo “abandono ao livre jogo das forças econômicas cegas”.

Disse, ainda, que é preciso “ser considerado” o prisma “da economia nacional”, com “clara visão do fim”, da finalidade da economia, que é o “o serviço do bem comum temporal”.

Pio XII mostrou que é “função normal” do “Estado” fazer a “coordenação” geral, para “aumentar a produção” e organizar a produção para atender às “necessidades e a dignidade do ser humano”, que deve ser colocada “em primeiro plano” na “questão do ordenamento” (organização) “da economia, no capítulo da produção”.

Este Papa destacou que é preciso economia mista, ou seja, nem o “livre jogo das forças econômicas cegas” e nem “a onipotência opressiva” do Estado, e sim intervenção estatal e “legítima autonomia das iniciativas privadas”. Assim, o Estado, “os poderes públicos”, tem uma “função inegável de coordenação, que se impõe sobretudo nas condições complicadas atuais da vida social”. Cabe ao Estado, ao “concurso” do Estado, “construir uma política econômica que favoreça a cooperação ativa de todos para o aumento da produção”, “fonte direta da renda nacional”.

Protecionismo é uma forma de planificação estatal, pode ser boa, para desenvolver base industrial

Os textos de Frederich List e de Henry Carey (1793-1879) resgatam as boas idéias de Colbert e do século XVII.

Cada país deve industrializar suas matérias primas. E o mesmo deve ocorrer com a agricultura, que deve ser combinada com agro-indústria, nos locais de produção, como recomenda o MST. 

O colbertismo representa um conjunto de idéias de controle público da economia, de proibição de exportação de matérias-primas, controle das importações e do câmbio, importância da indústria etc.

List e Carey fazem parte da corrente do nacionalismo, que buscou ampliar a intervenção do Estado na economia, para ordená-la no sentido do bem comum.

No Brasi, houve bons esboços de controle da economia especialmente para a tutela da economia popular. Por exemplo, o Decreto-lei n. 869 (de 18.11.1938) e a “Lei Malaya” (Decreto-lei n. 7.666), de Getúlio e Agamennon Magalhães (este e Sérgio Magalhães combinavam nacionalismo, trabalhismo e catolicismo).

Um bom conjunto de leis sociais destruiria os monopólios privados, que são grandes parasitas e sanguessugas, as grandes tênias, no corpo da sociedade.

Um Estado mundial é perfeitamente harmônico com o fortalecimento dos Municípios, da regiões, dos Estados nacionais e dos Estados continentais. 

Estado deve tributar e investir, para diminuir desigualdade social

“247 – A desigualdade econômica é generalizada e tem crescido desde a década de 1980, questionando as políticas de crescimento econômico em todo o mundo, de acordo com uma nova pesquisa do World Inequality Lab. As conclusões do estudo são detalhadas no primeiro World Inequality Report (Relatório Mundial de Desigualdade), único relatório a fazer uma avaliação global da desigualdade econômica e social.

Coordenada pelos economistas Facundo Alvaredo, Lucas Chancel, Thomas Piketty, Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, a pesquisa baseia-se no banco de dados mais extenso do mundo sobre a evolução histórica da desigualdade de renda e riqueza.

Seu objetivo é contribuir para um debate democrático global mais informado sobre a desigualdade econômica, trazendo dados mais atualizados e abrangentes para a discussão pública.

“Pela primeira vez, este relatório examina como o crescimento global foi compartilhado entre indivíduos em todo o mundo desde a década de 1980, com foco especial nos países emergentes onde os dados de desigualdade eram escassos ou inexistentes”, afirma o PhD em economia, Thomas Piketty.

Os principais resultados da pesquisa indicam que a desigualdade de renda aumentou em quase todas as regiões do mundo nas últimas décadas, embora em velocidades diferentes, destacando a importância dos papéis dos governos para mitigar a desigualdade.

Desde 1980, a desigualdade de renda aumentou rapidamente na América do Norte, China, Índia e Rússia, crescendo moderadamente na Europa. No entanto, existem exceções a esse padrão: no Oriente Médio, na África subsaariana e no Brasil, a desigualdade de renda permaneceu relativamente estável, porém em níveis extremamente altos.

Lucas Chancel, coordenador geral do relatório, destaca a importância de políticas nacionais para combater a desigualdade. “O fato de as tendências de desigualdade variarem tanto entre os países, mesmo entre os que compartilham níveis de desenvolvimento semelhantes, destaca o papel importante das políticas nacionais na formação da desigualdade. Por exemplo, considere a China e a Índia desde 1980: o primeiro registrou taxas de crescimento muito maiores com níveis de desigualdade significativamente menores do que a Índia. A conclusão positiva do Relatório Mundial sobre Desigualdade é que a política importa, e muito”, enfatiza Chancel.

O relatório também revela a queda dramática da riqueza líquida dos governos nas últimas décadas e os desafios que isso representa para enfrentar a desigualdade. Com base nos dados, o relatório discute opções promissoras para diminuir e combater essa discrepância de renda e riqueza – começando pela importância da transparência dos dados econômicos.

A criação de um registro financeiro global para documentar propriedade de ativos financeiros seria um duro golpe para a evasão fiscal e a lavagem de dinheiro, e aumentaria a eficácia da tributação progressiva, que é uma ferramenta essencial na redução da desigualdade econômica”, afirma o coordenador do relatório, Gabriel Zucman.

O relatório salienta a necessidade de políticas mais ambiciosas para democratizar o acesso à educação e aos empregos bem remunerados em países ricos e emergentes da mesma forma. Além disso, investimentos públicos em saúde e proteção ambiental também são necessários para capacitar as gerações mais jovens. Para financiar esses investimentos no futuro, impostos sobre capital para os mais ricos ou perdão da dívida foram regularmente utilizados pelos governos ao longo da história como solução para a diminuição da desigualdade.

Alguns destaques do relatório foram impressionantes. Ao contrário das estimativas passadas, as políticas brasileiras visando a desigualdade ao longo dos últimos 15 anos não tiveram êxito. Dados de desigualdade mais precisos mostram que os 50% mais pobres conquistaram uma parcela muito limitada do crescimento de renda total entre 2001 e 2015.

Em 2015, os 10% mais ricos receberam mais de 55% da renda nacional total, enquanto os 50% inferiores receberam apenas 12%. Na verdade, a participação no crescimento total conquistado pelos 10% superiores dos assalariados permaneceu forte e não foi afetada pela crise financeira global em 2008.

Surpreendentemente, desde 1980, o 1% mais rico da população mundial conquistou duas vezes mais do que os 50% mais pobres. Em outras palavras, desde então, 27% das novas receitas geradas em todo o mundo foram capturadas pelo 1% mais rico, enquanto os 50% mais pobres da população mundial capturaram apenas 13% do crescimento total. Esses números demonstram um contraste acentuado, considerando que o 1% superior representa atualmente 75 milhões de indivíduos, enquanto os 50% inferiores representam 3,7 bilhões de indivíduos. A população intermediária, em grande parte composta por pessoas assalariadas de média ou baixa renda, na América do Norte e Europa, apresentou taxas de crescimento de renda modestas ou mesmo nulas.

Ainda desde 1980, houve grandes mudanças na propriedade do capital. O capital privado líquido – os ativos dos indivíduos menos suas dívidas – aumentou enormemente nas últimas décadas, mas inversamente.

Já o capital público líquido – os ativos dos governos menos suas dívidas – diminuiu em quase todos os países nos últimos 40 anos, devido a grandes privatizações em escala e aumento das dívidas públicas. O capital público agora está próximo ou abaixo de zero em países ricos. Esta situação excepcional, de acordo com padrões históricos, tem fortes implicações na política. Em particular, torna-se extremamente desafiador para os governos investir em educação, saúde ou proteção ambiental.

A desigualdade de riqueza entre os indivíduos também aumentou acentuadamente desde 1980. Aumentos significativos nas participações mais altas de riqueza aconteceram na China e na Rússia após suas transições do comunismo para economias mais capitalistas. A participação de riqueza do 1% superior dobrou na China e na Rússia, entre 1995 e 2015, de 15% para 30% e de 22% para 43%, respectivamente.

Emmanuel Saez, coordenador do relatório, explicou que a combinação das privatizações e a crescente desigualdade de renda alimentou o aumento da desigualdade da riqueza. “Nesses países e em nível global, o capital privado está cada vez mais concentrado entre alguns indivíduos. Esse aumento foi extremo nos EUA, onde a participação da riqueza do 1% superior aumentou de 22% em 1980 para 39% em 2014”, afirma Saez.

A renda global e a desigualdade da riqueza aumentarão de forma constante se os países continuarem a seguir a mesma trajetória em que estão desde 1980, apesar do forte crescimento nos países emergentes. Até 2050, a participação da riqueza global detida por 0,1% dos mais ricos do mundo (representando 7,5 milhões de pessoas hoje) será igual à da classe média (3 bilhões de indivíduos).

No entanto, o aumento da desigualdade global não será inevitável no futuro e a limitação terá impactos tremendos sobre a erradicação global da pobreza. Se todos os países seguirem a mesma tendência de desigualdade que a Europa desde 1980, a renda da metade inferior da população mundial poderia aumentar de €$ 3.100,00 em 2017 para €$ 9.100,00 em 2050. Por outro lado, se os países seguissem a tendência dos EUA, a renda dos 50% inferiores aumentaria para apenas €$4.500,00 até 2050.

Os dados apresentados no relatório combinam de forma sistemática e transparente todas as fontes de informações econômicas disponíveis, incluindo pesquisas domiciliares, recibos fiscais e contas nacionais de renda e riqueza (incluindo vazamentos de dados offshore, quando disponíveis). Este relatório baseia-se na análise de mais de 175 milhões de dados sobre a desigualdade.

“Este estudo baseia-se, de uma forma ou de outra, nas estatísticas de desigualdade coletadas no WID.world – The World Wealth and Income Database – desde a sua criação como o World Top Incomes Database, em 2011. Essas bases de dados não seriam possíveis sem a colaboração de mais de 100 pesquisadores de todo o mundo”, conclui Facundo Alvaredo, coordenador do relatório. 

Sílvio Santos, expoente horrível do neoliberalismo, continua a fazer o mal

Colhi no 247 – “Michel Temer irá ao programa de Silvio Santos defender o projeto de Reforma da Previdência. Faz parte de uma campanha para popularizar o tema; informação é do colunista Lauro Jardim; aparição de Temer seria já neste domingo, véspera da votação na Câmara; como a reforma vai ficar mesmo para fevereiro, a ideia agora é que a ida de Temer se dê no último domingo de janeiro; pelos planos do Planalto, Silvio entrevistará Temer”. 

A morte da revista Veja, a pior e que mais mente, distorce e aliena as pessoas

A pior das revistas (o que é dizer muito, tendo em conta a ruindade geral…), a infame Veja, está morrendo. A expoente do neoliberalismo, a porta voz dos ultra ricos, está dizimando os jornalistas que a ajudaram a dar o golpe, está demitindo em massa, como todos os capitalistas.

Colhi no 247 – “A Editora Abril, que edita Veja, revista que se especializou em atacar governos trabalhistas e prever o fim de Lula, anunciou internamente, nesta quarta-feira, mais um “passaralho”;  já se sabe de 130 demissões, que devem continuar até fevereiro; vários publicações deverão ser fechadas e, no mercado, fala-se na possibilidade de recuperação judicial; recentemente, o presidente Walter Longo foi demitido pela família Civita e substituído pelo diretor jurídico, Arnaldo Figueiredo Tibyriçá – num sinal de que a editora prepara a renegociação de suas dívidas com o mercado”. 

Manifesto do Arcebispo de Porto Alegre e de entidades contra o neoliberalismo. Texto divino

Sul 21 – O arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, divulgou nota criticando a “dilapidação do patrimônio nacional” e a “entrega das riquezas naturais à exploração desenfreada de empresas multinacionais, que olham para nossos bens naturais apenas com o olhar da ganância e da avareza”. A manifestação do arcebispo foi encaminhada ao Ato Em Defesa da Soberania e do Patrimônio Nacional, realizado no final da tarde de terça-feira (12), no Auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Promovido por 53 entidades, movimentos, partidos políticos e coletivos sociais, o ato denunciou o processo de entrega de recursos naturais e patrimônio público a empresas privadas, nacionais e internacionais, atualmente em curso no país.

“Em período não distante da história, a Igreja Católica levantou sua voz para restabelecer a democracia. Em período recente, envidou esforços para aprovar a legislação da ficha limpa para inaugurar uma necessária reforma política e para o combate à corrupção. É preocupante o descrédito da política, o avanço da corrupção e a dilapidação do patrimônio nacional”, afirma Dom Jaime Spengler. Destacando que “o patrimônio natural do Brasil é dos brasileiros”, ele defende que é urgente “encontrar caminhos para a defesa do bem comum e do resgate da dignidade dos empobrecidos e desprotegidos”.

O arcebispo cita ainda recente manifestação do Papa Francisco sobre a situação política na América Latina, defendendo a “necessidade de novas forças políticas, que brilhem pela sua ética e cultura, que façam uso do diálogo democrático, que conjuguem a justiça com a misericórdia, que sejam solidárias com o sofrimento e as esperanças dos povos latino-americanos”.  E acrescenta: “Precisamos de crescimento industrial e tecnologia sustentável; precisamos de políticas corajosas para enfrentar o desafio da pobreza, da desigualdade, da exclusão e do subdesenvolvimento. Isso não pode ser alcançado com a entrega do patrimônio natural brasileiro e submetendo a soberania nacional aos interesses do capital especulativo mundial”.

O ato promovido pelo Comitê Gaúcho do Projeto Brasil Nação contou com a presença do geólogo Guilherme Estrella, ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobras, que denunciou o processo de apequenamento da empresa com vistas à privatização da mesma e a entrega dos recursos energéticos do Brasil a companhias estrangeiras. Durante o evento foi lançado o “Manifesto em Defesa da Soberania e do Patrimônio Nacional” que faz um alerta para a ameaça do país sofrer um grande retrocesso histórico, perdendo um patrimônio construído por muitas gerações.

Segundo o cientista político Benedito Tadeu César, um dos coordenadores do Comitê Gaúcho do Projeto Brasil Nação, um dos principais objetivos da iniciativa é resgatar, junto ao conjunto da população um sentimento de pertencimento a uma nação, com um projeto de futuro e de desenvolvimento próprio, ao invés de entregar os recursos e o patrimônio do país a interesses estrangeiros. Segue abaixo a íntegra do manifesto que está aberto a novas assinaturas (para assinar, clique aqui):

MANIFESTO EM DEFESA DA SOBERANIA E DO PATRIMÔNIO NACIONAL                                                                                                                

O Brasil encontra-se, hoje, diante da ameaça de sofrer um retrocesso histórico, de perder um patrimônio econômico construído por muitas gerações e de voltar a uma posição de total dependência externa e de atraso social.

A partir do início do século XX, após mais de três séculos como colônia exportadora de riquezas naturais e agrícolas, dependente e escravista, o país iniciou o projeto de se tornar uma nação soberana e industrializada, capaz de oferecer à sua população o crescente acesso a direitos sociais e à cidadania.

Desde então, foi constante o embate entre aqueles que defenderam esse novo projeto e os que tentaram reconduzir o Brasil ao antigo modelo exportador dependente. Apesar desse embate, o processo de modernização soberana do país avançou, com a construção de instrumentos estratégicos – como a Petrobrás, a Eletrobrás e o BNDES –, com a criação de milhares de empresas privadas e com o desenvolvimento da produção industrial, da geração de emprego e renda e da mobilidade social. O Brasil foi, no século XX, o país do mundo que mais cresceu, apesar da estagnação dos anos de 1980 e 1990.

Hoje, no início do século XXI, o governo federal está revertendo o avanço realizado até aqui, ao encaminhar reformas e iniciativas que contam com a participação de setores do Legislativo, do Judiciário e do Ministério Público, mas que não têm aprovação popular e que levarão o Brasil ao retrocesso, à dependência externa e ao atraso social.

Na área da extração do Petróleo, o governo federal eliminou a exigência legal da presença de empresas brasileiras no fornecimento de insumos para a produção do petróleo, estabelecida como forma de incentivar a indústria nacional. Mais ainda, o governo abriu completamente a exploração do petróleo do Pré-Sal para grandes empresas públicas e privadas internacionais, por preços inferiores ao valor real, sem demonstrar qualquer preocupação com a defesa de uma riqueza estratégica para o desenvolvimento do país.

Além do esfacelamento da Petrobrás, as iniciativas de desnacionalização e privatização de empresas brasileiras afetam também o setor elétrico, fundamental para todos os demais setores produtivos do país, ameaçando inúmeras empresas fornecedoras desse setor estabelecidas em solo nacional.

As iniciativas de desnacionalização e privatização vão além, atingindo recursos naturais essenciais, como os hídricos, o que ficou explicitado na intenção de abrir a duas empresas privadas internacionais a exploração do Aquífero Guarani, um dos maiores mananciais mundiais de água doce.

Tais iniciativas chegam a atingir a Caixa Econômica Federal, um dos principais instrumentos governamentais para a implantação de políticas sociais públicas, e até a Casa da Moeda do Brasil.

Acelerando de forma radical o processo de desnacionalização e privatização, o governo federal, sem informar pela imprensa e sem qualquer debate público, criou as condições para a venda das mais importantes empresas brasileiras, através do decreto nº 9.188/2017, de 1º de novembro de 2017, no qual estabeleceu a possibilidade de vender, sem licitação pública, empresas como a Petrobras, a Eletrobrás e o Banco do Brasil.

Com esse decreto de “desinvestimento”, abre-se o caminho para a venda parcial, majoritária ou total, em tempo recorde e a qualquer preço, já que sem licitações públicas, das mais estratégicas empresas estatais, criadas por governos com diferentes posições políticas e ideológicas, para se constituírem em instrumentos de um projeto de desenvolvimento soberano do país.

Essa mesma política está sendo adotada pelo governo do Rio Grande do Sul, que hoje acelera os preparativos para a privatização do sistema financeiro estadual e regional – Banrisul, BADESUL e BRDE – e de empresas do setor energético e de mineração – SULGAS e CRM –, assim como para o fechamento de Fundações estratégicas para o desenvolvimento estadual.

Na área da defesa nacional, fundamental para a soberania do país, o governo federal interrompeu o desenvolvimento do programa nuclear brasileiro e permitiu o acesso de autoridades estrangeiras a tecnologias sensíveis desse programa. Permitiu, ainda, a presença de tropas norte-americanas na estratégica região da Amazônia, em exercício conjunto com tropas brasileiras, e divulgou a intenção de realizar a entrega da Base Militar de Alcântara para uso privativo dos Estados Unidos, medida que já fora rejeitada pelo Congresso brasileiro em 2001.

Além disso, o governo federal está levando adiante inúmeras medidas e reformas antissociais, como o congelamento dos gastos públicos, que agrava ainda mais as condições dos sistemas públicos de saúde, educação, segurança e previdência social, bem como das instituições voltadas para a geração de ciência e tecnologia, fundamentais para o desenvolvimento econômico e social do país.

O Brasil já provou, desde o início do século XX, que é capaz de levar à frente um projeto de desenvolvimento soberano. Para avançar nesse projeto, o país precisa de uma vasta rede de empresas, especialmente no setor industrial, mas também nos setores agrário e de serviços, públicas e privadas, apoiadas em geração de ciência e tecnologia avançadas. Precisa também de instituições de financiamento próprias, de um mercado interno fortalecido e de mão de obra qualificada.

Não há futuro para uma nação que não preserve seu patrimônio e que não tenha autonomia para promover o desenvolvimento econômico capaz de propiciar justiça social a toda sua população, garantindo proteção ao trabalho, saúde, educação, previdência social e segurança pública de forma universal e de qualidade.

Hoje, para que o Brasil possa se desenvolver como Nação soberana, é preciso que a população esteja unida em torno de um governo legitimamente eleito, debatendo as reformas necessárias ao país e decidindo seu futuro de forma democrática e autônoma.

Para começar essa nova etapa da vida nacional, defendemos:

1) a suspensão das medidas antinacionais do atual governo federal;

2) a garantia de eleições livres, diretas e democráticas;

3) a realização de referendum popular, com amplo debate público, para a confirmação ou revogação das reformas aprovadas e dos decretos editados pelo atual governo sem consulta à população.

É hora de nos unirmos e manifestarmos para preservar o patrimônio público, social e econômico da Nação brasileira e garantir o futuro das próximas gerações.

Os zumbis da seita entreguista do MBL, adoradores de ricos

O elogio dos fenícios, por Hegel

Hegel, no livro “Filosofia da história”, elogia os fenícios, escrevendo: “os fenícios foram os primeiros que descobriram o Oceano Atlântico o percorreram, navegando. Estabeleceram-se em Chipre, em Tasos, uma ilha muito afastada deles, exploram minas de ouro. Na Espanha, do sul e do sudoeste, exploraram minas de prata. Na África, fundaram as colônias de Utica e de Cartago. Desde Cades, navegaram muito longe, até mais além das costas africanas e, segundo eles, até haveriam bordeado toda a África. Foram às Ilhas Britânicas, para buscar o estanho. Foram ao Báltico, buscar o âmbar da Prússia”. 

Hegel, Volney e Voltaire elogiaram os fenícios. Voltaire os comparava aos venezianos e aos holandeses. Herder elogiara a constituição política republicana dos fenícios.