Os grandes traficantes estão nos bairros ricos, e nunca nas favelas e morros

247 – “Para o ex-ministro de Direitos Humanos no governo FHC e professor aposentado de Ciência Política da USP Paulo Sérgio Pinheiro, a decisão do governo Temer de intervir na segurança do Rio de Janeiro é “desastrada”, “inócua” e “não vai resolver absolutamente nada”; “Os grandes traficantes estão na Avenida Atlântica, na Barra da Tijuca, ou em Miami. Quem vai pagar por essa intervenção são os moradores das comunidades, das favelas. É totalmente inócuo. As Forças Armadas não têm nenhuma competência para lidar com a criminalidade, seja o crime comum ou organizado. A curto prazo, não vai resolver absolutamente nada, só vai agravar a situação”, afirmou Pinheiro à Rádio Brasil Atual

Livros recomendados por Ladislau Dowbor, que também recomendo

Tirei o texto de Dowbor do site “Carta Capital”, excelente site que recomendo também –

A economia deve servir para o bem-estar da sociedade e não o contrário. Este foi o critério para a seleção de oito leituras sobre os rumos da nossa sociedade que me pareceram de particularmente úteis. Estudos escritos de forma clara que não apenas trazem um diagnóstico sobre os problemas, mas apontam rumos e nos orientam em meio ao caos das aceleradas transformações em curso. Dei prioridade à literatura internacional porque, em geral, ela é menos conhecida. Os livros são em inglês, hoje a língua franca científica, mas as resenhas que fiz são evidentemente em português, e constituem em si uma leitura útil. Aliás esses livros já deveriam estar no mercado em português. 

The sharing economy, de Arun Sundararajan, é uma das melhores e mais abrangentes análises sobre a economia do compartilhamento. Excelente para compreendermos as novas dinâmicas que estão transformando as nossas vidas, por exemplo, como funciona a “internet das coisas”, atividade comercial que aproveita a conectividade das pessoas e agentes econômicos a partir de uma imensa variedade de arquiteturas organizacionais.

No mesmo sentido, The zero marginal cost society de Jeremy Rifkin, demonstra como as práticas econômicas e as macrotendências, os chamados megatrends, estão mudando neste começo de século. Essa pesquisa, bastante detalhada, permite inclusive a distinção de novos rumos frente a aceleradas transformações. Vejo Rifkin como herdeiro de Alvin Toffler que buscou delinear os grandes eixos de mudança, ainda em 1980; ou Manuel Castells, que descreveu de maneira ainda mais ambiciosa o surgimento da sociedade em rede. 

Outro excelente trabalho que nos situa diante das mudanças no nosso tempo é Understandng knowledge as a commons, de Elinor Ostrom e Charlotte Hess. Eles reúnem vários autores que partem da ideia do “commons”. Uma obra fundamental sobre a economia do conhecimento e da centralidade do conhecimento nos processos produtivos. Hoje, como ordem de grandeza, mais da metade do valor incorporado nos produtos não consiste em mão de obra física ou matéria prima e capital fixo e sim no conhecimento incorporado. 

Essas e outras mudanças permitem uma visão mais ampla de transformação da sociedade. É justamente o que faz Wolfgang Streeck em Buying time ao defender – e estou de acordo com ele – que não estamos vivendo o fim do sistema capitalista, mas o ocaso do capitalismo democrático. Para fundamentar essa ideia, ele explicita várias formas de coerção da democracia de Estados pelas corporações que têm gravíssimas consequências para a cidadania. Mostra, por exemplo, como o sistema financeiro vem obrigando cada vez mais os governos a prestarem contas para o “mercado”, à revelia da necessidade de suas populações. Qualquer semelhança com o golpe no Brasil não é coincidência.

O papel dos bancos, aliás, é central nesse processo, como mostra Ellen Brown em The public bank solution. “O que é bom para Wall Street não é necessariamente bom para a economia”, afirma autora. A primeira parte do livro é um resgate do processo histórico, de Wall Street a Beijing, que ajuda a entender como se articulam as instituições criadas e os grandes grupos de interesses do sistema financeiro. O estudo, inclusive, fecha com propostas de uma nova teoria monetária, o que ajuda muito.

Igualmente na linha propositiva, uma excelente síntese pode ser encontrada no estudo organizado por Joseph Stiglitz – Rewriting the rules of the American economy – que traz ampla agenda prática de desenvolvimento inclusivo. Uma agenda voltada para os problemas dos Estados Unidos, mas que cabe perfeitamente para a situação brasileira, já que se trata de fazer a economia voltar a servir a sociedade. Os economistas americanos estão acordando e construindo novos rumos. 

O fato é que ninguém precisa inventar a roda. É o que mostra George Lakey em Viking Economics, em que analisa a economia de quatro países – Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia – mostrando como esses países construíram uma economia robusta, com paz social e pouca desigualdade. O segredo? As pessoas colaboram para viver melhor e isso significa, na prática, todos viverem melhor, inclusive os imigrantes. As soluções, claramente, nunca são apenas ou dominantemente econômicas. É preciso fazer a sociedade funcionar de forma integrada. E não se trata de “países diferentes”, e sim de países que adotaram conscientemente políticas diferentes, vencendo grandes resistências. 

Por fim, não poderia deixar de recomendar o livro Kate Raworth (Doughnut Economics), de grande contribuição para mudarmos a forma como pensamos a ciência econômica. Com simplicidade e clareza, Kate traz uma revisão de como vemos, analisamos e contabilizamos as atividades econômicas. Rompendo com a simplificação do crescimento a todo custo, reorganiza os objetivos que devemos perseguir. Em termos de revisão em profundidade da economia política, é um dos livros mais importantes que li. Sem descartar as teorias que herdamos, ela organiza a transição para o que devemos fazer. Aqui a economia volta a fazer sentido, e o não economista poderá até ver que o bom senso funciona. 

Para facilitar a vida dos leitores, fiz uma resenha, tipicamente de duas páginas, sobre cada um dos livros mencionados. E deixo bem claro que nenhum desses livros segue as regras da desgraça que chamamos de economês. Trata-se de gente séria que organiza os desafios e propõe respostas, de uma forma que qualquer pessoa com razoável formação geral possa ler com facilidade. Segue a lista abaixo com os respectivos links para as minhas resenhas”.

Grande Ladislau Dowbor e ainda coloca todos os livros que escreveu disponíveis para todos, em PDF. Grande economista e humanista.  

Vampirão, a serviço do Grande Capital Sanguessuga Financeiro

Temer representado no Carnaval

O Vampirão chama o Exército para aumentar o Golpe baixo e barato

Vampiro Temer promete salvar o Rio de Janeiro

Boa Nota do MST contra a abominável Intervenção militar no RJ

Do site do MST:

O MST recebeu com muita preocupação e condena a intervenção militar no Estado do Rio de Janeiro, instituída pelo presidente golpista, Michel Temer.

A ilegitimidade de Temer e sua fraqueza politica poderiam nos fazer pressupor que se trata de uma ópera bufa. Trata-se, porém, de medida extremamente grave, autoritária e atentatória ao Estado democrático de direito. Novamente, como na ditadura militar, as elites jogam as Forças Armadas contra o povo brasileiro. Reativam o conceito de inimigo interno, ao mesmo tempo em que são totalmente subservientes aos grupos econômicos internacionais, que estão espoliando as nossas riquezas naturais e ameaçam a soberania nacional.

Esta é uma resposta dos setores golpistas contra o povo, em um momento de intensa crítica popular às políticas do Governo Temer, como vimos ser abordadas em temas de blocos de rua e enredos de escola de samba por todo país durante o carnaval.

O Governo Federal está acuado diante da reação popular ao golpismo, principalmente à reforma da Previdência. Para tirar o foco dessas derrotas, tenta transformar o tema da segurança pública, da repressão, em propaganda para a classe média que vive com medo.

A população do Rio de Janeiro, principalmente a moradora das favelas, relegada ao crescente processo de desemprego e/ou subemprego, é, há anos, vilipendiada por governos corruptos, pela mídia empresarial (liderada pela Rede Globo) e pelo capital rentista que usurpa a riqueza dos cofres públicos. 

Os serviços públicos de assistência à população pobre são, primeiro, estigmatizados pelos meios de comunicação. Depois, são sucateados e extintos por governos neoliberais. Enquanto os bancos multiplicam, ano após anos, seus lucros astronômicos e imorais.

Assim, criaram e impulsionam, na esteira do governo golpista e de setores partidarizados do Poder Judiciário, um esgarçamento institucional, moral e politico da sociedade brasileira. O Rio de Janeiro é apenas a expressão mais visível do caos criado por essa elite antissocial e antidemocrática, que enriquece em nosso país.

Para nós do MST, essa intervenção não ajudará em nada, pelo contrário, ela aumentará a repressão ao povo, o que nos leva a concluir que não se trata de uma anomia, mas sim de uma política orquestrada para eliminação da pobreza [dos pobres, o redator quis dizer, e falhou em explicar…].

A solução para a crise do Rio de Janeiro não se resolve com cadeia ou intervenção militar, mas com Reformas Agrária e Urbana, com saúde e educação públicas… O que o Rio de Janeiro e o país precisam é de uma radicalização democrática: reverter todas as medidas já tomadas pelo golpismo neoliberal, retomando um projeto de nação a partir da participação popular e do restabelecimento dos direitos do povo brasileiro.

É preciso que a sociedade reaja a tal medida, que significará um balão de ensaio para a disputa presidencial e para a tentativa de aprovação de mais medidas impopulares em contexto de forte coerção.

Somente um país socialmente justo, igualitário e democrático poderá assegurar uma paz duradoura. Valores, estes, inconcebíveis pela elite brasileira e seu governo golpista.

* Direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

HC coletivo a favor de grávidas, lactantes ou que tenham filhos até os doze anos

247- “Por 4 votos a 1, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal concedeu habeas corpus coletivo para que mulheres e adolescentes presas preventivamente que estejam grávidas, amamentando ou tenham filhos com até 12 anos ou com deficiência cumpram prisão domiciliar; decisão deve ser implementada em todo o país em até 60 dias; relator foi o ministro Ricardo Lewandowski; voto vencido foi o do ministro Edson Fachin”. 

Intervenção federal no RJ é totalmente errada e explico

Cada Unidade Federativa é perfeitamente capaz de cuidar da própria segurança pública. Nos EUA, a segurança é cuidada por Municípios. Em quase toda a Europa, por estados ou pela União, quando não há Federações, federalismo.

O Brasil é um país continental. Uma República Federativa, e não unitária. 

Quem entende de crimes no RJ é a polícia carioca e o MP carioca.

Se forem crimes federais, é a PF lá e o MPF lá, formado por cariocas.

A União pode até ajudar e deve, mas não comandar a segurança pública estadual.

De resto, as Forças Armadas podem ajudar, e já fizeram isso mais de dez vezes no RJ, mas sob o comando dos cariocas.

Cada coronel da PM conhece o nome dos suspeitos de crimes nas áreas de seu batalhão. Cada delegado de polícia, tem todo o conhecimento para atuar na área circunscricional de sua delegacia. Cada coronel dos Bombeiros conhece tudo em sua área. E cada diretor de prisão conhece os presídios.

Para conhecer isso, é preciso mais de 20 anos no ofício e ser da área, conhecer a área, por morar na área.

Um general mineiro não entende NADA de segurança pública no RJ. E seus atos são analisados na Justiça Militar, o que é outro absurdo, pois imaginem os atos de um Super Secretário de Segurança que tem os atos analisados pela Justiça Militar em Brasília, e não de perto, no RJ. 

Os paneleiros manipulados pela GloboCIA e Fiesp

Luciano Huck quer Estado só para os ricos, tetas só para eles, os ultra ricos

Do 247 – “Os nossos neoliberais gostam de um “projeto social” para seu automarketing, mas detestam por a mão no bolso. Adoram por a mão no bolso do Estado, isso sim”, diz Fernando Brito, editor do Tijolaço;

“O Instituto Criar, pertencente a Luciano Huck, obteve, pela Lei Rouanet, R$ 19,5 milhões de doações convertidas em abatimento no imposto a pagar de grandes empresas – como o Itaú, a Microsoft, Casas Bahia, Ponto Frio, Volkswagen e outras -, um valor que deve chegar a R$ 21 milhões das captações em curso, este ano”.

Huck é o típico neoliberal. Quer Estado Mínimo (sem educação, saúde, bens produtivos, ferrovias, metros, direitos sociais etc) para os pobres. Quer apenas Estado policial para matar pobres.

Mas, para eles, a seita demo neoliberal, todas as tetas do Estado são boas. Vivem como sanguessugas do Estado, mamando 500 bilhões ou mais da Dívida Pública. E além disso, o tal Huck tem o jatinho financiado (quase dado) pelo BNDES, tem o iate de 44 milhões, tem carros Audi e outros puramente suntuosos, mansões, tem casas na beira do mar onde ele fecha a praia e é multado, e ainda vai e pega vinte milhões do Ministério da Educação. 

Os pontos comuns entre catolicismo, trabalhismo, socialismo democrático e nacionalismo democrático

Os pontos comuns entre catolicismo e socialismo democrático e trabalhismo (e nacionalismo democrático) estão bem descritos no livro do padre Ulisse Alessio Floridi, “O radicalismo católico brasileiro” (São Paulo, Ed. Hora Presente, 1973), traduzido pelo triste Lenildo Tabosa Pessoa, articulista do jornal “O Estado de São Paulo”, jornal que esposa o liberalismo econômico, a defesa do capitalismo, do latifúndio e do imperialismo.

O livro do padre Floridi é texto integrista horrível, gestado pela CIA (fábrica de golpes baixos e baratos) mas descreve o “radicalismo católico”, a aproximação e a luta conjunta de católicos e socialistas democráticos.

As obras da antiga TFP e da Editora Hora Presente foram financiadas por multinacionais, que atuam sempre em parceria com a CIA. A CIA, na Itália e no Brasil (como no Chile e em outros países), sempre buscou evitar a parceria entre católicos e socialistas democrático.

Há a mesma descrição do ideal de uma democracia popular, como ideal histórico da Igreja, no livro de J. Grigulévich, “La Iglesia Catolica y el movimento de liberacion” (Moscou, Ed. Progresso, 1984).

O livro de Grigulévich é um livro aprovado e redigido pela cúpula do antigo Estado soviético. E mostram a aliança da Igreja com os partidos trabalhistas, socialistas democráticos e nacionalistas democráticos. 

Os textos da TFP, de Plínio Correa (influenciado pela CIA), são muito eloquentes, mostrando as ligações do catolicismo com a democracia participativa, com o ideal de autogestão e de bem comum.

Como fica claro, várias fontes diversas descrevem o mesmo ideal histórico da Igreja, o ideal de uma democracia popular, baseada na melhor da filosofia cristã.

O Kremlin buscou aliança com a Igreja, os ortodoxos e com os anglicanos. E fez isso corretamente, pois sabia, como sabiam Marx e Engels, que o cristianismo tem ideias maravilhosas, pro pobres, pro trabalhadores. 

Mesmo no governo de Stalin, o Partido Comunista da URSS incentivou a divulgação de milhões de exemplares do livro do Deão de Canterbury, “O cristianismo e a nova ordem social na Rússia” (Rio, Ed. Calvino, 1943). Este livro continha uma demonstração racional (que contrariava teses estalinistas) que o socialismo era compatível com o cristianismo e que a ética cristã era anticapitalista.

O livro de Bebel, “O socialismo e o cristianismo”, como será visto em outra postagem, tem a mesma tese, pois ensina que o socialismo visa à realização dos ideais éticos cristãos.

A Internacional Comunista, desde pelo menos 1935, criou o movimento “mãos estendidas” aos católicos, movimento que reconhecia, implicitamente, o ideal cristão de uma democracia popular.

Stalin (talvez lembrando das lições de uns dez anos de seminário, onde ele estudou até os 21 anos) e a cúpula do Kremlin adotaram a expressão “democracia popular” como forma de transição para o socialismo.

A democracia popular, para Stalin, era similar ao modelo do socialismo democrático e também do movimento dos países do “terceiro mundo”, tal como dos nacionalismos anti-imperialistas e também foi criado para aproximar-se do Vaticano, na política de mãos estendidas.

— Updated: 20/02/2018 — Total visits: 21,826 — Last 24 hours: 64 — On-line: 0
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